O Herói do Olimpo

47 Possibilidade de haver um encontro normal?


Notas iniciais
Oi. Desculpa os erros aí, galera. Até mais! Comentem, por favor, estou me esforçando para mandar esses capítulos para vocês. Até mais! 2

Ainda com Contracorrente em mãos, pensei em raios. Talvez o que eu tinha em mente funcionasse. Colocar o raio na ponta de Contracorrente poderia ser difícil, mas se desse certo, seria muito bom.

Mas ao invés do raio ir para a ponta, toda a extensão da lâmina ficou lotada de eletricidade. Pensei em água e o mesmo aconteceu; a lâmina agora estava envolta à uma camada de água e eletricidade.

Quem fosse cortado por Contracorrente sentiria muita dor.

O garoto me olhava espantando e talvez com medo. Eu sorria frio, o mesmo sorriso que há minutos atrás ele mantinha no rosto.

Dei uma olhada ao redor. Todos ainda estavam petrificados. Talvez eu pudesse tirá-los dessa espécie de “transe” se eu usasse os poderes de Cronos que ainda haviam em mim. Mas isso iria me desgastar demais, eu não teria forças para lutar contra o garoto depois disso.

Deixei esses pensamentos de lado e voltei a me focar no filho de Cronos. Ele estava poucos metros a minha frente, com os olhos totalmente focados em Contracorrente. Sua espada não estava totalmente firme em sua mão e eu podia ver sua adaga em sua cintura. Ele não estava tão confiante quanto minutos atrás.

Pelo fato do cabo de Contracorrente não estar envolto àquela eletricidade toda e àquela água, pude jogar a espada para a mão esquerda e com a direita joguei um jato d’água no rosto do garoto, que ficou atordoado por alguns segundos, tempo o suficiente para que eu me aproximasse dele e chutasse seu estômago. Ele cambaleou para trás e tirou sua adaga rapidamente da cintura e a jogou na direção do meu peito.

Meus reflexos reagiram quando a adaga estava a centímetros de me perfurar. Minha mão se ergueu e fez um escudo de sombras que parou a adaga e a jogou no chão. As sombras se dissiparam de minha frente, e então agachei para pegar a adaga do chão.

A coloquei na minha cintura e depois parti para cima do garoto, dessa vez seria para machucar. Ele tentou cortar o meu rosto mas eu me abaixei e lhe dei uma rasteira.

Chutei sua espada para longe e coloquei os meus pés sobre suas mãos e coloquei a ponta de Contracorrente bem perto de sua garganta.

— Faça-os voltar — exigi entredentes.

— Senão o quê?

— Senão eu te mato e eu mesmo faço — aproximei mais ainda a ponta de Contracorrente, deixando-a a centímetros do pescoço do garoto.

Bastaria um toque da lâmina para que ele morresse eletrocutado ou chegasse bem perto da morte.

— Se eu fizer todos eles voltarem, as armas vão disparar em nossa direção. Eu e você morremos, Jackson.

— Eu não ligo — disse simplesmente.

O que vi a seguir foi somente gritos e barulhos de armas disparando; correntes de ar vindo em nossa direção, jatos d’água em uma velocidade que serviria para deixar qualquer um desmaiado por horas, flechas de prata e ouro, espadas e lanças.

Fechei os olhos esperando a morte e o que encontrei a seguir foi mais horripilante ainda; eu estava sentado no carro de minha mãe, em frente à uma escola, uma escola que eu já conhecia.

Era a Goode High Scholl. Paul Blofis, o namorado da minha mãe, estava recebendo alunos à medida que eles iam subindo as escadas. Paul estava do mesmo jeito que eu me lembrava; os mesmos cabelos grisalhos e roupas de brim.

Soltei uma exclamação que chamou a atenção de minha mãe.

— O que foi? — ela indagou nervosa. Parecia achar que essa era outra escola que eu destruiria.

— Não... não é nada.

— Você está bem, Percy? Não está nervoso? — ela voltou a perguntar, dessa vez mais curiosa do que nervosa.

— Não — respondi simplesmente.

— Tudo bem então, tenha um bom dia, querido — ela abriu a porta para eu sair e se lembrou de acrescentar: — E tente não destruir a escola!

E saiu em disparada para sua entrevista de emprego.

Quando olhei novamente para o lugar aonde Paul estava, me lembrei de algo. Rachel estava presente nesse dia. As líderes de torcida também. Eu estava com dor de cabeça devido a enxurrada de lembranças que me atacavam. O meu cérebro parecia estar vasculhando todas as minhas memórias e jogando-as de qualquer jeito lá dentro.

Andei em direção à porta principal, esperando que Rachel entrasse logo na escola, para aí sim eu entrar. Demorou alguns minutos até que ela se juntasse a Paul e os dois fossem até o ginásio, seguidos de longe por mim.

Enquanto andava em direção ao ginásio, olhei para baixo. O meu corpo era o mesmo de quando eu tinha 14 anos; o mesmo de quando eu havia feito essa orientação e a briga contra as líderes de torcida sanguinárias.

O que estava acontecendo?

Deixei isso de lado quando me juntei ao grupo de trezentos alunos que esperavam os professores começarem a orientação. Eu podia ver a cabeleira ruiva a alguns passos de mim; o meu pesadelo ruivo.

As duas líderes de torcida, ou devo dizer as duas empousa estavam se apresentando para os alunos. Depois de anos lutando contra monstros, eu sabia quando eles sentiam o cheiro de meio-sangue. Eles ficavam desconfiados, olhando para todos os lados sedentos por sangue. Seus olhos diziam isso. Era quase os mesmos olhos de seriais killers – ninguém notava porque eles sabem ser furtivos, sabem fazer ninguém desconfiar. Nasceram para isso.

Quando vi a cabelereira ruiva abrir espaço entre os estudantes, vi que ela reconhecera os monstros. Corri até o lugar aonde ela sairia, e quando me viu, seus olhos se arregalaram.

— Você! O cara que tentou me matar! — ela exclamou assustada, mas não parecia ser comigo.

— Você já viu os monstros, não viu? — perguntei não me importando de ela me acusar de tentar matá-la. — Se esconda na sala de música, vou acabar com elas.

Eu estava indo em direção ao corredor, para diferenciar o meu cheiro dos mortais, quando Rachel puxou o meu braço.

— Como assim monstros? O que você quer dizer com isso? — ela disparou.

De vislumbre pude ver as duas empousa virem em minha direção. Rachel não estaria totalmente segura se não se escondesse em questão de segundos.

— Deuses gregos existem. Monstros gregos existem. Semideuses existem. Você é uma mortal que vê essas coisas. Agora se esconda! — sussurrei rápido, empurrando Rachel para sala de música e fechando a porta.

Ela dava socos na parede, mas ignorei o fato. As duas líderes de torcida já estavam perto de mim, eu não perderia mais tempo com Rachel.

— Oi, vampiras — comecei provocando. Tirei Contracorrente do bolso mas não a fiz ser espada ainda, eu iria brincar um pouco com elas. — Como estão? E Cronos, como é que ele tá?

As duas arregalaram os olhos e deram um salto para trás, surpresas. E logo começaram a mudar sua aparência; de duas líderes de torcida lindas passaram para duas peles totalmente brancas, os olhos vermelhos e as presas. Ah, sim, não vamos nos esquecer das pernas; uma totalmente peluda e a outra de bronze, parecendo uma humana.

— Como descobriu? Você não tem força o suficiente para ver atrás de tanta névoa! — a garota da direita exclamou furiosa. Pelo o que me lembrava ela era a mais velha. — Isso não importa, vamos matá-lo de qualquer jeito.

Tirei a tampada caneta e desferi um corte aonde as duas estavam, mas ambas saltaram para trás.

Me lembrei o que aconteceria se eu demorasse muito para matá-las. Elas iriam colocar tudo em chamas. Não, eu não poderia perder o cinema que eu teria com Annabeth depois disso aqui.

O cinema foi a primeira coisa que me lembrei quando cheguei nesse tempo. É, eu sei, mas nunca saiu da minha cabeça o que poderia ter acontecido caso essas duas empousa não estragassem tudo.

Joguei Contracorrente para a mão esquerda e ergui a direita para a garota da esquerda. A da direita riu – mas depois que viu o que eu fizera com a direita ela parou imediatamente. Com uma simples esfera d’água eu havia vaporizado a da direita.

— Você vai ver o seu acampamento arder em chamas, Percy Jackson. Guarde minhas palavras.

Ignorei essa última fala dela. Não iria deixá-la colocar fogo em tudo. Não dessa vez.

Tirei a faca do filho de Cronos da cintura e a joguei na direção da empousa. Eu via tudo em câmera lenta; a adaga aproximando de sua testa, a tentativa dela de sair dali, que não foi muito útil, porque segundos depois o que restava dela era somente pó.

Abri a porta da sala de música e tirei Rachel de lá, que mantinha o ouvido escorado à porta, ouvido a luta atentamente. Tampei a espada e olhei para Rachel de novo, vendo a sua expressão curiosa. Fui até as cinzas das empousa e peguei a adaga.

— Eu preciso ir — avisei antes que ela pudesse abrir a boca para a sua enxurrada de perguntas. — Depois eu te explico tudo.

Ela me olhou desconfiada – duvidasse que eu realmente iria dar-lhe satisfações.

— Tudo bem... — ela puxou a minha mão direita e se deparou com a longa “tatuagem” que continha os poderes e blá, blá, blá. Ela arqueou as sobrancelhas mas de qualquer jeito puxou a minha outra mão e pegou uma canetinha do bolso. — Você vai me ligar assim que você se deparar com um telefone. Entendeu?

— Está bem...

Quando ela me soltou, saí correndo pela porta principal da escola. Annabeth estava sentada no banco mais próximo da entrada – atenta a alguma coisa. Seu olhar estava focado no horizonte, e seu corpo totalmente relaxado. Seu cabelo loiro estava mais jovem do que eu podia me lembrar – seu rosto o mesmo, o que só a deixava ainda mais linda.

Fiquei muito tempo parado pensando em Annabeth que eu já até havia esquecido do meu maior problema naquela hora: eu precisava esconder o meu braço direito. A marca – vou chamá-la assim agora, não acho que tatuagem ou mancha seja tão apropriado do jeito que ela estava agora – estava no formato de cobra; circulava o meu braço como Marta e George se enrolam no cajado de Hermes.

Eu não sabia o que aquilo significava. Eu não tinha a menor ideia, para ser sincero. Não sei se aquilo ia me matar ou me ajudar, não sabia se eu iria ser uma bomba ambulante ou sei lá o quê.

Deixei isso de lado por alguns segundos e voltei a me focar no problema em esconder o braço inteiro.

Parecia até que os deuses queriam me ajudar quando olhei para o outro lado da rua. Uma loja de roupas estava bem ali, ansiando pela a minha entrada. Agradeci mentalmente a qualquer deus que estivesse ouvindo – se houvesse algum ouvindo.

Atravessei a rua tomando cuidado para que Annabeth não me visse. Eu não queria que ela notasse que eu estava andando na direção oposta à ela, ou que ela achasse que eu estivesse fugindo do colégio ou dela.

Comprei uma blusa de manga comprida, sem estampa, totalmente branca. Tirei a que eu usava naquele momento e coloquei a de manga comprida. A camisa quase preencheu toda a marca – parece que a ponta da “cobra” continuava circulando pela minha mão, e só parava nos meus dedos. Coloquei a blusa que eu usava antes por cima da de manga comprida e voltei para saída lateral do colégio.

Annabeth não notara nada afinal. Andei em sua direção e percebi que alunos do colégio iam saindo animados da apresentação, cochichavam e cumprimentavam-se animados. Trocavam telefones e-mails.

Mas a única pessoa que eu realmente prestava atenção era na loira que procurava incansavelmente pelas dezenas de alunos que saiam pela porta da frente. Cutuquei o seu ombro e o que recebi em troca foi sua adaga no meu abdômen.

— Percy! — ela exclamou, tirando a adaga da minha pele e saltando para um abraço. — Não te vi saindo pela porta. Aonde é que você estava?

— Eu estava nos fundos, eu sabia que haveria muita fila para sair e eu decidi ficar lá para não ter de sair pela porta da frente — respondi depressa.

— Esperto, Cabeça de Alga. Então, está pronto para irmos ao cinema?

Agora de frente eu podia notar Annabeth melhor – ela estava vestindo um jeans e uma camisa laranja, mas não do acampamento. Seu colar de cotas pendia no pescoço e seu cabelo loiro estava preso no rabo de cavalo. Seus olhos cinzas cintilavam à luz do sol.

— É claro, Sabidinha! — respondi animado.

Por cima do ombro de Annabeth eu vi Rachel saindo do colégio, olhando para mim.

Deixei ela para lá e acompanhei Annabeth até o shopping, ansioso.

Eu esperava ter pelo menos um encontro normal.

Ah como eu estava errado.