O Grande Dia

43 Mas e o Casamento?


Notas iniciais
Pessoas lindas, tudo bem? Vamos lá. Em primeiro lugar, estou sentindo FALTA, MAS MUITA FALTA de comentários (gente, eu demoro para responder, mas vocês sabem que eu respondo um por um com MUITO carinho - é que com o tempo escasso, eu acabo priorizando escrever um novo capítulo). Se não fosse a Lininha, eu não estaria postando com tanta frequencia, pois eu realmente sou movida a reviews. ENTÃO... COMENTEM POR FAVOR. Falando em Lininha, nosso placar estava 3x1. Agora, com esse emplaco em 3x2 e fico devendo só um capítulo. Eu ainda não vou voltar para a freqüência de antes, mas lembrem que ela está me cobrindo e postando com uma freqüência maravilhosa. Então vamos lá gente, bora comentar, bora incentivar :) ♥ Beijos minhas amadas, e espero que estejam gostando.

Camus estava sentado em sua poltrona preta de couro velha enquanto calmamente folheava um livro que há muito tempo não tinha tempo para continuar. Por mais que os anos passassem, Dostoievski não perdia em nada o seu charme para o aquariano geralmente avesso aos romances russos.

Após todos os adolescentes estarem em seus quartos, tranquilizados pela recente sova sofrida, a paz parecia reinar na Casa de Aquário do Santuário de Atena. Camus se remexeu, acomodando-se melhor e relaxando enquanto saboreava seu chá preto com um pouco de leite sem tirar os olhos do texto.

Era em momentos assim que Camus sentia-se plenamente relaxado, em silêncio, no seu quarto com um livro na mão. Ele suspirou feliz quando percebeu que conseguiu ler uma folha inteira sem ser interrompido.

Porém, sua felicidade foi abruptamente perturbada por Milo entrando no quarto com passos fundos, pesados e sonoros que fizeram com que Camus, ainda imóvel, tirasse os olhos do seu livro para acompanhar o escorpiano. Milo continuou abrindo gavetas e as batendo com força, o que fez Camus levantar uma sobrancelha se questionando sobre as intenções do noivo.

— Milo, você está procurando algo?

Camus questionou, se perguntando internamente se o real motivo daquela atitude do amante seria apenas atrapalhar sua leitura. Um dos motivos de Camus não ler seus livros com frequência era exatamente o ciúmes que Milo tinha até mesmo dos livros, já que odiava ser deixado de lado por qualquer coisa.

— Sim, estou. ESTOU PROCURANDO MINHA DIGNIDADE!

Camus suspirou profundamente enquanto calmamente fechava o livro e deixava-o repousando ao lado da poltrona, numa velha mesa de apoio, junto ao chá preto que Camus olhou com certa tristeza quando percebeu que ele em breve ficaria frio para ser consumido. O aquariano posicionou-se novamente na poltrona, numa postura mais séria, cruzando os braços com certa ostentação de força.

— O que foi agora, Milo?

Milo olhava enraivecido para o noivo, naquela postura altiva comumente utilizada por atores de novelas quando visavam dramatizar determinado assunto. Camus o conhecia bem, bem o suficiente para não se deixar levar pelo teatro e tentar se focar no conteúdo da discussão.

— Você está brincando comigo! Está me enrolando! Você não gosta de mim de verdade. Não sei porque fica me segurando se não quer nada sério!

Camus levou a ponta dos dedos até a ponta do nariz, ele apenas tentava controlar a raiva. Eu havia acabado de passar dois dias extremamente exaustivos, vez que auxiliou no resgate de Shun que desencadeou numa luta com adolescentes desordeiros, teve que castigar Hyoga, Isaak e Ikki e ainda tinha que aguentar Milo numa nova discussão de relacionamento.

— Como você tem coragem de falar algo assim, Milo, por favor! Como não quero nada sério? Estamos juntos desde sempre, você mora comigo na minha casa, é pai dos meus filhos, o que mais você pode querer para acreditar que meu amor por você é verdadeiro?

— EU QUERO ME CASAR!

Foi quando Camus finalmente entendeu a motivação do escorpiano. Naquela bagunça toda eles ainda não haviam marcado a data do casamento, já desmarcada duas vezes em virtude de ataques adolescentes. Camus suspirou derrotado, ele não queria que as coisas fossem assim, mas infelizmente eram.

— Milo, meu amor— Camus caminhou até o escorpiano e pegou em suas mãos enquanto olhava nos seus olhos — Eu também quero me casar com você. Eu te dou a minha palavra que essa é a maior verdade que eu poderia dizer, mas as coisas acabaram simplesmente saindo de controle. Primeiro Isaak com suas ideias malucas, depois Shun desapareceu... E o meu... O meu... Aquele homem apareceu.

Camus parou de falar lembrando-se da aparição de seu pai biológico, aquilo vinha lhe ocupando a mente há algum tempo. Tempo suficiente para sequer conseguir pensar em casamento, com medo que ele aparecesse e estragasse tudo. Milo percebeu a confusão de Camus.

— Nós só precisamos parar e decidir como fazer. Podemos fazer isso agora?

Milo olhou um pouco consternado para o noivo e decidiu conversar com Camus sobre o assunto, se questionando se deveria ou não tocar no assunto do pai biológico do amante. Era impressionante para ele como aquele homem conseguia mexer com o aquariano mesmo depois de tanto tempo afastado.

— Milo, o que acha de marcarmos o casamento para semana que vem?

— Semana que vem?

— Isso, semana que vem. Não precisamos de muito tempo para preparar, e te proponho algo muito sensato, só espero que me escute.

— Hunf...

Milo bufou cruzando os braços, já esperando algo que não gostaria de ouvir.

— Podemos convidar umas cem pessoas apenas. É mais do que o suficiente. Podemos fazer no Buffet Mediterrâneo que é pequeno e bonito, com um bom preço e ótima comida. Chamamos um trio de cordas, um fotógrafo e pronto.

Milo ficou em silêncio, olhando para baixo. Não era o que queria, mas era mais do que achava que Camus ofereceria, vez que para o noivo apenas eles e os filhos já estaria bom. Além disso, o Buffet sugerido era bastante renomado na Grécia. Milo ponderou, levantando-se da cama.

— Okay, okay. Está ótimo. Que seja.

Saindo do quarto dando de ombros, deixando Camus intrigado sobre Milo ter ou não aceitado sua sugestão de matrimônio. O aquariano não conseguia mais voltar à sua leitura, à sua paz de espírito que não sentia há muito tempo, agora a lembrança de seu genitor lhe voltara à mente e não sairia tão cedo.

— Afinal, o que será que ele queria dessa vez?

Camus perguntou em voz baixa para si mesmo enquanto levantava da poltrona e mirava a paisagem da janela do seu quarto.

oOo

Enquanto isso, na Casa de Áries, as coisas não estavam tão serenas quanto com a família de Camus e Milo, vez que o clima estava péssimo. Mu e Shaka conseguiram levar Shun quase à força de carro para o Santuário, sendo que logo que chegaram receberam Kiki de Shion.

Mu e Shaka se olhavam enquanto tinham Kiki e Shun sentado no sofá da sala. Não demorou muito até Shaka tomar as rédeas da situação e começar a falar em seu tom habitual, grosso e autoritário.

— Onde raios vocês estão com a cabeça para fazerem coisas tão absurdas quanto tem feito? Hãm? Eu nem sei por onde começar esse sermão. Eu nem sei por quem começar a listar os absurdos que foram feitos... Eu...

Shaka parou, respirando fundo, decidiu ir até o banheiro lavar o rosto. Estava muito nervoso para sequer olhar para os próprios filhos e receava que acabasse se excedendo em alguma palavra ou atitude. Mu o acompanhou com o olhar, um pouco preocupado com o marido.

O ariano abaixou o olhar e sentou-se na poltrona ao lado do sofá onde estavam as crianças que olhavam para as próprias mãos. Mu, pela primeira vez em sua vida tinha um olhar duro, uma postura severa e a certeza que as crianças mereciam uma punição.

Sua certeza lhe deu força para assumir a posição normalmente ocupada por Shaka. Logo ele levantou a face e olhou duramente para as crianças, sendo que ao falar até mesmo sua voz parecia diferente, com um tom mais impostado, com um som mais duro.

— Olhem para mim.

Mu ordenou com tamanha autoridade que ambos obedeceram prontamente. Kiki que já estava com lágrimas nos olhos, começou a chorar. Já Shun não tinha mais nada no olhar além de uma profunda e forte revolta contra todos que cruzassem seu caminho. Foi quando Mu percebeu que teria que separar os dois e conversar com um de casa vez, pois eram situações tão distintas que não poderiam ser misturadas.

Questionava-se como faria. Se dividiria a tarefa com Shaka e cada um ficaria com um filho, o que de cara descartou, Shun, em especial, precisava dos dois consigo. Ao mesmo tempo tinha receio de deixar um no quarto enquanto tinha com o outro e alguém acabar fugindo.

— Mestre Mu, pode me deixar no quarto, eu não fujo não...

Disse um Kiki invasor de pensamentos. Aquela atitude normalmente deixava Mu mais divertido, vez que admirava o humor e perspicácia do filho. Mas dessa vez, apenas o deixou ainda mais chateado e decepcionado. Logo se levantou pegando Kiki por um das orelhas e o arrastou até o quarto, o colocando para dentro com uma forte palmada no traseiro.

— Não, você não vai fugir! — Mu disse o colocando com firmeza na cama e depois caminhando até a porta do quarto — Primeiro porque você não seria maluco e segundo porque vou me certificar que isso não aconteça!

Mu fez um muro de cristal com seus poderes, dessa forma seria impossível para Kiki, mesmo sendo lemuriano, deixar o local de qualquer forma que fosse. Kiki bateu nas laterais chorando ao perceber que não havia saída e que era apenas uma questão de tempo até chegar sua hora.

Mu voltando à sala encontrou-se com Shaka no corredor, eles se entreolharam como quem dá apoio mútuo. Seriam uma tarefa difícil dobrar Shun e fazê-lo enfrentar não apenas os próprios sentimentos, porém as consequências por tudo fez.

— Shun, venha aqui agora.

Pronunciou Shaka.

Notas finais
REVIEW, REVIEW, REVIEW, REVIEW!!!!