O Herói do Olimpo
37 Redemoinhos... Não façam isso em casa.
Notas iniciais
Enquanto eu corria em direção às dezenas de monstros que saíam do buraco no chão, pensei: por que diabos eu estou correndo na direção de dezenas de monstros? Eu não teria muitas chances contra eles, por mais burros que fossem. A vantagem numérica era grande, algo meio que impossível de se lutar. Então a minha cabeça começou a trabalhar. Eu não podia lutar ali, porque mais e mais monstros iriam aparecer, não teria pausa. Eu ficaria cansado e os outros monstros que apareceriam iriam acabar comigo em um piscar de olhos. Eu precisa ter vantagem sobre eles. Mas, como eu faria isso?
Para ser sincero, eu tinha alguns truques na manga (literalmente, já que o meu punho tinha diversas utilidades, o problema é que eu não sabia usá-las e que também não poderia usá-las sem causar grandes estragos), então eu precisaria usar a minha velha estratégia: o mar. Eu precisaria atrair todos aqueles monstros até o domínio de meu pai.
Se isso seria difícil? Nem me diga o quanto.
Eu estava no acampamento, então o meu cheiro não seria tão atrativo assim, já que os campistas à essa hora deveriam estar em conjunto. O único jeito seria enrolar alguns monstros na entrada do buraco, e depois que diversos já estivessem na superfície, eu correria até o mar.
Mas os riscos eram grandes. Eu poderia simplesmente morrer tentando enrolá-los aqui, ou eles também poderiam ser mais rápidos do que eu e acabar me parando no caminho ao mar. Mas não havia muitas opções, Annabeth não estava aqui para me dizer o que fazer, por mais que isso soe estranho. As estratégias dela eram boas! Isso eu não posso negar.
Peguei algumas pedras do chão e as joguei nos monstros que subiam do buraco. Meio desorientados eles olharam pra mim, com raiva e fome começaram a andar em minha direção. Eram três deles, cabeça de sapo e corpo de serpente. Nunca vi nenhum monstro com aquela aparência, então eu teria que tomar cuidado.
Arranquei alguns pedaços de minha camisa e comecei a jogá-los no chão enquanto corria em direção ao mar. Talvez isso atrairia os monstros, talvez não. Nunca se sabe.
Enquanto corria concentrado em jogar pedaços de roupa no chão, tropecei em uma pedra. Rolei alguns metros à frente, parando somente quando bati as costas no tronco de uma árvore.
Minhas costas doíam, minha cabeça latejava e Contracorrente havia caído de meu bolso quando tropecei. Os monstros já estavam bem perto de mim, e eu não tinha nenhum modo para me defender, já que estava fraco demais para levantar a minha mão com os tais poderes.
Então era esse o fim? Sempre pensei que eu morreria para algo maior, tipo Gaia ou um deus, nunca pensei que morreria por causa de uma tropeçada. Muito menos em uma outra dimensão.
Pra ser sincero, eu creio que eu já deveria ter morrido há muito tempo. Olha por quantas coisas já sobrevivi! Acho que Hades não podia usufruir de algum poder obscuro dele de fazer a morte ser mais rápida para mim na outra dimensão. Talvez nessa ele possa fazer tal coisa. Nunca vou saber, e isso é a pior parte.
Então está aí a pior parte de ser um semideus, a morte na juventude.
Fechei os olhos e esperei pelo pior. Ouvia os monstros se aproximando lentamente, cada um provavelmente mais feliz do que o outro. Afinal, teriam hoje como o jantar Percy Jackson, o filho de Poseidon.
Alguns segundos depois, o irritante barulho que eles faziam se dispersou e um barulho de um frasco caindo se ouvi. Abri o olho esquerdo lentamente enquanto via uma garota sorrindo para mim e limpado pó de sua roupa.
Ela tinha cabelos loiros, olhos azuis, traços de uma verdadeira filha de Afrodite. Usava a blusa do acampamento e parecia ser dali há tempo, já que o seu corpo estava bem em forma. Quando digo bem, é bem mesmo.
— Você está bem? — Ela me perguntou, ajudando-me a levantar.
— Estou sim, obrigado. — Agradeci ainda tentando entender o que ela havia feito com aqueles monstros.
Acho que ela notou a minha dúvida.
— Sobre isso aqui? — Ela disse interrogativamente, apontando para todo o pó que estava no chão. — Ah, sim, eu joguei um pouco de fogo grego neles, mas quando o fogo estava chegando perto de você, ele parou do nada. Pelo menos eu estava prevenida e já ia lhe puxando para longe.
— Então... bem, obrigado. Se você não aparecesse por aqui eu provavelmente morreria.
— Ah, não tem de quê. Acho que estamos aqui para isso, ajuda uns aos outros. — Ela comentou, olhando diretamente para um pequeno aglomerado de semideuses que se aproximava de nós.
— Ei, Emma! — Exclamou o menino que estava na frente do grupo. — Precisamos de você na entrada do acampamento, rápido!
Ela olhou para mim e eu entendia o que queria dizer.
— Eu estou bem, pode ir.
Ela assentiu com a cabeça e começou a correr em direção à entrada do acampamento.
Voltei a andar em direção à entrada do labirinto, só para checar se todos os monstros que haviam saído de lá estavam mortos. Parecia que sim, então eu tinha que ir ajudar o resto dos campistas, que pareciam estar tendo problemas.
Saquei Contracorrente e a deixei em mãos, segurando-a tão firme que se, mesmo que eu caísse, ela continuaria em minhas mãos.
Comecei a correr em direção à batalha. Chegando lá vi que as coisas não estavam muito boas para o nosso lado. Annabeth estava dando ordens a alguns campistas, enquanto a garota que meu ajudou, a suposta Emma, dava ordens ao resto dos campistas.
Estávamos em desvantagem numérica. E por mais que eu fosse bom em esgrima, essa habilidade não ajudaria muito na batalha.
Então eu teria que fazer algo que eu realmente não queria ter que fazer. A melhor coisa que poderia acontecer seria eu desmaiar ali mesmo, logo após matar todos aqueles monstros. Me perguntei aonde diabos estaria o outro Percy, talvez ele pudesse me ajudar a levantar a água do mar até ali.
Mas eu não tinha visão dele, então teria que fazer tudo sozinho. Soltei Contracorrente no chão e comecei a levantar as mãos. Logo o mar estava se agitando e se levantando, aos poucos. O repuxo que eu sentia no estômago já estava me mantando de dor, mas eu precisava aguentar. Fiz um pequeno redemoinho com a água e a fiz pegar monstro por monstro. Os campistas começaram a franzir a testa, sem entender o que estava acontecendo. Porém, Annabeth conseguiu me ver, e correr até a mim. Ela dizia algumas coisas, mas eu não consegui entender uma palavra se quer, já que o resto de minha concentração estava totalmente focada no redemoinho de monstros.
A parte final foi, sem dúvidas, a mais difícil. Fiz a água fazer uma pressão tão grande, mas tão grande, que os monstros acabaram somente se dissolvendo em pó. Os campistas soltaram suas armas e começaram a comemorar, enquanto eu caía duro no chão, indo em direção à inconsciência.
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