O Herói do Olimpo
29 Atena começa meu treinamento
Notas iniciais
Acordei antes da concha soar. O acampamento inteiro estava em silêncio. Não havia se quer um campista fora de seu chalé naquela hora, provavelmente as harpias ainda estavam perambulando por aí.
Me levantei do pequeno beliche e fui até o banheiro que havia no chalé. Retirei meu pijama e coloquei a blusa do Acampamento Júpiter, mas não sem tampá-la com um moletom. Coloquei uma pequena bermuda jeans e fui até a porta do chalé com minha mala em mãos.
As harpias não tentaram me atacar. Elas somente olhavam para mim e se afastavam rapidamente. Eu realmente não sabia o porquê delas recuarem, afinal, os filhos dos três grandes são sempre mais saborosos.
– Aonde você pensa que vai? – Uma voz me parou assim que cheguei à colina.
Me virei lentamente. Annabeth estava com seus olhos fixados em mim, os braços cruzados sobre o peito e seu pé batia constantemente no chão.
– Er.... Hum...
Eu realmente não sei o que deu em mim ali. Eu simplesmente não estava conseguindo formular uma frase diante a filha de Atena. Ela estava praticamente me hipnotizando.
Ela arqueou uma sobrancelha. Parou de bater o pé e descruzou os braços. Se aproximou lentamente de mim e sussurrou:
– Vou repetir somente mais uma vez. Aonde você está indo?
Balancei a cabeça tentando ganhar foco para responder a pergunta.
– Acampamento Júpiter.
Ela bufou irritada.
– E o que você... – Ela iria dizendo algo, até que um grito nos interrompeu.
Eu e Annabeth nos entreolhamos. Aquele grito era de Drew, e ele vinha do chalé de Afrodite.
Soltei minha mala e corremos até lá sem pensar duas vezes. Adentramos o chalé e logo o cheiro de perfume invadiu nossas narinas. Olhamos para todas aquelas camas vazias e me perguntei aonde estava as filhas de Afrodite. Olhei para o banheiro, pequenos barulhos vinham dê lá.
– Socorro! – Gritou uma filha de Afrodite.
Levei minha mão até o bolso de minha calça, somente por prevenção. Eu e Annabeth fomos até o banheiro. As filhas de Afrodite haviam feito um aglomerado envolta de algo. Retirei duas garotas de minha frente e me assustei com o que vi.
O corpo de Silena estava ali, totalmente sem vida.
– Mas o que...? – Resmunguei.
Annabeth caiu de joelhos diante ao corpo. Algumas filhas de Afrodite começaram a chorar, enquanto outras somente entravam em choque.
Outro grito foi se ouvido. Annabeth virou se rosto para mim e assentiu, como se me desse permissão para ir atrás do grito. Me levantei e corri. O grito vinha do chalé de Hermes.
Mas, antes que eu pudesse ir até lá, outro grito foi se ouvido, dessa vez, do chalé de Hefesto. Outro do chalé de Apolo.
Quiron e Sr.D saíram às pressas da casa grande. Alguns campistas também saíram de seus chalés, todos em dúvida sobre o que estava acontecendo.
Enquanto eu decidia para onde correr, algo de estranho aconteceu no chalé de Hermes. Uma áurea negra começou a encobri-lo, fazendo diversos campistas correrem de lá, todos em total desespero.
Corri até lá. Adentrei o local e encontrei outro corpo ao chão. Era o corpo de Bianca di Ângelo. E, perante ele, estava Nico que irradiava a áurea negra que cobria o chalé de Hermes. Não entrei em choque naquele momento, pois sabia que agora não era hora para isso, algo de errado estava acontecendo ali. Dava para ver que Nico não estava em bom estado, já perdera sua irmã uma vez, e a áurea que ele irradiava... Não era uma áurea boa.
Olhei para o banheiro do chalé. Nico não havia percebido minha presença ali, decidi tirar proveito disso. Fiz a água dos canos saírem do banheiro e as levei diretamente para o rosto de Nico. O impacto saíra na proporção que eu queria, fizera o filho de Hades ir de encontro a parede do chalé, o deixando inconsciente imediatamente. A áurea ia se afastando aos poucos. Olhei para o corpo de Bianca. Estava no mesmo estado que Silena.
Antes que eu pudesse ser tomado por qualquer sentimento, minha mão começara a doer, juntamente de minha cabeça.
Ah, Jackson, achava que só Cronos lhe dava essas dores de cabeça? A voz de Gaia retumbava em minha cabeça.
Comecei a gritar. A dor de cabeça era a mesma que eu sentira na piscina do hotel, mas essa estava em uma proporção muito maior. Minhas mãos se fecharam. O chão do chalé de Hermes começou a tremer. E então eu desmaie.
~.~
Eu estava em uma floresta. Só se tinha árvores lá, sem casas e sem luzes. Olhei ao meu redor. As árvores farfalhavam constantemente. Fixei meu olhar em algo que estava bem a minha frente, algo não, e sim uma mulher.
– Olha o que temos aqui! – Exclamou a mulher. Melhor dizendo, Gaia.
– Gaia. – Cuspi seu nome.
Antes que ela disse qualquer coisa, saquei Contracorrente de meu bolso e avancei. A terra que estava ao lado da mãe-terra se materializou em uma espada e foi até sua mão.
Devo dizer que era difícil, ou melhor, impossível lutar contra Gaia. Se não fosse um sonho, eu provavelmente já estaria morto pela quantidade de ferimentos. Quando eu tentava fazer um corte na mãe-terra, a terra que estava em sua frente se materializava em um escudo e bloqueava meu ataque, deixando à Gaia a oportunidade de um contra-ataque.
Cambaleei para trás.
– Não há maneiras de me vencer, semideus. Junte-se a mim, e governaremos esse mundo. Uma nova era. Você poderia viver sua vida com a filha de Atena.
– Tentador. Mas creio que isso não será possível.
Apontei minha mão para Gaia e atirei um raio. Ela se desfizera em terra antes que o raio a atingisse e logo em seguida apareceu atrás de mim. Tentei fazer um corte rápido com minha espada, mas ela se desfez em terra novamente.
Apareceu em minha frente. Empunhava sua espada e tinha um brilho maquiavélico no rosto. Sorriu. A terra ao meu lado começou a prender minhas pernas e braços. Contracorrente caiu no chão. Gaia se aproximou lentamente.
E então ela usou sua espada para perfurar meu peito.
Acordei suando frio e gritando. Eu estava na enfermaria do acampamento. Tateei meu peito procurando qualquer buraco que Gaia pudesse ter feito. Suspirei assim que constatei que aquilo tudo era somente mais um pesadelo gerado pela mãe-terra.
Olhei ao meu redor. A enfermaria estava vazia. Me levantei meio tonto e peguei minha mala que estava ao lado de minha cama. Silenciosamente fui até a porta e abri. O acampamento estava vazio. Olhei para o anfiteatro e vi uma pequena chama subindo de lá.
Deixei minha mala enfrente a enfermaria e me aproximei do anfiteatro. Choros eram ouvidos. Entrei lá silenciosamente, não queria que ninguém me visse.
Estavam fazendo mortalhas. Uma mortalha do chalé de Afrodite, duas para o chalé de Apolo, uma para o de Dionísio, uma para o de Hefesto. E então relacionei todas aquelas mortalhas. Eram as mesmas que fizemos após a batalha contra Cronos.
Rastejei até Quiron e Dionísio que estavam tendo uma conversa claramente séria.
– Isso não faz sentido! – Resmungo Dionísio.
– Eu também não entendo. Os mesmo mortos da batalha de Cronos morreram novamente. Hades falou-lhe algo sobre isto? – Perguntou Quiron.
– Ele também não sabe o que aconteceu. – Sr.D respondeu claramente irritado.
Me afastei dali antes que qualquer um dos dois pudessem me ver. Me apoie de costas em uma cadeira do anfiteatro e bufei. Que droga estava acontecendo ali?
Não fiquei ali por tempo suficiente para ouvir todas as declarações aos mortos. Eu estava muito irritado, sabia que aquilo tinha algo a ver com Gaia. E ela iria pagar por isso.
Peguei minha mala e fui até o chalé de Poseidon. Retirei todas as coisas que estavam nela e fiz uma mochila. Ela continha tudo o que eu precisaria; dracmas, néctar, ambrosia, roupas limpas e uma adaga.
Você deve estar se perguntando, pra que eu precisaria dessas coisas todas, não é mesmo? Decidi adiar minha ida até o Acampamento Júpiter. Peguei a mochila e a coloquei no ombro. Saí do chalé e fui até a colina, me certificando que eu não estava sendo seguido.
Eu sabia que o treinamento de um semideus normal não seria o suficiente para matar Gaia. Meu plano seria simples, eu treinaria com os próprios monstros. Eu faria como Annabeth, Luke e Thalia faziam. Eu iria ficar perambulando pelo país, totalmente sobre minha conta.
Assoviei bem alto. Logo o meu pegáso BlackJack pousou em minha frente.
Chefe! Gritou BlackJack em minha cabeça.
– Também estou feliz em lhe ver, amigão. Mas não tenho muito tempo para conversas agora. Tem como você me levar para a Florida?
Sobe ai.
Fiz o que ele disse e montei em sua garupa. BlackJack começou a correr e abrir suas asas. Logo nós já estávamos voando sobre a cidade de Nova York.
~.~
Horas depois BlackJack me deixou em Miami. Agradeci à ele e lhe dei alguns torrões de açúcar. Ele levantou voo e foi em direção ao Acampamento Meio-Sangue.
Suspirei cansado. A minha vida seria muito estressante depois desse meu plano. Eu já havia perdido amigos demais, não poderia deixar que Gaia me fizesse perder mais pessoas ainda, eu não permitiria.
Comecei a andar por aí. Miami até era uma cidade legal, e talvez eu encontrasse monstros desafiadores por aqui. Procurei algum lugar para acampar até que adentrei uma pequena floresta. Adentrei o local e achei um bom canto para acampar.
Antes que eu se quer pudesse armar minha barraca, uma luz se formou em minha frente. Dela surgiu uma pequena silhueta feminina. Aos poucos fui notando que a dona da silhueta era ninguém menos que Atena. Ela trajava sua habitual túnica grega. Seus cabelos loiros e seus olhos cinzas me lembraram Annabeth.
– O que você quer? – Soltei irritado. Todos sabemos que Atena não é minha maior fã.
– Não fale assim comigo, garoto. Sabe que sou uma deusa, e que posso lhe fazer churrasco em segundos.
– Sei... – Resmunguei baixinho.
Ela semicerrou os olhos e continuou.
– Mas não vim até aqui para lhe atormentar. Admirei seu plano, mesmo que para um semideus isso tenha sido muito tolo. Sabendo que você não duraria muito, resolvi lhe propor algo.
– E o que seria?
– Que eu lhe treinasse. Mas tem uma condição. – Disse ela.
– Qual?
– Você deverá se afastar de minha filha, e somente falar ou interagir com ela sob minha permissão.
Bufei irritado. Esse sempre foi o desejo de Atena, me separar de Annabeth definitivamente. Embora eu quisesse recusar isto, eu sabia que eu precisava do treinamento.
– Eu... eu... aceito. – Concordei por fim.
Atena sorriu.
– Bom, muito bom, garoto. Você já tem a primeira parte do treinamento que lhe darei. – Comentou ela.
– Como assim?
– Parece que Nyx lhe treinou, não é mesmo? – Assenti com a cabeça me lembrando do terrível Tártaro. – A parte de consciência ela já lhe fez. Já podemos fazer a segunda parte.
– E qual seria a segunda parte?
Ela sorriu novamente.
– Força.
Sorri de volta, 6 anos de treinamento haviam me dado muita força.
– Tá, quando começamos? – Indaguei.
– Agora.
Ela nos tele transportou até um salão. Colunas gregas os sustentavam, todas elas sendo reluzidas pelo sol. O salão havia o mesmo tamanho da Arena do acampamento Meio-Sangue.
– Aonde estamos? – Perguntei à Atena, que admirava aquilo tudo com muita beleza.
– Uma arena. – A deusa da sabedoria respondeu. – Uma arena um tanto especial...
– E o que ela tem de tão especial?
Assim que perguntei isto, algo me fez desabar com os joelhos no chão.
– A força gravitacional dela, aqui você vai pesar 50 vezes mais do que o comum.
– Legal, agora não conseguido ficar mais de pé, ótimo começo de treinamento! – Ironizei.
Atena me fuzilou com o olhar. Ela conseguia ser mais amedrontadora do que Annabeth.
– Você irá tentar ficar em pé, se não conseguir, morrerá.
Ela fez uma cadeira materializa-se atrás dela. Sentou-se e invocou uma taça de vinho.
Ótimo, agora eu virei um show para a deusa da sabedoria.
Aquilo havia me irritado. Como ela podia ficar ali, assistindo a minha desgraça? Meus joelhos começaram a se levantar, minha mão esquerda – que estava apoiada ao chão – começou a esmaga-lo. Consegui levantar o joelho direito e retirar a mão direita do chão. Mas minha mão esquerda estava quebrando o chão, e o engraçado era que Atena não estava entendendo aquilo.
Alguns segundos depois, consegui me levantar por completo. Atena havia deixado sua taça de vinho ser estraçalhada ao chão, e seu queixo estava caído. Sorri com os cantos dos lábios para ela.
– Você... você.... – Gaguejava ela.
Olhei para o local aonde minha mão esquerda estava apoiada. Quebrado. O piso de mármore havia sido quebrado por minha mão, e eu não sentira a dor.
Atena olhou para minha mão e quase caiu de sua cadeira. Se a cadeira não estivesse fixada ao chão, com certeza a deusa da sabedoria teria caído.
Ela se desfez de seu choque e estalou os dedos. Uma armadura grega apareceu sobre mim, e outra apareceu sobre ela. Uma espada se materializou em sua mão e sua cadeira desaparecera junta dos cactos de vidro da taça.
– Então está bem. Você conseguiu. Está na hora de ver quanto tempo consegue ficar em pé em uma luta contra mim.
Meu corpo voltou a ficar leve o suficiente para que eu lutasse. Atena avançou até mim com sua espada direcionada ao meu rosto. Rapidamente tirei Contracorrente de meu bolso e rolei para o lado.
Dava para ver nos olhos de Atena que ela não pegaria leve nesse treinamento.
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