O Herói do Olimpo

27 Dou uma de "filho de Zeus"


Notas iniciais
Bem, galera, eu tive uma ideia. Que tal se fizermos um acordo? Toda recomendação nova que eu tiver, irei soltar um cap no mesmo dia - algumas vezes talvez eu não consiga, mas ai no outro dia, eu solto 2. Até mais.

Dessa vez, consegui acordar sem que ninguém gritasse meu nome. Esfreguei os olhos, ainda meio sonolento, e me levantei em direção ao banheiro. Tomei um banho, escovei os dentes, vesti uma roupa para sair, e fui até a porta do quarto.

Estranhei o fato do quarto estar vazio, mas eu dei de ombros, provavelmente Annabeth e Ashley deviam estar curtindo o último dia na França.

Olhei para minha mão direita. As manchas ainda permaneciam lá. Coloquei a mão no bolso do meu casaco e abri a porta do quarto. Fui até o saguão do hotel procurar Annabeth ou Ashley, nada. Piscina, nada. Quadra de basquete, nada.

Aonde é que aquelas duas se meteram?

Desiste de procura-las e voltei até o quarto. Me joguei na cama das garotas e liguei a TV.

Enquanto eu assistia tranquilamente um filme na TV, um barulho na porta me fez levantar. Pensei que fossem Annabeth e Ashley, e que talvez elas tivessem perdido a chave ou algo do tipo.

Mas não. Assim que abri a porta, me deparei com duas garotas. A que ficava na frente tinha olhos verdes, cabelo preto com uma pequena mecha azul. Ela adentrou e examinou o quarto.

A segunda era loira, olhos azuis e corpo atlético, assim como a primeira. Ela adentrou o quarto e se sentou na minha cama, bem ao lado da primeira garota.

– Quem são vocês? – Perguntei enquanto me virava para as duas que haviam entrado no quarto.

– Somos amigas de Ashley, e queríamos falar com ela. – Disse a segunda enquanto a primeira me analisava mordendo o canto dos lábios inferior.

– Você é o Percy, não é mesmo? – Assim que a primeira falou, percebi que aquela voz era da garota que havia entrado no meu quarto, e “analisado” minha barriga.

– Sim... – Respondi meio receoso. – E vocês são...?

– Ah, sim, mas é claro, como pude me esquecer? Sou Sarah, essa e essa é Amy. – Respondeu a primeira.

– Bem, sinto muito mas Ashley não está aqui.

As duas garotas se entreolharam.

– Uma pena... – Murmúrio Amy. – É, acho que teremos de voltar mais tarde, não é mesmo, Sarah?

– Sim, sim, sim. Nós voltaremos mais tarde, até logo, Percy.

Elas foram andando dá mesma maneira que Ashley andava quando estávamos sozinhos, uma maneira sexy. Foram até a porta e deram uma última olhada para mim antes de saírem. Suspirei sonhador e voltei para meu filme.

Algumas horas depois, Annabeth e Ashley chegaram.

– Aonde é que vocês estavam? – Questionei enquanto ambas adentravam o quarto.

– Organizando algumas coisas. – Respondeu Annabeth.

– O que exatamente?

– Isso já não é dá sua conta.

Suspirei irritado e voltei meu olhar para a TV. Mas, antes de me focar totalmente na TV, me lembrei das garotas que vieram até meu quarto mais cedo.

– Hey, Ashley. – Chamei.

– Sim?

– Algumas amigas suas vieram até aqui hoje.

Ela ficou com uma postura mais cautelosa.

– E o que elas queriam? – Perguntou ela com certa raiva na voz.

– Não sei, somente disseram que queriam falar com você.

– Certo... – Sussurrou ela para si mesma. – É melhor elas não se atreverem...

– O que? – Indaguei sem entender o que ela dizia.

Sem responder minha pergunta, ela se retirou do quarto para sei lá onde.

Annabeth e eu nos olhamos, e simultaneamente, arqueamos uma sobrancelha. Rimos dos nossos gestos simultâneos.

Ela se deitou na cama, bem ao meu lado, e começou a acompanhar o filme junto a mim.

Quando já era tarde, e Annabeth já havia dormido, fui até minha cama e me deitei, pensando no o que Ashley deveria estar fazendo e porque não voltara até agora.

~.~

– Vamos, Percy. – Me chamou Ashley. – Nós partimos agora.

– Droga... – Sussurrei para mim mesmo.

Me levantei e esfreguei os olhos. Annabeth e Ashley já estavam terminando suas malas. Ambas olharam para mim, e voltaram o olhar até suas coisas. Fui até a minha mala, ainda meio sonolento, e comecei a organizar tudo.

Olha, para dizer a verdade, aquilo chegou a ser fácil demais. Pelo fato de eu ter trago pouca coisa, eu acabei bem mais rápido do que pensei que seria. Annabeth e Ashley acabaram somente minutos antes de mim.

Pegámos nossas malas e fomos até o saguão do hotel. Todos os alunos já estavam lá fazendo a chamada, prontos para voltarem até Londres.

– Percy Jackson? – A professora gritou o meu nome enquanto lia a lista de chamada.

– Presente.

As garotas que eu havia conhecido ontem, Amy e Sarah, apareceram assim que a professora disse meu nome.

– Hey, Percy. – Disseram as duas em uníssono.

Estranhei o fato das duas garotas mal olharem para Ashley, e Ashley fuzila-las com o olhar.

Annabeth também pareceu notar algo de errado ali.

– Certo... Venha comigo, Ash. – Disse a filha de Atena, possivelmente nos livrando de um grande problema.

– Mas... – Ashley tentou contestar, mas Annabeth era uma filha de Atena, nunca perdia uma discussão.

– E então, Percy... você tem algo para fazer amanhã? – Perguntou Sarah.

– Hm, eu... eu acho que não. – Respondi coçando a parte de trás da nuca.

– Ótimo, então venha até esse endereço. – Ela pegou uma caneta e pegou a minha mão direita para escrever nela.

Mas ela viu as manchas e arqueou uma sobrancelha.

– Uma tatuagem? Hm... interessante. Vamos, me dê a sua outra mão. – Estiquei a mão esquerda para ela, que escreveu um endereço em minha palma.

– Uma festa, pode trazer uma acompanhante. Até mais, Percy. – Sarah e Amy se despediram indo até o ônibus do colégio que já nos esperava para nos levar até o aeroporto.

Annabeth e Ashley vieram até mim e me questionaram sobre o que as garotas haviam dito.

– Elas só queriam me convidar para uma festa, só isso, olhe... – Acidentalmente, estiquei minha mão direita ao invés da esquerda.

– O que é isso, Percy? – Perguntou Annabeth olhando para as manchas, claramente preocupada.

– Não... não... não é nada. Vem, vamos, nós temos de ir para o ônibus.

– Volte aqui agora, Perseu Jackson. – Chamou Ashley.

– Droga... – Sussurrei ainda de costas a elas.

– Venham alunos! Nosso voo já irá partir, nós temos de nos adiantar.

– Salvo pelo gongo. – Disse Annabeth enquanto passava ao meu lado.

Suspirei e entrei no ônibus, tentando ficar o mais longe possível de Annabeth e Ashley.

Chegamos até o aeroporto e fizemos tudo que precisamos para embarcar. Annabeth e Ashley haviam ficado bem distantes de mim no avião, e isso me deu um tempo para pensar sobre qual explicação eu deveria dar à elas.

– Senhor, tem uma pessoa lhe chamando. – Disse a aeromoça que passara por mim.

Olhei para trás e encontrei a mesma mulher que me alertara sobre minha mão.

– Droga... – Sussurrei.

Me levantei e me sentei ao lado dela, evitando entrar no campo de visão de Annabeth e Ashley.

– Olá, Jackson. — Cumprimentou ela.

– O que é dessa vez? – Indaguei meio sem paciência.

– Vim lhe dar outro aviso. – Disse ela. – Mostre-me sua mão.

Estiquei o braço direito para ela.

– Hm... muito bom, muito bom. Parece que você deu sorte, vai consegui viver com isto aí.

– Conviver com isto ai? Mas do que diabos você está falando?

– Você não entende não é, garoto? – Ela se virou bruscamente para mim. – Sua mão contém mais poder armazenado do que seus poderes junto aos da filha de Zeus mais os do filho de Hades. Você é somente um mero semideus, conseguir armazenar tanto poder dentro de si é uma proeza. É admirável que você não tenha morrido ainda, Jackson, você teve muita sorte.

– Como assim sorte? – Perguntei irritado. – Você sabe o que é ter um titã maligno dentro de si? Sabe o quão doloroso é passar por esse processo? – Soltei.

– Não, não sei. Mas sei que você não o tem mais dentro de sua cabeça. – Arquei uma sobrancelha. – Você não notou que Cronos não deu mais sinal de vida em sua cabeça? Ele está preso em sua mão, semideus, junto a todos os outros poderes que agora você tem.

– Que outros poderes?

– Em breve você saberá, mas por enquanto, você deve saber que você tem o poder sobre os raios, semelhante ao poder da filha de Zeus.

– Mas como eu os controlo? – Perguntei.

– Diga-me, garoto, como você aprendeu a controlar seus poderes sobre a água? – Questionou ela, provavelmente já sabendo a resposta.

– Bem... eu aprendi com a necessidade.

– Então está tudo certo, você deverá, assim como seus poderes com a água, aprender com a necessidade e o tempo.

Antes que eu pudesse questioná-la, ela se desfez na mesma poeira da primeira vez. Suspirei derrotado e voltei até o meu lugar.

Alguns minutos depois, Annabeth e Ashley se sentaram ao meu lado, ambas totalmente preocupadas.

– O que é que aconteceu com vocês? – Perguntei olhando para o estado das duas, ambas suando e parecendo totalmente cansadas.

– Monstros... no... avião. – Foi a última coisa que conseguiram dizer antes de desmaiarem.

Monstros dentro do avião? Mas que droga era aquela? Tirei minha caneta do bolso e já deixei meu dedo em uma posição que retirasse rapidamente a tampa.

Olhei para as duas semideusas que haviam desmaiado ao meu lado. Ambas estavam com alguns cortes no corpo, mas nada sério. Olhei em volta e percebi que eu não havia opções, há não ser esperar para que o avião pousasse ou que as garotas acordassem.

Mas eu não precisei optar por nenhuma das opções. Um estrondo do fundo do avião fez a atenção de todos se virarem para lá. Corri até o lugar do estrondo e agradeci à todos os deuses por aquele lugar estar vazio.

Bom, tecnicamente, ele não estava vazio, devido a dois cães infernais que estavam ao lado de um monte de poeira. Deduzi que aquela poeira fosse dos monstros que Annabeth e Ashley possivelmente mataram.

Destampei Contracorrente, traindo total atenção de ambos os cães.

O primeiro cão partiu para o ataque. Me esquivei de uma abocanhada no lugar onde estava minha perna e tentei fazer um corte na orelha dele, porém, ele conseguiu desviar a tempo.

O segundo cão dessa vez, conseguiu acompanhar o ataque do primeiro. Tomei uma investida do segundo cão, enquanto o primeiro usara seu rabo para me jogar longe. Bati na parede do avião. Cai de cara no chão, a alguns metros de distância de Contracorrente.

O primeiro cão rosnou e tentou me abocanhar no chão. Rolei para o lado e dei um chute em seu focinho. Ele cambaleou para trás e chacoalhou a cabeça. O segundo pareceu ser mais esperto. Ele se aproximou de mim e não me deixou rolar para o lado, colocou uma parta sobre o meu peito e a outra ficou posicionada no ar, somente esperando o momento certo para estraçalhar meu rosto.

Aprender com a necessidade... Dissera a mulher.

Pensei na minha mão direita e logo em seguida pensei em raios. Aos poucos, minha mão começou a criar pequenas faíscas, mas não tão grande. Aumentei a intensidade dos meus pensamentos e logo um pequeno raio se materializou em minha mão.

– Tchau, tchau, cãozinho. – Eu disse fazendo o raio ir de encontro ao rosto do cão.

Instantaneamente ele se tornou pó. Minha mão continuava produzindo raios em grande intensidade.

Andei até minha espada e olhei a olhei em minha mão. Ela estava em uma espécie de sincronia com os raios, ela parecia ser realmente parte do meu corpo.

O cão rosnou e se aproximou. Minha espada começou a ser rodeada pelas faíscas. O cão pulou o espaço que havia em cima de minha cabeça, e, em um movimento rápido, o decapitei, fazendo sobrar somente pó.

Limpei um pouco da poeira que sobrara sobre minha espada e comecei a aliviar meus pensamentos. Aos poucos, minha mão parava de produzir faíscas.

Muito bom, Percy, muito bom... Dissera uma voz em minha cabeça. Uma voz que eu já havia ouvido, somente não me lembrava de onde...

Fui retirado de meus devaneios, assim que Annabeth e Ashley apareceram, ambas armadas para um combate.

– Você conseguiu. – Disse Ashley.

– É, consegui.

– Que bom, porque nós já... – Annabeth ia dizendo, quando foi interrompida por uma voz vinda dos autos-falantes.

Senhoras e senhores, por favor sentem-se e abotoem os cintos, desliguem os aparelhos eletrônicos. Gostaria de informa-los que em cerca de 20 minutos estaremos pousando em Londres.

– É, parece que chegamos. – Afirmei.