O Grande Dia
51 E o Casamento Continua...
Notas iniciais
POV Hyoga
Estava realmente me incomodando muito ter que permanecer naquele local com Ikki e Shun me olhando vez ou outra. Eu olhava o relógio receoso pensando quanto tempo ainda faltava para a festa de verdade começar e haver mais convidados lá para que aquela sensação horrível diminuísse.
Eu e Ikki estávamos trocando mensagens pelo celular há algum tempo, nos conhecendo melhor, conversando vezes sobre amenidades e vezes sobre nosso desejo de estarmos juntos. Eu evitava encontra-lo e havia deixado claro que não queria que nada acontecesse às vistas dos outros, vez que não queria que Shun sofresse e nem assumir algo do qual ainda não tinha certeza. Eu estava seguindo à risca o conselho do meu Mestre Camus.
Mas parecia que Ikki não se importava muito em me encarar às vistas de Shun... Na verdade parecia que o cavaleiro de fênix pouco de importava com qualquer coisa que não fosse saciar seus desejos com relação a mim, pela maneira lasciva que me olhava no meio de todos.
Aquelas horas foram intermináveis, porém não tardou até o buffet começar a oferecer movimentação ao local. Foi mais fácil me desviar de Ikki com mais gente no espaço. Logo a decoração havia sido montada e havia funcionários para todos os lados. Uma moça bastante prestativa nos instruía aos nossos lugares na cerimônia.
Pelo o que eu entendi, Milo e Camus decidiram refazer a cerimônia para que todos pudessem ver e fiquei bastante satisfeito ao perceber que o plano de Camus havia funcionado. Milo estava tranquilo e feliz, não estava mais histérico e neurótico. Aquilo aumentava mais ainda o peso em minhas costas de não ver os irmãos brigando naquele dia, com o risco de estragar tudo.
Fomos instruídos a fazer a corte, onde a família próxima desfilaria pelo tapete vermelho antes da entrada do grande casal da noite. Primeiramente entraria Shion que presidiria a cerimônia enquanto Mestre do Santuário, seguido de Shaka e Mu, Ikki e Saori, Shun e Kiki e eu e Isaak. Honestamente eu não gostava muito daquela baboseira, mas parecia ser importante para os meus pais, então aceitei a formação em duplas e todo o teatro que acompanhava aquilo.
Eu estava um pouco cansado de tantos flashes de fotógrafos na minha cara, estava com fome e com sede. Dei graças aos céus quando percebi que já se aproximava a hora de entrarmos e acabar logo com aquela palhaçada.
Mas claro que algo deveria dar errado! Ikki simplesmente sumiu na hora do cortejo o que fez com que a senhorita-insuportável-Kido tivesse um ataque histérico dizendo que não entraria sozinha. Sempre que eu via aquela menina nesses momentos eu me questionava sobre essa história dela ser Atena.
Parece que ainda ouço a voz dela ecoando na minha cabeça “eu não vou entrar desacompanhada nesse casamento, é um absurdo alguém da minha estirpe divina não ter um companheiro à altura”.
Basicamente a cerimonialista nos organizou, acalmou Saori e deixou que ela escolhesse qualquer um de nós para entrar com ela no tapete vermelho. Ela com uma cara de poucos amigos acabou por escolher Isaak dizendo que ele era o “menos pior”, o que fez com que todos ficassem bastante ofendidos com a postura dela.
Assim, a ordem de entrada mudou. Seria Shion primeiro, seguido de Mu e Shaka, depois Saori e Isaak, Shun e Kiki e depois, por fim, eu sozinho. Eu já não queria entrar, ainda mais sozinho... Honestamente, eu não via a hora daquela merda acabar logo!
A música começou a tocar e as pessoas começaram a entrar. Eu sorri, apesar de eu não gostar muito desse tipo de coisa, estava muito bonito. Vi Shion entrar, seguido dos outros, um a um, até a minha hora.
Quando dei o primeiro passo no tapete vermelho e os flashes e câmeras se voltaram para mim, senti uma pessoa pular ao meu lado e agarrar minha mão. Continuei andando meio preocupado e olhei para o lado, era Ikki sorrindo e me segurando como se eu fosse sua propriedade. Engoli em seco, pensando em não reagir mal, vez que não queria um escândalo naquele tapete.
Respirei fundo e continuei andando, tentando desvencilhar devagar a mão dele da minha. Nessa hora olhei para Shun que tinha os punhos fechados e o cenho franzido. Ele apertava tanto os punhos que me questionei sobre suas intenções. Creio que ele percebeu que aquilo não era coisa minha quando notou que eu afastava Ikki, tentei lhe lançar um olhar pedindo desculpas.
Andamos até onde todos estavam de pé aguardando até que o grande casal da noite que entrou. Eu acho que nunca vi meus pais tão felizes. Milo estava radiante e Camus estava feliz por ver Milo daquele jeito, eu tinha certeza, porque ele não era muito festeiro.
A cerimônia seguiu comigo tentando ficar o mais distante quanto possível de Ikki, Shun estava com raiva porém contido dada a proximidade de Shaka e Mu. Eu quase não respirava nervoso com a situação, rezando para aquilo acabar o mais rapidamente quando fosse possível.
Quando uma música começou a tocar, fomos orientados pela cerimonialista a sair novamente, cada qual com o seu par, eu engoli em seco, teria que sair com Ikki novamente. Nessa hora, já não havia mais o silêncio de antes e as atenções não estavam em nós, consegui caminhar rápido e deixa-lo para trás.
Aquilo havia sido horrível, não sabia como me sentiria junto aos irmãos e agora eu tinha certeza que era horrível aquela tensão no ar. Como evitar aquilo sendo que éramos todos primos? Será que aquela situação ainda se repetiria muitas vezes? Ai... Eu precisava de espaço. Acabei me apoiando numa pilastra da tenda construída para cobrir o local, longe do alcance de todos logo ao lado do bar.
Dada a lerdeza do barman, eu conseguia retirar da mesa uma ou outra dose de vodka sem que ele notasse. Aquilo estava ao menos me relaxando um pouco. Logo senti um braço me puxando para o escuro. Era ele. Ikki.
— Me solte!
— Mas o que é que foi hein, pato?
— Como o que foi? Não quero você perto de mim!
— Não é o que diz no meu histórico de whatsapp...
Ele sorriu maliciosamente para mim, fazendo referência às mensagens mais picantes que havíamos trocado anteriormente. Eu assumo, trocamos mesmo, eu o queria. Queria as mãos dele em mim, a boca dele na minha. Eu queria poder não gostar daquele imbecil, mas eu gostava.
— Sim, pois vasculhe a bosta desse seu histórico e releia a parte eu que eu disse que eu não queria que fizéssemos nada público por causa do seu irmão!
Ele se aproximou de mim devagar, segurou minha nuca com delicadeza e apontou para o outro lado, onde Shun e Rusky atracavam-se num beijo. Aquilo fez com que eu me questionasse sobre me preocupar tanto com os sentimentos de Shun.
— Eu não acho que deveríamos nos preocupar tanto, Hyoga...
Ele então puxou levemente meus cabelos logo na altura da nuca e me beijou, e eu que estava meio alto com a bebida me deixei levar...
— Mas ora, ora... Vejam só quem já entornou uns canecos...
Foi quando vi Ikki pegando uma garrafinha de metal do bolso e virando um pouco de um líquido que eu não fazia ideia do que era. Logo ele me beijou e descobri: era uísque. Agora estávamos ambos alcoolizados. O meu desejo por ele era tão grande que por um momento me esqueci onde estávamos e o que fazíamos. Eu só conseguia deseja-lo comigo.
Minha respiração era ofegante e Ikki era bastante apressado, estávamos naquele local escuro explorando o desejo um do outro. Ele já estava com a mão dentro de minha calça acariciando meu anus e eu com as mãos em seu pênis ereto. Nossas calças estavam quase caindo e nos beijávamos em desespero e bastante fúria.
Foi quando senti alguém me observar e fiquei paralisado quando notei a cena. Logo, Ikki olhou para trás percebendo que algo estava errado dado o meu estado estatificado. Era Shion, e ao seu lado Shun. Eu gelei e quase comecei a tremer, querendo me enforcar por ter perdido o controle daquele jeito. Ao mesmo tempo odiei Shun quando vi o sorriso vencedor dele de quem diz “olha quem eu trouxe para acabar com a festa”.
Ajeitei rapidamente minhas calças, enquanto vi Shion e Ikki se entreolhando. Aquilo não parecia bom, não parecia nada bom. Ikki ficou vermelho quando olhou a expressão de Shun e não tardou até acertar-lhe um soco no olho para a surpresa de todos nós, até mesmo de Shion que não pode segurar.
Shun, então, agredido, chutou o baço de Ikki com uma força que nem eu sabia que ele tinha. Na hora me questionei se um golpe daqueles não era capaz de levar meu leonino ao hospital. Mas não, ele estava bem, com dor, mas bem. Mal pude perceber quando Shion agarrou nós três e nos arrastou até o pé da colina, longe da festa e dos olhares de todos.
Ele, então, caminhou até uma árvore e arrancou uma vara verde grande e grossa. Voltou retirando as folhas dela, uma a uma, quando bradou:
— O QUE RAIOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI?
Eu olhei para os pés, Shun ficou calado e Ikki permaneceu em sua postura militar de quem não tinha medo. Mas eu bem sabia que medo de Shion era o que não faltava nele. Meus pensamentos foram cortados por Shion na minha frente olhando dentro dos meus olhos.
— Responda!
— Desculpe mestre.
Foi tudo que pude dizer, e me assustei ao ver a face de Shion se contorcer, seguida da pergunta:
— Você andou bebendo, Hyoga?
Eu não acreditava que havia sido pego, depois de toda a minha preocupação em beber de maneira despercebida e controlar a dose para não dar na cara. Mas creio que, naquele momento, meu hálito me entregou.
Vi Shion fechar os olhos daquele jeito que ele fazia quando revirava os pensamentos alheios, eu queria a todo custo aprender como controlar meus pensamentos para ter um pouco mais de privacidade. Quando ele abriu os olhos, parecia ainda mais furioso do que antes, levando a mão até o bolso traseiro de Ikki e tirando a garrafinha de metal que ele carregava.
Então, ele olhou para Shun nervoso.
— Suas intenções não são nada nobres, meu rapaz.
Shun cruzou os braços, ostentando uma postura de desdém que não agradou nada o Mestre Shion, isso posso garantir. Ao longe percebemos Rusky chegando, e me perguntei o que raios aquele cara queria conosco, mas logo Mestre Shion interviu sem nem olhar para trás para fita-lo. O poder dele era impressionante.
— Isso é uma reunião familiar, Rusky.
— Onde Shun está envolvido, eu também estou.
Vi Shion fechar os olhos e colocar as mãos na cintura.
— Vou repetir, isso é uma reunião familiar.
Rusky continuou andando até o nosso lado com desdém, e parou me olhando como quem me mede dos pés à cabeça. Quem aquele imbecil pensava que era? Me olhando daquele jeito, agindo com desdém. Era ele, era culpa dele que Shun estava tão revoltado.
— Rusky, pelo o que eu sei você não está em bons lençóis com Saga, creio que seja melhor...
No meio da fala de Shion eu não aguentei e acertei um murro nem no meio daquela cara feia daquele moleque imbecil. Quando dei por mim, Shion estava me segurando pela orelha e Shun segurava Rusky para não me atacar.
Aquela situação realmente estava saindo do controle, acho que todos podiam notar. Quando percebi Saga já havia aparecido, Shion deve ter chamado através desse poder mental que ambos dominavam.
Foi a primeira vez que vi Saga em ação. Seu rosto estava quase que transformado olhando para Rusky, não podíamos ouvir o que acontecia, mas a cara do imbecil denunciava. Logo ele simplesmente desapareceu... Naquele momento eu não invejei nem Rusky, nem Shun, que tinham pais que poderiam simplesmente manda-los para outras dimensões.
Saga e Shion trocaram algumas palavras secas, eu realmente me questionava porque eles se odiavam tanto. Era tão nítido o desgaste da relação deles que quase nunca os víamos juntos ou conversando.
Logo estávamos novamente apenas eu, Shun e Ikki. Vi Shion apertando os pontos da testa como quem procura paciência num local longínquo. Eu tinha certeza que ele abriria os olhos, desceria aquela vara em todos nós e arrancaria nosso couro. Honestamente, era o que eu merecia por ter criado aquele triangulo amoroso bizarro.
Ele abriu os olhos e falou:
— Eu deveria dar uma surra agora em cada um de vocês.
Todos nós olhamos para ele resignados.
— Mas não vou fazer isso AGORA, em virtude da festa que está acontecendo. Shun, você vai ter que se acostumar com essa situação, afinal, você e Hyoga não estão mais juntos e não gostei nada de você ter me procurado me utilizando como instrumento de vingança. Você não é assim, tente colocar a cabeça no lugar.
Vimos Shun abaixar a cabeça e fechar os olhos para não chorar. Era verdade, aquele não era Shun, e ele sabia disso.
— Também não pense que isso passará despercebido, eu vou conversar com seus pais assim que terminar a festa sobre seu comportamento. Creio que você não deveria aprontar tão cedo, vez que mal se recuperou da surra que levou há algumas semanas.
Agora Shun já estava chorando, provavelmente com medo de ser punido novamente por Shaka. Eu me questionei se ele apanharia, vez que o que tinha feito era apenas nos dedurar... A não ser pelo chute em Ikki, mas ele estava se defendendo do soco... Então era realmente uma incógnita.
— Hyoga e Ikki, o que vocês fizeram é inadmissível! Peguei os dois se atracando em público, sem falar na bebida! Onde vocês pensam que estão? Não têm um pingo de respeito pelo casamento de Camus e Milo? Não se importam em fazer um escândalo em público? Como vocês podem ser tão incontrolados e egoístas?
Eu queria sair daquele lugar o mais rapidamente possível, ele tinha razão. Onde eu estava com a cabeça? Então ele prosseguiu, como quem havia lido meus pensamentos.
— É claro que eu tenho razão! Eu só não chamo Camus aqui agora porque sei que isso o chateará e quero que ele possa curtir uma noite uma vez na vida. Mas amanhã nós vamos conversar, eu e você sobre isso tudo que aconteceu.
— E Ikki...
Shion parou de falar e olhava o leonino, eles pareciam se entender apenas com o olhar. Vi Ikki respirar pesado e olhar para baixo.
— Você é o culpado por tudo isso. Não sabe se controlar? Não sabe respeitar os sentimentos alheios? Olha... Eu vou conversar com vocês amanhã. Acho bom terem uma boa explicação para isso tudo que aconteceu, porque honestamente minha vontade é...
Shion parou de falar e apontou a vara para cima da colina, como quem nos manda subir. Eu virei-me fechando os olhos, esperando uma varada que não veio em mim nem em Shun. Parei de respirar e olhei para trás quando vi Ikki e Shion se encarando novamente, mas nada aconteceu.
Na subida, eu consegui falar com Shun.
— Eu não queria que isso tivesse acontecido.
Ele não respondeu.
— Mas você está com Rusky, creio que já não deveria se incomodar tanto comigo se já virou a página.
Shun me olhou meio traído, eu não conseguia entender por que.
— Eu acho que eu e Ikki acabaremos tendo algo, Shun. Não queria que fosse público, mas seu irmão não facilita as coisas. Queria saber se tudo bem por você.
Eu me questionei o que eu estava fazendo. Para que estava dando satisfações a alguém que tinha acabado de me entregar para ninguém menos que Shion? Aquilo era insanidade.
— Quer saber Shun, você não está nem aí para mim. Não sei como tem ciúmes estando com Rusky na frente de todos e me entregando numa bandeja para Shion com uma maçã na boca. Quer saber, eu tentei ser seu amigo e levar tudo numa boa, mas estou vendo que simplesmente não dá. Então, se não quer aceitar, acho que o problema não é meu.
Foi quando senti algo me puxar pelo cabelo, era Shun. Não consegui reagir direito, vez que rolamos colina abaixo de uma maneira barulhenta e rápida. Em poucos flashes vi Shion tentar nos socorrer e Ikki se aproximar.
Tudo indicava que aquela noite seria longa...
Fale com o autor