O Grande Dia
13 Capítulo XIII – Atrás das Grades
Notas iniciais
POV SHION
– Senhores, eu... – Eu tentei falar dando um passo em frente, quando dois policiais vieram em minha direção com duas armas e um olhar nada amigável.
Com certeza eles não sabiam que éramos cavaleiros de ouro, eles jamais se atreveriam a levantar armar em nossa direção sabendo do risco que corriam. Eu e Camus nos olhamos e decidimos levantar as mãos e não reagir, afinal, nós jamais nos indisporíamos com policiais quaisquer fosse a situação.
Quando olhei para Camus era nítido que meu filho estava muito nervoso com a situação, muito mais do que eu esperava que ele ficasse. Ele olhou bem nervoso para Isaac.
– O que você aprontou, moleque?
– Na-nada.
– É melhor falar, antes que eu resolva e dar uma surra aqui nessa plataforma com esses policiais de testemunha.
– Eu não fiz nada além de fugir – Disse Isaac meio ressentido e bastante respondão.
Os policiais nos revistaram procurando por armas, o que obviamente não acharam porque estávamos de pijamas. Ao revistarem Isaac acharam um canivete, seus documentos e em sua mochila os dez mil dólares.
Não conseguimos explicar porque estávamos sem documentos e a história de Isaac que tinha pego o dinheiro em casa apenas gerou comentários irônicos dos policiais.
– Pois bem, vamos logo com isso – Disse o policial chefe pegando algemas na mão, seguido por dois colegas que fizeram o mesmo e vieram em nossa direção para no algemar.
– EU EXIJO SABER PORQUE ESTOU SENDO PRESO! Sou um cavaleiro de ouro que luta para manter a paz nesse lugar tanto quanto vocês! – Camus bradou, e foi recepcionado pelo policial o pegando com bastante rudeza.
– O senhor está no seu direito, Sr. Cavaleiro-de-Ouro! – O policial então riu bastante, sendo acompanhado pelo colega – Algum de vocês aqui já viu um cavaleiro de ouro de pijamas?! Eu nunca! Vai ser é o novo modelo de armadura do ano.
Na hora eu respirei fundo, Camus era muito centrado, mas não sabia se tanto a ponto de aguentar zombarias estando tão atrasado para o próprio casamento. Mas ele se conteve, eu o educara bem, ele jamais levantaria a mão contra um policial fazendo seu trabalho e que não tinha as habilidades de luta dele.
– Então, “CAVALEIRO”, você vai pro xilindró e lá te explicam a situação.
Enfiaram a nós três, algemados e humilhados, na parte traseira de um camburão policial. Eu nunca imaginei em toda minha via que passaria por isso. Já Camus estava absolutamente a ponto de explodir, e era nítido que culpava Isaac. Eu agradeci mentalmente os policiais por terem algemado meu filho, pois do contrário já estaria estrangulando o meu neto.
– O que raios está acontecendo Isaac?
– Eu já disse que não sei! Que saco!
Camus estreitou os olhos e rosnou.
– Você vai ver que saco assim que eu puder colocar minhas mãos em vocês, pois vai desejar nunca ter tido a ideia de voltar da Austrália!
Isaac olhou para baixo e eu tive que intervir.
– Camus, se recomponha, o menino realmente parece não saber o que está acontecendo. A culpa não é dele.
– A CULPA NÃO É DELE?! Se ele não tivesse fugido, para começo e conversa, não estaríamos nessa situação. JÁ SÃO QUASE OITO E MEIA DA MANHÃ, MEU CASAMENTO É EM UMA HORA E MEIA E EU ESTOU SENDO PRESO POR ALGO QUE NÃO IMAGINO O QUE SEJA!
Diante dos gritos de Camus, o policial baixinho que me algemou deu uma batida forte na grade que nos separava do banco de trás com seu cassetete.
– SEM GRITOS AÍ ATRÁS.
Vi Camus respirar e encarar o policial baixinho e bigodudo que pensava que o amedrontava, quando ele abriu a boca logo fechou e começou a falar mais baixo.
– Isaac... Tem certeza que você não tinha drogas com você ou que não fez nada de errado no caminho?
– Sim, mestre, já disse que não fiz nada.
– Não fez nada uma ova! – Disse Camus entredentes, num tom baixo, porém ameaçador – Você vai pagar por cada coisa que você fez.
– Chega, Camus. – Tive que intervir vendo o menino se encolher.
– Como chega?
Ele estava nervoso, nervoso a ponto de me afrontar, foi a minha vez de me impor.
– EU DISSE CHEGA – Falei firme, sem gritar. – Nós três não sabemos o que está acontecendo aqui, sei que está nervoso com o casamento, mas agora contenha-se antes que eu perca a minha paciência.
Isaac arregalou os olhos assustado, se perguntando como alguém tinha coraem de falar com Camus daquele jeito. Camus estreitou os olhos, li que ele iria discutir comigo, mas logo abaixou a cabeça resignado, sabia que eu estava certo.
– Está bem, pai.
Continuamos em silencio até a delegacia.
POV MILO
Minhas lágrimas escorriam pelo meu rosto, e não eu não estava sendo dramático! Ao menos era que eu repetia para mim mesmo quando me passava a ideia de estar exagerando em minha mente.
Não sabia se tinha mais raiva de Camus por ter sumido ou de Hyoga por ter me tratado daquela maneira, mas ah... Aquele pato encardido ia se ver comigo assim que eu botasse minhas mãos nele.
Demorou um pouco, mas cheguei na casa de aquário, aquele SPA para o qual Camus me mandou era muito longe! Agora entendi os motivos dele, ele me queria bem distante para que pudesse dançar o conga-la-conga sem mim por perto.
Cheguei cantando os pneus e jogando o carro de qualquer jeito na entrada, abri a porta com tudo e já fui vasculhando a casa, não estava ninguém nos quartos abertos, então abri a porta de Hyoga com tudo.
– AI, MAS QUE SUSTO!
Hyoga gritou, estava vestido e na cama, Shun estava em cima dele vestido também, mas pulou assim que eu abri a porta.
– VOCÊ ESTÁ LOUCO?
Hyoga gritou outra vez quando viu o estado que Shun ficou. Eu não estava com paciência nenhuma, tinha a minha honra para preservar, se não resgatasse Camus rápido minha cabeça não comportaria tantos chifres!
– Hyoga, ONDE ESTÁ CAMUS?
– ISSO É JEITO DE ENTRAR NO MEU QUARTO SUA LOUCA HISTÉRICA? VOCÊ ASSUSTOU O SHUN!
– ABAIXA ESSE TOM DE VOZ ANTES QUE EU TE DE UMA SURRA!
Hyoga riu, até eu mesmo senti vontade de rir de mim, eu não assustava nem uma mosca.
– SHUN, SEU MESTRE SABE QUE VOCÊ ESTÁ AQUI?
Shun quase se enfiou embaixo da cama, era claro que ele estava lá escondido. Agora eu tinha uma carta na manga, o medo que Shun tinha de Shaka – ao menos isso, já que não podia usar Camus como fator de ameaça.
– Onde está o Camus, Hyoga? É a última vez que eu pergunto!
– Ah é? Que medo...
Hyoga zombou, e eu de pronto acertei um tapão na coxa dele e outro na bunda de Shun o forçando a sentar na cama ao lado de Hyoga.
– SE VOCÊS NÃO DESEMBUCHAREM O QUESABEM, ALÉM DE BATER NOS DOIS EU VOU LIGAR PARA O SHAKA VIR ME AJUDAR AQUI.
Na hora que Shun ouviu que eu chamaria Shaka, ele começou a chorar inconsolável.
– Calma, Shun. – Hyoga tentava consolar. – Calma Milo, nós não sabemos de nada.
Eu sabia que eu estava errado de descontar minha frustração neles, mas Hyoga foi bem mal-educado. Eu cruzei os braços e fiquei olhando para eles.
– Como não sabem de nada? Você não viu quando seu pai saiu?
– Não, Milo. Olha! – Hyoga tirou um bilhete do bolso e me deu. – Eu falei boa noite e fui dormir, Camus também ia dormir, já estava até de pijamas. Quando acordei eles dois já tinham saído...
Foi quando eu li o bilhete e entendi que Camus estava com Isaac, aquilo me acalmou muito, afinal, ele não levaria Isaac com ele num prostíbulo – ou levaria? Não, não, isso seria maluquice. Provavelmente ele estava aprontando alguma surpresa para mim, afinal, estava escrito que estava aprontando coisas para o casamento.
– BOM HYOGA, PORQUE VOCÊ AINDA NÃO SE ARRUMOU PARA A FESTA?
– Milo, você também não se arrumou!
– POIS ENTÃO TODO MUNDO SE ARRUMANDO, NÃO QUERO CHEGAR TARDE! O CAMUS É PONTUAL, QUERO CHEGAR ANTES DELE!
Vi os meninos começarem a se mexer, e de repente me deparei com Mu.
– Milo!
– Mu, como você está? – Eu disse, tentando disfarçar minha histeria.
– Eu vim ver se o Shun está aqui. – Ele disse, quando viu o menino, então virou para ele. – Você sabe da regra de avisar quando vier ver o Hyoga, não é?
Ele falou de braços cruzados, mas dava para ver que ele estava tranquilo. Logo ele se despediu e deixou apenas eu e Hyoga nos arrumando. A verdade é que era bom tê-lo comigo, assim, quem sabe, eu controlaria um pouco minha ansiedade.
Mas o que eu queria mesmo era ver o meu ursinho...
POV Camus
Chegamos à delegacia e fomos colocados numa cela, onde soltaram nossas algemas. Não importava o quanto eu dizia que eu queria saber o motivo e que tinha direito à presença de um advogado, ninguém me atendia e eu não podia simplesmente bater nos policiais e correr daquele lugar horrível.
Eu andava de um lado para o outro, enquanto Isaac permanecia sentado e Shion tentava ler os pensamentos dos policiais para descobrir o que havia nos colocado naquela enrascada. Eu olhei para o relógio e percebi que já eram quase nove e meia da manhã e eu estava a mais de uma hora de carro do lugar onde ocorreria a cerimônia.
Ou seja, eu já estava condenado a chegar atrasado e sem qualquer tipo de comunicação, vez que não tínhamos celulares e os policiais negavam a me deixar usar o telefone da delegacia, apesar de termos direito a uma ligação.
O tempo continuava a correr, e cada vez que o ponteiro do meu relógio se aproximava mais das dez horas eu ficava mais e mais desesperado. Estar atrás daquelas grades para mim era o completo e absoluto desespero, eu tentava não falar com meu filho nem com meu pai, evitando assim descontar minha fúria em quem não devia.
Quando faltavam cinco minutos para as dez da manhã, nós três fomos chamados na sala do delegado que nos encarou. Eu não aguentei e comecei a falar muito enfaticamente, sem gritar, mas com uma firmeza que assustou.
– Eu exijo saber porque estão me mantendo preso! A ausência de informações viola a constituição grega em diversos artigos, ou seja, é ilegal. Não me oponho à prisão, contanto que me deixem saber o motivo e me permitam uma ligação, além de que meu advogado deve ser acionado imediatamente!
– Calma, calma... Sr.?
– Camus.
– Pois bem, se esse for seu nome, pois os pegamos sem documentos.
Eu normalmente não utilizo meus títulos para me promover, mas não aguentava mais ser tratado como lixo por todos aqueles policiais de quinta categoria, que não respeitavam em nada os direitos do cidadão. Aquilo era arbitrariedade!
– Eu sou Camus Dupont Laurent, cavaleiro de ouro da constelação de aquário, responsável administrativo pelo Santuário de Athena, diretor-geral de todas as instituições de ensino públicas da Grécia. Sou pai desse menino aqui, e ele é Shion, meu mestre, e antigo Mestre do Santuário, atualmente cordena e dirige toda a inteligência da segurança nacional. Somos ambos respeitados internacionalmente e não merecemos sermos tratados dessa forma.
O delegado, ao invés de se intimidar, começou a rir.
– Sim, sim, sim... E olhe para mim: eu sou a Dorothy! Sim, e não há lugar como o nosso lar!
Ele começou a rir, e foi acompanhado por três policiais que estavam na sala.
– Ah, e esse é o homem de lata e esse o leão, e esse o maravilhoso Mágico de Oz.
Eu olhei profundamente para aqueles homens, calculando por quanto tempo deveria deixa-los desacordados. Me parecia um favor para a humanidade se fosse para sempre.
– Bom, continuando Sr. Sei-Lá-Quem, o condutor da locomotiva viu pelas câmeras de segurança o bonachão-de-ouro destruindo propriedade pública. Assim, ele avisou a polícia e além de vermos que você destruía parte do trem, vimos que havia foto desse garoto aqui por enviada para todas as viaturas como procurado.
Foi então que tudo fez sentido e eu me senti culpado pelo acesso de raiva que tive no trem, e entendi que meu amigo delegado não fizera mais do que eu pedi – tentava resgatar Isaac a qualquer custo.
– O Sr. Ayaccos já está chegando e você poderá contar sua historinha da carochinha para ele...
Olhei para o relógio novamente, eu já estava quase uma hora atrasado para o casamento. Foi quando a porta se abriu atrás de mim, era meu amigo Ayaccos e eu nunca fiquei tão feliz em vê-lo na minha vida.
– Camus!
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