O Grande Dia
52 Enfim. Um Grande Dia
Notas iniciais
Aquilo estava completamente fora de controle, mas aquela não era hora nem lugar para ter com aqueles adolescentes fora de si. Shun, Hyoga e Ikki precisavam se acertar urgentemente, e eu cuidaria disso em breve e não no meio de uma festa de casamento.
Quando dei por mim, Hyoga e Shun estavam rolando ladeira abaixo. Iam tão rápido que por um momento preocupei-me com o bem-estar deles, vez que aquela descida era íngreme e traiçoeira. Corri até eles, aliviando-me por verificar que estavam bem, apenas sujos e empoeirados da terra.
— Vocês querem apanhar, só pode ser.
Ambos pararam na hora, Shun conteve-se, vez que estava prestes a atacar o loiro novamente.
— Eu ACABEI DE DEIXAR VOCÊS VOLTAREM PARA A FESTA E VOCÊS ME APRONTAM ESSA?! HÃM?!
Agarrei as respectivas orelhas de cada um, e continuei falando.
— O que eu devo fazer com vocês? Me digam! Eu dei uma chance para que vocês pudessem voltar para a festa, em especial você Hyoga, já que é casamento dos seus pais!
Ambos gemiam de dor, até que Hyoga disse baixo.
— Mas foi ele que me bateu, mestre Shion!
— Ah, cala a boca seu babaca!
Vi, mais uma vez, Shun tentando chutar Hyoga. Soltei a orelha do loiro e segurei Shun pelos braços, dando uma leve sacudida como quem o chama à realidade. Onde ele achava que estava? Não conseguia se controlar nem comigo ao lado da situação!
— SHUN! SE ACALME!
— É... Não vai ter jeito...
Eu sentenciei meio triste.
— Hyoga, volte para a festa, mande Shaka e Mu virem aqui.
— NÃOOOO MESTRE SHION!
— SIM SHUN!
Vi Hyoga recompor-se, sacudir de leve toda a poeira de terra que estava em seu terno, se aprumar e arrumar os cabelos. O garoto sabia ao menos ser charmoso, deve ser por isso que os outros brigavam tanto por ele, Hyoga sabia usar seus dotes.
Enquanto ele desaparecia na colina, eu olhei furioso para Shun. Honestamente, eu não queria bater em ninguém, não lá. Mas não sabia mais como controlar Shun e evitar que a festa acabasse num desastre. Por óbvio que eu sabia que Ikki havia provocado bastante, que Hyoga havia cedido, que Rusky não ajudou em nada, mas Shun não podia se deixar levar pelos seus sentimentos daquela maneira.
— Shun, você precisa se controlar! Não pode se deixar levar pelos outros dessa maneira!
— Estava insuportável ficar aqui.
— Eu posso entender isso, mas então você avisa os seus pais e vai embora para casa. Assim que alguém da sua idade deveria agir! Você não pode ter descontroles emocionais numa proporção como essa! Partir para a agressão física é absolutamente inaceitável.
Senti o cosmos de Shaka e Mu atrás de mim, preocupados. Mu me lançava perguntas mentais que preferi não responder, deixaria para Shun explicar tudo o que estava acontecendo. Era quase engraçado notar a personalidade do casal, vez que Mu estava bastante preocupado e Shaka absolutamente furioso.
— O QUE RAIOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI?
Shaka bradou, fazendo Shun debulhar-se em lágrimas instantaneamente. Mu colocou a mão no ombro do companheiro que olhou para ele aceitando o pedido de calma para verificar o que acontecia.
— Shun, eu gostaria de saber por qual razão você está todo sujo, chorando e, aparentemente, um pouco machucado. Você andou brigando?
Shun abaixou o rosto envergonhado. Shaka e Mu entreolharam-se e olharam para Shion.
— O senhor viu o que aconteceu?
— Desde o começo. Shun precisa aprender a se controlar. Creio que agora não seja nem hora nem lugar para tamanha discussão... Mas dei uma chance e ele não acatou, atracando-se numa briga enfurecida com Hyoga.
— Não posso acreditar nisso, Shun!
Mu disse meio entristecido.
— Como eu disse, realmente acredito que essa conversa deva ocorrer depois. Vocês dois têm o direito de se divertir no casamento do seu irmão e eu o direito de me divertir no casamento do meu filho. Shun, você deveria estar feliz em ver, finalmente, seus tios que tanto o amam se casando.
Shun, consternado, olhou para os próprios pés. Eu olhei para Shaka e Mu explicando minhas intenções, para verificar se concordavam, eles deram seus respectivos avais.
— Então eu questiono a você, Shun, se podemos voltar para a festa e se você conseguirá se controlar.
Então, vimos Shun apertar os olhos segurando o choro. Aquilo era demais para ele.
— Eu posso ir para casa?
Mu caminhou a afagou seus cabelos.
— Pode filho, claro. Eu posso ir com você.
— Não pai, pode curtir a festa, eu estou bem. Só prefiro ficar sozinho.
Vi Mu concordar, e Shaka tomar a frente.
— Ok, pode ir. Mas é DAQUI PARA CASA – ENTENDEU? NÃO QUERO VOCÊ ZANZANDO POR AÍ OU APRONTANDO. ACHO QUE JÁ VIU O QUE ACONTECE QUANDO FAZ BESTEIRAS, ENTÃO NEM SONHE EM COLOCAR O NARIZ FORA DO CAMINHO DE CASA.
— Tudo bem...
Por óbvio todos nós vasculhamos seus pensamentos. Ele realmente queria ir para casa. Eu não ia chamar Camus e Milo naquele momento, queria que eles curtisse e, não demorou muito até Mu e Shaka voltarem a farrear na pista de dança.
Uma coisa estava me incomodando muito, Minu não estava lá. Minu, enquanto irmã de Camus, deveria ter participado do cortejo e além de não atender ao telefone de madrugada quando Camus decidiu antecipar as coisas, também não apareceu na festa principal. Eu havia ligado e mandado várias mensagens e ela simplesmente não respondia. Aquilo estava me tirando do sério.
Por um momento, afastei minha preocupação quando ela me respondeu um SMS dizendo “estou bem”. Me aliviei um pouco em saber que ela estava bem, porém me irritei muito ao saber que não havia um motivo sério para ela perder o casamento do irmão.
Foi quando olhei pros meus filhos. Meus olhos se encheram de lágrimas vendo todos dançando tão felizes, Mu e Camus, felizes. Logo chegou Minu e começou a dançar com eles, pude notar que Camus formou uma carranca, mas logo eles se abraçaram.
As lágrimas já rolavam, eu não podia segurar. Meus três filhos, dançando felizes. Perto deles Shaka e Milo, ao redor as crianças . O que mais eu podia pedir? O grande dia de Camus e Milo. Era um grande dia para eles, um grande dia para mim. Um grande dia.
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