O Herdeiro da Ruina
21 A Invasão dos mortos-vivos
Notas iniciais
– Nico tá demorando... não acha? – Digo movendo a Torre perto do Bispo. – Tenho que dar um fim na produção de armas dos ciclopes logo.
– Eu sei, – Disse Piper, movendo a Rainha e comendo o meu Peão – vamos apenas esperar e quando chegarem você faz o que tem que fazer, eu te ajudo se der.
– Obrigado.
Piper melhorou muito nas horas seguintes depois que a tratei. Aquela forma estranha e assustada e aqueles olhos sem vida que ela tinha antes sumiram quase que por inteiro. Estávamos jogando xadrez na mesa de pedra, encontrei o tabuleiro e as peças jogadas num canto escuro da cela. Alguém deve ter deixado lá.
– Há quanto tempo eu estou aqui?
– Você não sabe? – Ele negou com a cabeça – Você estava desaparecida faz seis meses.
A notícia foi um choque para ela. Seus olhos arregalaram por um breve momento, mas voltou com a expressão de tristeza.
– Faz tanto tempo assim. E o Frank? Você sabe de alguma coisa?
– Sim, ele escapou e está no Posto Avançado agora. – Movi outra peça no tabuleiro.
– Nossa boa jogada, mas... – Ela moveu a Rainha – xeque-mate.
– Meus deuses, eu sou horrível nisso.
– É, é sim. – Ela riu – Nós, filhas de Afrodite além de lindas, somos inteligentes.
– Acredito.
Mais meia hora se passou e eu comecei a perguntar se Amanda realmente tinha entendido a pista. E cansei de esperar.
– Piper, – Chamei – na profecia da missão dizia que “Uma traição seria necessária pra escapar”.
– E daí, vai me trair?
– Claro que não, acho que é um deles que vai trair, talvez a Kate. Acho que ela gosta de mim, ela pode mudar de lado e deixar esses idiotas, – Dei um sorriso – qual é a sou opinião profissional sobre amor?
– Não sei, não vi muita sinceridade nas indiretas que ela fez. Mesmo que seja verdade, você gostou dela?
– A questão não é essa. Tem outra parte da profecia que diz “Isso acontecerá apenas se o Filho enganar”. Entendeu?
– É claro, você vai conquistá-la e fazê-la nos libertar.
– Isso mesmo. Eu converso com a Kate e a convenço a nos tirar daqui, daí você vai se encontrar com Jason logo em seguida. – Ela deu um largo sorriso – É uma promessa.
Kate apareceu minutos depois. Com um livro e doces.
– O show vai começar. – Digo.
POV – Nico (Meia hora antes do plano do Ben)
O plano de invasão era o seguinte.
1ª parte: Amanda atraia do maior numero de inimigos possíveis para fora. Daí eu usaria os mortos para travar uma batalha de distração. Então Amanda entraria primeiro, para reconhecer o lugar e achar o Ben. 2ª parte: Eu iria logo em seguida, depois de matar os monstros ou depois de meus mortos-vivos serem destruídos. 3ª parte: Resgataríamos ele, destruiríamos a fabrica de armas com mais mortos e iríamos embora a tempo de assistir The Walking Dead. Adoro essa série.
O plano era simples, eficiente e com poucas falhas. Tudo o que precisávamos.
No por do Sol, já estávamos na entrada na cachoeira. Para chegar lá era preciso atravessar o lago nadando, eu fiquei atrás de um arbusto e invocando os membros do 12º Regimento Militar de Infantaria Grega, uma das mais fortes da Grécia Antiga. Invoquei também Major Jerry, meu chefe de segurança. Ele iria liderar a infantaria.
Amanda atravessou a cachoeira e desapareceu. Minutos depois ela chegou correndo e mergulhando no lago logo em seguida. Eu contei vinte monstros saindo da caverna, tinha ciclopes com roupas de ferreiro, dracanaes e um monstro peculiar. Era um javali enorme, mas em vez de pelos e presas, ele tinha uma carapaça de bronze cheia de espinhos que cobria o corpo tudo, suas presas eram laminas curvadas e cerradas e seus cascos eram igual britadeiras, fazendo com que cada passo que desse o chão era um pouco destruído. Era uma verdadeira arma de destruição.
Saquei minha espada e saí do meu esconderijo com meu exercito de mortos-vivos liderados pelo Major Jerry. O javali não ficou interessado no exercito de mortos-vivos, apenas em mim. Ele correu em minha direção numa velocidade incrível, a cada passo que dava o chão tremia. No memento certo, rolei pro lado pra evitar seu grande corpo metálico. Nem tentei golpeá-lo, pois sabia que seria inútil, pois aquela carapaça parecia impenetrável.
Vi Amanda entrar sorrateiramente na caverna no meu da confusão. 1ª parte do plano concluída.
O javali ainda me perseguia, atropelava os mortos-vivos e até alguns ciclopes pelo caminho (nada contra isso). Eu tinha que achar o ponto fraco dele, pensei atacar nas articulações, mas o corpo inteiro era uma peça solida, sem aberturas; pensei atacar em numero, mas não importava quantos golpe que recebesse, ele resistia e destruía tudo. O único jeito era destruí-lo por dentro, mas a questão era como fazer isso?
Uma dracanae se intrometeu na luta, ela me atacou com as garras e defendi com uma espada. O javali investiu contra mim no mesmo tempo que a dracanae atacou novamente. Rolei pro lado desviando do javali e no chão invoquei um esqueleto que parou a mulher-dragão, em seguida desferi um golpe na cabeça dela, decapitando-a. O javali retornou novamente e corri pro lago, pulei nele no ultimo instante. Subi numa pedra no lago, o javali estava na margem me observando com fúria.
– O que foi? – Gritei – Não vai vir me pegar? Vem aqui para eu fazer bacon de você!
Eu sei que isso era impossível, mas deu certo. O javali mergulhou na água e começou a nadar, mas seu ritmo começou a diminuir. A água entrava por suas únicas entradas, a boca e as narinas. Já que não tinha como sair, ela continuou entrando nele e ficando lá, isso o fazia ficar mais pesado até que ele não aguentou seu próprio peso e afundou. Não morreu, apenas afundou.
Nadei até a cachoeira e entrei na caverna, à procura de Amanda e Benjamin. 2ª parte do plano concluída.
POV – Benjamin
– Então Kate... – Digo me apoiando na cela, perto dela – Quando vai me levar pra conhecer essa bela caverna do mal.
– Hum... quem sabe amanhã. – Respondeu ela, sem tirar os olhos do livro.
– Tudo bem, o que você tá lendo aí?
Ela mostra a capa do livro que diz: Guia de espadas, bombas e armas de fogo para leigos!
– Leitura leve hein?
– Um pouco. – E voltou a ler.
Não estava dando certo, olhei para Piper que me olhava com um sorriso na cara. Ela fez um gesto pra que eu continuasse a conversa. Kate parecia não ligar mais pra mim, conversamos bastante quanto víamos pra cá. O que mudou?
Talvez tenha sido quando a peguei pelo pescoço, quando estava com raiva.
– Hum... eu... me desculpe por sabe, te pegar pelo pescoço e ameaçá-la.
Aquele sorriso travesso voltou ao seu rosto.
– Achei que você o tipo de cara que não se desculpava facilmente. Você está interessado em algo, em algo que só eu posso fazer. – Ela parou e pensou – Não consigo imaginar o que é, são muitas possibilidades.
– Você acertou quase tudo, mas não estou interessado em algo, e sim em alguém.
Vi um leve rubor em seu rosto. Consegui a atenção dela.
– E quem seria? – Perguntou ela, escondendo seu rosto atrás do livro – Estou curiosa.
– Acho que você já sabe a resposta, Kate.
– É acho que sei, você se interessou pela Isabel. – Disse ela voltando a ler o livro.
– Da onde você tirou isso? Eu me interessei por você. – Digo, só depois percebi que eu claramente me declarei pra ela sem querer. Bem, agora não tinha mais volta – Por algum motivo gostei de você, mesmo depois de você me esfaquear e de me prender aqui, senti que você não pertence a esse lugar. Eu vi você abaixando a cabeça quando passávamos pelo túnel cheio de cabeças mutiladas, vi que mantinha certa distancia daqueles idiotas. – Ela me observava pasma, ouvindo cada palavra – mas tem uma razão de você estar aqui, não é? Você pode me dizer.
Ela ignorou minha pergunta e disse:
– Quer dar uma volta?
Olhei para Piper que tinha uma expressão indiferente.
– Claro...
Ele abriu a cela e me deu passagem, não me amarrou nem nada. Começamos a andar pelas maquinas, alguns ciclopes me olhavam desconfiados, mas logo começaram a me ignorar. Kate tinha moral naquele lugar, os monstros abriam passagem pra nós e logo chegamos numa “praia” de areia escura.
– Quer saber por que estou com esses idiotas?
Perguntou ela, olhando pra lava borbulhante.
– Quero.
– Eu fui criada por monstros Benjamin.
– O que? Por monstros? Tipo eles? – Apontei para um ciclope.
– Não por monstros mitológicos ou coisa assim, por monstros humanos. – Ela se sentou e eu me sentei ao lado dela – Nasci em Miami, tive uma infância boa no inicio num orfanato, fui deixada lá quando criança. Vivi uns oito anos lá até ser adotada, como toda criança de um orfanato, fiquei feliz à beça. Meus novos pais eram dois advogados muito respeitados em Miami que não conseguiram engravidar, então recorreram à adoção. Os primeiros anos três foram incríveis, até quando meu pai adotivo morreu por causa de um cliente insatisfeito.
– Lamento sua perda.
– Isso nem foi o começo, minha mãe foi a quem mais sofreu. Começou a usar drogas e logo ela perdeu o emprego, então começou a saia de casa toda noite. Era muito solitário. Então certo dia, minha mãe chegou em casa toda machucada acompanhada por um cara gordo e alcoólatra. Pensei que ele era um sequestrador que tinha vindo matar todos nós, mas foi pior, ele começou a morar com a gente. Maltratava minha mãe quase todo dia, eu... – Uma lágrima escorreu em seu rosto – queria que ele parasse, eu tentei impedi-lo uma vez e ele me espancou com um bastão de baseball na frente da minha mãe.
“Não fique com essa cara, eu não me machuquei nem um pouco. Mais tarde descobri que minha família por parte de mãe é descendente de Kyktos de Tróia, ele era invulnerável, resistia a laminas, golpes esmagadoras e perfurantes. Quase imortal. Mas minha mãe adotiva não sabia dessa descendência, em vez de me ajudar, ela me chamar de monstro, demônio e coisas assim. – Ela serrou os punhos – Nos anos seguintes ela e o cara começaram a me bater repetitivamente, eu posso ser invulnerável, mas eu sentia a dor.”
– Você não deveria ficar falando suas fraquezas pra mim, não concordei em me juntar a vocês e você não se separou deles.
– Tem razão. – Ela enxugou as lagrimas.
– Escuta eu quero te ajudar, mas você tem que sair desse lugar. Me ajuda a fugir e venha comigo.
– Não vou a lugar algum, aqui é um ótimo pra mim. Cheio de monstros e assassinos. Além disso, eu sempre soube o que você queria desde o começo, me enganar e fugir com a Piper.
Eu gelei por um instante, tudo isso foi em vão.
– Então por que me contou tudo isso? Pra ver como eu reagiria?
– Não, eu não tinha nenhum motivo pra te contar isso. Contei porque quis.
– Eu não entendo.
– Os loucos causam isso nas pessoas “normais” – Ela se levantou sorrindo – Quer saber como termina a historia? Eu matei todos eles no final.
Fiquei totalmente sem palavras, ela era realmente louca. Eu me levantei no momento que as maquinas da fabrica começaram a explodir, um por um. Kate tentou correr na direção da explosão, mas eu peguei e puxei pra trás. Ela rolou na areia escura e parou centímetros da lava.
– Parece que o Nico chegou. Então chega de brincadeiras. – Ela se levantou com a raiva em seus olhos.
– É, chega de brincadeiras! – E lançou quatros facas em mim.
Consegui desviar de três, um delas acertou minha perna. Tirei a faca e corri mancando na direção das explosões, vi que ela correu atrás de mim. O lugar estava lotado de mortos-vivos, eles avançavam em formação de “V” por cima dos ciclopes e dracanaes. Vi Nico enfrentando dois dos ciclopes urânios, eu ia ajudá-lo quando senti uma faca penetrar nas minhas costas.
– Droga!
Me escondi e procurei Kate, mas nenhum sinal dela. Ela devia estar se escondendo atrás das maquinas e canos enormes que tinham no lugar. Lembrei no que o Sir disse pra mim, que as queres são servas do Deus da Morte, então elas podiam ser minhas servas também. Um nome surgiu na minha cabeça e eu disse:
– Poinê!
Uma garota de 19 anos surgiu atrás de mim. Tinha cabelos lisos e negros, pele branca como leite e seus olhos era puro negro. Vestia um vestido de manga longa parecido com que a Akhlys usava antes, mas este era vermelho e preto.
– Mestre, é uma honra conhecê-lo. – Disse ela fazendo uma reverencia. – Sou Poinê, a queres do Castigo.
– Ótimo, tem uma garota me perseguindo. Quero que lide com ela. – Duas espadas escorregaram pelas mangas – Sem matar! Por enquanto só atrase.
– Como desejar.
Ela desapareceu e me virei para Nico. Ele de algum modo conseguiu destruir os dois ciclopes urânios. Menos dois, falta um. Corri até ele, matei uns dois ciclopes no caminho e finalmente eu o alcancei.
– Você demorou!
– Ah, oi pra você também! – Disse ele.
– Como destruiu os ciclopes urânios?
– Eles não sabiam lutar e eram muito velhos, deu até dó.
– Que pena – Digo com desdém – Cadê a Amanda?
– Está indo pra prisão, foi procurar algum semideus sequestrado.
– Eu vou lá.
Longe dali, vi uma gigantesca onda de água escura varrendo os mortos-vivos. O Sir estava naquela direção. Corri até a prisão que ficava na direção oposta. Amanda estava em frente a uma queda de lava.
– Amanda o que aconteceu?
– Ben aconteceu algo terrível, a lava esta cobrindo a passagem pra prisão. Não tem como entrar.
– Piper! Piper! – Gritei.
– Ben socorro!– Gritou ela – Aqui tá muito quente!
– Piper me escuta, não tem como a gente entrar aí.
A lava começou a se espalhar.
– Ben me ajuda! Por favor! Você prometeu que... ia me levar até o Jason!
– Desculpa Piper, não sei como.
Amanda estava com lagrimas nos olhos, pois Piper McLean iria ficar presa ali pra sempre.
– Oi Ben – Disse uma voz sexy atrás de nós.
– Isabel, – Ela segurava uma espada e um punhal – você brigar agora?
– Sim.
Ela desferiu uma serie de golpe em mim e na Amanda. Consegui desviar e Amanda se defendeu com sua arma. Isabel começou a atacar apenas a Amanda, me deixando de lado. Vendo aquilo me lembrei do meu cinto, onde estava meu cinto? Lembrei que Kate o tirou e deu pro Sir. “Droga!”
– Stygere!
Uma garota de uns 13 anos apareceu. Vestia uma camiseta vermelha e calça jeans. Cabelo e olhos também vermelhos.
– É uma honra mestre, sou a queres do Ódio.
– Certo, Stygere capture aquela garota. – Digo apontando para Isabel.
– Como desejar.
Um chicote surgiu na mão dela e ela atacou. O chicote pegou na perna da Isabel, fazendo-a cair no chão. Em seguida, o chicote se tornou uma serpente e se enrolou no corpo dela. Amanda fez um sinal de agradecimento.
– Stygere leve-a pro Posto Avançado em Chicago, entregue-a pro Jason.
– Sim, mestre.
Ambas desaparecem. Amanda foi chamar o Nico e eu fiquei tentando confortar Piper.
– Piper me desculpa. Eu não sei como tirar você daí...
– Ben, não se preocupe – Ela estava chorando – apenas diga uma coisa pro Jason, que eu o amo muito e que ele encontre a felicidade. Você faz isso pra mim?
– Sim, eu adorei conhecê-la.
– Eu também.
Foi uma despedida dolorosa pra mim, eu era incapaz de ajudá-la. Fui procurar meu cinto. Ele estava em cima de um barril, apenas estava jogado lá. Encontrei Nico e Amanda lutando com o ultimo ciclope urânio, eles fizeram um ataque combinado e o destruiu facilmente.
Então corremos pra saída, com a explosão da fabrica soando atrás de nós.
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