O Herói do Olimpo

42 Lutas em trens...


Notas iniciais
Oi, gente. Então, eu vou pedir mais uma vez algo que eu já pedi uma vez. Primeiro, devo dizer algumas coisa: A fic está no final. É, acho que ela só vai até o capítulo 50. Mas antes que eu possa finalizá-la, eu preciso saber o que eu preciso escrever. Tipo, eu já não me lembro o que eu deixei pendente, o que eu deixei no suspense, e que eu preciso terminar. Sério, mais do que nunca eu preciso da ajuda de vocês! Percabeth no próximo capítulo se me ajudarem =D.

Thalia, Nico e eu estávamos em um trem, em direção à Califórnia. Por mais estranho que isso seja, eu sabia o porquê de irmos até lá, nos três, juntos, em uma viagem, os filhos dos três grandes, juntos, em uma viagem de horas.

Calma, Percy, isso vai dar certo. Tem de dar.

Depois de me acalmar, olhei para Thalia. A filha de Zeus analisava sua lata de spray se transformava em lança, e de vez em quando dava pequenos toques no seu bracelete que se transformava em Aegis. Os olhos azuis dela faíscam de animação. Ela me lembrava Clarisse, sempre atrás de uma boa briga. Depois que entrou para as caçadoras, não acho que há um monstro que possa pará-la.

Nico, já por outro lado, estava quieto, quase dormindo. Mas seus olhos negros estavam abertos, fixados na janela. Seu olhar era distante... Como se pensasse na irmã. Eu o entendia, é claro. Eu falhei com ele, não deveria ter deixado Bianca entrar naquele robô... Se fosse o contrário, e eu pedisse para que ele protegesse Annabeth e ele falhasse... Eu não sei o que faria.

Deixei isso de lado. Não adiantaria ficar pensando em pessoas mortas... Falando em mortas, Ashley me veio à mente. Ela me lembrava Silena. Não queria ser tão igual às outras filhas de Afrodite. Não queria ser igualada com pessoas que só ligavam para a beleza. Ela teve o mesmo fim que Silena, um fim honroso, afinal. Eu devo minha vida à ela, mas não há como pagar... Espero que ela tenha encontrado um bom lugar nos campos elísios.

Meus devaneios foram interrompidos quando freamos. A primeira parada do trem seria na cidade de Kansas. Menos da metade do caminho à California já havia sido preenchida.

Nosso plano seria sair desse trem e pegar outro. Não era grande coisa, mas como o nosso cheiro era muito forte, provavelmente ele impregnara no trem. Se ficássemos aqui durante uma parada, dezenas de monstros viriam. Enquanto se sairmos, eles vão perder tempo investigando esse trem e blá, blá, blá.

Cada um pegou sua mochila e saímos do trem em silêncio. Estava no fim da tarde, e o próximo trem só viria daqui a duas horas.

— E então, o que vamos fazer até lá? — Thalia perguntou, olhando para todos os lados.

— Bem, eu não sei vocês, mas eu estou com bastante fome. O que acham de irmos comer um pouco? — sugeri.

— Tanto faz. — Nico respondeu.

— Então vamos lá! — Thalia exclamou.

Rondamos ruas e mais ruas por cerca de trinta minutos até acharmos um restaurante. Na mochila de cada um de nós tinha cem dólares, então daria para comermos tranquilamente, já que o restaurante era um daqueles normais, não muito caros.

Cada um fez seu pedido e comemos, em paz.

— Então... — eu disse após terminar de comer. — O que vocês tem feito de legal?

— Caçado com as caçadoras. Nada mais e nada menos — Thalia respondeu.

— A minha situação já não é tão fácil quanto caçar. — Pude ver Thalia fuzilar Nico com o olhar. — As coisas no mundo inferior estavam feias. Algumas almas... Estavam fugindo, outras desaparecendo. Nem meu pai sabia o que estava acontecendo... Até que as pessoas que haviam revivido depois da guerra morreram. Quero dizer, morreram mesmo. Sem volta.

Entendi o que ele queria dizer. Bianca tivera o seu segundo fim. Isso não era justo.

Quando eu ou Thalia iríamos dizer algo a respeito, as luzes do restaurante se apagaram. Ouvimos gritos e mais gritos, mas prestávamos mais atenção em uma silhueta grande que se movia com lentidão entre as mesas. Peguei Contracorrente no meu bolso e pude ver Thalia pegando sua lata de spray. Nico apertou o seu anel de caveira e logo a espada de ferro estígio dele estava em suas mãos.

Joguei Contracorrente para a mão esquerda e estiquei a minha mão. Se eu ainda tivesse aqueles poderes que eu tinha há pouco tempo atrás, estava na hora de ver o quão bons eles eram. Pensei em raios, e a poucos faíscas surgiam em minha mão. Senti dor, mas a ignorei. Não era hora para reclamar.

Quando um raio o suficientemente grande para machucar se formou em minha mão, eu o joguei na silhueta. Ela não se transformou em pó na hora, porém, o deixou fraco o bastante para que Nico e Thalia fossem cada um para um lado e finalizasse o monstro.

E olha que nem olhar para o rosto dele eu havia olhado!

Quando as luzes se acenderam, os olhares de Nico e Thalia estavam focados em mim. É claro, se eu fosse eles eu também me olharia assim. Afinal de contas, não era trabalho da filha de Zeus jogar raios por aí? Mas não! Quem fez isso foi o filho de Poseidon com uma mão pra lá de estranha.

Saímos do restaurante sem trocar uma única palavra, mas ainda sim eu sentia os olhares deles sobre mim. Suspirei cansado. Eu só queria que isso tudo acabasse logo... Que eu pudesse ter uma vida em paz em algum lugar onde eu fosse livre de olhares, onde eu fosse livre de coisas sobrenaturais...

Enquanto eu pensava em como explicaria sobre a mão para Nico e Thalia, chegamos novamente à estação de trens. Faltava menos de 15 minutos para o nosso trem começar a viagem, então somente o adentramos e nos sentamos em nossos lugares, para dar início às perguntas.

— Como é que você fez aquilo? — Thalia perguntou.

— É uma história meio longa...

— Temos tempo — Nico completou.

Suspirei e olhei para eles. Se eu não dissesse logo, minha cabeça iria explodir de tanta amolação deles.

— Tudo bem. Eu vou falar. Mas vocês não vão abrir a boca até eu terminar. E não, isso não é uma pergunta. — Repassei tudo o que aconteceu comigo nos últimos meses, e então contei a eles, desde que derrotei Cronos até a mulher que me falou sobre minha mão.

— Que história, em? — comentou Thalia.

— Tá, mas agora se me dão licença, eu estou meio cansado...

— Tudo bem, Percy, entendemos, também estamos cansados, então vai logo dormi — Nico me interrompeu, mas não liguei para isso, eu estava realmente muito cansado.

Me deitei em uma das camas que havia ali e apaguei.

— Percy...

Alguém sussurrava o meu nome, e quando abri os olhos, me deparei com Thalia e Nico, agachados atrás de uma bancada. Os dois estavam concentrados em mim, quase desesperados.

Não entendi o que eles queriam dizer, até que ouvir um barulho e um estrondo sacudiu o trem. Caí de cara no chão e levei minha mão ao bolso, um segundo antes de algo atacar Thalia e ela se defender. Nico foi atrás de outro monstro, grande por sinal.

Mas o que me aguardava não era nenhum monstro. Era o garoto que uma vez eu lutei no esgoto. O que me fez uma das piores brigas da minha vida, sem dúvida. Ele estava no final do corredor, e segurava uma espada de ouro imperial. Me levantei do chão e coloquei Contracorrente em mãos.

Dessa vez, eu e ele sabíamos que só um de nós sairia dessa luta com vida.