O Grande Dia

17 Capítulo XVII – Conheça o seu Lugar


Notas iniciais
Amadinhas, tudo bem? Preciso dizer que senti falta do review de algumas pessoas no último capítulo... Mas que fiquei emocionada com a qualidade dos reviews recebidos! Vocês, em geral, deram um show. Fico muito feliz quando arranco emoções como as que vocês descreveram! APROVEITO PARA INDICAR AQUI a maravilhosa XxLininhaxX que escreveu, depois de tanto eu implorar, uma nova spankfic CDZ que já tem dois capítulos!!! Gente, ela é maravilhosa e autora de uma das minhas spankfics favoritas (chamada lágrimas de amor). E tenho ctza que fará um drama maravilhoso com CDZ (sim, ela escreve dramas, daqueles que nos fazem chorar e tiram nosso sono rs). Um beijo enorme, espero que vocês gostem!!!!!

Capítulo XVII – Conheça o seu Lugar

POV Milo

Eu estava tão nervoso com os absurdos que eu estava ouvindo. Fuga, roubo, mentiras, afrontas e tudo mais que eu esperaria de qualquer um, menos de Isaac. Foi quando comecei a ouvir a voz de Camus ficar mareada.

– E eu percebi que não tinha mais jeito, que eu já estava horas atrasado e que estava tudo arruinado.

Olhei melhor para ele, as lágrimas que ele lutava para manter dentro dos olhos, caíram como fontes. Eu nunca tinha visto Camus chorar daquele jeito. Eu não sabia que Camus era capaz de chorar, não daquela forma.

– E-eu, eu senti tanto medo. Medo de Isaac estar ferido ou até morto. Medo dele ter novamente se envolvido com drogas. Depois, estava desesperado, com pavor que ele pudesse conseguir fugir da Grécia e de não conseguir encontra-lo. E isso tudo lutando contra o relógio. Quando o encontrei, eu não conseguia tirar você da cabeça Milo... Não conseguia. Tudo que eu pensava era em você no altar preocupado com meu paradeiro, sentindo-se abandonado. Tudo que eu pensava era no seu sofrimento, na sua preocupação, no seu bem-estar. Tudo... Tudo..

Eu vi ele abaixando a cabeça e colocando o rosto entre as próprias mãos, tentando conter o choro alto.

– Eu sabia que você jamais me perdoaria, e eu sabia que a cada minuto que passava você devia estar sofrendo mais. E eu jurei que jamais deixaria ninguém te fazer sofrer... E era eu o culpado. Eu!

Eu via Camus se perder nas próprias lágrimas, colocando as mãos na cabeça e mexendo nos cabelos. Eu já chorava tanto quanto ele, a culpa não era dele, ele apenas estava cuidando do nosso filho, eu teria feito a mesma coisa.

– Calma Camus...

Falei chegando mais perto, mas ele não parava de se martirizar. À contragosto, acabei jogando meu corpo no peitoral dele num abraço de quem implora para ser abraçado. Foi o que ele fez, seu choro diminuiu, e seus braços me envolveram ternos e firmes. Naquele momento, era como se nada tivesse acontecido, estávamos juntos e era o que importava.

Levantei o rosto, com meus lábios procurando os dele. Encontramo-nos num beijo não apaixonado, mas doce. Era um consolo mútuo pelas horas difíceis que nós dois passamos.

CAPOFT

– Mas o que foi isso?

Camus perguntou arqueando a sobrancelha quando ouvimos o barulho de algo se quebrando e coisas caindo vindo dos quartos. Fomos até lá correndo e vimos que Hyoga não estava no quarto dele, entramos no quarto de Isaac e vimos o loirinho em cima dele com as duas mãos em seu pescoço tentando sufoca-lo.

Hyogaaaaaa, solte ele! – Eu disse desesperado.

Hyoga não parava, o rosto de Isaac estava bem machucado. O nariz sangrando e o canto da boca também. E eu levei as minhas mãos até o meu rosto desesperado até que vi Camus andando até os dois. Eu decidi sair de lá, precisava digerir toda aquela história que eu nem havia entendido ao certo ainda.

Quando dei por mim, estava sem camisa, com a calça larga do pijama e parte da cueca aparecendo, caminhando pelo santuário. Eu precisava pensar.

POV Camus

Eu não podia acreditar que no meio de toda aquela bagunça aqueles dois resolveram brigar, ou melhor, Hyoga resolveu piorar tudo. Eu andei até ele e o levantei pela orelha sem nenhum tipo de contenção. Era para doer. Mesmo.

– VOCÊ FICOU MALUCO?

– Aai mestre!

Continuei torcendo a orelha do meu discípulo até ele se levantar por completo e sair de cima de Isaac.

– EU NÃO ADMITO BRIGAS! – Eu disse ainda o segurando pela orelha que ficava cada vez mais vermelha, enquanto ele se contorcia tentando achar uma posição que o machucasse menos, foi quando afrouxei um pouco.

– Mas veja o que ele fez! O senhor estava chorando!

– Você é pai dele?

Hyoga permaneceu em silêncio, eu soltei sua orelha e o encarei bem de perto, falando nem em frente ao rosto dele.

– Você é pai dele? Responda?!

– Não... – Ele disse olhando para o lado cabisbaixo, cruzando os braços.

– Então por que raios você pensa que pode bater nele?

– PORQUE O SENHOR NÃO FAZ NADA! ELE É EXPULSO DO INTERCÂMBIO, MENTE, SE DROGA, FOGE, ESTRAGA SEU CASAMENTO E O SENHOR NÃO FAZ NADA! NESSA CASA O ÚNICO QUE APANHA SOU EU!

– Ah, mas não venha se fazer de coitado agora Hyoga! Você sabe muito bem que ele estava em recuperação e que eu ia conversar com ele depois, todos achavam que ele ainda estava se recuperando da briga no beco!

– AH CLARO! O ISAAC SEMPRE ESTÁ SE RECUPERANDO! SE FOSSE EU O SENHOR JÁ TINHA ARRANCADO MEU COURO E QUEM SABE ELE NÃO TERIA ESTRAGADO O CASAMENTO E EU NÃO TERIA QUE VER O MILO TÃO ACABADO!

– Abaixe o tom de voz, mocinho! – Eu disse, dando um passo em direção a ele. – Você precisa comer muito feijão ainda antes de querer me ensinar a ser pai, está ouvindo?!

Ele olhou para baixo e falou baixinho.

– Não quero te ensinar nada, quero ensinar para esse babaca aí.

– Vou repetir: VOCÊ É PAI DELE?

– Não...

– E quem te deu o direito de brigar com ele dessa forma? Você perdeu o juízo?

Quando olhei, vi que Milo não estava mais lá. Com deve ter ido deitar ou caminhar um pouco, devia digerir tudo que aconteceu antes de voltar querendo me matar novamente.

– Ele mereceu! Você não viu como Milo ficou, mestre! O senhor não viu como ele estava arrasado na cerimônia e como o desespero crescia mais e mais na medida que o tempo passava! Ele foi alvo de piada de todos! Todo olhavam para ele! ISAAC MERECEU CADA SOCO QUE EU DEI NELE!

Foi minha vez de aumentar o tom de voz e colocar ordem naquilo, apesar de ver Hyoga tão preocupado com Milo me animava um pouco. Mas eu realmente não sabia no que Hyoga estava pensando, apesar de entender suas razões.

– QUEM DETERMINA QUEM MERECE O QUE AQUI SOU EU, E QUEM ESTÁ MERECENDO UMA BELA SURRA AQUI É VOCÊ, HYOGA!

– EU? COMO EU? ELE QUASE DESTRÓI O MUNDO, FODE COM TUDO, ACABA COM VOCÊS E EU QUE MEREÇO APANHAR. MUITO JUSTO!

HYOGA... – Eu falei entre-dentes. Ele estava gritando, falando palavrões, afrontando minha autoridade.

– Camus, ele não me machucou... – Isaac disse tentando aliviar a situação.

Eu parei por um segundo olhando para a parede, com as sobrancelhas levemente arqueadas, pensando um minuto na situação. Isaac estava lá, vendo a discussão acirrada que estava acontecendo, e quis intervir. Mesmo após ser espancado pelo irmão quis intervir. Porém, o que chamou tanto minha atenção não foi isso, não foi um dos primeiros atos de altruísmo adolescente que vi nele, até porque, talvez, ele ainda tentasse apenas se gabar do irmão fraco.

– Do que você me chamou?

Eu perguntei baixo, e antes que ele pudesse responder eu acertei um tapa muito forte no seu traseiro.

PAFT

– Do que você me chamou?

PAFT PAFT PAFT – AAAAAAAAAAAAH CAMUS!

– Isso mesmo, você me chamou de Camus.

PAFT — AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH, ISSO DÓI!

PAFT – PÁRA

PAFT – PÁRA

PAFT – AH!

PAFT – É SÉRIO!

– Do que você me chamou mesmo?

PAFT — DE CAMUSSSSS

PAFT – CAMUS!

PAFT – CHEGA!

PAFT – AAAAH!

PAFT – AI!

PAFT

Eram quinze tapas fortes, minha mão doía.

– O que eu sou seu, Isaac?

PAFT

PAFT

PAFT

PAFT

PAFT

– O que?

PAFT – aaaaaaaaaaaaaaah pára

PAFT – meu mestre!

PAFT – meu tutor!

PAFT – chega!

PAFT – meu pai!

Eu parei um pouco aqueles tapas que eu dava nele em pé mesmo, segurando seu braço numa torção. Continuei a segurar seu braço, enquanto aproximei meu rosto do dele, o encarando profundamente.

– Isso mesmo, eu sou seu mestre, seu tutor legal, seu professor, seu pai. E por isso VOCÊ NÃO TEM PERMISSÃO DE ME CHAMAR PELO NOME! PODE ME CHAMAR DE SENHOR, DE MESTRE, DE PAI, MAS JAMAIS DE CAMUS! ENTENDEU?

– Siiiiim...

PAFT

PAFT

PAFT

PAFT

PAFT

– Sim o que?!

– Sim senhor mestre!

PAFT

PAFT

PAFT

PAFT

PAFT

Eu parei de bater no Isaac por ter me chamado de Camus, aquilo que tirou do sério, o que ele pensava depois de tudo aquilo? Que eu era um coleguinha da escola? Mas eu não podia mais bater nele, não naquele exata momento, porque eu não responderia por mim.

– Hyoga, abaixe as calças, mãos na escrivaninha!

– O QUE?

– Você me ouviu! E não me tire do sério, já estou no meu limite! NO MEU LIMITE! E NÃO TEM MILO AQUI PARA ME SEGURAR!

Eu disse pegando o cinto jogado no corredor, aquele que eu deveria usar no meu casamento.

– Ele fez o que fez o senhor vai bater em mim com o cinto, é isso?

Foi minha vez de sobrar o cinto em minha mão e falar com ele quase no rosto de Hyoga.

– Hyoga, preste bem atenção em mim! Eu não admito brigas dentro do santuário entre os cavaleiros e não vou admitir entre os meus filhos dentro da minha própria casa! Você vai apanhar por ter batido no Isaac lá na colina e aqui, e espero que isso nunca mais se repita! Você não é pai dele, não é tutor, não é professor, é só o irmão mais novo. Se houver algo errado, fale COMIGO, entendeu? Você não tem direito ou autorização para encostar num fio de cabelo dele, assim como ele não pode sequer sonhar em te machucar!

– Ah, e ele vai levar essas palmadinhas e eu uma surra de cinto. Muito justo... Muito justo!

– Hyoga, páre com isso, que você sabe muito bem que minha conversa com Isaac nem começou!

Ele, então, cruzou os braços contrariado e Isaac bufou no canto do quarto.

– Vai abaixar essas calças e ir para a escrivaninha logo ou vou ter que te arrastar? Você sabe bem a regra de que quem não obedece apanha mais.

– AH, E EU AINDA VOU APANHAR NA FRENTE DELE?

– Há, você não bateu nele? Agora aguente.

– Eu posso sair. – Disse Isaac se levantando para dar privacidade ao irmão, mesmo depois de todos os insultos e de ouvir Hyoga o jogar na fogueira.

– Você SENTE-SE AÍ!– Eu disse, firme, apontando com o cinto que estava em minha mão, ele sentou e não se movia um centímetro. Eu me contive para não descer o cinto em Isaac, eu precisava me controlar.

Parei um segundo com os olhos fechados apertando a ponta do meu nariz, eu ainda estava muito nervoso com Isaac. Eu precisava me acalmar, mas ele precisava de uma lição e rápido! Meu erro anterior foi ter esperado demais para cortar o mal pela raiz, quem sabe, se eu tivesse lhe dado uma bela surra logo que tirou as bandagens do hospital, teria evitado tudo isso.

– Hyoga? – Eu disse levantando uma sobrancelha, esperando.

Ele fez uma careta, franziu o cenho e veio na direção da escrivaninha. Claro que não tirou suas calças, deixando para mim o trabalho, que o deixei apenas com a cueca preta box que usava.

– Por que você vai apanhar, Hyoga? – Comecei o ritual.

– Porque eu quis defender vocês dois desse marginal do inferno e não estou sendo bem recompensado.

Eu revirei os olhos, não, eu não precisava daquilo naquele dia. Eu não precisava ter que lidar com Hyoga e sua rebeldia, não precisava ficar ainda mais nervoso. Eu automaticamente desci o cinto com força, muita força, em Hyoga.

SLAFT – AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH MERDA

Resposta errada. Então, vamos lá, vou te ajudar a entender porque você está apanhando.

SLAFT É porque você agrediu seu irmão SLAFT não importa por qual motivo SLAFT se ele merece SLAFT se não merece SLAFT ou quem começou! SLAFT

SLAFT Quem acerta as contas aqui nessa casa sou eu!

SLAFT Você não é pai do Isaac, nem tutor, nem mestre!

SLAFT Eu e Milo não precisamos de ninguém para nos defender!

SLAFT Quem protege alguém aqui somos nós, entendeu?

SLAFT Isso só mostra o quanto você é mimado!

SLAFT O quanto não respeita o espaço dos outros!

SLAFT Isaac é tão filho meu quanto você, e tem direito de errar, assim como você já fez das suas!

SLAFT

SLAFT

SLAFT

– Isso vai se repetir, Hyoga?

Ele permaneceu em silêncio, claro! Para que tornar tudo mais fácil, não é?

– Eu vou precisar pegar a vara então...

– Não, a vara não!

– Então diga, isso vai se repetir?

Ele continuou em silêncio. Não aguentei, desci o cinto nas coxas dele, com certeza ele já estava com o traseiro bem vermelho e marcado e ainda estava se fazendo de difícil. Mas eu iria tirar aquela petulância. Com a mão esquerda abaixei a cueca dele, com a certeza que apesar da cor de seus fundilhos, seu rosto enrubesceu ainda mais.

– Ah não, mestre!

– AH NÃO DIGO EU!

SLAFT

– Eu não admito isso.

SLAFT

– Nada disso! Não admito que você encoste um dedo sequer no seu irmão.

SLAFT

– Você não pode bater em ninguém e não tem direito de punir ninguém aqui! Os pais somos eu e o Milo! Você entendeu?

SLAFT

SLAFT

– VOCÊ ACHA QUE SOU UM MAU PAI?

SLAFT

SLAFT

– AAAAAAAAAH, CLARO QU NÃO!

SLAFT

SLAFT

SLAFT

– ENTÃO POR QUE RAIOS VOCÊ ME AFRONTA DESSA MANEIRA? ACHA QUE NÃO SOU CAPAZ DE CONTROLAR ISAAC COMO FIZ COM VOCÊ? ACHA QUE EU E MILO NÃO SOMOS COMPETENTES O SUFICIENTE PARA CUIDAR DE DOIS ADOLESCENTES MIMADOS E INCONSEQUENTES?!

SLAFT

SLAFT

– DESCULPAAAAA MESTRE, ME DESCULPA...

Eu conhecia o tom do meu garoto, ele havia entendido o meu ponto. Percebeu a porcaria que estava fazendo querendo ele próprio punir ou não Isaac pelo ocorrido.

SLAFT

– ENTENDEU? VOCÊ E ISAAC SÃO IGUAIS AQUI! MESMO LUGAR NA HIERARQUIA! EU VOU QUEBRAR UMA VARA NO SEU TRASEIRO SE EU PEGAR UMA BRIGA DE NOVO! ENTENDEU?

– Sim! Entendi!

SLAFT

SLAFT

SLAFT

Vesti a cueca nele e ele me olhou com os olhos cheios de lágrimas, sentindo-se traído.

– Vai abraçar seu irmão e pedir desculpas!

– O que?

– Vai abraçar sei irmão e pedir desculpas, agora!

SLAFT

– Aaaaai. – Ele gritou com a cintada – Você só pode estar brincando!

– Eu estou achando que você não se arrependeu o suficiente e me questionando se a vara ajudaria! Você tem ideia do que Isaac passou nas horas que estávamos longe? Tem ideia do medo? Da fome? Fomos presos! Você o pegou enfraquecido, isso é covardia! Ele já tinha apanhado de mim, estava nervoso, e ainda tem que ser golpeado por você?

SLAFT

SLAFT

Hyoga tentava escapar das cintadas e pude perceber que ele olhou compadecido para Isaac e percebeu o estado em que o irmão estava. Sujo, cansado, exausto física e mentalmente. Eu odiava ver Isaac sempre tão bonachão daquela forma.

SLAFT

– Anda Hyoga.

Ele andou mais um passo, com a cabeça baixa.

– Me desculpe, Isaac.

SLAFT

Dei mais uma cintada, dessa vez para pegar os dois.

– Abrace ele, Hyoga.

– Ah, pai!

– ABRACE, E VOCÊ TAMBÉM, ABRACE SEU IRMÃO, ISAAC! Sejam rápidos antes que eu resolva bater nos dois.

Eles se abraçaram, pude ver que Hyoga ainda não estava feliz com o irmão, mas percebeu que não tinha direito de fazer justiça com as próprias mãos. Joguei o cinto de lado, fui até a cozinha, peguei uns biscoitos e um litro de leite, deixei em cima da escrivaninha.

– Vocês dois estão de castigo, aqui, juntos. E AI de vocês se eu voltar aqui e vocês não estiverem no quarto ou estiverem brigando. FUI CLARO?

Ambos sacudiram a cabeça positivamente.

– Isaac coma alguma coisa, por favor.

E então eu sai, precisava ver como estava Milo.

Notas finais
Curtiram? Não curtiram? Lembrem-se, com reviews as fadas não morrem e eu posto a continuação mais rápido