O Herói do Olimpo
28 Recupero o Cinto
Notas iniciais
Não demorou muito para que chegássemos até nosso apartamento. Annabeth nos avisou que iriamos somente guardar nossas coisas, e depois teríamos de ir até o local aonde ela achava que estava o cinto de Afrodite.
Logo após terminarmos de guardar nossas coisas, eu, Annabeth, Ashley e Calipso fomos até o possível local do cinto.
Lá era um verdadeiro esgoto. Não, é sério, aquilo era um esgoto, estávamos literalmente no esgoto. O cheiro do lugar era um dos piores que já senti, não havia nenhuma iluminação além de nossas armas de bronze celestial. O lugar era pequeno, e uma água um tanto suja corria por ali.
– Ah, mas que droga! Por que é que eu tive de vir nisto? – Ashley reclamou.
Calipso iria dizer algo, porém, pequenas vozes nos interromperam.
– Você acha que demorará muito para que o traste do filho de Poseidon venha até mim? – Perguntou a voz de um garoto.
– Não, meu senhor. Não creio que ele irá demorar. – Respondeu uma voz não-humana.
– Bom... Muito bom...
Annabeth avançou pelo corredor. Eu a segui junto de Calipso e Ashley. Adentramos um lugar que não tinha nada a ver com um esgoto. A água não chegava até ali, o cheiro não era mais ruim, o teto tinha iluminação. Aquilo era uma espécie de câmara.
O dono da voz não-humana tinha uma aparência humana. Ele era alto, e bastante semelhante ao titã Prometeu.
O garoto tinha olhos azuis, loiro, físico de um típico semideus. Ele olhou atentamente para nós que entravamos, mas, mais fixamente para Annabeth. Olhei para a cintura dele e me deparei com um cinto, um cinto que brilhava em uma cor rosa.
Saquei Contracorrente e me pus a postos.
– Acho que você tem algo que preciso. – Soltei. – Vamos, eu não sei quem você é ou o que você é, e nem quero saber, somente quero o cinto que você roubou de Afrodite.
Estranhei Annabeth não ter dado nenhum aviso ao garoto ou qualquer ameaça. Olhei para trás e me deparei com a filha de Atena totalmente em choque. Olhei para Ashley e apontei para Annabeth. A filha de Afrodite e Calipso logo foram a ajudá-la.
Semicerrei os olhos para o garoto. Ele sorriu e retirou um anel de seu dedo, que instantaneamente se transformou em uma espada de ouro imperial.
– Ouro imperial... – Sussurrei.
Ele não deixou eu terminar meu pensamento. Correu até mim com a espada em punhos, pronto para desferir seu golpe. Girei Contracorrente em minha mão e avisei à Ashley e Calipso para que levassem Annabeth até o corredor onde estávamos. Relutante, elas assentiram.
O garoto tentou desferir um corte em minha perna. Dei um salto para trás e tentei um movimento de desarme, mas ele estava esperto. Rolou para o lado e me encarou.
– Você é bom... é muito bom. – Elogiou ele. – Mas não será o bastante.
– Isso é o que veremos.
Então ele voltou a tentar me atacar. Sua espada tentou fazer um corte em meu braço, mas, em um movimento rápido, consegui fazer minha espada se chocar com a dele.
O garoto era o melhor espadachim com quem eu já lutei. Cronos era um brinquedo perto da habilidade daquele garoto. Ele esquivava, cortava, desferia golpes com uma facilidade impressionante.
Mas eu também era bom. Me defendia sempre, não deixando a espada dele encostar uma vez em minha pele.
Ele recuou bufando. E eu fiz o mesmo.
Percebi que nenhum de nós conseguiríamos vencer o outro na espada. Levantei minha mão e pensei em raios, da mesma maneira que fiz no avião. Pequenas faíscas começaram a aparecer, para logo depois se formar um raio.
O mirei na direção do garoto e o atirei.
Assim que a fumaça se dispensou, não encontrei o garoto e nem o dono da voz não-humana. Olhei ao redor, esperando qualquer armadilha ou algo do tipo, mas não, eles haviam saído dali antes que meu raio os atingisse.
Desisti de procurá-los e já estava me retirando até o corredor onde eu havia mandado Ashley ir com Annabeth, quando noto um pequeno brilho no centro da câmara. Me aproximei e agachei ao lado da luz. O cinto de Afrodite estava lá, completamente intacto.
O peguei e fui até Ashley. A encontrei ao lado de Calipso, ambas preocupadas com o estado de Annabeth, que parecia estar inconsciente.
– O que aconteceu com ela? – Indaguei à Calipso.
– Eu não sei, ela entrou em choque por somente olhar para aquele garoto... mas não se preocupe, já usei um pouco de magia, ela logo irá acordar. – Calipso respondeu.
– Certo... – Sussurrei. – Vamos esperar ela acordar e depois saímos daqui.
Calipso e Ashley somente assentiram.
~.~
A volta para casa havia sido tranquila. Annabeth havia acordado minutos depois que eu chegara até o corredor, então somente pegamos o cinto e fizemos o caminho até nosso apartamento. Nenhum monstro, nenhum garoto bom de espada, nada tentou nos atrapalhar.
Todos nós tomamos um banho, estávamos exaustos. Coloquei uma pijama e me joguei minha cama, mas não sem antes brincar com pequenas faíscas em minha mão.
Algum tempo depois que eu havia pulado na cama, Annabeth abriu rapidamente a porta de meu quarto.
– Arrume suas malas. – Dissera ela.
– Como é que é? Eu acabei de desfaze-las! – Respondi indignado.
– Afrodite acabou de me dizer que partiremos depois de amanhã. – E então ela saiu do quarto, sem me dizer mais nada.
Olhei para minha mão esquerda, a qual estava anotado um endereço e uma data. A data da festa era amanhã, eu poderia ter pelo menos mais um dia, poderia finalmente me sentir como um adolescente normal, bom, pelo menos por algumas horas.
Suspirei e fechei meus olhos.
~.~
Não havia tido beijos de bom dia por parte de Ashley dessa vez. Ninguém viera até meu quarto ter o trabalho de me chamar para aula — que provavelmente já estava acontecendo. Bufei irritado e me levantei. Joguei o lençol no chão e olhei para meu relógio na cabeceira da cama. É, a aula não estava acontecendo, ela já havia acabado.
Vesti uma roupa apresentável, jeans, camiseta dos Beatles, e um óculos escuro. Fui até a sala e a examinei. Vazia. Cozinha estava no mesmo estado. Eu não fazia questão de saber aonde as garotas estavam, e nem queria saber para dizer a verdade. Essa manhã, — ou melhor, tarde -, eu havia acordado um tanto “rebelde” por assim dizer. Eu me sentia com vontade de dar mais um chute na fuça de Ares, algo que eu nunca havia sentido com tanta intensidade.
Peguei as chaves do apartamento e saí de lá.
As ruas de Londres estavam particularmente calmas esta tarde. Não havia nenhum “estranho” me seguindo, e com estranho eu quero dizer monstro.
Eu havia decidido andar um pouco pelos monumentos históricos de Londres esta tarde. E não, eu também não sei de onde esta vontade havia surgido, somente sabia que algo me puxava até esses lugares.
O primeiro lugar a visitar foi o famoso Big Ben. Uma guia me acompanhava junto a um pequeno grupo de crianças, todas uniformizadas e organizadas. Provavelmente elas estavam tendo uma visita até lá. Torci para que eu não encontrasse nenhum monstro nesse lugar, não queria ter de lutar correndo riscos dessas crianças se machucarem.
Por sorte, a visita até o Big Ben havia sido tranquila. Nenhum monstro resolveu aparecer, minha mão não havia se manifestado e nem algo do tipo.
O próximo lugar a visitar seria a agulha de Cleópatra. Me lembrei das aulas que eu havia tido no acampamento Júpiter, que Cleópatra havia sido a última rainha do Egito, logo perdendo seu território para os romanos. Ainda me lembrava dos sorrisos dos semideuses quando falávamos sobre a destruição de outros povos. Devo admitir que eu também sorria, quando eu estava no acampamento Júpiter, eu me sentira parte de lá.
Minhas lembranças foram interrompidas por um grave estrondo vindo da agulha. As pessoas começaram a correr, enquanto eu permanecia ali, agachado atrás de uma pilastra com a minha caneta em mãos, preparado para qualquer monstro que viesse.
Mas o que me surpreendeu foi que não saíram monstros da agulha. Mas sim três jovens, em torno de 13-15 anos. Dois garotos e uma garota. Eles carregavam artefatos estranhos nas mãos, algo que eu nunca havia visto em toda a minha vida.
Acabou que não precisei lutar. Os garotos que haviam saído da agulha haviam simplesmente desaparecido. De tantas coisas estranhas que eu já vi em minha vida, eu podia enquadrar aquela cena na palavra “sobrenatural”, afinal, não é todo dia que um semideus vê três garotos saindo de um monumento de Londres.
Olhei para um relógio que estava ali na rua. Já estava na hora da festa de Sarah. Dei de ombros para minha roupa, eu não estava nem um pouco afim de voltar até o apartamento para me trocar. Caminhei com uma sensação estranha em meus ombros, algo que eu nunca havia sentido. Mas foi fácil de aguentar, já que eu já segurara o céu, uma sensação nos ombros não era tão incomoda assim.
Cheguei a festa minutos depois. Ela já estava praticamente cheia. A casa, uma completa bagunça. Copos de plástico espalhados pelo chão, garrafas de vodka vazias em cima dos cômodos. Umas vinte pessoas me ofereceram um pouco de bebida, mas, se eu tivesse de enfrentar um monstro bêbado, provavelmente eu iria morrer em questão de segundos, então eu somente negava com a cabeça e voltava a andar pela grande casa.
– Olhe quem está aqui!
Me virei lentamente e me deparei com Sarah. Ela trajava um vestido azul, um tanto bonito. Sua maquiagem não estava tão forte em seu rosto. Resumindo: ela estava muito atraente.
– Oi, Sarah. – Cumprimentei.
– Ah! Que fofo! – Ela exclamou apertando minhas bochechas. – Você sem graça fica tão lindinho!
Corei com o comentário.
Felizmente a música aumentou de volume intensamente, impedindo que Sarah fizesse qualquer comentário sobre eu ter corado. Ela puxou uma garrafa de vodka e me puxou até a pista de dança. Hesitante, eu a acompanhei.
Fiquei somente dançando por cerca de uma hora. Sarah havia deixado de lado aquela garrafa de vodka. Eu somente não havia entendido, uma hora ela estava animada para beber aquilo, outra ela sorria e dava a garrafa para outro. Mortais, eu nunca irei entende-los.
– Já sei! – Ela gritou em meu ouvido devido à altura da música. – Vem!
Ela nos levou até um corredor e adentramos uma sala. Uma sala não, adentramos um quarto. O quarto de Sarah. Ela me jogou em sua cama king-size e começou a engatinhar até mim. Ela desceu sua mão até minha calça, e com sua outra mão ela me induziu a minha até seus seios. Ela se aproximou e me beijou, enquanto tirava lentamente minha blusa. Ela a retirou e a jogou em um canto da sala. Depois, ela retirou sua própria blusa, deixando expostos seu sutiã.
Não vou entrar com o resto dos detalhes, somente saibam que eu dormi na casa de Sarah naquela noite. Mas eu tivera um problema naquela noite, um único problema: Annabeth não saíra de minha cabeça durante toda a noite. E eu não entendi bem o porquê disso.
~.~
Acordei vendo que Sarah já não estava mais ao meu lado. Olhei para a cabeceira de sua cama, havia um bilhete. Nele dizia que ela teve de sair e blá, blá, blá. Me levantei, vesti minha roupa e saí daquela casa totalmente bagunçada.
Andei tranquilamente pelas ruas de Londres. Mas minha tranquilidade logo se fora, me lembrei de que hoje era o dia de viajarmos. Olhei para todos os lados, completamente desesperado e comecei a correr em direção ao apartamento.
Somente parei de correr ao estar dentro do elevador. O porteiro me garantiu que nenhuma das garotas haviam saído. E isso já foi o suficiente para eu ganhar meio dia, porque, devido a minha sorte de meio-sangue, eu provavelmente teria perdido aquele voo.
– O. Que. Você. Tinha. Na. Cabeça? – Annabeth perguntou entredentes, assim que cheguei ao apartamento.
A olhei fixamente nos olhos. Verde X Cinza. Ela começara a me fuzilar com o olhar, mas eu não estava ligando, eu estava gostando daquele lindos olhos cinzas que pareciam ler lentamente a minha alma.
Ela corou com o meu fixo olhar. Sorri com a cena.
– Certo... – Sussurrou Ashley. – Nós temos de ir, ou chegaremos atrasados.
Assenti com a cabeça e peguei minha mala em meu quarto. Tomei um susto ao ver que todas as minhas coisas já não estavam mais lá. Provavelmente algum deus deveria tê-las enviado de voltar até o apartamento de minha mãe.
Peguei minha mala e fomos até o aeroporto, todos nós sem trocarmos nenhuma palavra. Havíamos conseguido chegar bem a tempo de pegar o avião, então não nos preocupamos. Estranhei que meu pai dessa vez não nos fizera ir pelo mar, mas... São os deuses, não é mesmo? Quando nós iremos entende-los?
~.~
A viagem havia sido tranquilo, mas somente um fator foi um tanto... constrangedor. Parece que Zeus queria se divertir um pouco, e com isso ele fez algumas “turbulências” acontecerem. Eu juro pelo rio Estige que eu consegui ouvir as risadas do Olimpo quando Zeus fazia suas brincadeiras.
Annabeth, Ashley e Calipso haviam ido para o Acampamento Meio-Sangue, enquanto eu resolvi ficar uns tempos pelo apartamento de minha mãe, eu sentia saudades dela.
Mas uma questão inquietante havia se apoderado de minha cabeça durante toda a viagem de avião. Como estava o Acampamento Júpiter? Eu nem me lembrava dá última vez que havia recebido notícias deles.
Naquela noite eu havia tomado uma decisão. Por mais que passar um tempo com minha mãe fosse importante, o Acampamento Júpiter também era. A marca em meu braço dizia isso. Eu tinha um dever com os romanos. E não seria agora que eu faria uma desfeita com eles.
Amanhã eu iria voltar à pretoria de Roma.
~.~
Amanheceu e eu já estava de pé. Eu não havia tido o trabalho de desfazer minhas malas ontem, então já às aproveite para ir para o acampamento Júpiter. Mas antes eu precisaria passar no acampamento Meio-Sangue, eu tinha algumas coisas a tratar por lá.
Tomei meu café da manhã e avisei a minha mãe que eu já estava, novamente, de partida. Ela compreendia a vida que eu tinha, o dever que eu tinha. Somente me despedi e peguei um táxi até Long Island.
Eu já começara a ficar mais atento em Nova York. Aquele era um bom território para monstros caçarem, afinal, o Olimpo ficava ali, os deuses desciam mais ali, então consequentemente ali tinha mais semideuses do que outros lugares.
Desci do táxi e subi a colina Meio-Sangue. O cheiro de morangos me embriagou assim que tocaram minhas narinas. A magia das flautas dos sátiros me animaram. O barulho de espadas se chocando era como músicas para meus ouvidos.
Já me dirigi imediatamente até a casa grande. Quiron e Sr.D estavam lá, os dois conversavam freneticamente.
Pararam assim que me virão. Sr.D me mandou um olhar reprovador e se retirou da sala, me deixando somente com o centauro.
– Criança! Como foi sua viagem? – Ele perguntou.
– Foi boa... Mas eu preciso lhe falar algo sério.
Sua expressão logo se tornou receosa.
– Diga.
Estiquei minha mão direita para ele. Comecei a pensar em faíscas, e logo pequenos raios se formavam em minha mão.
– Meus deuses... – Murmúrio ele. – O que aconteceu?
– Minha mão começara a doer do nada... e essas manchas apareceram, e logo depois uma mulher me disse que tinha muito poder armazenado nela, e blá, blá, blá.
Mas Quiron estava concentrado demais em minha mão para ouvir meu blá, blá, blá.
– Certo... Eu... eu preciso pensar um pouco, Percy. – Disse o centauro.
Assenti com a cabeça e o deixei sozinho na casa grande. A expressão de Quiron havia me despertado um interesse, nunca vira o centauro com tanta dúvida em toda a minha vida.
Comecei a andar pelo acampamento diante aos olhares de todos. Caminhei até chegar à praia. Me sentei em uma pedra e fiquei olhando o mar. Alguns minutos depois, ouço passos na areia. Me viro e me deparo com Annabeth.
Decidi fazer-lhe uma surpresa. Me aproximei furtivamente por trás dela, e me sentei ao seu lado, dando à ela um grande susto. Ri de sua reação.
– Do o que você está rindo?!
– De... sua... reação... – Disse entre risos.
Parei de rir assim que olhei em seu rosto. O sol o iluminava, e o vento esvoaçava seus lindos cabelos loiros. De repente, tudo que passamos juntos me veio à mente. Me aproximei devagar dela, sem ter controle sobre meu corpo.
E então eu a beijei. Mas não foi um beijo como os de Ashley ou Sarah. Foi um beijo apaixonante. Um beijo que dava-se impressão que fogos de artifícios se estouravam no céu. Resumindo: o melhor beijo de toda a minha vida.
Fiz outra brincadeira com ela. Enquanto ela estava distraída com o beijo — admito, foi muito difícil fazer isso com aquele beijo em cima, é sério, Annabeth beija muito bem -, a segurei por trás e a levantei, deixando em meu ombro.
– O que você está fazendo, Perseu Jackson?! – Exclamou ela totalmente irritada.
E então eu corri para a água.
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Fiquei brincando um pouco com Annabeth depois que nos beijamos, mas, é sério, foi difícil ficar perto daqueles lábios e não poder beija-los. Passei a noite no chalé de Poseidon e deixei minhas malas arrumadas para partir logo na manhã seguinte em direção ao Acampamento Júpiter.
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