O Gull de Konoha

1 Capítulo 1 - A Guerra


Notas iniciais
No decorrer dos capítulos haverão termos náuticos que às vezes até eu mesma me embaralho, então, nas notas finais estará a descrição de cada termo ok?
Não deixem de dar uma forcinha se gostarem, obrigada.

O rapaz estava agarrado à borda da cesta da gávea, na qual ele ficava agachado vinte metros acima do convés, enquanto o navio rondava pelo mar. O mastro cambaleava à medida que a embarcação se lançava contra o vento frio. Estava a bordo da Caravela Mikoto, assim batizada em homenagem a mãe do rapaz, de quem ele mal se lembrava.

Na escuridão que precede o nascer do sol, o casco vibrava em resposta à mudança de curso da embarcação. Com o vento sudeste à popa ele ficou mais leve, mesmo com as velas parcialmente recolhidas.

Tudo aquilo era muito familiar para Sasuke Uchiha. Ele tinha acompanhado as últimas 65 alvoradas daquela maneira, no topo do mastro. Seus olhos jovens, os mais aguçados do navio – E de qualquer outro lugar –, estavam lá para identificar o primeiro reflexo de uma vela distante no raiar do novo dia. Ele enfiou a cabeça na touca de lã até cobrir as orelhas.

— Hoje a Akatsuki aparecerá – Disse em Voz Alta, sentindo a excitação e o pavor pulsando dentro do seu corpo.

Bem abaixo, podia ver seu irmão mais velho inclinando-se sobre a mureta do convés para ler o novo curso através de sua bússola, com luzes de lanternas iluminando a figura sombria e sua vasta cabeleira negra agitando-se ao vento.

Sentindo-se um tanto culpado, Sasuke olhou para a escuridão; não deveria se distrair com o que acontecia no convés naqueles minutos vitais, pois a qualquer instante, o inimigo poderia surgir no meio da noite. Ele já conhecia muito bem os mares da Areia, aquela ampla estrada oceânica, fluindo eternamente ao longo da costa de Sunagakure, passagem obrigatória para quem quisesse circundar as terras mais desérticas do País do Vento. Por esta razão, Itachi Uchiha, irmão de Sasuke, tinha escolhido tal latitude para esperar pela Akatsuki.

Akatsuki é a organização disposta, inicialmente por 3 membros, Nagato, Yahiko e Konan que buscavam acabar com as guerras assim trazendo a paz ao mundo. Porém, com o tempo acabou se tornando uma organização de mercenários que buscavam capturar escravos, explorar e tomar terras.

Passaram-se 65 dias de uma espera tediosa. Sasuke observava o raiar do dia com seus atentos olhos negros que logo se tornariam carmesim. Seu coração disparou quando ele detectou um grande navio de velas quadrangulares a apenas uma légua à leste. Encheu os pulmões e gritou para alertar o tombadilho superior antes de reconhecer a embarcação. Era a Fragata Anko, e não um navio da Akatsuki.

O Anko era o outro navio principal da esquadra de bloqueio liderada pela Marinha de Konoha. Estava muito longe de sua posição, o que confundiu Sasuke. Ele deveria se encontrar fora de vista, abaixo do horizonte oriental. Sasuke completou:

— Anko à vista!! Navegando a barlavento.

Seu irmão ergueu a luneta de bronze e apontou para o oriente. Pelo modo brusco que Itachi recolocou o instrumento no lugar, Sasuke notou que estava enfurecido. Antes do fim do dia, os dois capitães teriam uma conversa. Sasuke sorriu sozinho. Até os companheiros de Itachi, a Marinha de Konoha, temiam sua vontade férrea e seus olhos.

Sasuke varreu com os olhos o oceano, que se alastrava rapidamente com a chegada do dia. Pode identificar as velas das duas pinaças exatamente onde deveriam estar, a quinze léguas de cada lado da Caravela Mikoto, parte da rede que Itachi armara para capturar os membros da Akatsuki. As pinaças são embarcações abertas; cada qual comportava uma dúzia de homens fortemente armados. Podiam ser desmontadas e guardadas no porão na caravela.

Itachi trocava as tripulações dela regularmente, pois nem os mais valentes, nem escravos ou os mais resistentes guerreiros que compunham sua tripulação podiam suportar as condições a bordo daquelas pequenas embarcações por muito tempo, e ainda estarem prontos para a luta quando fosse a hora.

Finalmente o sol emergiu, Sasuke olhou para a pequena terra a vista ao norte, uma imensa parede de areia, era o extremo sul de Suna, a Aldeia da Areia.

O País do Vento, terra dos minérios, também conhecido pelo tráfico ilegal de pessoas, porém, não tão grande quanto o tráfico em Amegakure. Suas riquezas estavam à espera de um homem audacioso para ir buscá-los e, talvez, sucumbir.

O rapaz de 17 anos sentia-se a um só tempo ameaçado e fascinado por aquele nome misterioso. Seus pensamentos foram interrompidos pelas ordens gritadas do tombadilho e pela impressão de que o navio mudava de curso. Viu que Itachi pretendia interceptar a Fragata Anko, que avançava para o oeste, na direção contraria ao objetivo.

Quando os dois navios se aproximaram, as tripulações se reuniram todos próximos às bochechas do navio para trocar brincadeiras obscenas de um convés para outro, aos gritos. A quantidade de homens em cada embarcação sempre surpreenderia Sasuke, quando os via amontoados assim. Mikoto era um navio de 170 toneladas e pouco mais de 25 metros, e transportava 130 homens. Anko não era muito maior, mas levava quase 200 homens. Todos eram necessários para vencer as enormes embarcações da Akatsuki.

Itachi obteve informações de outros membros aliados à força militar de Konoha, ele sabia que 21 galeões da organização mercenária tinham feito escala no pequeno porto ao pé da montanha mais alta de Suna até que iniciassem sua jornada para um de seus esconderijos, os quais não eram conhecidos pela polícia. Cinco outros estavam no mar e deviam contornar a vila da areia antes que os ventos amainassem, e isso aconteceria em breve.

Itachi pediu para que Kakashi fosse até o camarote para buscar sua capa. O que ele diria a Orochimaru, conhecido como um dos Sannins lendários, tanto pelos amigos quanto pelos inimigos, era oficial.

Quando Kakashi voltou, Itachi vestiu sua magnifica capa negra de veludo, levou sua trompa acústica aos lábios e enunciou:

— Bom dia, Milorde!

O Sannin veio até a amurada do navio e levantou uma das mãos em saudação. Sobre sua manta bege e negra, ele usava uma armadura que reluzia à luz matinal; seus cabelos negros emaranhavam-se em um monte de fios de sedosos pelas costas.

— Que Kami esteja contigo, Itachi-kun! – Berrou ele em resposta com um sorriso no rosto.

— Seu posto é no flanco oriental. – O vento E a raiva levaram Itachi a ser breve – Por que você o abandonou?

Orochimaru abriu os braços num gesto expressivo de desculpas.

— Estou com pouca água e pouca paciência. 65 dias são o bastante para mim e meus bravos companheiros. Há escravos e ouro a nossa espera na costa de Amegakure.

— Não tem autorização para atacar Takigakure. – Disse Itachi serrando os olhos, não havia muita diferença entre os membros da Akatsuki e Orochimaru, apenas a confiança da rainha.

— Amegakure, Sunagakure, Kirigakuri... o fruto advindo das terras deles tem o mesmo brilho. Todos sabem que não há paz em nenhuma vila.

— Não é à toa que se pareça com uma cobra. – Vociferou Itachi frustrado. – Mas seu apetite é igual a de um abutre.

Ainda assim o que Orochimaru disse era verdade, não existia paz entre as vilas.

Porém tudo mudou com o início da guerra, grandes partes das nações se uniram para tentar abater os ataques de escravatura e exploração da Akatsuki. Itachi e sua tripulação pertenciam à força de Konoha, cujo rainha era, também, uma dos 3 Sannins lendários: Tsunade Senju. A Hokage deu aval para que soldados liderados por grupos de marinheiros abatessem navios do exército inimigo, mas como se pode ver, seu colega de equipe não parece interessado na vitória, e sim, nos lucros.

— Uma vez deixado o posto perde-se o direito de reivindicar a partilha de qualquer captura! – Avisou o Uchiha, mas Orochimaru já se afastava para dar ordens ao seu timoneiro. Seus homens treparam como macacos no cordame. A vela mestre encheu-se com um estrondo, como um troar de um canhão. O Sannin se aproximou da balaustrada e gritou:

— Que a paz de Kami-sama o proteja, meu amigo. — Porém, vindo dos lábios dele, aquilo parecia soar como uma blasfêmia.

Lentamente o navio foi se afastando até perder-se de vista. Um humor sombrio começou a contaminar o navio à medida que os homens reunidos no convés de Mikoto se davam conta de que suas forças, que antes já eram insignificantes, haviam sido reduzidas a menos da metade. Repentinamente, Itachi, que esteve observando Anko em silencio, lançou a cabeça para trás e começou a rir.

— Menos gente com quem dividir a nossa recompensa pelo abatimento do navio – Gritou ele – Naruto, prepare os canhões – A ordem era para o loiro, o timoneiro e canhoneiro-mor – TODOS AOS SEUS POSTOS. – Esbravejou.

Ao som de um tambor, os tripulantes correram para suas posições. Sasuke, mais uma vez se posicionou no mastro, tinha se locomovido para ver melhor a conversa não muito amigável entre os dois Capitães.

Com barris explosivos e a todo vapor, Mikoto tomava seu curso, navegando contra o vento se preparando para a batalha.

Notas finais
Obrigada por lerem, até o próximo.
Sumário:
?” Gávea: https://pt.wikipedia.org/wiki/Gávea
?” Caravela: Embarcação alongada, famosas embarcações portuguesas.
?” À popa: https://pt.wikipedia.org/wiki/Popa
?” Tombadilho: http://linguificado.blogspot.com/2018/01/tombadilho.html
?” Fragata: Navio de Guerra
?” Barlavento: https://pt.wikipedia.org/wiki/Barlavento_e_sotavento
?” Pinaças: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pinaça
?” Timoneiro: Aquele que controla o timão