O Grande Dia

22 Capítulo XXII - Conflito de Gerações


Notas iniciais
Pessoal, vamos lá. Primeiramente, eu gostaria de dizer que a fanfic da Lininha que eu tanto recomendei acabou perfeitamente e eu quero convidar quem ainda não leu a le-la com carinho. Bom, no mais, os comentários que vocês deixaram me incentivaram muito e quero convidar quem ainda não comentou a deixar sua marquinha (a fic tem 4.000 views...). Espero que gostem. Bjs!

POV Camus

Pronto, a minha casa tinha virado uma bagunça. Eu tinha Shion bravo, Milo emburrado e me odiando, além de três adolescentes sentados no sofá esperando para apanhar. Eu só me perguntava quando aquela porcaria de dia ia acabar.

– Hyoga, você perdeu completamente o juízo?

– É que o senhor não entende...

– Então me explique!

– É culpa do Ikki, ele...

– Ele o quê, Hyoga?

Fiquei olhando para o loirinho esperando uma resposta que não veio. Ele apenas ficou com as bochechas coradas e em silêncio. Eu respirei fundo e olhei para Shion que percebeu a minha exaustão e assumiu o controle.

– Ikki eu nem vou deixar você me explicar. O que eu disse que faria com você da última vez que você fugiu de um castigo? Hãm?

Ikki não respondeu, mas também não encarava Shion. Eu nem podia acreditar que o menino estava tão menos rebelde, só meu mestre podia fazer aquilo.

– Perdeu a língua é? Eu digo... Eu disse que você ia apanhar com a palmatória onde fosse que eu te encontrasse! E olha só que lugar o senhor foi escolher não é?

Shion estava bravo, sempre que ele ficava nervoso usava ironia. Eu olhei aquela palmatória com a qual eu mesmo já havia sido punido tantas e tantas vezes e me aliviei por não ser eu naquele lugar.

Assim que Shion agarrou o braço de Ikki, vimos numa fração de segundo uma caixa sendo lançada em direção a Hyoga cheia de coisas que voaram pela sala. Num repente percebemos que era Shun gritando.

– ESTÃO AÍ AS SUAS COISAS! EU NUNCA MAIS QUERO TE VER! NUNCA MAIS!

Eu realmente não fazia ideia do que estava acontecendo, nunca vi Shun tentar machucar ninguém, quanto mais gritar em público. O menino estava chorando muito e eu fiquei bem preocupado.

– SHUN, POR FAVOR, ME DEIXE EXPLICAR!

No meio da gritaria vi Mu chegar preocupado atrás do pupilo que continuava nervoso. Hyoga acabou se levantando para tentar se aproximar de Shun e acabou levando uma bela bofetada no rosto do namorado.

– Hey, vamos parar com isso aqui!

Eu tive que me pronunciar. Mas o que eles pensavam que estavam fazendo? Vi Mu chegar perto de Shun e segurá-lo pelo braço. Quando achei que estava tudo sob controle, Hyoga que ainda estava com a cabeça baixa e chorando após a bofetada se virou e gritou:

– É tudo culpa sua!

Apesar de Shion tentar segurar Hyoga, meu filho acertou um soco muito bem dado na bochecha de Ikki que ficou vermelha e inchou na hora. Ikki gritou e foi socorrido por Shion que, apesar de rígido, sempre cuidou muito bem dos pupilos.

Eu e Mu nos entreolhamos preocupados, era a primeira vez que tínhamos uma situação assim, com nossos pupilos envolvidos e com Shion presente. Meu pensamento foi logo interrompido por um novo ataque de Shun que lançou um dos vasos chineses de Milo em Hyoga.

Hyoga conseguiu desviar, mas o caso chinês se espatifou no chão para a tristeza de Milo. Mu nem se moveu, tenho certeza que ele desejava que Shaka estivesse lá para ajuda-lo.

– Mu, mas que raios! Você não consegue controlar um adolescente?! Faça alguma coisa!

A bronca que Shion deu em Mu doeu em mim. Vi os dois se entreolharem, com certeza estavam trocando pensamentos, como aquilo me irritava. Só vi Mu abaixar a cabeça envergonhado por ser repreendido na minha frente.

– Eu preciso fazer tudo sozinho aqui!

Shion bufou pegando Shun pela orelha e o fazendo se sentar no sofá, onde jogou Hyoga e Ikki, já que Isaac não havia se levantado.

Eu, então, falei.

– Alguém aqui pode me explicar o que está acontecendo?

Hyoga olhou para Shun, que olhou para Ikki. Isaac olhava para o nada. Mu ainda estava emburrado e Shion esperava uma resposta que não veio.

– Bom, se nada aconteceu, eu pressuponho que você não teve motivos para cabular o castigo não é Hyoga?

– E eu suponho que você fugiu do castigo sem motivo também Ikki...

Mestre Shion aproveitou minha deixa para ralhar com Ikki que não respondeu. Foi quando ouvimos a voz de Mu.

– Você vem para casa comigo, Shun.

– Não Mu.

– O que?

– Não, eu te conheço, você vai acobertar esse menino e esconder de Shaka essa ceninha de agora. Ele chegou aqui, jogou essa caixa e esse monte de tranqueiras no chão, bateu no Hyoga e lançou um vaso no rosto do amigo. Ele vai ficar aqui comigo.

– Ele não está bem, mestre...

– Eu também as vezes não estou nos meus melhores dias, e nem por isso saio distribuindo pancada nos meus colegas que nem esses aí andam fazendo.

– Ah não? Engraçado... Eu me lembro do contrário.

Eu simplesmente não podia acreditar, Mu não estava apenas discordando do Mestre Shion, como o estava confrontando diretamente com ironias. Apesar de muitas vezes ter invejado a relação deles, aquilo realmente me incomodava.

– O que você quer dizer, Mu? – Meu mestre perguntou entredentes, e sua linguagem corporal denunciava que ele estava bem insatisfeito.

– Que eles são adolescentes, que Shun não é assim e eu quero entender o que aconteceu antes do senhor sair batendo nele sem nem perguntar o que motivo desse ataque.

Eu estava perplexo me perguntando como aquilo tinha começado, Milo e as crianças também estavam petrificados. Eu só olhava para Shion encarando Mu com aquela palmatória na mão me perguntando se ele ia começar a sessão de palmadas com Mu. Mas não, Mu era adulto e Shion não bateria nele assim. Ou bateria?

Aquele suspense estava deixando todos tensos, e eu sabia que em pensamentos Mu e Shion deveria estar discutindo fervorosamente. Quem diria, Mu afrontando nosso mestre... Eu olhei para os lados e Milo estava roendo as unhas na mesma posição que eu ficava enquanto assistia as novelas mexicanas que ele adora.

Foi quando Milo chegou perto de mim e falou baixinho:

– Que saco esse poder de telepatia, né? Queria ouvir a briga!

– Fica quieto, Milo. – Eu sussurrei com o cenho franzido, mas de certa forma feliz porque Milo falava comigo sem me ofender.

– Mas o que será que esses dois estão pensando um para o outro?

– Não faço ideia, Milo....

De repente o silêncio foi quebrado pelo suspiro nervoso de Shion que encarava o olhar bem afrontador de Mu. Ele apontou a palmatória para Shun.

– Levante-se Shun.

Naquela hora eu e Milo nos entreolhamos, parecia que Shion tinha ganhado a discussão e ia bater em Shun. O menino levantou com os olhos cheios de lágrimas esperando pelo pior.

– Pode ir com seu mestre.

Shion sentenciou e todos ficaram surpresos. Hyoga automaticamente me olhou com um olhar de quem pede por piedade e eu o ignorei.

Foi quando Mu esticou o braço para Shun e começou a falar.

– Mest...

Foi interrompido por um sinal brusco que Shion fez com a mão no ar, como quem manda parar imediatamente.

– Estou extremamente decepcionado com você e não quero ouvir sua voz tão cedo.

Aquelas palavras doeram em todos, mas com certeza mais em Mu que deve ter se segurado para não demonstrar o que sentia. Ele apenas virou as costas abraçando o pupilo pelos ombros e o levou embora.

– Hyoga. – Shion disse, ríspido e seco. – Eu sou rígido, porém sou justo, se Shun ganhou o benefício de não apanhar de mim e se explicar para o Mu, eu farei o mesmo com você que vai se acertar com Camus.

Hyoga olhou para mim tentando entender desesperadamente o que minha expressão dizia. A dele perguntava: “o senhor vai me bater?” e eu fiquei calado ainda esperando Shion terminar.

– Ikki. – Shion disse o levantando pelo colarinho e o jogando no braço do sofá ao lado.

– Peraí, onde foi parar o papo de eu sou justo e etc?

Shion que segurava Ikki com o traseiro empinado e uma das mãos torcidas atrás das costas, respondeu enquanto abaixava sua roupa sob os protestos do leonino.

– O que vou que eu disse quando você cabulou o último castigo?

PAAAAAAH aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah

Ele perguntou, já acertando aquela palmatória de madeira cheia de furos no traseiro de Ikki que gritou desesperado. Aquilo doía muito, aqueles furos criavam um vácuo que prolongavam a dor da batida.

PAAAAAAH ISSO DOÍ DEMAIS!

PAAAAAAH SHION, PÁRA

O QUE EU PERGUNTEI? O QUE EU DISSE QUE ACONTECERIA SE EU O PEGASSE CABULANDO UM CASTIGO NOVAMENTE?

PAAAAAAH aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah... O senhor disse que eu apanharia com a palmatória.

Ikki finalmente respondeu, depois de quatro palmadas. O traseiro do menino já estava vermelho com pontas roxas.

ÓTIMO, ENTÃO APRENDA A FALAR COMIGO, UMA FRASE COMEÇANDO COM “CADÊ AQUELE PAPO” NUNCA MAIS SERÁ DIRIGIDA PARA MIM, EU NÃO SOU SEU AMIGUINHO!

PAAAAAAH Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah

PAAAAAAH CHEGAAAAAAAAAAAAAAA

PAAAAAAH POR FAVOR! ME DESCULPA!

PAAAAAAH ISSO DOÍ DEMAIS! É SÉRIO!

Eu já havia contado oito, e sabia que já estava para acabar. Shion não costumava passar de dez ou quinze golpes com aquilo.

ENTÃO ENTENDA QUE EU SOU SIM JUSTO, E VOCÊ ESTÁ APANHANDO POR CABULAR O CASTIGO. MAS DEPOIS EU VOU QUERER ENTENDER DIREITINHO QUE PALHAÇADA FOI ESSA ENTRE VOCÊ, O SHUN E O HYOGA.

PAAAAAAH Tá bom, tá bom, chegaaaaaaaaaaaaaa....

PAAAAAAH Me desculpa, eu não faço mais!

Shion havia acabado, eu conhecia bem ele. Também percebi que Hyoga gostou de ver Ikki apanhando, o que não me agradava nem um pouco. Eu realmente queria entender o que tinha acontecido.

– Ikki, vista sua roupa e vá direto para a nossa casa. Me espere no seu quarto.

Não teve abraço, não teve consolo, não teve nada. Nessas horas eu via o quanto eu e Shion éramos diferentes em alguns aspectos. Embora com Ikki eu já havia notado muito mais demonstração de carinho do que ele tinha conosco quando menores.

Vi Ikki se vestindo e saindo cabisbaixo, mas antes de chegar á porta, Shion lhe afagou os cabelos e limpou uma lágrima do seu rosto sem dizer nada.

Logo se virou para mim e perguntou, nervoso.

– Como você resolveu a questão de Isaac? Ou você também acha que não tenho nada a ver com seus filhos?

– Ele levou umas palmadas pelo que fez na Austrália, uma surra de cinto por ter mentido sobre a escola aqui e uma de vara por ter se metido naquela boca de fumo e experimentado substancias impróprias.

Eu respondi rápido, ignorando o final da pergunta de Shion que acabava por deixar escapar parte dos argumentos que Mu pensou.

– Hm... – Disse Shion analisando Isaac. – E pelo fiasco do casamento? Por sermos presos?

Eu fiquei calado. Eu já tinha decidido não bater mais em Isaac, mas Shion jamais concordaria com isso. Eu não o confrontaria por isso como Mu fez, até porque eu realmente acreditava que Isaac merecia apanhar mais pelo que fez, mas eu simplesmente não conseguia.

– Hm...

Foi quando percebi que Shion estava acompanhando meus pensamentos. Meus pensamentos sempre me traíam perto dele. Quando dei por mim ele já estava com Isaac sobre as suas pernas com o traseiro vermelho como nunca à mostra.

– Ok, se você não consegue, eu faço por você!

Shion disse levantando aquele paddle, até que vi Milo ir para cima de Shion gritando.

– Larga o meu filho!

Consegui segurar meu escorpiano a tempo e arrastá-lo para o nosso quarto, fechando a porta.

– Você perdeu o juízo?

– Ele vai bater no Isaac com aquilo!

– Isaac merece! Eu e Shion passamos o inferno, e você passou um inferno ainda maior!

PAAAAAAH

PAAAAAAH

PAAAAAAH

Começamos a ouvir o som da palmatória misturado aos gritos de Isaac e lições de moral de Shion. Como a porta estava fechada, não entendíamos bem o que estava sendo dito.

– Mas porque você não fez isso você mesmo? Não viu que até Mu desafiou Shion?

– Nossa mestre está muito decepcionado com Mu e eu aposto o que quiser que essa história não acabou aqui.

PAAAAAAH

PAAAAAAH

PAAAAAAH

Eu e Milo continuamos discutindo até ouvir a última das quinze palmadas. Tudo que eu pedia era para que Shion não tivesse tirado sangue do menino, o que já havia feito com Milo.

Assim que acabou meu escorpiano correu pegando Isaac nos braços e o consolando, enquanto Shion falava comigo.

– Camus, se você promete uma punição, não pode esmorecer no final. Tem que terminar o trabalho.

– Eu sei mestre.

– Isaac não dará mais problemas por um bom tempo, eu te garanto.

– Eu sei mestre.

Shion acenou com a cabeça e virou as costas.

– Mestre?

– Sim?

– Não fique magoado com Mu. Ele apenas não está acostumado com Shun agindo daquela maneira.

– Você não faz ideia do que ele falou para mim, Camus. Minha vontade era ir lá agora e...

Ele respondeu, sério, sentido, magoado, sem completar o pensamento.

– Foi algo no calor da emoção, não acho que ele acredite em nada do que disse. Milo também explode as vezes e logo se arrepende.

Meu mestre me olhou, acenou, e saiu andando enquanto disse:

– Nunca pensei no dia em que veria você defendendo Mu.

Eu respondi em pensamento “Nem eu, nem eu”.

Notas finais
Preserve as fadas e comente aqui :3