O Grande Dia

37 Contendo a Rebelião


Notas iniciais
Pessoal, como vocês estão? Bom, vamos lá. Eu avisei que passaria alguns dias se postar e virtude de uma viagem. Já voltei e, conforme o prometido, posto agora um novo capítulo. Os comentários são essenciais para a continuação. Agradeço do fundo do meu coração o carinho! Beijos

POV Mu

Estávamos correndo contra o tempo, eu não sabia onde Shun poderia estar metido. Por óbvio, pela sua alta patente como cavaleiro que lhe concedia poderes ilimitados de luta, eu não me preocupava somente com ele, porém com todos os civis que cruzassem seu caminho.

Meus olhos enchiam de água pensando na punição de Shun se ele viesse a fazer mal à humanidade. Me lembrei de Kanon por anos a fio preso na montanha e quase se afogando diariamente. Prisões comuns não eram efetivas contra nós, e o destino de quem se desviava era horrível.

Kanon se redimiu, voltando ao lado bom e lutando pelo Santuário. Claro que seu jeito bonachão não ficou de lado, e ele sempre aprontava. Mas sofreu muito para deixar de ser do lado das trevas.

De uma coisa eu tinha certeza: se Shun fizesse algo contra os humanos, com certeza ninguém o protegeria e nem mesmo nós poderíamos fazer alguma coisa. Achá-lo a tempo era a diferença entre poder puni-lo apenas coma criança que era ou vê-lo sofrer pelo resto da vida como um traidor de Atena.

Foi quando já estava chorando sem parar que senti a mão forte de Shaka segurar a minha com firmeza e ternura, seus olhos também estavam mareados, porém sua voz era firme. Só sua respiração já me passava segurança.

— Vamos resgatá-lo, meu amor.

Comecei a chorar mais, ele me chamara de meu amor. Será que havia me perdoado? Será que poderíamos voltar a ficar juntos e ele esqueceria meu rompante? Será que encontraríamos Shun e tudo ficaria bem novamente e nossa família unida?

Eu estava preocupado e ferido demais para conseguir verbalizar as minhas perguntas. E achava que meu virginiano estava magoado demais para responde-las, fiquei em silêncio temendo um novo confronto. Shaka continuou a dirigir, segurando em minha mão com ternura.

— Eu sei que você está arrependido, Mu. Creio que podemos tentar mais uma vez... Mas me prometa que nunca vai esquecer que nós dois somos responsáveis pelos meninos. Me prometa que não vai mais me esconder acontecimentos ou tentar me afastar da educação deles.

— Eu prometo, Shaky... Se eu não tivesse superprotegido os dois, nada disso estaria acontecendo...

— Não adianta mais de remoer, Muny. O que está feito, está feito. A responsabilidade dos atos deles é somente deles. Precisamos nos focar em trazer Shun para casa em segurança e manter Kiki sob uma rédea firme. Estou confiante que, com a luz de buda, vamos trazê-los novamente para nossa proteção.

Shaka, apesar de estar nervoso, conseguia me confortar. Eu precisava dele ao meu lado, da sua força, da sua segurança e assertividade. Meu coração se afligia, mas sua mão me confortava.

Não demorou muito até recebermos informações de todos os lados. A busca dos cavaleiros de prata foi frustrada, a nossa também, o que nos levava a questionar que o destino de Camus e Shion era o único que dava alguma esperança.

Nos desviamos para a rota deles, enquanto tentávamos contato em seus celulares que não respondiam. Tentamos alguma informação com Minu, que apenas nos informou quando já estávamos perto do local que, pelo GPS, o carro dele havia acabado de chegar ao local.

Shaka aumentou a velocidade. Logo chegaríamos na casa desse tal de Rusk. Não sei por qual razão, mas esse nome não me era estranho...

.

POV Camus

Quando dei por mim estávamos cercados por cinco adolescentes absolutamente sem noção do perigo. Como eles achavam que poderiam enfrentar dois cavaleiros de ouro da mais alta patente? Olhei para Shion, ainda machucado pelo resgate de Kiki, mesmo mancando e ferido, creio que não teríamos problemas.

Foi quando fomos surpreendidos pelo barulho de um carro chegando, imaginei que poderiam ser Shaka e Mu. Antes de verificar, já estava posicionado para a luta, aqueles adolescentes não estavam brincando.

Enquanto Souma e Kouga começaram a se aproximar de Shion, Nachi, Jabu e Neiki se aproximaram de mim. Já estava clara a divisão para mim, os dois mais fortes para Shion e os três de menor patente para mim.

Me posicionei, um pó de diamante numa baixa potência já bastaria para derrubá-los. Seria como mascar chiclete, era absurdo saber que eles sequer cogitavam que poderiam me encarar daquela maneira, era ridículo tentar me enfrentar sem saber que acabariam quase congelados.

Eu me posicionei e eles correram para mim, meu golpe falhou, eles não corriam na minha direção, mas contra Shion. Me virei rapidamente, ainda em tempo de segurá-los, mas senti correntes me envolverem e segurarem meus braços colados em meu corpo.

Correntes? Shun!

— Shun!

Era ele, o carro chegando trazia ele e outro garoto. Aquele garoto? Não podia ser!

— Rusk...

As correntes se apertaram mais, eu olhei para trás, Shion havia caído na emboscada. No estado que estava, até podia enfrentar os garotos, mas não com um golpe tão desleal, se defendendo de dois pela frente e sendo pego por três pelas costas.

Acertaram um chute em seu joelho da perna machucada. Ouvi Shion gritar e, com o grito de dor, vi Shun abrir os olhos preocupado com o pseudo-avô. Foi quando percebi que meu doce sobrinho ainda estava lá dentro, em algum lugar daquela casca machucada e magoada pelo meu filho. Eu não desistiria dele.

Rapidamente, congelei as correntes em torno de mim e se quebraram, caindo no chão. Respirei fundo e vi que meu mestre reagia criando uma parede de cristal para controlar a situação, os adolescentes já estavam presos em três, mas antes da quarta parede se formar Souma reagiu quebrando duas.

A luta estava mais interessante do que eu pensava que ficaria, aqueles garotos estavam bem treinados e em forma. A ideia do levante contra o Santuário devia ser antiga e o preparo, talvez, intenso. Era impossível não ter um adulto por trás disso.

Não tardou até Shun se recobrar e me atacar, o garoto era movido pela raiva por Hyoga sem qualquer dúvida. Ele me olhava com medo, mas as vezes parecia que via meu filho em mim.

— Shun, fique calmo, vamos conversar. Isso que você está fazendo é inadmissível!

— Há, engraçado o senhor vir me falar de algo inadmissível, Camus. Você que tanto preza pela moral, pelo bom comportamento, não se preocupa nem um pouco com os absurdos que seu filhinho querido andam fazendo com os outros.

Eu respirei fundo, Shun estava ferido. Eu conhecia aquela sensação, eu já havia sido muito magoado por Milo na juventude.

— Shun, eu nenhum momento eu disse que concordo com as atitudes de Hyoga. Nós vamos precisar dar um jeito de vocês dois se acertarem... Mas essas suas atitudes destrutivas precisam parar ago...

Fui interrompido por um soco no baço. Eu baixei a guarda conversando com Shun e Rusk me acertou. Rusk... Como o menino ficara assim? Se Saga soubesse disso...

Me levantei derrubando Rusk, que foi lançado até a árvore e lá permaneceu caído. Éramos eu e Shun agora.

— Shun, você vai voltar comigo.


— VOCÊ NÃO É NINGUÉM PARA ME OBRIGAR!

Foi quando senti um golpe forte e certeiro em minha nuca. Rusk, sem dúvidas. Shun aproveitou e me acertou, meio sem jeito, no estômago. Eu olhei para ele, que fazia aquilo com os olhos marejados.

— Shun...

Eu disse, parecendo mais ferido do que estava.

— SHUN!

Shaka gritou, em meio à luta, Shaka e Mu chegaram sem que eu notasse. Ambos estavam atônitos olhando meu sobrinho me acertar daquela maneira. Foi quando tive um minuto para olhar para Shion que estava lutando com certa dificuldade pelo estado em que se encontrava.

Mu e Shaka logo se posicionaram em formação. Perceberam que aquilo era um levante, e nós, enquanto cavaleiros de ouro, antes de qualquer coisa precisávamos defender a formação do Santuário.

Ao longe, Mu criou um muro de cristal reforçando a tática de Shion, deixando todos presos dentro de um quadrado – os quatro adultos e cinco adolescentes. Shaka tirou seu rosário do bolso e o levantou, com apenas um movimento lançou todos para cima e eu finalizei com um pós de diamante que prendeu as pernas dos meninos no chão.

Na hora que Shion finalizaria nossa resposta, uma das paredes se quebrou. Nos entreolhamos, nenhum dos garotos era capaz de desfazer um golpe nosso, ainda mais a muralha de cristal tão eficaz de Mu. Olhamos para trás...

— Kanon...

— Vejam só, nós temos visitas.

Kanon já estava redimido de seus pecados, por que raios ele poderia comandar um levante contra o santuário? Vi Shion o encarar seriamente, seus olhos oscilavam entre os garotos e ele, se questionando sobre o que acontecia.

Kanon rapidamente desfez o congelamento que criei, para ele era fácil, eu usei pouquíssima força, somente o suficiente para conter meros adolescentes de patentes menor que a minha.

— Kanon, você só pode estar brincando!

Meu mestre logo disse passando as mãos nervoso pelos cabelos. Fazia tempo que eu não o via tão fora de si, tão nervoso com uma situação que se apresentava frente a nós. Eu, Shaka e Mu aguardávamos instruções sobre o que fazer com Kanon — prontos para matá-lo.

— Não o ataquem.

Paramos, com olhares interrogativos.

Na hora os meninos se aproveitaram para nos atacar. Pegaram-nos desprevenidos. Rusk mais uma vez me acertou, e gritou para Shun finalizar.

Shun aproximou-se, eu estava caído ao chão. Para ele seria fácil me acertar um golpe, ele me olhava, com o punho no ar.

— NÃO OUSE, SHUN!

Ouvi o grito de Mu atrás dele, que já havia contido Jabu. Shun estremeceu perto de mim, enquanto Mu largava o menino caído no chão.

— SHUN, NÃO OUSE ENCOSTAR UM DEDO NO SEU TIO.

Shun continuava com o punho no ar, quase que contido pela ordem de Mu. Eu olhei em volta, todos os adolescentes já estavam caídos derrotados, só faltava Shun que ninguém atacara.

Shun continuava petrificado, alternando o olhar entre mim e Mu. Obviamente, eu já poderia ter me levantado e o jogado para longe, assim como poderia te-lo agarrado e lhe esquentado o traseiro por levantar a mão para mim. Mas a autoridade lá era Mu e Shaka e eu não podia interferir.

Shion já havia se levantado e estava discutindo ao fundo com Kanon. Eu estava naquela situação entre Shun e Mu, sendo observado de perto por Shaka que não se movia com seus braços cruzados.

— SHUN... Abaixe esse punho AGORA.

Shun estava como uma estátua, perdido nos próprios pensamentos. Não me batia, mas também não obedecia o meu irmão. Foi quando, num ímpeto, me olhou com raiva – creio que se lembrando de Hyoga – e lançou seu punho contra minha face.

Eu apenas fechei os olhos, não poderia segurá-lo ou me mover, devia deixar a situação nas mãos de Mu.

Fechei os olhos esperando. Esperando o soco que não chegou. Quando abri, vi Mu levantando Shun pela orelha e a torcendo com força e com uma face que eu nunca tinha visto antes.

Shun conseguira o impossível: tirara Mu do sério.

Notas finais
Reviews me movem. Adiantem a continuação comentando!!!