O Grande Dia

44 Enfrentando seus Sentimentos


Notas iniciais
Oi pessoal, tudo bem? Vamos lá... Eu espero que vocês gostem dessa capítulo, eu me preocupei sobre ter viajado (demais) na abobrinha, mas as correções precisam ser um pouco modificadas, senão minhas spankfics ficariam num tom monocromático e não é essa a ideia. Agora, pirilampas, alguns avisos: 1) Estou atrasado no comentário de reviews. Isso não quer dizer que eu não os leia. Meu lado virginiano me faz querer responder todos atrasados e não fazer mais nada antes disso. Já o meu lado que ama vocês manda eu seguir em frente e ir respondendo os reviews dos últimos capítulos. Mas assim que der eu volto e respondo tudo. Ok? Então Ok. 2) Eu ainda estou ausente, estou tentando postar um capítulo de 3 em 3 dias pelo menos para que minha dívida com a Lininha - agora 3x5 - não aumente tanto e eu seja forçada a parar de viver pra escrever a fic rs (afinal, promessa é dívida). 3) Eu quero muito acabar essa história, mas minhas ideias estão pipocando. Infelizmente não tem saído com a qualidade gramatical e ortográfica que eu gosto, mas é o que dá tempo de fazer. Na minha próxima crise criativa eu vou usar do meu tempo para betar minhas próprias fics. Me digam o que acharam, esse capítulo em especial eu vou postar bastante insegura. beijos com carinho!!!

— Shun, venha aqui agora.

Pronunciou Shaka enquanto entrava em seu próprio quarto, seguido por Mu. O garoto, resignado, foi a fundos passos até o quarto dos pais adotivos, sentando-se em seguida na cama. Seus cabelos verdes lhe cobriam a face revoltada pela situação em que se encontrava.

Shaka respirou profundamente, estava descrente de que um dia passaria por isso com Shun. Lembrava-se do momento em que o adotou, sendo rejeitado por Ikki que não conseguia ser criado por ninguém. Um dos maiores arrependimentos de Shaka era não ter tentado mais com Ikki.

Acreditava na época que forçar Ikki a aceita-lo enquanto pai poderia piorar sua rebeldia, acabou aceitando que os irmãos seriam separados por bem e por escolha deles. Porém, ao ver como Ikki se desenvolvia, Shaka adotou uma postura mais rígida com Shun, a fim de que não seguisse os passos do irmão. Mas o que mais lhe doía era não poder fazer nada pelo garoto, dor essa que só se esvaiu quando Shion tomou as rédeas e assumiu a paternidade de Ikki.

Mu observava Shaka perdido em pensamento e sentimentos absolutamente desconexos com a situação que se descortinava. Era difícil ver que aquilo tudo havia mexido tanto com seu marido e, mais difícil ainda, saber que ele tinha grande culpa no fato das coisas terem chegado tão longe quanto chegaram.

Mu olhou para o lado e sentou-se em sua poltrona de couro preta velha, presente de seu mestre. Olhou firme para Shun, e quando começou a falar, Shaka sentou-se no sofá de dois lugares ao lado da escrivaninha.

— Shun, nós já sabemos da cena que você viu na frente da casa do mestre Shion.

Mu parou por um momento, observando Shun revirar os olhos e cruzar os braços desgostoso com o que ouvia. Resolveu ignorar e continuou.

— Você é adolescente, uma fase difícil que eu e seu pai já passamos. Uma fase de se descobrir e aprender a lidar com os próprios sentimentos. Todo primeiro relacionamento é muito intenso, e seus términos são ainda mais duros...

Mu percebeu Shaka fazer uma pequena careta, lembrando-se de seu primeiro rompimento e de toda a dor que sentiu com ele. Mu prosseguiu.

— Obviamente ver o seu atual grande amor te traindo não é uma situação nada fácil. E...

— Quando vai acabar a sessão de psicologia barata que está acontecendo aqui?

Shun cuspiu as palavras com tamanha ignorância que assustou ambos os pais. Shaka levantou uma sobrancelha enquanto se levantou do sofá e tirou seu cinto, o dobrando na mão. Não se aproximou de Shun, apenas sentou-se novamente com o objeto dobrado na mão e disse.

— A escolha é sua, se quiser podemos pular a conversa, Shun.

Por óbvio, o garoto abaixou a cabeça e ficou em silêncio. Mu, resignado, continuou a falar questionando sobre a eficácia daquilo tudo.

— Shun, olhe para mim.

O garoto obedeceu, com fogo nos olhos e nada mais do que raiva em sua mente. Mu e Shaka, ambos telepatas, entreolharam-se. Eles precisavam fazer algo para trazer o garoto à realidade novamente. Ambos fecharam os olhos sintonizando seus pensamentos e entraram na mente do menino o levando a outro lugar.

Não tardou até Shun estar em transe, quando deu por si estava num campo florido, onde Shaka o levava para treinar suas habilidades mentais. Não tardou até ver Shaka e Mu caminhando para perto dele.

— Mas que raios vocês estão fazendo?

— Te ensinando a enfrentar e controlar seus sentimentos.

Não tardou até Mu distorcer a imagem e fazer a cena de Hyoga e Ikki acontecer logo perto deles, exatamente como Shun havia visto das escadarias do Santuário. Os pais deles ficaram consternados vendo o que ele havia visto, mas precisavam fazê-lo enxergar as coisas de uma maneira clara.

Shun começou a chorar, revivendo o que havia acontecido. Cerrou os punhos revoltado, se virando e gritando com os mestres.

— Por que vocês estão fazendo isso comigo?!

Não demorou até Mu mudar o cenário, dessa vez mostrando a Shun a cena em que ele mesmo aparecia entrando na casa de Áries e quebrando tudo enquanto Mu corria atrás dele implorando para que dissesse o que estava acontecendo.

Shun assistia, consternado. Via ele próprio quebrando a casa, enquanto seu mestre apenas tentava conversar com ele para ajudar. Ouviu a si próprio dizendo alguns palavrões e agressões gratuitas contra o lemuriano preocupado que se sentia mal pelo pupilo.

— Você acha isso certo, Shun?

Shaka perguntou, duro, amargo, enquanto eles assistiam Mu com lágrimas nos olhos enquanto limpava a casa visando evitar que Shaka ficasse nervoso com menino. Shun sentiu sua garganta apertar naquele momento, vendo o quanto havia ferido Mu em seu acesso.

Mas ainda assim, não movimento um músculo sequer para demonstrar seu leve arrependimento, que por óbvio, não passara despercebido por dois mestres telepatas que controlavam agora as lembranças do menino. Mu e Shaka se entreolharam como que passando a mensagem que aquilo estava dando certo.

Logo Shaka movimentou as mãos com seu rosário, criando um novo cenário. Shun se sentia levemente mareado, era efeito das mudanças e movimentação mental. Agora Shun corria em direção à casa de aquário para ter com Hyoga.

Novamente o menino revoltou-se, revivendo o momento de aflição. Chorou revoltado por sentir aquilo novamente, toda aquela dor, toda aquela decepção. Viu-se entrando na casa e jogando a caixa com todas as lembranças de Hyoga nele, atrapalhando a dinâmica lá estabelecida entre Hyoga, Camus, Isaak, Ikki e Shion.

Ao observar a si próprio como uma terceira pessoa, ao visualizar a própria vida como um filme, percebeu que seus sentimentos estavam extremados e que, por mais sofresse, estava agredindo todos ao seu redor.

Mas esses pensamentos eram diminuídos todas as vezes que via Hyoga e a revolta retornava. Porém, mais uma vez, seu mestre Mu apareceu preocupado. Shun chorava muito vendo tudo, pois seu sentimento de raiva para com Hyoga e vergonha pela forma como tratou Mu passaram a se misturar.

Shun chorava e esse pranto intensificou-se quando viu seu mestre afrontando o Grade Mestre do Santuário, Shion, para defendê-lo. Foi quando o garoto se sentou no chão chorando se questionando sobre suas atitudes.

— Ah, Shun, você tem muito ainda do que se arrepender...

Shaka disse, meio irônico, mudando o cenário para os atos libidinosos que Shun praticara no pátio do colégio junto ao pobre Jabu que sequer entendia o que acontecia. Na mesma hora, Shun, assistindo a si próprio, enrubesceu de vergonha de ter feito tamanho absurdo.

— Mas como eu...

Shun disse colocando as mãos na cabeça ao ver o que havia feito, a vergonha que passara. Condenou-se por ter se aproveitado dos sentimentos de Jabu por si, assim como Hyoga e Ikki haviam feito com ele.

Mu olhou para o pupilo com muita pena, e com os olhos cheios de lágrimas. Não queria que Shun sofresse tanto assim, mas ele precisava ver com seus próprios olhos tudo que aprontara, todos que havia magoado e, principalmente, o que fizera com si próprio.

— Shun. Até esse ponto você não apenas me desrespeitou, você desrespeitou Hyoga, Camus, Shion e Jabu. Mas vou além, a pessoa que você mais agrediu foi você – sempre tão centrado e educado, se rebaixou a quase fazer sexo em público para chamar a atenção de um namoradinho.

Mu disse, com certo carinho, porém muita firmeza. Shaka logo acenou para Mu e mudou o cenário. Dessa vez, a fuga de Shun era mostrada. Shun chegou a estremecer olhando para si mesmo e lembrando-se do que havia feito.

Nesse momento, Shaka e Mu olharam com mais atenção a fim de saber o que havia acontecido na rodoviária. Shun chorava apreensivo, lembrando-se que havia sido rodeado pela segurança e tinha dado um golpe para o alto, fazendo um grande clarão que deu tempo para que ele fugisse sem ser incomodado.

Mu de certa forma ficou aliviado ao ver que ele não tinha intenção de machucar ninguém, porém Shaka olhava feio para Shun por ter usado os poderes de forma indevida. O menino que havia ingressado naquela jornada com uma postura tão altiva, agora ficava retraído e contido.

Não tardou até Mu induzir os pensamentos de Shun para o que ele Shaka, Camus, Milo e Shion passaram na ausência dele. Toda a dor, toda a preocupação, todo o choro incontido de Mu e Shaka em se preocuparem com o seu paradeiro e se condenarem pela possibilidade de Shun machucar alguém.

Shun, já não contia mais o choro, soluçando, condenando-se.

— Eu... Me perdoem, eu não... Eu não sabia que geraria tudo isso.... Eu apenas estava... Confuso.

Shaka, precipitando-se antes que Mu esmorecesse, mudou o cenário para o que Shun havia feito no posto de gasolina que acabou por ficar meio destruído por um ataque de fúria do menino.

— Chega, chega, por favor... Eu não quero mais ver nada disso!

— Ah, mas você vai ver. Vai ver cada imbecilidade que você fez movido por uma briga com um namorado!

Shaka decretou, distorcendo as imagens, agora, para a visão de Shun junto a uma rebelião contra o Santuário. Foi quando Shun chegou a ficar pálido caindo em si sobre até onde havia chegado com toda aquela história.

Mu se questionou internamente sobre tentar arrancar de Shun informações sobre essa rebelião, mas Shaka mandou sinais para que não o fizesse, já que Dohko estava cuidando disso e já devia saber de tudo.

Num momento breve, Shun, Shaka e Mu estavam de volta ao quarto. Shun sentado na cama, Mu na poltrana e Shaka no sofá. Shun piscou os olhos várias vezes até se sentir novamente em seu corpo e em total controle dos seus pensamentos.

Ao colocas as mãos no rosto, viu que estava em prantos. Seus olhos ardiam, sua garganta tinha um nó e seu peito estava apertado. Ele estava claramente arrependido. Mas ao mesmo tempo, tinha tanta raiva de Hyoga que seus sentimentos se misturavam de uma forma que ele sentia que a qualquer momento sua cabeça explodiria.

Mu se levantou e caminhou até o lado de Shun, sentando-se na cama com ele. Não tardou até ele abraçar o filho que chorava em seu peitoral de uma maneira desesperada, fazendo Mu e Shaka ficarem preocupados.

— Shun, eu quero saber agora se você está arrependido por tudo que fez.

Shun ficou em silêncio, olhando para as próprias mãos no colo. Por um lado sentia-se sim arrependido por ter ido tão longe em sua fúria, mas entendia sua motivação e achava que tudo era absolutamente justificável pelo que Hyoga fez.

Mu suspirou resignado e logo começou a falar.

— Sabe Shun... Eu enfrentei meu mestre por você, mais de uma vez. Eu o afrontei na sua frente na casa do seu tio Camus, ainda que parte em pensamento e parte verbalmente. Eu... Nunca havia feito isso.

Shun olhava para o mestre interessado na história.

— Mestre Shion aguentou a primeira, a segunda e até mesmo a terceira vez que eu o afrontei na frente de uma reunião com todos os dourados. Eu nunca tinha visto meu pai tão nervoso na vida.

Mu suspirou, olhando para o pupilo.

— Eu nunca tinha visto ele tão decepcionado. E ele estava certo, eu não estava sabendo lidar com os meus sentimentos sobre você.

Shun, então, olhou curioso para Mu.

— Por um lado, eu queria ser aquele pai legal, amigo, que sai com você para se divertir. Por outro eu sabia que você precisava de limites. Minha cabeça entrou em parafuso, e em meio a isso eu elegi Shion como grande culpado e o afrontei, o desrespeitei...

Shaka olhava interessado para Mu, e Shun não entendia direito onde o pai queria chegar.

— E você sabe o que ele fez, Shun?

— Nã-não...

— Ele veio até esse lugar onde estamos sentados e me deu uma surra como eu levava quando era adolescente e andava fora da linha.

Mu observou Shun abrindo os olhos assustado com a possibilidade.

— Ele me puniu para me ensinar a lidar com meus sentimentos, para me provar que eu podia ser um pai amoroso e rígido quando necessário, que isso não me desabonaria, que isso não faria você e Kiki me amarem menos. Eu entendi então que eu estava errado.

Shun entendeu a lógica da correção de Shion, ainda que estranhasse o pai levando umas palmadas com a idade que tinha.

— Sabe... Shion me ajudou muito. E talvez essa sua confusão sentimental, possa ser solucionada da mesma maneira.

Foi quando, num ímpeto, Mu agarrou o pulso de Shun e o jogou por cima de suas pernas.

— Eu vou te ensinar a controlar seus sentimentos, Shun.

Notas finais
Reviews!!!