O Herdeiro da Ruina
20 Nico toma chá com o Inimigo
Notas iniciais
POV – Nico
Quando desmaiei, meu pai veio me visitar.
Nos meus sonhos, claro.
Sonhei que estava no Mundo inferior, na Sala do Trono do Palácio mais precisamente. As paredes estavam decoradas com ossos e representações de mortos, meu pai estava sentado em seu Trono olhando pra mim.
– Olá Nico. – Disse ele.
– Oi pai, é raro você se comunicar comigo por sonhos, Aconteceu alguma coisa?
Ele se ajeitou no Trono e disse:
– Sim, você precisa abandonar seu amigo Benjamin. Pela sua segurança.
– Não, nós estamos em missão.
– Nico! Escute a razão, ele é filho de Tânatos, um é candidato a ser o Herdeiro. Ele tem mais poder que você imagina, se ele despertar seus poderes vai ser uma questão tempo para que ele destrua todos nós, você também e seus amigos. A Akhlys vai fazer de tudo pra que ele o desperte.
– Akhlys? Não, ela quer matar o Benjamin.
Meu pai riu.
– Matar? Ela só está brincando com ele, você sabia que as queres são servas do Benjamin? Do mesmo modo que os mortos são os nossos. – Isso era novidade – Lembra quando aquele moleque invadiu o Mundo Inferior?
– Lembro, nunca entendi por que você foi pessoalmente prende-lo.
– Porque ninguém iria conseguir, nem mesmo você. Quando ele chegou perto do Elísio ele estava com seus poderes despertados, ele iria destruir tudo e todos. Lembra dos olhos amarelos brilhantes que nem lâmpadas? Da raiva? Dos ataques selvagens? Ele estava fora de si, parece que ela é movido pela perda. Ele é perigoso Nico, se afaste dele.
Meu pai enlouqueceu, é a única possibilidade. Akhlys não podia ser uma serva do Ben, ela tentou matá-lo, matou todos seus conhecidos e ainda o marcava toda vez que o encontra. Mas sempre achei estranho quando lutamos naquele dia, meu pai notou que eu não acreditava.
– Você não acredita, não é? – Ele se levantou com raiva – Então vá e busque suas próprias respostas, depois não diga que eu não avisei.
Quando pensei que finalmente iria acordar, meu sonho mudou de lugar. Estava numa sala de estar, não reconheci o lugar. As paredes e piso eram brancos, tinha dois sofás na cor bege, uma mesa de centro, um tapete colorido no chão e uma TV presa na parede acima de um hack.
– Bem-vindo Nico di Angelo, prazer em conhecê-lo.
Disse uma garota atrás de mim, de uns 16 anos, seus cabelos longos e escuros estavam molhados, tinha olhos azuis como gelo e vestia apenas um roupão de banho e chinelos.
– Onde estou? E quem é você?
Ela se sentou no sofá, cruzou as pernas e disse:
– Sente-se – Eu me sentei no outro sofá – Bem, aqui é a antiga casa do Benjamin.
– O que? Pensei que ele tinha vendido quando resolveu sair de Dallas.
– E vendeu, como você acha que ele se sustentou todos esses anos, pedindo esmola?
Imaginei a cena. “Não, não seria possível”.
– Com certeza não, por que estou aqui?
– Porque eu moro aqui. Eu comprei essa casa faz quatro anos e meio. O bairro é bom, tem pouco barulho de carros e é perto do centro.
– Interessante, mas você ainda não me respondeu minha outra pergunta. Quem é você?
A garota sorriu.
– Ora, eu sou a Akhlys. – meu corpo gelou – Quer chá?
***
POV – Benjamin
A profecia dizia “A Pomba desaparecida aparecerá”.
A pomba é um símbolo de Afrodite, e Piper McLean estava viva e bem na minha frente. Eu fui verificar se ela estava realmente bem, ela respirava pesadamente, tinha cortes e hematomas por tudo o corpo, suas roupas do Acampamento estavam rasgadas e sujas de sangue e estava um pouco magra. Seus olhos pareciam não ter mais vida.
– Meus deuses... – Digo em choque – Como ela ficou assim?! – Gritei me virando com raiva em direção a Kate – É isso que vocês fazem com os semideuses sequestrados?
– Não.
– Então por que vocês os sequestram? – Ela não respondeu, passei meu braço pelas grades da cela e a agarrei pelo pescoço. – Por que droga!
– E-Eu não sei! – Disse ela – Eu sou nova aqui, não sei todos os detalhes do plano. Me larga!
Eu a larguei e tentei me acalmar.
– Quem fez isso? – Perguntei mais calmo.
– Victor, ela é um brinquedo dele. – Ergui uma das sobrancelhas – Ele sempre a pega e a tortura, a faz fazer coisas terríveis, ele é um desgraçado machista e violento. Mas também é um dos mais fortes do nosso grupo.
– Parece que você não gosta dele.
– Não, eu o odeio. – Vi uma expressão séria no rosto dela pela primeira vez desde que cheguei – Eu o odeio muito, mais ainda sim, ele é o segundo no comando.
– Hum... – Admito que tive vontade de confortá-la, mas ela era minha inimiga – Você pode trazer água pra mim e alguns curativos pra ela.
Ela assentiu e foi. Coloquei Piper na cama de pedra e tentei conversar com ela.
– Piper, Piper – Ela não dizia nada – meu nome é Benjamin sou do Posto Avançado e amigo do Jason.
Ao ouvir o nome dele ela se virou pra mim, com atenção.
– Ele está muito preocupado com você, te procurou em todo lado, mas nós vamos conseguir fugir daqui. Sabe o Nico? – Ela fez um leve movimento afirmando – Ele deve estar me procurando agora, você voltará pra casa logo. Ok?
– Ok... – Disse ela, sua voz estava rouca, do tipo só fica quando você grita muito.
– O que aconteceu com você? – Ela sentou abraçando os joelhos – O que esse Victor fez com você? – Ela abaixou a cabeça e começou a tremer e chorar. Ela sofrera muito.
– Benjamin. – Chamou Kate. – Aqui estão as coisas que você pediu. – Ela deixou perto da grade da cela – Tenho coisas pra fazer, até outra hora.
Peguei os curativos e a água, dei a água pra ela e a disse pra ela me mostrar todos seus ferimentos que eram muitos, costas, braços, pernas, mãos, pescoço, tudo com ferimentos. Fiz o que pude com os cortes e hematomas, lavei e passei pomadas cicatrizantes, fiz curativos e dei ambrosia pra ela. Depois fiz um curativo na minha mão.
– Pronto.
– Obrigada, e agora?
– Acho que agora é só esperar.
***
POV – Nico
– O que quer de mim? – Perguntei.
– Nada, apenas quero saber se você prefere chá verde ou preto. – Perguntou Akhlys, com dois bules na mão. – Não está envenenada, se quer saber.
– Preto... – Eu estava com sede.
– Aqui está. – Ela serviu o chá pra nós em xícaras pretas, me entregou uma e sentou no sofá novamente – Nico, você sabia que você é o melhor amigo que o Benjamin já teve? Superou até o Jack, o sátiro.
– Ah, o que você matou?
– Sim, – Ela bebeu um pouco do chá – mas foi necessário, ele era um informante.
– Informante?
– É sabe, uma pessoa que conta segredos e informações para outras em segredo.
– Eu seu o que é um informante! Se fosse verdade, pra quem ele dava informações?
– Hum, para um garoto chamado Neil Smith, líder daquele grupinho de semideuses que querem destruir o mundo com a profecia.
– Nunca ouvi falar desse cara. – Dei um sorriso sarcástico – Até parece que você é uma boa pessoa falando que matou alguém pelo bem do Ben.
– Obrigada, mas acho que você não devia ficar me julgando por ter matado alguém que já estava morto. – Ela deu outro gole no chá – O Jack foi revivido pelo Tânatos, pra ficar espionando o próprio filho. Ridículo não acha?
Ignorei a pergunta e digo:
– Você fala como se ele fosse o único que você tivesse matado. – lembrei de Mia e dos outros semideuses.
– De propósito sim, eu não matei nenhum dos amigos do Ben porque eu quis.
– É claro, – Digo com sarcasmo. – Mia e os outros apenas caíram mortos.
– Não, eles foram mortos por cocatrices. – Disse ela num tom calmo.
– Que você mandou até lá! – Gritei – Pare de bancar a inocente! Benjamin me disse que você estava lá, você matou a mãe dele também.
Ela terminou o chá e disse:
– Eu matei todos eles sim, mas foi tudo por causa do Tânatos, pois ele achava que essa Mia iria desviá-lo do caminho da profecia. Isso não era permitido. Eu fui usada Nico, as queres são servas do Deus da Morte sabia? Fui obrigada a fingir ter uma personalidade cruel e maléfica, olhe só, eu só sou uma garota bonita e gentil que adora chá.
– Humilde você.
– É verdade, ele dá as ordens e eu as obedeço.
– Não acredito em você. – A historia dela era muito difícil de acreditar. – Mas mesmo se for verdade, por que está me contando essas coisas? O que espera ganhar com isso?
– Eu espero que você converse com o Ben sobre isso, tudo que ele pensa sobre mim está errado e ele vai ter que me aceitar se ele quiser superar a profecia. Nico, eu sou a força dele, sou a guardiã dele desde quando ele nasceu. Peça a ele que me invoque.
– Invocá-la? É só você aparecer e pronto.
– Não é assim que funciona, não na primeira vez.
Ficamos em silencio por uns minutos, terminei meu chá e perguntei:
– As marcas no braço dele, o que são?
– São ordens. Tânatos me falou para fazê-las, mas não faço idéia do que seja. – Ela levantou do sofá e foi até mim – Nico pense no que eu disse, Benjamin tem poderes a serem despertados e ele precisa de mim para controlá-los, se não o fim dos deuses realmente acontecerá.
– Vou contar o que você me disse, mas as cicatrizes que você provocou são muito profundas, você sabe disso não é? – Ela assentiu – Então não espere qualquer tipo de compreensão ou perdão. Mesmo que ele te aceite e acredite, ele vai odiá-la por toda vida.
– Eu me viro com isso.
– Tudo bem, posso acordar agora?
– Pode...
Antes de a minha consciência voltar ouvi um murmuro que dizia “obrigada”.
***
Quando acordei Amanda estava em cima de mim, com seus lábios junto aos meus. Ela se afastou um pouco e notou que tinha acordado.
– Nossa até que enfim! – Exclamou ela, tentando esconder o rubor em suas bochechas. – Vamos, temos que resgatar o Ben.
– Espera! Por que você estava me beijando?
– Pra você acordar, pensei que você estava enfeitiçado. – “Que desculpa esfarrapada!”
– Que nem no “A Bela Adormecida”?
– Ahn... é. – Comecei a rir, essa garota era um pouco maluca, mas eu gostava dela.
– Tudo bem. – Digo me acalmando e deixando esse assunto de lado, por enquanto – O que aconteceu o Ben?
Ela me contou sobre a garota que a fez de refém, sobre a pista deixada pelo Ben e sobre a localização dele, que é a mesma da profecia. Amanda já tinha planejado tudo.
– Ótimo plano, então invadiremos ao por do Sol.
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