O Gull de Konoha

2 Capítulo 2 - Cheiro de Especiarias


Notas iniciais
Eu sei que eu disse que seria breve, MIL PERDÕES ;'( Eu viajei e acabei esquecendo meu pendrive e quem me conhece sabe que eu não sou das mais pacientes para reescrever capítulos kkk. Mas enfim voltei, e prometo postar toda semana a partir de agora. Esse cap é só pra dar um alô sobre a relação do Kakashi com os Uchihas e o Uzumaki. Fiquem calmos que a ação e o romance jajá chegam haha

— Iniciaremos os preparativos para a batalha – Disse Itachi a Kakashi, seu contramestre.

— Acha que conseguiremos apenas com nossas forças? – Sua voz transmitiu insegurança, mas a máscara que lhe cobre o rosto não permite a ninguém averiguar.

— Podemos não ter a força de 300 homens, mas temos a inteligência de todos eles. – Disse pacificamente.

Itachi deu a ordem para que Naruto iniciasse a revisão dos canhões.

— Quero todos os canhoneiros jogando os barris de pólvora e alçando os ângulos de tiro. – E assim o fizeram, era tripulação correndo por todo o convés.

Na gávea, Sasuke ajustava a mira do seu falconete sobre o suporte e mirou em um amontoado de espumas no mar. De repente o estrondo de disparos foram ouvidos do convés assustando-o. Um nevoeiro surgiu da colisão das granadas com o mar aberto explodindo os barris, momentos depois um enorme esguicho de espuma surgiu na superfície e ouviu-se o coro dos marinheiros em gritos e assovios.

Naruto correu para a segunda fileira de canhões e verificou rapidamente suas posições, gesticulou para que seus subordinados mirassem um ponto a esquerda, dando o sinal os pavios foram acesos e ouviu-se novamente os disparos, porém dessa vez os gritos foram de escarnio, as bolas maciças ficaram a metros de distância do alvo. Nas tentativas subsequentes houveram 2 canhões que falharam, Naruto, já nervoso correu para auxiliar seus arranjos.

Após todas as armas pesadas terem sido disparadas, 6 delas tiveram tiros não detonados e apenas 2 acertaram o alvo em cheio, no meio de uma batalha com a visão turva pela fumaça o resultado não seria melhor.

— Topo do mastro. – Naruto gritou.

Sasuke até mesmo achou que o amigo havia o esquecido. Agora, acendia seu pavio para disparar. Do convés Itachi o observava com uma expressão impassível e ameaçadora. Ele não devia nunca deixar o amor que sentia por Sasuke transparecer. Para o próprio bem do irmão deveria força-lo a lutar, suportar e se entregar a cada passo do aprendizado.

Sasuke analisou cautelosamente o ângulo, se ele, depois de uma boa quantidade de tentativas falhas de Naruto conseguisse acertar o alvo sua reputação diante a tripulação aumentaria. Não que Sasuke precisasse da aprovação deles, mas um dia ele seria o Capitão e para tal feito precisa ser respeitado.

Mentalmente Itachi rezava para que Kami permitisse que o caçula acertasse o alvo enquanto Sasuke era o centro das atenções de toda Caravela. Podia-se ver de longe a silhueta de um homem, grande e forte com o cabelo na altura dos ombros e uma faixa azulada presa. O símbolo do clã Uchiha era visível nas costas de suas vestes que ganhavam um reflexo azul contra a luz do sol.

Sasuke manuseava a arma calmamente enquanto estava ciente da atenção que a tripulação depositava sobre si neste momento.

— Você nunca aponta diretamente. Onde o barril estará quando o disparo for dado? – Murmurou para si próprio antes do tranco do falconete ser dado e o disparo lançado fazer com que o mastro ficasse repleto de fumaça. Teria acertado?

Ansioso ele tentava dissipar a fumaça, mas foram os gritos do convés que fizeram seu coração saltar. Quando pode ver o barril estilhaçado sorriu brevemente com ar de quem estava satisfeito.

O tambor soou decretando o fim do exercício e os tripulantes deixaram seus postos. Quando os pés de Sasuke tocaram o convés olhou para o tombadilho, procurando os olhos do irmão, mas Itachi apenas conversava com um dos oficiais do navio.

— O que está pensando Lorde olhos de águia? As armas precisam ser recarregadas. – Olhou para a voz já conhecida: Naruto que sorria orgulhoso do amigo.

Ele nada disse, só suspirou com o nariz e Naruto sentiu um ar de decepção, mas nada disse. Sasuke apenas aproveitou os parabéns dos tripulantes enquanto passava pelas fileiras de canhões.

Estava morto de cansaço quando terminou de recarregar todas as armas pesadas, seguiu para a proa pelo convés superior, ainda estava claro para se desviar dos marujos que não estavam a serviço. Estava exausto ao ponto de sentir as pernas bambas, caiu no primeiro amontoado de palha que viu.

Os alojamentos cobertos eram poucos, então eram revezados por todos, mas Sasuke não ligava, para ele era algo natural.

Kakashi o viu deitado e cansado e decidiu se aproximar, seus cabelos grisalhos indicavam que era mais velho que o próprio capitão, mas Kakashi nunca quis o posto, mesmo sabendo que Itachi o daria de bom grado. Kakashi cuidava de todos, mas sempre com um carinho especial com Sasuke e Naruto.

Kakashi cresceu como órfão, assim como os dois. O Hatake lutou ao lado dos pais dos meninos e com o Uchiha mais velho na guerra civil do País do Fogo e quando a família dos meninos se desfez... decidiu agir como um pai, e assim o aceitaram.

— Seu irmão é um grande guerreiro e conhece todos os segredos dos mares e das terras em que já esteve. – Murmurou o grisalho para o caçula.

— Eu sei. – Disse monótono, Sasuke sempre foi um homem de poucas palavras.

— Um dia você vestirá a farda de capitão. Deve fazer por merecê-la e fico feliz que esteja no caminho.

— E se eu não quiser isso?

—Não há escolha, seu irmão só tem a você. Isso tudo será seu. Um Capitão decide quem o sucederá e sempre foi assim. Você só poderá escapar disso morrendo. – Sasuke ficou em silencio por tanto tempo que Kakashi pensou que tivesse adormecido. Mas ele disse baixo:

— Como você sabe dessas coisas?

— Converso muito com seu irmão.

— Não sei se estou realmente preparado, espero que esteja comigo quando a hora chegar.

— Estarei com você enquanto precisar de mim.

— Então já não me sinto tão angustiado.

Horas mais tarde uma mão o acordou tocando seu ombro. Naruto o acordou de um sono sem sonhos.

— O sino tocou 8 vezes, Teme. – Seu apelido significava imbecil, mas não tinha más intenções.

Quatro horas da manhã, em uma hora estaria amanhecendo. Sasuke levantou esfregando os olhos e saiu cambaleando ao balanço da caravela desviando dos corpos adormecidos espalhados pelo convés.

Ao canto o cozinheiro já tinha montado seu espaço e passou para Sasuke uma caneca de sopa de tomates e um biscoito que já estava meio duro. Como estava morto de fome engoliu o liquido, sem se importar se estava quente. Terminando seu desjejum subiu para o mastro trocando de posto com o que lá estava voltando para sua posição.

Tiveram uma manhã calma e sem perturbações até que o olfato de Sasuke sentiu um odor estranho que por início ignorou, mas quando o cheiro persistiu decidiu decifrá-lo... aquilo era um cheiro que nunca havia sentido na vida. Olhou ao redor e nada viu, porém, um insight veio em sua mente.

Desceu rapidamente da gávea até o convés e se dirigiu aonde Itachi e Kakashi se encontravam.

— O que houve? Por que deixou seu posto? – Perguntou Itachi parecendo irritado.

— Esse cheiro! – Kakashi levantou o rosto para tentar entender o que o garoto queria dizer.

— Que cheiro? – Perguntou o irmão.

— Isso é cheiro de especiarias que nós não conhecemos, algum navio estrangeiro está aqui! E pode ser...

—... A Akatsuki. – Completou o mais velho.

— Achei que eles apenas eram escravocratas. – Lembrou Kakashi

— Escravocratas e saqueadores, podem estar levando especiarias de outra nação, especiarias estrangeiras são sempre valiosas. Muito bem Sasuke, volte ao seu posto. – Disse exasperado e visualmente ansioso.

— Preparem-se para o combate o mais silenciosamente possível. – O Capitão alertou e foi ouvido urros em concordância.

Os marujos que estavam dormindo foram acordados e se alocaram em suas respectivas posições. A espera era contagiante e a espera finalmente tinha terminado.

Itachi deu a chave da sala de armas para Kakashi que começou a distribuí-las. Em pouco tempo o navio já estava pronto para o combate e a tripulação armada e protegida. No entanto as portinholas dos canhões estavam fechadas, a maior parte da tripulação se escondeu no porão por Naruto e Kakashi, enquanto os demais receberam ordens de se deitar no convés.

Kakashi forçou passagem entre os tripulantes até o pé do mastro, onde Sasuke se encontrava.

— É de seu irmão. – Disse entregando para ele uma bandeira com o símbolo da aldeia da folha – Você sabe o que fazer com ela. – Puxou o garoto pelos ombros e disse baixo – Seu irmão disse que você deve permanecer no topo do mastro, não importa o resultado do combate. Entendeu bem?

Não esperou uma resposta, apenas saiu e correu em direção a proa. Sasuke não gostou muito do que ouviu mas escalou obedientemente os cordames e prendeu o pavilhão que Kakashi lhe deu na adriça de sinalização, pronto para desfralda-la assim que Itachi lhe desse a ordem. Agora só resta esperar.

Demorou algumas horas até que Sasuke pudesse gritar:

— VELAS A VISTA.

Notas finais
Não me matem kkk, obrigada por lerem e por serem pacientes. Até o próximo :*