O Grande Dia

50 O Grande Dia... Ou Quase.


Notas iniciais
Babuletinhas do meu coração ♥ Vocês não fazem ideia do quão feliz eu fiquei ao postar um capítulo e ver que tanta gente comentou depois de tanto tempo parada. Não sei se vocês tem ideia do quanto os reviews são importante para o autor. Pouco importa o número de visualizações (que é assustadoramente grande), o que importa é que você deixa um comentário que me impulsiona a escrever mais.e foi isso que vocês fizeram! Então, por vocês, segue a jato a continuação. Peço que continuem comentando ou que quem não comentou deixe aqui sua marquinha. Beijo com carinho!!!

POV Milo

Eu senti alguém me sacudindo. Tentei fechar os olhos novamente, ignorando a sensação, devia ser desses temores noturnos pelos quais que estava passando na última semana. Acho que Camus, Hyoga e Isaak talvez estivessem corretos, eu estava fora de mim.

Senti minhas cobertas serem puxadas, ignorei acreditando que era um sonho, mas não era. Sentei-me meio à contra-gosto em minha cama a fim de entender o que estava acontecendo e quem me perturbava o sono na véspera do meu casamento.

Não tive tempo sequer de abrir os olhos direito, me senti sendo jogado sobre os ombros de alguém. Foi naquele momento que comecei a ficar preocupado, vez que eu não podia ser sequestrado no dia do meu casamento. Ah, não. Aquele casamento ia acontecer de um jeito ou de outro!

— O QUE É ISSO?

— Ssssssssssssssssh! Quieto Milo, quer acordar as crianças?

Então eu percebi que era Camus, me carregando em seus ombros no meio da noite. Aquilo não fazia sentido algum, o que ele queria, afinal? Mas não adiantava questionar, ele não respondia, apenas usava o celular para mandar algumas mensagens.

— O que é que você está aprontando hein Camus?

Ele não respondeu. Nada daquilo era do feitio dele, tão comportado, tão seguidor estrito de rotinas e cheio de método. Consegui identificar, finalmente, a paisagem. Era a nossa planície logo lá, onde ocorreria o casamento e onde nos beijamos pela primeira vez. Meus olhos se encheram de água pela emoção e depois o desespero começou a tomar conta de mim com pensamentos desconexos.

Será que ele escolheria aquele lugar para terminar comigo? Será que ele queria que não houvesse uma lembrança boa do nosso relacionamento a ponto de estragar o ponto alto dele? Será que ele não me aguentava mais a esse ponto.

Quando dei por mim eu estava chorando copiosamente, sem conseguir parar. Camus me colocou no chão preocupado enquanto olhava dentro dos meus olhos e me sacudia pelos ombros perguntando o que eu tinha.

POV Camus

Milo estava surtando e eu não estava entendendo o que estava acontecendo. Logo vi Shion chegando com meus filhos já arrumados. As coisas estavam saindo como eu planejava, tirando pelo estado do meu noivo.

Rapidamente vi Shion me olhar preocupado, eu não era telepata, mas sabia bem que Milo não estava em seu juízo perfeito. Como ele não me ouvia de forma alguma, por mais que eu sacudisse ele, tentei a última coisa que me veio à cabeça: lhe dar um beijo.

Naquele momento, eu tive a certeza que esse foi um de nossos mais apaixonados beijos, competindo apenas como primeiro que demos naquela mesma planície. Milo retribuiu de uma maneira tão apaixonada que eu mesmo tive que me contar para me segurar e não me entregar completamente, vez que meu pai e nossos filhos estavam ao nosso lado.

— Por que você está chorando, mon ange?

— Pensei que você ia me deixar.

Aquele tipo de pensamento sem sentido só poderia ser fruto daquela cabeça geniosa e temporariamente insana. Realmente o trauma deixado pelo casamento malfadado foi muito grande, grande a ponto de Milo não conseguir controlar-se para nada.

Naquele momento eu vi que eu estava certo, aquilo que eu planejara de última hora era o melhor a se fazer.

Logo vi meu irmão chegar com Shaka e as crianças, Kiki parecia bastante feliz por ser permitido a ele estar acordado de madrugada, já Shun parecia bastante incomodado com a presença de Hyoga. Olhei em volta e vi, por óbvio, Saori e Ikki, os novos filhos do meu Mestre.

A família estava completa, não precisávamos de mais ninguém. Éramos nós, com nossos problemas e imperfeições, com nossos desentendimentos, mas éramos nós: a família que eu sempre quis ter.

Foi quando Milo notou que eu estava trajado à rigor, bem como todos os outros, enquanto ele estava de pijama. Milo ficava lindo de qualquer jeito, em especial de pijamas. Tentei afastar os pensamentos lascivos que eu tinha em minha mente.

Me ajoelhei tirando uma caixa do meu bolso. Uma caixa de veludo. Ele abriu crente que seria outro relógio, mas não era. Seus olhos se encheram de lágrimas e ele não encontrou palavras para falar algo.

Milo me incomodava há anos com seu desejo de que usássemos alianças e eu sempre neguei, nunca me atraiu a prática, e sempre achei hipócrita um aro significar um compromisso. Mas para ele aquilo era importante, então depois de tantos anos eu resolvi ceder.

Eram duas alianças em ouro branco, em formato quadrado arredondado, bastante masculinas, porém nada grosseiras. Na dele tinha um pequeno diamante cravejado, na minha não. Ele pegou aquilo chorando e tremendo um pouco.

Eu tentei segurar minha emoção, e disse:

— Milo, eu sei pelo o que você passou quando pensou que eu o abandonei no altar. Mas saiba, meu amor, que eu jamais conseguiria te abandonar. Passei os primeiros quinze anos do nosso relacionamento tentando fazer isso e você não deixou.

No ponto cômico do discurso, pude ouvir a risada da minha família e a risadinha abafada do meu noivo. Então prossegui.

— E que bom que você não me deixou desistir, pois hoje você me faz o homem mais feliz do mundo. Eu só não o abandonaria nunca no altar, como também, se fosse possível, me casaria com você todos os dias da minha vida.

Milo chorava. Eu prossegui.

— Você me ajudou a formar o que sempre sonhei em ter: uma família. Você, ao lado de Isaak e Hyoga, fazem de mim a pessoa mais completa desse universo. Eu quero agradecer e pedir pra você, com essas estrelas lindas como testemunhas, para ser meu marido.

Milo se lançou em mim dizendo sim e chorando. Tive que nos segurar para não cairmos no chão. Peguei sua mão e caminhei pela planície até chegarmos ao tapete vermelho, eu black tie e ele com o cabelo bagunçado e um pijama de seda vermelha.

Pude ver que Isaak estava filmando tudo e tirando fotos, o que me deixou feliz, vez que o fotógrafo só viria no dia seguinte e Milo gostaria de recordações. Percebi que algum desconforto acontecia entre Hyoga, Ikki e Shun, mas decidi não me preocupar com nada além de Milo naquele momento.

Dei a mão para ele e andamos pelo tapete vermelho todo decorado. As cadeiras onde estaria nossa centena de convidados estavam vazias, a iluminação da lua e das estrelas era perfeita. Nós caminhamos pelo tapete até chegar a Shion que faria nosso casamento.

Pela primeira vez na vida vi Shion tão emocionado. Me lembro de tê-lo visto assim em dois momentos: quando eu e Mu nos ordenamos cavaleiros. O vi emocionado no casamento de Mu com Shaka, mas não daquela maneira. Não como agora.

— Meus filhos...

Ele começou, e Milo já começou a chorar. Eu não choraria.

— Eu, enquanto Grande Mestre do Santuário por tantos anos, acompanhei a chegada de cada um de vocês. Adotei Camus como meu pupilo após uma primeira infância permeada de dificuldades e me assegurei que Milo não fosse expulso do Santuário pelo seu comportamento rebelde. Por toda a vida fui questionado sobre ambos: o poder desmedido de Camus e o questionamento sobre ele se manter no caminho correto com tanto poder e sobre Milo... Bem, acho que não preciso explicar porque todos o queriam longe...

As pessoas riram, Milo também, eu também. Milo aprontou tanto na juventude que era difícil acreditar que ele era tão diferente agora.

— Ver vocês assim... – As lágrimas escorriam na face do meu mestre – Ver vocês assim tão felizes, tão centrados. Ver que vocês constituíram uma família tão maravilhosa...

Eu nunca tinha visto Shion chorar como estava chorando.

— Ver toda a família aqui reunida – disse ele olhando para Um e Shaka também, sendo que Mu já chorava copiosamente.

— É tudo que eu poderia pedir aos céus.

Shion parou por uns momentos, tentando se recompor. Aquilo era novo para mim e eu tentava a todo custo não chorar, mas as lágrimas teimavam em se formar no canto dos meus olhos.

— Camus, obrigado por esse momento, meu filho. Agora, sob os céus do Olimpo, com a benção de todos os deuses e sob a presença da energia de Athena, eu questiono.

As lágrimas já corriam soltas não apenas no meu rosto, mas no de todos os presentes.

— Camus, você aceita Milo como seu legítimo esposo, para amar, cuidar e proteger, na alegria e na tristeza?

— Sim.

Foi tudo que a emoção me possibilitou dizer, com uma voz um pouquinho embargada.

— Milo, você aceita Camus como seu legítimo esposo, para amar, cuidar e proteger, na alegria e na tristeza?

— Sim, pai.

Milo chamando Shion de pai? Espero que a câmera de Isaak tenha gravado isso.

— Pois bem, meus filhos, eu abençoo essa união com o poder a mim conferido pelo santuário, pelo estado da Grécia e por vocês, meus filhos. Podem se beijar.

De repente senti um peso saindo de minhas costas e, ao que parece, Milo também. Nos beijamos novamente de uma maneira leve, meu plano havia dado certo. Ele estava tranquilo novamente, o trauma havia sido superado.

— Camus, mas e tudo que contratamos pra amanhã? Ou melhor, hoje?

— Vamos ter a festa, mas você vai curtir mais sabendo que já está casado e que nada pode atrapalhar isso.

Milo sorriu. Logo vimos Hyoga e Isaak conosco, e os abraços num abraço quádruplo. Depois chegou a vez de abraçar meu pai e meu irmão, cunhados e sobrinhos. Ikki foi o único a não se emocionar, e Saori se sentia um pouco perdida naquilo tudo.

— Sabe Camyu.

— Diga mon ange.

— Para o seu bem, eu dormi com o pijama bonito essa noite.

Ambos rimos. Finalmente meu escorpiano estava feliz novamente.