O Herdeiro da Ruina

38 O Destinado Confronto no Palácio Imperial


Notas iniciais
Aeee Leitores!! Dessa vez não demorei UM mês, foram apenas duas semanas e acho que assim esta bom kkkkk Esse capitulo é dedicado a Daughter of Poseidon (ou Lah kk) que favoritou, fez uma incrível recomendação e comentou quase todos os capitulos!! Eu nem acredito *-- Também o leitor DarkMoon The Rebel por ter favoritado tbm kk Vamos ao capitulo!!

POV — Jason

Num momento eu estava prestes a ser atingindo por alguns tiros (normal até aqui), mas no outro eu estava em frente a uma fonte com uma estátua de Poseidon cortada ao meio no centro dela. Só de olhar em volta eu logo soube onde eu estava, era um pouco menor do que eu imaginava, mas a área do Palácio Real não deixava de ser incrível.

Gabe se abaixou perto da parte de cima da estátua de Poseidon tombada no seu lado e a observou por alguns instantes. Depois se voltou a mim, perguntando:

– Jason, por que Poinê nos trouxe aqui?

– Benjamin deve ter mandado ela nos trazer aqui para resgatar Amanda e quem mais estiver aqui.

– Sei... onde procuramos primeiro?

Eu olhei ao redor. Atrás da estátua quebrada, uma grande escadaria de pedra se erguia até aos grandes portões destruídos do palácio imperial. As colunas de mármore que sustentavam as estrutura estavam cobertas de limo e por alguma razão, um esqueleto de baleia azul guardava a entrada. Era bem estranho, mas Gabe achava legal. À direita da estátua, um templo de Poseidon estava em ruínas e parecia ter sido destruída recentemente.

– Vamos para o palácio, o templo está muito destruído para abrigar alguém.

Gabe era o tipo de garoto de poucas palavras que só perguntava o suficiente para formar um objetivo em sua cabeça. Isso pode parecer meio robótico da parte dele, mas segundo ele, ser filho do deus que representa o poder grego (vulgo Cratos) trás mais problemas que benefícios. A presença de um semideus grego pode afetá-lo de várias formas, pode deixá-lo mais forte e ágil, ou mais lento e até sonolento.

Agora, eu era o único que estava por perto, sendo um semideus romano (basicamente o inverso do grego), ele estava até um pouco fraco e podia perder a concentração facilmente. Por isso as poucas palavras.

– Em vez de procurarmos no palácio, que tal nas termas ali? – Ele apontou pra uma casa de feitas de tijolos de mármore branco quase que inteiramente coberta de musgo e raízes.

– Você quer ir às termas agora?

– Termas são legais.

Às vezes eu esquecia que Gabe tinha 14 anos de idade, ele ainda era uma criança.

– Certo, que tal assim? Vamos investigar o palácio primeiro se não encontrarmos ninguém nos primeiros vinte minutos, você pode voltar e investigar as termas e esperar os outros. Pode ser?

– Aham.

Nós entramos no palácio e a primeira coisa que notei foi o enorme salão em ruínas, o teto tinha desmoronado e olhando pra cima conseguíamos ver as nuvens tempestuosas, quando chegamos, elas não estavam desse jeito. As nuvens pareciam prestes a começar uma enorme tempestade.

Avançamos por uma câmara onde tinha uma estrutura gigante de ouro, ela sustentava uma enorme pedra de esmeralda com escrituras em grego antigo talhadas, eu não sabia ler essa coisa, mas Gabe disse que ali tinham as leis que os habitantes de Atlântida tinham que seguir. Além daquilo, só havia mais ruínas.

Atravessamos mais uma sala e enfim chegamos a uma entrada que tinha duas direções. Um corredor a esquerda ou uma escadaria em frente.

– E agora?

– Vamos nós separar. Você vai pelas escadas e eu vasculho esse lado, pra voltar vai ser mais fácil pra você.

– Certo.

Gabe começou a subir as escadas e então eu comecei a explorar o lado esquerdo. Alguns minutos andando na quase total escuridão, eu comecei a ouvir passos vindos mais a frente no corredor. Eu joguei minha moeda de ouro pra cima e minha espada surgiu, eu estava torcendo para ser aquele cara. E era ele.

– Victor Oslon. – Digo.

O rapaz chegou mais perto e então pude ver seu sorriso sádico que me enchia de ódio só de olhar. Ele segurava um enorme martelo de ferro e vestia as mesmas roupas de quando lutamos no Posto Avançado.

– Jason Grace, não esperava encontrar você aqui tão cedo.

– Eu sim. Mesmo que seja o acaso ou o destino, eu agradeço aos deuses por ter te encontrado primeiro. Eu quero muito, acabar com a sua raça. Você nem faz idéia o quanto. – Ele deixou seu grande martelo encostado na parede e começou a estalar seus dedos.

– Isso é interessante, Jason Grace.

– Cara, não me chame mais de “Jason Grace”. – Joguei minha espada pra cima e ela se tornou uma moeda novamente, então a guardei no bolso – Você pode me chamar de “Jason” ou “Carrasco”...

– Carrasco?

– Isso. – Eu peguei as luvas de trás do meu cinto – Até que soa bem.

As luvas eram de couro escuro com disco de prata nos nós dos dedos, elas foram presente do Leo antes de eu vir para Atlântida. Essas luvas eram capazes de conduzir e até armazenar (mesmo por um instante) eletricidade. Ele teve essa idéia quando lutou contra Isabel e seu chicote. Elas seriam úteis para ir contra um cara que adora usar os punhos, eu queria derrotá-lo no que ele era melhor.

Eu calcei as luvas enquanto ele me observava calmamente. Victor não tinha nenhuma pressa, sei que ele gosta de saborear o máximo de tempo que puder com as coisas faz. Nesse momento, ele queria que nossa luta durasse bastante.

– Está pronto? – Perguntou ele.

Correntes elétricas passavam por entre meus dedos, fazendo-os tremer de ansiedade.

– Pode vir.

Victor avançou com um soco destruidor. Eu esquivei para o lado e retribui com cruzado de direita, mas Victor defendeu com o braço. Foi como acertar um soco no concreto. Ele girou o corpo e tentou me acertar uma cotovelada, mas eu inclinei pra trás no último segundo. Infelizmente, fui surpreendido por chute que me levou ao chão.

Assim que dei conta que estava no chão, vi o pé de Victor descendo sobre minha cabeça. Eu rolei para o lado para evitar a morte certa e acabei caindo numa rachadura no chão, caindo no andar de baixo. Eu logo notei que estava numa serie de corredores e Victor desceu em seguida, com um sorriso no rosto.

Eu me levantei num pulo e começamos a trocar socos. Eu conseguia evitar a maioria, mas quando ele me acertou na costela, eu a senti trincar. Engoli o gemido de dor e desferi um soco eletrificado, ele conseguiu evitar que o soco atingisse seu rosto parando-o com sua mão, mas as descargas elétricas percorreram toda extensão de seu braço, causando algumas queimaduras. Um braço normal teria sido carbonizado.

Victor não deixou o ferimento atrapalhar sua diversão. Ignorando o braço ferido, ele apertou meu punho com força. Eu nunca tinha imaginado que ter seus dedos espremidos a ponto de quase quebrá-los seria tão doloroso. Eu tentei golpeá-lo com a outra mão, mas a agarrou o soco do mesmo jeito que anterior. Minhas duas mãos estavam presas.

– Isso é tudo o que você tem, Jason Grace?

Tentando ignorar a dor, respondi:

– Eu nem comecei.

Com o ar, eu impulsionei minhas pernas pra cima e então o chutei com as duas pernas bem no peito, notei o ar saindo de seus pulmões. Ao mesmo tempo, ele largou minhas mãos e recuei com o vento me levando pra trás. Eu me virei e corri para um dos corredores, sabia que Victor me perseguiria.

Enquanto corria, verifiquei minha mão dolorida. Ela estava avermelhada e alguns dedos estavam fora do lugar, peguei um pedaço de ambrosia que tinha no bolso e o comi em duas mordidas. Meu corpo se aqueceu e senti parte da minha força revigorada.

Eu olhei para trás e nenhum sinal de Victor, então sem qualquer aviso, a parede ao meu lado explodiu. Pedaços de pedra e poeira voaram em todas as direções, em meio a poeira Victor apareceu com um sorriso quase sádico no rosto. Eu fiquei sem nenhuma reação quando ele agarrou o meu braço e me jogou na parede atrás de mim, em seguida ele desferiu um soco bem no estomago. Eu me curvei por causa da dor e cuspi sangue em seguida.

Eu tentei me recuperar, mas ele me pegou pela gola da camiseta me bateu contra a parede duas vezes antes de dizer:

– Jason Grace, eu estou na duvida se o seu destino vai ser a morte ou algo pior, como aconteceu com aquela sua garota.

– Aquela garota? – O sangue começou a subir na minha cabeça – Piper! Você está falando da Piper? – Gritei.

– Isso... Piper, Piper... Piper. Ótima garota, ela grita como ninguém quando tem uma faca cortando suas costas, às vezes... – Ele riu com algo que pensava – dava vontade de parar, curá-la com ambrosia e... começar tudo de novo.

– Desgraçado! Onde ela está?

– Descansando... numa cama de pregos. – Ele riu ao ver minha expressão – Mentira, ela está presa com os outros capturados.

Apesar da situação eu fiquei aliviado ao saber que ela não estava sofrendo naquele momento, imaginando pelo o que passou nos últimos nove meses. Tentei mover meu braço para o meu bolso, numa tentativa de pegar minha moeda, mas ele me jogou pelo buraco na parede e rolei uns dois metros antes de parar na beira de uma rachadura no chão. Essa era bem mais profunda que a outra, se alguém caísse aí, não voltaria mais.

Antes que pudesse me levantar, Victor me ergueu pela gola da camiseta e me deixou suspenso sobre a profunda rachadura. Ele me encarou com olhar de decepção, virou o rosto e então me largou para cair no abismo. Felizmente, ele esqueceu um detalhe.

– Ei. – Chamei. Ele se virou para mim novamente, surpreso – Eu sei voar, idiota.

Minha mão brilhava com a carga elétrica que nela tinha, então eu desferi um soco com força total em seu rosto. Eu senti toda a eletricidade sair do meu punho e atingir o rosto dele. Mesmo depois desse poderoso soco, eu não parei, eu fiz uma sequencia de socos golpeando seu abdômen e seu rosto recém chamuscado.

Eu pensei que finalmente estava conseguindo ganhar, mas então ele avançou com tudo e me atingiu com uma cabeçada. Minha visão ficou turva e só depois que ela voltou ao normal percebi que estava imobilizado no chão. Era o fim.

Eu agarrei o braço esquerdo numa tentativa de imobilizá-lo antes que Victor pudesse dar o golpe final, mas eu não era forte o suficiente, mesmo assim eu não iria largá-lo. Victor esboçou um sorriso e com o outro braço me ergueu pelo pescoço acima de sua cabeça. Eu mal conseguia respirar, teve vezes que quase perdia a consciência, mas meu objetivo manteve acordado.

– Que tal largar meu braço? Isso está me incomodando. — Eu tentei dizer algo, mas minha voz mal saia — Ah, quer dizer alguma coisa? Vamos ouvir as ultimas palavras do famoso Jason Grace.

Ele aliviou um pouco a força em minha garganta e assim consegui respirar melhor. Era tudo o que precisava.

– Isso... É pelo Harpy!

Eu segurei o braço dele com toda minha força e com as pernas eu peguei impulso em pleno ar. Não achei que conseguiria, mas saímos voando pra cima em grande velocidade. Antes de chegar ao teto, eu manobrei minha posição no ar e fiz com que Victor se chocasse contra ele. O impacto o fez perder a força, assim consegui livrar meu pescoço.

Com minhas forças restantes usei todo o ar em volta pra jogá-lo de volta ao chão com toda velocidade. Assim que ele chegou ao chão, tudo a sua volta rachou como casca de ovo, mas ele ainda estava vivo. Ele tentou se levantar, mas a pressão do ar não o deixava fazer isso. "Hora de acabar com isso!", pensei. Peguei minha moeda e invoquei minha espada, em seguida mergulhei na direção de Victor com o vento me impulsionado. Ao mesmo tempo, um raio atravessou o teto e atingiu minha espada eletrificando tudo ao seu redor.

Pela primeira vez, vi o medo nos olhos de Victor, aquilo chegava a ser prazeroso. Eu atingi bem no peito, o golpe foi seguido por uma explosão de luz e eletricidade que foi para todos os cantos do salão.

Assim que a escuridão tomou conta da sala novamente, eu me levantei e olhei para as nuvens através do buraco que raio tinha feito no teto. Em não tinha invocado nenhum raio, logo pensei que meu pai, mas não acho que se intrometeria numa luta minha.

Eu encarei o corpo de Victor. Parte dele estava todo chamuscado e com queimaduras graves, além de um buraco bem grande em seu peito. Mesmo vendo a terrível cena que eu tinha feito, eu não senti nada parecido com arrependimento. Para mim, ele teve o que mereceu.

Em um segundo, todo o cansaço que meu corpo estava ignorando voltou. Minha respiração estava difícil e minha mão doía mais do que nunca. Eu não conseguia ver, mas sabia que tinha uns cortes bem ruins nas costas e pernas.

Eu saí daquela sala e voltei para os corredores, eu segui por eles com minha intuição como guia. Minutos depois, encontrei uma porta de ferro com um cadeado moderno prendendo-o. “Talvez Victor tenha vindo dessa porta...”, pensei. Com minha espada destruí o cadeado e abri a porta.

Ânsia.

Foi o que eu senti ao abrir aquela porta. O cheiro de carne morta estava forte, moscas pairavam acima de mim, procurando algum lugar para pousar. Eu respirei fundo e entrei na sala.

Existem certas coisas na vida que eu desejaria nunca ter visto, essa foi uma delas. Num canto da sala, corpos de semideuses formavam uma pilha pequena, mas fétida. Eu os encarei e infelizmente reconheci alguns deles. No outro canto, eu contei trintas semideuses vivos em estado deplorável, eles se dividiam em seis celas separadas e dormiam em meio a sujeira. Todos estavam presos a algemas ou correntes.

Mais a frente, uma jaula de barras de ferro ocupava boa parte da sala e nela uma única pessoa dormia. Uma garota que antes tinha cabelos marrom-chocolate, mas agora pareciam acinzentados, a pele que antes era morena agora estava pálida. Seu corpo estava magro e ossudo. Ninguém a reconheceria mais, mas consegui.

– Piper...?

Notas finais
Piper is back! E viva. Eu vou tentar postar a cada duas semanas (sempre em finais de semana), ok? Tenho trabalho e estudo a noite todo agora, mas vou conseguir tempo para realizar essa meta. Até a próxima!!