O Guardião e a Raposa

4 Eu...ouvi isso mesmo?


Notas iniciais
Voltei minha gente :D E como na semana passada é quinta-feira que surge mais um capítulo novo pra vocês... Esse pode não ser lá muita coisa...eu fiquei meio confusa na hora de escrever, mas eu queria que retratasse mais ou menos como ela se sentia na hora então espero que gostem e quero ver os comentários em gente ^-^ Jya ne!

– Eu quero que você vá novamente em minha casa...mas dessa vez...como minha parceira. – Ele disse isso extremamente sério e com um olhar quase frio, mas que mostrava ansiedade, minha espinha gelou de novo, meus olhos devem estar bem abertos agora e meu coração quase parou, pensei que fosse desmaiar, torcendo por isso na verdade, mas não tive a sorte de desmaiar nesse momento.

– V-Você... – Não consegui falar mais nada que isso, minha boca travou e as palavras fugiram da minha boca, na cabeça só um monte de por quês me rondavam. – “E-Ele...ele acabou de...me pedir...em...casamento?????” – Travei e quase caí pra trás, ouvi os risinhos de alegria da minha mãe mas minha atenção agora estava em Ame e nas palavras dele. – E-Eu ouvi direito? – Perguntei torcendo pra que fosse uma brincadeira, uma piada ou qualquer coisa menos a realidade.

– Sim, eu...quero que você...se case comigo... – Ele estava nervoso e até um pouco vermelho, travei de novo, mas dentro de mim uma voz me dizia:

– “Responde logo o rapaz antes que ele morra de agonia!” – Voltei a piscar, mas minha respiração e pulso ainda estava acelerados. – M-Mas...por que?

– Talvez não conheça a tradição de casamento dos guardiões... – Ele passa a olhara para o chão, ou para o sofá sei lá, mas que isso me fez ficar pesada de culpa isso sim fez. – Quando um guardião é vencido por uma mulher, ele ganha o direito de pedi-la em casamento, em toda minha vida eu não encontrei ninguém que pudesse me vencer...isso até o dia que encontrei você... – Ele volta a me olhar, sorri, mas o olhar era completamente cheio de tristeza e ansiedade.

– M-Mas...a gente nem se conhece direito...eu só...

– Eu sei que é estranho para um Raposa da Chuva reconhecer isso, mas pelo que entendi sua resposta é não então já vou me retirar. – Ele vira as costas e não consigo ignorar isso.

– E-Espera... – Murmuro, ele deve ter me ouvido porque parou de andar e ficou de cara com a porta. – E-Eu...não disse que estava recusando...eu só...não entendi. – Tenho certeza que fiquei vermelha então comecei a olhar para o chão.

– Meu Deus! – Minha mãe interfere, segura meu braço e faz uma cara nada boa pra mim, não tive medo já que logo depois eu olhei de novo para Ame, aquele sorriso me deixou confusa. – Nos dê licença um segundo querido. – Ela começa a me puxar para o quarto dela e a reclamar.

Não prestei atenção em nada do que ela disse, a não ser no final.

– Minha filha... – Volta a falar calmamente. – Já está mais do que na hora de você ser feliz por conta própria...

– Mas eu sou feliz...aqui! Junto da senhora! – Tento convencê-la do contrario.

– Não! Não é! Eu sei muito bem que um casamento de uma hora pra outra não é bem o que você quer...sei como é difícil ter sua vida mudada em segundos...e eu também sei que você não é feliz aqui...pelo menos não do jeito que eu esperava... – Um rosto cheio de melancolia era o que a marcava, ela segurou meu rosto com as duas mãos e suavemente beijou minha testa. – Eu sei que você também quer ter uma família...

– Mas-

– Nada de mas menina! Acha mesmo que eu nunca ouvi você falando com suas colegas, sobre como seria diferente sua vida se você vivesse com outra pessoa ao seu lado? Mas é claro que já! – Eu nunca imaginei que ela soubesse disso, é um pouco vergonhoso na verdade. – Não vou te deixar cuidando de mim até que eu me acabe! Quando esse dia chegar a sua felicidade pode ter ido embora, desistido de você...Quantos você já não rejeitou minha filha?

– Sei lá acho que uns 15... – Respondo sem olhar para ela, estava com medo de responder não para ele e depois me arrepender por isso, eu não ligo pro cargo dele ou seja lá o que for, mas...a maioria dos que vieram me pedir antes me davam raiva, só que ele de alguma forma não me dá tanta raiva como os outros. Minha mãe suspirou.

– Siga o seu coração minha pequena. – Sorrindo, ela sai do quarto e deixa a porta entre aberta, acabou ouvindo a conversa deles enquanto estou pensando.

– Então?

– Eu fiz o que pude...ela está bem confusa na verdade...

– Sinto muito...

– Não precisa se desculpar, é que ela não esperava por isso, nem eu hihihi.

– Eu devia ter falado disso antes.

– O que?

– Devia tê-la pedido antes, se desse eu teria feito assim que a luta tivesse terminado.

– Ficou maluco?! Se tivesse feito ela teria rejeitado na hora.

– Então...acha que eu fiz certo em esperar?

– Mas é claro! Tenho certeza que deu ao menos um pouco de tempo para que ela pudesse pensar em você. – Ouço risos. Ela tinha razão, se Ame tivesse me pedido logo depois que a luta acabou eu com certeza o teria rejeitado, mas por algum motivo...agora eu não quero isso...

Finalmente percebi que deveria estar matando Ame com essa espera, talvez ele já estivesse a ponto de desistir de mim. Com medo e com o corpo todo tremendo, eu me levantei da cama e apareci na porta, de olhos fechados e segurando na parede eu fui até próximo dos dois, abri os olhos novamente e mantive o olhar fixo no chão.

– Eu vou... – Minha voz saiu tão falhada e tão fraca que eu achei que nenhum dos dois tivessem ouvido.

– Eh? – Ame não estava só surpreso, estava confuso também.

– E-Eu não vou repetir! – Virei de costas e cruzei os braços – to tremendo toda.

– N-Não é isso! Eu ouvi é só que...depois desse tempo todo eu tava achando que você fosse me rejeitar. – O tom era mesmo de surpresa, tenho certeza de que to vermelhinha agora, não quero olhar pra ele nem que a vaca tussa ou que o peixe se afogue! – S-Se puder olhar pra mim pra que eu possa agradecer...

Gelei!!! Estava com medo, mas mesmo assim tomei coragem e me virei para ele, olhei e vi aquela cara sorridente e um pouco vermelha dele, também devo estar vermelha agora.

– N-Não fica me olhando desse jeito! – Desviei o olhar pro chão no mesmo instante.

– F-Foi mal... não foi intenção... – Ele responde colocando uma das mãos atrás do pescoço.

– Eu vou arrumar suas coisas! – Minha mãe sai da sala na mesma hora.

– Eh?! Que? – Fiquei confusa.

– Achou que ia ficar aqui mais um tempinho é?! Nem vem que não tem! Vai morar com seu marido filha! – Ela estava toda sorridente.

– M-Mãe! – Tentei chamar a atenção dela, mas acho que ela nem me ouviu, foi pro meu quarto e ambos ficamos a sós na sala, eu sentei num canto do sofá e ele sentou no outro – silêncio total – ambos ficamos calados e o clima fica tenso.

– Prontinho! – Ela aparece de novo depois de uma meia hora que pareceu interminável e veio com duas malas e uma bolsa grande.

– M-Mas o que é isso tudo? – Perguntei confusa.

– Suas coisas, agora vem cá! – Minha mãe pulou no meu pescoço e me deu um abraço apertado. – Seja feliz minha filha...não importa a sua escolha vou estar sempre aqui quando precisar! – Sussurra, achei que ela fosse começar a chorar.

– Tudo bem... – Ainda estava um pouco surpresa como tudo mudou tão rápido que não tive nem reação a isso.

– Digam X! – Do nada ela pegou uma câmera não sei de onde e começou a bater fotos de nós dois.

– M-Mãe! Para com isso! – tentei tirar a câmera dela, mas ela é mais rápida que eu então nunca que vou conseguir.

– Não! Não! Preciso de ao menos uma foto de vocês dois antes de irem embora. – Ela reclama fazendo bico, acho ela tava se fazendo de criança, ou ao menos tentando.

– Ninguém merece! – Digo num suspiro, então sinto algo tocar em meu ombro, vi a mão de Ame ali.

– Por que não?! Acho que seria bom agradar sua mãe ao menos uma vez antes de ir. – Ele sorri, eu ainda estava confusa com isso tudo, mas concordei com a cabeça. Ele segurou forte meu ombro, achei até que fosse quebrar meus ossos, não sei dizer se era nervoso, alegria ou ansiedade.

– Ei Yuki! Ao menos sorria um pouco! – Eu não tinha como sorrir, ainda mais diante da situação. – Ta bom se é pra forçar então fique séria. – Eu tentei um sorriso, mas não ficou nada bom pela perspectiva da minha mãe. – Perfeito!

– Não to vendo nada... – Comentei depois de ver uns 30 flashes na minha frente.

– Hehe...estamos na mesma situação! – Ambos fechamos os olhos tentando fugir dos flashes.

Alguns minutos depois...

– Acho que minha visão voltou ao normal... – Esfrego os olhos novamente e quando volto a abri-los encontro Ame rindo de mim na maior cara de pau. – P-Para de rir! Qual é a graça afinal?! – Me irrito.

– N-Não foi por querer é que... – Ele não aguenta e cai na gargalhada.

– Fala de uma vez poxa! – Grito ficando mais nervosa ainda.

– V-Você esfregou tanto os olhos que a sua maquiagem te deixou parecendo um panda! – Ele ri de novo.

– Eh?! – Vou correndo olhar no espelho do banheiro – pura verdade. – AH! Sai daí! Porcaria de maquiagem a prova d’água!!! – Grito de lá do banheiro mesmo, comecei a esfregar meu rosto com o demaquilante, tomando cuidado para não deixar cair dentro do olho.

– Já terminou? – Minha mãe vem perguntar meio preocupada.

– Já sim. – Me olho mais uma vez no espelho, agora já tinha tirado o que tinha borrado e feito de novo, não levou 2 minutos.

– Vamos indo então?! – Logo que sai do banheiro me deparei com a cena que me fez voltar a realidade.

Vi Ame colocando a bolsa maior no ombro e as duas malas ao lado dele, outra vez aquele sorriso, um calmante e ao mesmo tempo um energético, me senti estranha sabendo que passaria o resto da minha vida com ele a partir de agora. Assenti com a cabeça e fui até ele.

– Então...até mais... – Me virei pra minha mãe e disse isso com um certo peso no coração por saber que estou deixando-a sozinha aqui.

– Boa viagem...e boa sorte para os dois! – Ela sorri, tinha quase certeza que se ela chorasse eu poderia começar e não parar mais também.

– Até algum dia. – Ame também responde, ambos saímos da casa e começo a rumar em direção leste como da primeira vez que acabei lá. – Aonde você tá indo? – Ele puxa meu ombro.

– P-Pra onde acha que eu vou? – Fiquei um pouco nervosa, essa foi a melhor resposta – ou pergunta – que eu poderia dar no momento, se dissesse “To indo pra sua casa ué” soaria estranho com certeza.

– Vem por aqui! É um atalho bem mais rápido! – Ele aponta em direção de umas montanhas para o nordeste.

– Tem certeza? – Pergunto receosa.

– Claro! Pode confiar em mim. – Ele sorri novamente, reparando bem, dessa vez ele não estava com o cabelo preso em uma trança lateral como antes, agora ele estava com o cabelo completamente solto que tem um comprimento maior que o meu o que é surpreendente.

– “Esse é...o meu medo...”

Notas finais
U.U E agora gente?! Ela aceitou, mas será que vocês já se esqueceram do ladrão que anda aparecendo por ai?! Espero que não hehehe...esse ladrão vai causar uma bela confusão... Pensem o que esse casamento não vai dar o que falar! Um príncipe se casando com uma plebeia... Vocês nem imaginam o que eu venho preparando pro futuro da fic... Espero ver seus comentários...Jya ne!