O Herdeiro da Ruina

39 EXTRA 1 - Desventuras em Salt Lake City: Montanha


Notas iniciais
Eaee Lembram quando eu disse que estava escrevendo um enorme capitulo extra que se passava entre o Três meses que Benjamin ficou desaparecido? Ele ficou pronto ontem e ficou maior q eu pensava kkk Vou dividi-lo em duas parte. Alem de satisfazer meu lado masoquista de escrever durante a madrugada em vez de dormir (coisa q eu adoro), eu tambem decidi responder algumas perguntas que surgiram ao decorrer da fic.. como: - O que aconteceu com o cocatrice que matou Mia na Pousada de Hermes? - Como Benjamin sobreviveu e saiu ileso quando a lança de Ares o perfurou no Cap 27? - Como Benjamin consegue invocar as Queres sem nenhum risco? E controlar parcialmente o Poder da Morte? - Para que serviam as cicatrizes que Akhlys fazia no Benjamin? - Sobre os lugares com influencia grega destruídos, qual o motivo? - E a origem do tão falado "Plano"? Esses foram o que eu consegui lembrar kkk acho q não tem mais :p Boa Leitura!!

POV — Benjamin

Nas montanhas Rochosas perto de Salt Lake City, havia uma estação de pesquisas abandonada. As paredes eram de concreto e de vários outros materiais que mantinham o calor dentro dela, pois lá fora nevava como eu nunca tinha visto. Não fazia como tinha chegado ali. Minha última lembrança antes de acordar nesse lugar foi de eu estar no Breu junto com aquele albino desgraçado, daí eu senti a ira e o poder crescer em mim... a partir daqui não lembrava mais nada.

Eu estava isolado.

Todo o equipamento que ali tinha estava desligado ou quebrado. Em uma das salas achei vários gráficos e tabelas sobre a neve, quantidade que caia, tempo, profundidade, tudo em escala e datado. Eu não fazia idéia para o que aquilo servia, mas não parecia importante, afinal, abandonaram a estação.

Em outra sala, encontrei equipamento de escalada e roupas próprias para essas montanhas cheias de neve. Meu habitual casaco não era capaz de me manter aquecido, pois mesmo dentro da instalação estava frio. Eu peguei uma blusa segunda pele preta e a vesti rapidamente, em seguida, coloquei minha habitual camiseta cinza e por cima uma blusa fleece vermelha. Também troquei a calça jeans, por uma calça própria para a neve. Nesse momento, Akhlys apareceu na porta, vendo a cena.

– Olha só, é meu aniversário? – Perguntou ela, sorrindo.

Nessa hora, peguei meu cinto que ainda estava na calça jeans e invoquei minhas duas espadas. E apontei pra ela.

– Akhlys, por que estou aqui?

Ela andou até uma das mesas e se sentou nela, cruzando as pernas. Ela vestia um casaco de pele preto, uma calça para o frio, um cachecol cinza e gorro também cinza.

– Olhe as cicatrizes em seu braço. – Respondeu ela.

Eu não entendia como aquilo tinha haver com o assunto, mas assim que olhei, levei um susto. As cinco marcas estavam ali, eu tinha perdido. Meses fugindo para aquilo não acontece e nada adiantou.

– As cinco marcas eram como chaves para abrir um cofre. – Explicou Akhlys – Quando a quinta e última marca fosse feita, seus poderes ocultos de Herdeiro despertariam e tomariam seu corpo. Assim você começaria a destruição dos deuses e tudo o que eles criaram.

Eu a encarei.

– Por que eu não estou fazendo isso agora?

– Por minha causa, eu selei parcialmente seus poderes. Não totalmente porque, bem, é impossível. Uma hora ou outra você vai querer destruir os deuses ou algo relacionado a eles. – Eu abaixei a espada – Antes que você pergunte, eu fiz isso para que você pudesse treinar a controlar os poderes do Herdeiro e para você aprender alguns truques que só um filho de Tânatos pode fazer. Esse lugar é isolado e não tem nada relacionado aos deuses, poderemos treinar tranquilamente. Isso responde o “por que estou aqui?” de antes.

Akhlys estava mentindo, tinha que estar mentindo. Ela estava me ajudando e contrariando tudo o que eu conhecia sobre ela. Uma parte de mim dizia “O que está esperando? Vá treinar e salve seus amigos!”, mas outra dizia “Manda essa vadia pro inferno e corta a cabeça dela fora!”. Ambas eram muito tentadoras.

– E se eu não quiser?

– Eu te levo pra o Acampamento Meio-Sangue e libero seus poderes, lá você pode começar seu trabalho de Herdeiro... – Ela sorriu – o que você acha disso?

– Você tem ótimos argumentos. – Digo.

– Obrigada. – Ela saiu de cima da mesa e veio até mim – Ben, eu tenho muita coisa pra contar a você, mas nós temos tempo. Vamos ir devagar, certo, primeiro você precisa começar a confiar em mim.

Eu ri com a idéia.

– Você é engraçada. – Eu andei até a porta, e antes de sair digo: – Eu vou treinar e fazer o que você quiser, mas eu nunca vou confiar em você não importa o que você diga.

Então eu saí, procurando alguma cama pra deitar-me.

***

Os dias seguintes foram tediosos, mas úteis.

Akhlys me contou toda sua versão da historia, como ela foi obrigada a fazer todas as atrocidades que fez comigo e meus amigos, resumindo toda a historia, era culpa do meu pai. E quando não é?

Depois ela me mostrou diversos truques que um deus da morte pode fazer. Um exemplo disso era a invocação das queres. Eu já havia feito isso antes, mas Akhlys me mostrou o que cada queres podia oferecer. Ela me ensinou que Poinê, a queres do Castigo, tinha o poder do teletransporte; Limos, a queres da Fome, podia rastrear qualquer ser vivo por perto; Ker, a queres da Destruição, possuía uma força incrível; Nosos, a queres da Doença, podia produzir vírus e bactérias mortais em seu corpo; e havia várias outras.

– Até eu tenho algo a oferecer. Eu sou a queres da Névoa da Morte, posso “camuflar” sua presença entre monstros e mortais, também posso enganar os deuses. Mas se eles souberem onde procurar, não posso fazer nada. Por isso é bom ficar perto de mim.

– E eu achando que você era inútil.

Nessa hora ela jogou um mouse de computador em mim. Eu abri um riso, ela ficou brava.

Fiquei uns dois dias aprendendo sobre as queres, descobri que tinha outro tipo de queres, essas eram aladas e serviam apenas a Hades, elas não tinham aparência humana e, segundo Akhlys, eram bem feiosas. Nos dias que se seguiram, invoquei todas as queres eu podia comandar de uma vez só, oito no total (contando com Akhlys).

Akhlys me pediu para que eu criasse laços com elas para que elas gostassem de mim. Pois se não gostassem, bem, elas poderiam tentar me matar caso ficassem descontentes. Fazer isso até que foi fácil, em uma semana, fiz com que todas me amassem. Ok, nem tanto, mas elas gostavam de mim.

Logo após isso, Akhlys me ensinou um truque realmente interessante. A habilidade de “evitar a morte certa”. Segundo ela, era algo que só um filho da morte podia fazer. A teoria é o seguinte, primeiro eu teria que focar em meus poderes, em seguida eu teria que imaginar a arma do meu oponente me matando. Se fosse uma flecha, eu teria que imaginar uma flecha me perfurando. Depois de ter feito isso, eu só tinha esperar o golpe. Meu corpo iria (de alguma forma) resistir ao impacto da arma, me deixando ileso.

– Lembre, esse truque só funciona quando a morte é certa. Se não foi assim, não vai adiantar nada.

Difícil seria a prática, um erro eu podia realmente morrer. Depois de muita discussão, convenci Akhlys a fazer isso por último. Nas próximas semanas, treinei algo que eu realmente era bom. Combate. Eu enfrentei todas as minhas queres, uma por uma, e venci a maioria. Também enfrentei Akhlys, mas ela era bem poderosa.

– Fracote. – Disse ela, rindo de mim.

– Vaca.

– Perdedor.

– Cretina.

– Bebezão. – (Isso continuou por alguns minutos).

Depois de nossa troca de elogios, ela preparou algo para eu comer.

– Eba... macarrão instantâneo, de novo. – Desdenhei.

– Pare de reclamar.

– Estou comendo isso faz quase dois meses, eu não estou recebendo os nutrientes necessários para uma alimentação saudável. Se eu morrer, vai ser culpa sua. – Ela me encarou com os braços cruzados. – Eu preciso de comida de verdade, sério.

Ela soltou um suspiro.

– Ah, você venceu. Eu vou descer a montanha para comprar “comida de verdade”, não saia daqui. Todos estão te procurando.

– Certo, certo. – Digo. Akhlys desapareceu em seguida.

Um segundo depois dela ter saído, eu corri até a sala de equipamentos e peguei tudo o que precisava para sair daquele lugar. Eu não saí da estação de pesquisa desde que cheguei, eu precisava de um pouco de ar. Eu estava nas montanhas perto de Salt Lake City, um lugar belo e cheio de coisas legais pra fazer. Tudo o que precisava era descer a montanha.

Eu abri a porta e senti o ar frio em meu rosto. O céu estava azul e limpo, ideal para uma caminhada. Comecei a descer a montanha com cuidado, a neve estava firme e não fiz nenhum esforço para descê-la. Logo cheguei na parte com árvores cobertas de neve.

Em duas horas, cheguei na parte sem neve. A temperatura tinha aumentado consideravelmente, por isso retirei os grossos casacos e deixei lá mesmo (eu pretendia voltar pelo mesmo caminho). Eu fiquei apenas com a blusa fleece e minha camiseta cinza. Antes de continuar, eu verifiquei o mapa que tinha encontrado na estação, lá eu vi uma trilha que dava pra um pequeno lago, achando a trilha, eu achava um jeito de ir até a cidade. Decidido, eu sigo em frente.

Andei tanto que a fome começou a me irritar. Não sabia quanto tempo tinha passado, desde que saí, o sol continuava no alto do céu, ardente e brilhante. Aquilo estava acabando comigo. Em meio a floresta, eu conseguia ouvir animais e até algumas ninfas, rindo do idiota perdido, eu. Segui em frente por mais alguns minutos e então finalmente cheguei a algum lugar. Um lago perdido em meio às montanhas. Esse lago não estava no mapa, pois não era muito grande, mas sua água era limpa e cristalina.

– Até que enfim. – Digo a mim mesmo.

Deixei minha blusa fleece perto de uma raiz de árvore junto com minha camiseta, tirei minhas botas, meu cinto mágico e calça de neve – Ficando só com minha cueca box – depois corri que nem louco para o lago. Mas assim que sai da mata, me vejo encarando uma garota nua se banhando as margens do lago. Ela parecia ter uns 15 anos, tinha cabelos ruivos e pele tão clara que parecia brilhar. Ela era magra e, bem, tinha belas curvas. “Talvez seja uma ninfa...”, pensei.

– Ahn... – tentei dizer algo, mas aquela cena me fez esquecer todas as palavras que eu sabia.

Ela olhou pra mim assustada. Nessa hora consegui ver a cor de seus olhos, eram prateados, prateados como a lua. Então um nome veio a minha cabeça, eu sabia quem era ela. Sua expressão de susto durou apenas um segundo, logo ela foi substituída por raiva pura.

– Ártemis?

Em resposta ela estendeu o braço e um arco prateado surgiu com uma flecha pronta pra ser disparada. Eu me virei e corri em direção à mata o mais rápido que podia, eu cheguei uma árvore e me escondi atrás dela. Uma flecha atravessou a árvore a poucos centímetros da minha cabeça. Ela queria me matar, isso era certeza. Todo semideus sabe as consequências de ver Ártemis, a adorável deusa virgem, se banhando nua. Ou era a morte ou ela te transformava num animal para ela caçar mais tarde. Nada bom.

– Saia daí devagar, – Ordenou ela – Sei muito bem onde você esta, se não quiser morrer agora mesmo faça o que eu digo.

– Não faz diferença! – Gritei de volta – Você vai me matar de qualquer jeito.

– É morrer agora ou morrer depois, você escolhe.

– Certo, certo! Eu saio.

Eu me levantei devagar e saí de trás da árvore. Ela estava de lado com o arco pronto para disparar, tinha os cabelos cobrindo os seios e do ângulo que eu estava tinha um arbusto cobrindo a parte de baixo.

– Quem é você? – Perguntou ela.

– Benjamin Briggs.

– Você é o Herdeiro?

– Sim, impressionada?

– Não, eu esperava mais. – Nunca achei que seria ofendido por uma deusa nua, mas o destino sempre impressiona – Pensei que você estava na Califórnia, mas vejo que estou enganada.

– Califórnia? Por que diabos eu estaria na Califórnia?

Ela franziu o cenho.

– Não se faça de idiota, ontem você destruiu a Agencia de Modelos da Afrodite que fica na Califórnia. Eu mandei minhas caçadoras pra lá ontem para procurar pistas sobre seu paradeiro, mas parece que sorte está ao meu lado. Você está aqui e vou matá-lo agora.

Eu não fazia idéia do que ela estava falando. Eu não saí da estação de pesquisa desde que eu cheguei nela, eu só treinei e treinei nesse último mês.

– Espera aí. Eu não fiz nada disso!

Ela não estava me escutando, ela ia atirar e com certeza eu iria morrer. Foi então que lembrei no que Akhlys tinha me ensinado, como “evitar a morte certa”. Eu nunca tinha tentado na prática, esse seria uma ótima oportunidade. Eu me concentrei e imaginei a flecha de Ártemis me atingindo.

Ártemis disparou a flecha e ela voou rapidamente em direção ao meu coração. A flecha perfurou meu corpo e senti uma dor imensa, mas eu ainda conseguia sentia meu coração batendo. Tinha funcionado. Eu peguei a flecha e puxei pra fora, nenhuma gota de sangue saiu do local perfurado.

Eu encarei Ártemis e vi que ela estava impressionada, tanto quanto eu.

– Como você...

Uma brisa forte e violenta começou a soprar contra nós. Ártemis olhou pra cima e gritou para o céu:

– O que você está fazendo aqui? Vá embora!

Uma risada feminina medonha ecoou pela floresta, então uma forma fantasmagórica apareceu por trás de Ártemis. Era uma mulher alta e devia ser bonita, mas seu rosto estava tomado por uma expressão assassina. Ela flutuava no ar e sua forma tremia com o vento, mas notei que ela segurava um punhal de lâmina dourada bem sólido nas mãos. Ártemis olhou pra trás e encarou a mulher antes que ela cravasse seu punhal bem na parte de baixo da suas costas.

Ártemis urrou de dor enquanto a mulher fantasmagórica ria.

– Esse é só o começo da minha vingança, você ira sofrer tanto quanto eu sofri. – Disse a mulher, então ela desapareceu ao vento.

Involuntariamente, corri até Ártemis para socorrê-la. Retirei o punhal do jeito menos doloroso possível, eu vi no cabo do punhal a marca dos Ciclopes Urânios, a mesma que tinha na minha pistola. Esse punhal era uma arma para matar imortais.

O sangue dourado não parava de escorrer, quando fui pressionar o ferimento, Ártemis tentou me golpear, gritando:

– Se afaste de mim!

– O que? Esse ferimento não vai sarar, ela foi feita por uma arma dos Ciclopes Urânios! Você vai morrer se não receber tratamento.

– Não importa, – Disse ela se levantando – prefiro morrer a ser tocada por você!

Ela tentou dar um passo, mas sua força se esvai e ela cai no chão novamente, só que dessa vez, ela ficou inconsciente. Pelo menos agora ela não iria reclamar, eu a peguei do chão e a levei até as margens do lago, lá eu peguei um pouco de água e limpei a ferida o máximo que eu pude. Então rasguei parte da minha camiseta e fiz um curativo improvisado no ferimento.

Eu a levei para baixo de uma árvore, e coloquei minha blusa por cima de seu corpo nu para mantê-la aquecida.

Só então vesti minha calça, mas fiquei sem nada na parte de cima, já que rasguei minha camiseta para o curativo e minha blusa estava sobre Ártemis. Daí me sentei encostado na árvore, ao lado dela.

***

O sol já estava se pondo quando Ártemis resolveu acordar.

A primeira coisa que ela fez após acordar foi (adivinhem) apontar uma flecha na minha cabeça. Eu estava na beira do lago, quando isso aconteceu. Meu cinto estava comigo e rapidamente invoquei minha pistola, apontando pra ela.

– Bom dia, bela adormecida. – Digo.

Ela franziu o cenho, provavelmente estava sentindo dores ou não tinha gostado do “bela adormecida”... talvez sejam ambos.

– O que você fez comigo?

– Fiz um curativo improvisado. Não precisa agradecer.

– Seu insolente! Como ousou me tocar, seu garoto imundo!

Ela disparou a flecha, mas consegui desviar facilmente.

Ela se curvou por causa da dor que estava sentindo, eu fui até ela para ajudá-la, mas assim que me aproximei ela tentou me golpear com o arco. O golpe foi bem previsível e fraco, eu peguei o arco dela e joguei pro lado. Então eu a derrubei no chão e encostei minha pistola em sua têmpora. Nessa distancia consegui sentir o cheiro de canela, misturado com flores silvestres, e aqueles olhos prateados como a luz do luar pareciam tão encantadores...

“O que diabos eu estou pensando?”, me perguntei. Sacudi a cabeça para afastar esses pensamentos esquisitos.

– Escuta aqui. – Digo – Eu sei que você não gosta muito de homens e sei que se considera intocável com ser uma deusa virgem. Mas adivinha, eu estou nem aí! Agora você estava ferida e fraca, não sei quem era aquela mulher e porque ela te atacou. Isso é problema seu, mas eu sou o único aqui que pode te ajudar. Por isso, pare de me tratar como um cachorro! Concorda?

Ela fechou a cara, mas sabia que eu tinha razão, então assentiu.

– Mas não se esqueça, eu ainda vou matar você.

– Certo, mas antes de tudo. Coloque algumas roupas! – Ela ainda estava pelada.

– Se afaste.

Ele me levantei e me virei. Fiquei assim por alguns minutos, até que a ouvi praguejar em grego antigo.

– Algum problema? – Perguntei.

– Não consigo usar magia, aquela arma deve ter me deixado mais fraca que eu pensei.

Isso está ficando cada vez mais esquisito.

– Usa minha blusa, ela é grande, vai cobrir... o que tem pra cobrir.

Ela vestiu minha blusa fleece, que chegava até metade da coxa e então pegou seu arco no chão. Parece que a única coisa mágica que estava funcionando era seu arco e suas flechas que apareciam quando ela queria.

– E agora? – Perguntei – Tem algum jeito de você se comunicar com os deuses ou suas caçadoras?

– Não, estou sem magia, eu já disse. Mas elas vão notar minha falta de comunicação e voltarão rapidamente pra cá, talvez uns dois dias, elas vão me achar. Mas antes eu vou caçar aquela megera de qualquer jeito, ela vai me pagar por ter feito isso comigo. – Rosnou ela.

– Quem é a megera?

Ela me encarou.

– É a deusa da brisa e do ar fresco, Aura.

– O que você fez para deixá-la tão furiosa?

– Eu não estou a fim de compartilhar historias agora, vamos achar algo para caçar e também preciso achar algumas ervas para fazer um curativo descente.

Ela se virou e entrou na mata. Eu quase a deixei ir sozinha, mas algo dentro de mim me forçou a acompanhá-la. Como se eu não quisesse deixá-la sozinha, sem proteção... que merda eu estou pensando!

Eu a segui pela floresta. Para mim nós estávamos andando sem rumo, mas para ela estávamos seguindo o rastro de um javali, ele tinha passado na região fazia algumas horas. No caminho, ela colheu algumas ervas e plantas e, assim que nós fizemos nossa primeira parada, ela colocou algumas ervas na boca e mastigou. Depois de bem trituradas, ela aplicou na ferida e a cobriu com uma folha de outra planta. Só então usou outro pedaço da minha camiseta para enfaixar.

– Agora sim, isso é um curativo descente. – Disse ela.

– Incrível.

– Você pode encontrar muita coisa útil nas florestas, coisas que podem garantir sua sobrevivência. Uma simples planta pode servir como anti-inflamatório, ou um simples inseto pode garantir um pouco de energia para você continuar a viver. As florestas são uma dádiva para o homem, é uma pena que poucos pensem dessa forma.

– Realmente, é uma pena. – Não gosto de florestas, mas ela tem razão.

– Engraçado você dizer isso, semana passada a floresta onde eu adorava caçar foi incendiada por você.

– Eu não fiz nada, já disse. Eu estou nessas montanhas faz quase dois meses. O que acontece fora dela não tem nada a ver comigo. – Na verdade tinha, mas eu não sabia.

Ela me encarou por alguns instantes.

– Parece que você diz a verdade.

– Eu faço muito isso.

Nós recomeçamos a caminhada, a lua já estava saindo de trás das montanhas. Eu já estava ficando entediado de tanto verde, achei que já teríamos encontrado o javali nessa hora. Não sei o que ela planejava fazer com ele, mas algo me dizia que era apenas para ela alimentar seu ego de grande caçadora. Achei que ela queria provar a Aura (ou a mim) que mesmo ferida e sem poderes, ela podia ser a mais mortal das caçadoras. Algo desnecessário em minha opinião, pois ela é a “deusa” que representa tal coisa.

Mas o tédio era nada comparado ao frio que estava fazendo, eu ainda estava sem camisa e nada naquela floresta podia substituí-la. Eu precisava fazer algo para me aquecer, talvez um incêndio florestal... não, esse seria o plano B. A boa noticia é que mesmo seguindo o tal javali, nós estamos descendo a montanha. Quanto mais descermos, mais chance teríamos de encontrar a civilização.

Enquanto eu me distraia com meus pensamentos. Ártemis estava focada no que estava fazendo, ela parava de vez em quanto e verificava um galho de arbusto quebrado ou um rastro na lama. Também (quase sempre) ela se virava pra mim e falava pra eu parar de fazer tanto barulho, ela me chamava de “Pés de Chocalho”, nunca tive um apelido tão idiota.

– Não me chame assim. – Digo.

– Mas isso é exatamente o que você é, Pés de Chocalho. – Bufou ela.

Decidi não argumentar, não se pode ganhar numa discussão com uma deusa nervosinha.

– Espera. – Disse ela, parando em seguida. – Olha ali.

Eu me aproximei e fiquei agachado ao lado dela, eu senti que ela ficou incomodada com isso. Assim que olhei para frente, notei algo se mexendo na escuridão, mas não conseguia definir o que era.

– O que foi?

– Tem algo comendo o meu javali.

Assim que ela disse isso, pousei minha mão no meu cinto pronto para invocar minha lança. Não conseguia imaginar o que poderia estar comendo o javali, mas algo me dizia que Ártemis sabia, pois ela estava sorrindo vendo a cena.

– Tá sorrindo por quê?

– Porque a caça se tornou algo muito mais interessante, – Ela me olhou, ainda mostrando seu belo sorriso – temos um urso de dois metros e meio aqui.

– Maravilha. – Urso tem pele fofa e quentinha, ou seja, encontrei meu plano A. – Vamos fazer o seguinte, eu sirvo de isca para atraí-lo e você mata ele.

– O que? – Perguntou ela, surpresa. – Você é maluco?

– Você tem seu arco, né? Aposto que pode dar um tiro certeiro e matá-lo com apenas um tiro, mas você precisa de uma visão melhor dele e é aí que eu entro. E pelo jeito você pode ver no escuro. Você é perfeita para isso.

Ela me encarou de um jeito esquisito e então virou o rosto rapidamente.

– Isso é loucura, vai logo então.

– Me deseje sorte.

– Morra.

Eu invoquei minha lança e sai de trás do arbusto. O urso era realmente imenso, seus olhos era amarelados brilhantes, seus garras e dentes afiados estavam sujos de sangue. Ele urrou para mim e começou a avançar lentamente, eu não ia deixar ele se aproximar mais. Eu dei uma investida com minha lança e que acertou em uma das suas patas. A fera urrou novamente, avançou sobre mim e me atacou com suas garras. Eu rolei pro lado e as garras destruíram a árvore atrás de mim. Essa fera era realmente forte. Eu peguei distância, mas o urso já estava em cima de mim. Ele tentou golpear com sua pata, mas eu coloquei minha lança na frente, perfurando-a.

– Ártemis! – Chamei.

Eu retirei minha lança da fera e me abaixei para evitar outra patada, então larguei minha lança e rolei por baixo das patas traseiras do urso, em seguida invoquei minhas espadas e pulei nas costas da fera, cravando minhas espadas em sua pele fofinha. O urso urrou de dor e começou a se remexer de um lado para o outro.

Em meio a movimentação, vi Ártemis a uns quinze metros de distância com arco e flecha pronta para ser disparada. O que ela estava esperando? Eu? Me agarrei firme em minhas espadas e com o pé peguei impulso para trás e as retirei com um puxão. Assim que caí no chão, a flecha de Ártemis brilhou numa luz prateada e então ela disparou.

A flecha acertou bem na nuca do urso, ele deu alguns passos para frente, urrou uma última vez e tombou aos meus pés. Ártemis se aproximou e observou seu premio.

– É um belo animal. – Disse ela.

– É uma bela pele, vamos fazer alguns casacos! – Digo empolgado, o frio estava me matando.

Ela me encarou de cara feia por alguns instantes, mas então sua expressão aliviou e fez algo que eu não esperava. Deu um leve sorriso.

Notas finais
Então... Legal? Sempre quis escrever uma historia onde Benjamin encontrava Artemis, mas nunca consegui pensar numa razão para ele fazer isso... agora consegui kkkk A segunda parte vou postar ainda hoje ou amanhã, não vou esperar duas semanas.. já ta pronto mesmo u.u kkk Até a proxima