O Gull de Konoha
3 Capítulo 3 - A Resolução
Notas iniciais
— Vela à vista – Sasuke regulou o tom da voz o máximo que pode para não alertar os inimigos.
Pôde ouvir a voz do seu irmão mais abaixo:
— Topo do mastro! Mostrar cores!
Sasuke içou a adriça de sinalização, e o fardo da seda alçou-se rapidamente ao corpo do mastro. Lá no alto o símbolo da folha abriu-se ao vento.
Os dois navios convergiam em seus cursos – mesmo no escuro. Itachi avaliou corretamente sua interceptação. Quando olhou para a outra embarcação viu os membros da tripulação inimiga se agitar. A Akatsuki não era ingênua, mas Itachi também não, a bandeira negra com nuvens vermelhas não estava a mostra, e sim uma bandeira de Amegakure.
Itachi estalou os lábios com um riso irônico.
— Vamos fingir que caímos nessa. – Disse para si mesmo. Porém aumentou a voz de modo que apenas seus tripulantes pudessem ouvir – Se souberem lutar garanto que a Godaime vai dar uma bela recompensa e descanso quando voltarmos às nossas terras.
Ele andou em direção a murada do tombadilho e ergueu a cabeça chamando a atenção de seus homens.
— Façam de conta que esses assassinos são seus irmãos. Deem-lhes boas-vindas.
Os homens agarrados às cordas gritaram jovialmente e acenaram para a grande embarcação a medida que Mikoto se aproximava.
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Karin sentou-se e franziu as sobrancelhas para Sakura, sua aia.
— Por que me acordou tão cedo? – Disse com seu habitual mau humor enquanto jogava seus cabelos ruivos para trás. Karin é uma mulher magra com um corpo invejado pelo povoado em que vive, tem uma pele alva e olhos avermelhados que vem acompanhado pelos seus óculos, o qual procurou e os ajeitou para que pudesse ver sua dama.
Sakura Haruno, não é uma escrava... bem, não propriamente dita. Sakura é filha de Mebuki e Hizashi, aldeões da vila da folha que foram capturados durante um saqueamento da Akatsuki. Karin insistiu que queria uma aia e Sakura por ser considerada uma garota ágil e forte foi designada para atuar com a facção caso quisesse manter a seus pais a salvo. E é isso que rege a vida da garota de pele alva e olhos esmeralda.
— Há um navio da Folha próximo de nós. – Disse com um aperto na garganta quando pronunciou o nome da aldeia em que nasceu.
Karin imediatamente ficou de prontidão e procurou pelo seu marido... Sasori, o capitão do barco.
Livrou-se da coberta de cetim e projetou suas pernas compridas para fora da cama enfeitada. Aquela cabine havia sido especialmente mobiliada e redecorada para acomoda-la.
— Sasori já está de pé? — Perguntou a ruiva.
— Acredito que não senhora. – Sakura já estava acostumada com as falas de serventia as quais deveria se referir aos membros da Akatsuki.
— Pois então não o faça. – Disse enquanto tirava sua camisola para colocar sua habitual roupa.
Karin e Sasori não dormiam no mesmo quarto, Sasori defendia a ideia de que por ser um dos fundadores da organização não poderia compartilhar 100% das informações com Karin, então para casos de extrema urgência preferia deixar cada um com seu cômodo, porém, fazia o possível para que sua mulher se sentisse em um ambiente agradável.
— Pegue minhas botas. – Ordenou para que a garota de cabelos rosas o pegassem enquanto vestia sua capa negra.
Caminhou até a estreita galeria de popa, de onde se via a esteira do navio. Era uma manhã deslumbrante e, quando ela encheu os pulmões com o ar salitrado do mar, sentiu todo o corpo estremecer.
— Por que está usando a manta? – Disse Sasori com roupas civis a mutilando pelos olhos.
— Por que não as usaria? Não vamos abordar o navio da folha? – Franziu as sobrancelhas.
— Olhe para eles, acha que é um navio comum? Pode não ser um Fragata, mas está claro que a tripulação está cheia de guerrilheiros. Não seja imprudente.
A ruiva cerrou os olhos para poder ver melhor, não tinha os olhos de uma lutadora, sua habilidade era a persuasão.
— Volte para sua cama, veremos ser abordaremos ou não, mas não saia em nenhuma hipótese. – Disse olhando para a embarcação inimiga acenando para eles.
— Claro, Sasori. – Disse com certa má vontade, mas voltou para seu quarto. – Por que eles sempre ficam com a parte mais legal? – Murmurou.
Sakura que a acompanhava só conseguia revirar os olhos e torcer para que o navio traficante fosse interceptado para poder tentar sair daquela escravidão e ajudar seus pais.
— Quanto tempo ainda vai durar essa viagem interminável? – Queixou-se para a rosada.
— O capitão garantiu para a tripulação que, com esse vento, lançaremos ancora em um dos esconderijos dentro de 10 dias.
— Que Kami me ajude a sobreviver esse tempo todo.
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Itachi olhava pela luneta e leu o nome “A Resolução”.
— Logo estaremos colocando esse nome a prova!
Um rolo de fumaça projetou-se do convés superior do navio inimigo, seguindo mais tarde, pelo troar de um canhão. A uma distância de meia amarra da caravela, a bola pesada mergulhou no mar.
— Serio mesmo que esperaram tanto tempo para nos dar um tiro de advertência? – Ficou descrente – Segure firme o leme Naruto, e coloque-nos em sua popa!
Kakashi correu com seu livro estúpido ajeitando sua máscara para juntar-se ao capitão e gritou:
— Tripulação em formação de ataque!
A tripulação saudou entusiasticamente no momento em que puderam deixar de se esconder e mostrar para o navio da Akatsuki que a força da folha estava pronta para a batalha.
Eles saíram então do convés parecendo formigas e se alinharam ao longa das amuradas, vociferando desafios para a enorme embarcação a sua frente.
O navio adversário havia uma atividade convulsa. Os canhões foram reposicionados, mas pouco puderam fazer contra a caravela, que se aproximava rapidamente com o vento. O costado enfurecido disparou contra ela, mas a maioria dos tiros caiu a centenas de metros ou passou zunindo inofensivamente por cima do casco.
Sasuke, com sua visão panorâmica e privilegiada pode ver um homem alto, magro e de cabelos ruivos, quando este viu que a caravela não recuou vestiu sua capa, e então, Sasuke o reconheceu.
— SASORI AKASUNA ESTÁ A BORDO.
Em seguida, ao comando do Capitão adversário, a tripulação correu para a popa, cada qual portando uma garrucha para tentar repeli-los.
Sasuke girou o falconete e acendeu o pavio que trazia na mão. Para alcançar a popa, o destacamento de mosqueteiros do navio inimigo deveria subir até ela por uma escada do tombadilho superior. Sasuke mirou para o alto da escada, à medida que o espaço entre os dois navios diminuía rapidamente.
Sasori foi o primeiro a atingir o alto da escada com espadas nas mãos. Sasuke permitiu que ele cruzasse o convés às pressas enquanto esperava pelos seus homens. O primeiro mosqueteiro que chegou ao fim da escada tropeçou obstruindo a passagem de seus companheiros que ficaram incapazes de avançar até que se levantasse novamente.
O Uchiha calculou o tiro e acendeu a espoleta. O falconete deu um tranco ruidoso e, quando a fumaça se dissolveu viu que tinha derrubado os cinco mosqueteiros. Três foram abatidos despedaçados pela explosão e os demais berravam e sangravam.
Sasori olhou para ele, ergueu a espada e a apontou para Sasuke. Ele vociferou algo, mas o vento e o espocar contínuo das armas de fogo sufocaram suas palavras. Sasuke soube de pronto que tinha feito um inimigo mortal.
O rapaz alcançou seu arco rapidamente, mas naquele instante os dois barcos se chocaram num estrondo. Os madeirames estouraram e as janelas, das galerias à popa do galeão, se espatifaram com a colisão.
Sasuke olhou para baixo e viu Kakashi no convés, um grisalho rodopiando um arpéu de abordagem sobre a cabeça e o lançando para cima, a corda serpenteando no ar. O gancho de ferro deslizou pelo convés da popa do inimigo, mas, quando Kakashi puxou a corda, ele se encaixou com firmeza na amurada de popa do galeão.
Um dos tripulantes da Akatsuki correu para cortar a amarra com um machado. Sasuke retesou o arco, trazendo as penas da flecha até os lábios e disparou. Sua avaliação do deslocamento do ar foi perfeita, e a seta transfixou o pescoço do homem, que largou o machado e cambaleou para trás antes de cair.
Vários outros arpéus foram lançados pelos outros contramestres, em poucos instantes, os dois navios estavam atados um ao outro por um emaranhado de cordas de cânhamo.
—Artilheiros – Itachi agitou sua espada sobre a cabeça para chamar a atenção deles. – Agora! – Bradou, baixando violentamente a espada.
A fileira de colubrinas disparou, num único coro infernal. Com as bocas das armas tão próximas da popa do galeão, o madeiramento entalhado se desintegrou numa nuvem de fumaça. Era o sinal, já que nenhuma ordem podia ser ouvida no tumulto. Com gritos de guerra selvagens, os guerreiros da vila da folha se lançaram contra a tripulação da organização da Akatsuki.
Os gritos chegavam até o topo do mastro, ele viu apenas três ou quatro serem alvejados pelas garruchas à popa, antes de os próprios mosqueteiros serem derrubados e vencidos. Os homens que vieram em seguida surgiram do outro lado o tombadilho do galeão. Ele viu o irmão atravessar para a outra embarcação, movendo-se com uma rapidez e agilidade de um grande lutado e Kakashi estava ao seu lado. Sasori tentou reunir os homens que restavam, mas eles recuaram escada a baixo sobre a tolda do navio.
Kakashi e Itachi partiram atrás deles ao encalço de todos seus tripulantes que vociferavam como um bando de cães de caça com o cheiro de raposa nas narinas.
Nesse ponto eles enfrentavam adversários mais tenazes. Sasori recuou, seus homens agrupavam-se no convés abaixo do mastro principal, e agora seus mosqueteiros disparavam a curta distância uma saraivada de balas e atacavam os homens de Mikoto com armas brancas.
O convés do galeão estava apinhado com uma massa de homens em luta. Em poucos instantes, fiou evidente que a tripulação da folha estava em inferioridade numérica. Itachi apostou tudo na surpresa daquela investida furiosa. Tinha 24 homens a léguas de distância, nas duas pinaças. Eles eram extremamente necessários naquele momento, mas quando Sasuke olhou para os pequenos barcos de patrulha, percebeu que ainda estavam milhas dali. O combate seria decidido antes que pudessem alcançar os dois navios atracados.
Ele olhou novamente para o convés do galeão e, para sua consternação, viu o irmão e Kakashi sendo rechaçados na direção da popa. Aparentemente um contramestre do navio inimigo comandava o contra-ataque, vociferando como um touro ferido e inspirando seus homens com seu exemplo.
Das fileiras de trás do grupo de abordagem, surgiram alguns homens de Mikoto, que haviam se mantido na retaguarda. Eles estavam sendo comandados por Kabuto, um homem ardiloso, cujo maior talento era ser importuno. Ele correu até a popa do galeão e pulou sobre a amurada de Mikoto, seguido por outros quatro homens que se puseram a cortar com machados e cutelos as amarras que mantinham os dois navios juntos.
—Parem com essa porra! – Gritou Sasuke cheio de ódio, mas nenhum dos homens se desviou de sua tarefa traidora.
— Itachi – Sasuke continuou gritando, tentando chamar a atenção de seu irmão. – Vocês vão ficar isolados! Voltem! Voltem!
Porém sua voz não conseguia vencer o vento e o rumor do combate. A última corda de amarração se rompeu ruidosamente e Mikoto se soltou. Sasuke desceu rapidamente pelo cordame, esfolando as mãos nas ásperas cordas de cânhamo.
Mas o galeão já se encontrava a uma amarra de distância quando ele pôs os pés no convés...
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