O Grande Dia
12 Capítulo XII – Confusões em Escala
Notas iniciais
POV Hyoga
As seis horas o despertador apitou, abri os olhos tentando desligar aquela porcaria para voltar a dormir. Não sei por que raios meu pai precisava comprar despertadores tão barulhentos... O som continuou tocando no quarto do meu irmão e no quarto de Camus, eles deviam estar num sono pesado.
Depois de alguns minutos, me irritei e levantei para desligar o despertador deles e ralhar em virtude do barulho. Fui carrancudo até o quarto do meu irmão que estava vazio, desliguei seu despertador e franzi o cenho me perguntando o que ele estaria aprontando agora.
No quarto do meu pai a mesma coisa, a cama nem desarrumada estava. Foi quando me deparei com um bilhete deixado por Camus:
“Hyoga,
Fui cuidar de assuntos do casamento.
Tome banho, arrume seu cabelo, vista seu smoking e vá para o local da festa.
Encontro você e Milo lá.
Papai
OBS.: Isaac estará comigo”.
Eu realmente estranhei e me perguntei por que raios eles acordaram tão cedo e por que me deixaram lá dormindo. Talvez não tenham conseguido me acordar, sei lá... Bom, era hora de me levantar, um grande dia estava começando...
Me perdi em pensamentos enquanto me olhava no espelho escovando os dentes e me espreguiçando, me lembrei do quanto tentei impedir esse relacionamento e me condenei mentalmente. Milo fazia Camus tão feliz, apesar de me irritar muito com seu instinto super protetor.
Terminei de escovar os dentes, tomar banho, me vestir e nada do pessoal aparecer. Me parecia uma ótima ideia ligar para o Shun e aproveitar a casa vazia:
– Shu?
– Oi Oga... – Disse ele com uma voz de quem sorria muito.
– Adivinhe só... Estou com a casa só para mim. – Eu disse, com um tom safado, mordendo os lábios de baixo.
– E...
– Por que você não vem para cá?
– Está muito cedo, Oga.
– Ah, vem... Eu estou com tanta saudade...
– Ah Oga... – Disse ele baixinho, como quem fica sem jeito. – Deixa eu ver se meus mestres já acordaram.
Ele desligou o telefone e fiquei esperando ele me ligar, o que não aconteceu por quinze minutos. Até que me assustei com uma pequena pedra que foi arremessada na janela do meu quarto. Quando entendi, sorri e fui correndo até lá.
– Pois não? – Eu disse rindo.
– É... Gostaria de falar com o Sr. Hyoga – Disse o Shun risonho.
– Ele está ocupado – Eu disse, já abrindo mais a janela para ele entrar. Não sei porque não o deixei entrar pela porta, mas o queria perto de mim rápido.
O puxei já beijando-o e o jogando na cama.
– Calma, Oga... Eu sai escondido, todos estavam dormindo ainda.
– E daí?
– Você não se lembra da regra de...
– SIM, SEMPRE AVISAR QUANDO ESTIVERMOS JUNTOS E ONDE ESTAREMOS.... Sei sei, aiiiii Shu como você é chato. São só uns beijinhos, ninguém vai morrer por isso.
– Morrer não, mas você não viu o Shaka bravo. Eu só vim dar um oi para você e vou voltar para a minha casa.
– Ah, quero ver conseguir...
POV Milo
O tempo passava e eu continuava rolando de um lado para o outro da cama, como era difícil esperar, como era difícil dormir sem meu urso polar. Só de pensar que eu estaria ao lado dele pelo resto da vida meu coração acelerava.
Eu não aguentei e peguei meu celular, eu precisava ao menos ouvir a voz do meu ursão. Muito estranho, pois eu ligava e dava que o celular estava fora de área... FORA DE ÁREA? Com certeza ele estava num protíbulo, com CERTEZA!
Na Vila Olímpio e nos arredores o sinal era PÉSSIMO! EU IRIA MATAR O MEU CAMUS, MATAR! SE ELE PENSAVA QUE PODIA ME TRAIR, ESTAVA MUITO ENGANADO! Mas era para isso então que ele me mandou para o spa, não é? Para ir à farra com esses gigolôs malditos!!!
Me vi de pé, quase tremendo de raiva, quando pensei que talvez – apenas talvez – o celular pudesse estar apenas desligado. Ah, mas eu ia tirar aquela história a limpo. Comecei a ligar para o telefone fixo de casa.
Na quinta tentativa, quando já tinha quase desistido, o Hyoga atende o telefone meio sem fôlego.
– Alô, mestre Camus?
– NÃO MENINO, SOU EU. ONDE ESTÁ O CAMUS E PORQUE VOCÊ ESTÁ OFEGANTE?
– Milo, o que foi?
– ONDE ESTÁ O CAMUS?
– E- ele... Hey, porque está gritando comigo?!
– Hyoga, APENAS RESPONDA O QUE EU TE PERGUNTEI!
– MAS EU NÃO TENHO NADA QUE VER COM ESSE NERVOSISMO, NÃO DESCONTE EM MIM!
– AH, MAS MENINO VOCÊ NÃO ME PROVOQUE SEU PATOLINO DAS ARÁBIAS, OU VOCÊ ME FALA ONDE ESTÁ O CAMUS OU EU VOU MANDAR ELE TER UMA CONVERSINHA BEM SÉRIA COM VOCÊ!!!
– AH É?
– É!
– ENTÃO PODE MANDAR, VOCÊ NÃO SABE ONDE ELE ESTÁ MESMO!
Pronto, eu olhei para o meu reflexo na janela discutindo com uma criança como se eu mesmo fosse uma criança. Coloquei a mão prendendo meu nariz e minha respiração por alguns segundos, tentando encontrar a calma que eu tinha perdido.
– Hyoga, vamos começar de novo. Me desculpe.
Fez-se silêncio do outro lado da linha.
– O que você está fazendo, Oga?
– E-er... Estou aqui... É.... Veeendo TV... Isso, vendo TV com o Shun.
– Aaaaaaaaah – Eu entendi, então, que havia interrompido algo. – Ok. Eu quero falar com o seu pai.
– Ele não está, Milo.
– COMO ASSIM NÃO ESTÁ??
– Vai começar a gritar de novo?
– HYOGA, POR FAVOR, VOCÊ NÃO ESTÁ VENDO QUE ESTOU NERVOSO? ONDE RAIOS ESTÁ O CAMUS?
– Quer saber? Quando você aprender a falar sem gritar, me ligue de novo.
TU TU TU TU TU
Eu não podia acreditar, eu não podia acreditar que aquele moleque maldito do inferno não tinha me ajudado ainda teve a pachorra de desligar aquela porcaria de telefone na minha cara! Eu quase quebrei meu IPhone quando o joguei no chão com raiva.
Eu não tinha escolha, precisava ir até em casa descobrir o que tinha acontecido com o Camus e, principalmente, o que ELE ESTAVA APRONTANDO... Ah, se eu o pegasse me traindo... Ah, A CHAPA IA ESQUENTAR PORQUE EU IA RODAR A BAIANA E MATAR ELE E QUALQUER INFELIZ QUE OUSASSE OLHAR PARA ELE.
Me vesti correndo, peguei a roupa do casamento, coloquei no carro e corri para a casa de aquário.
POV Shion
Era nítido o desespero de Camus, eu olhei no relógio e eram exatas 5:42, a primeira parada seria em uma hora e dezoito minutos, às 7:00 da manhã. Calculando o tempo de voltar de carro, seria possível retornar de carro até a casa de Camus e ele poderia ao menos tomar um banho e chegar a tempo do casamento que seria as dez da manhã.
Falei para Camus minha ideia, ele se animou, porém preocupado com nossa falta de dinheiro e documentos. Não quis lembra-lo do dinheiro na bolsa de Isaac a fim de não estressá-lo mais que o necessário com todas as travessuras do adolescente, já que aquele não era lugar para acertar as contas com o menino.
De certa forma eu admirava Camus, ele havia saído um adulto exemplar, modéstia à parte, em alguns aspectos era muito parecido comigo. Eu o admirava profissionalmente, tanto que havia deixado ele no controle de toda a área administrativa do Santuário e não Mu.
Ver aquele ataque de ciúmes de Isaac me fez ter vontade de rir, pois me pareceu tanto Camus invejando Mu. Claro que Camus jamais havia deixado transparecer isso, mas claro que eu já havia notado.
Então, a voz de Camus me tirou de meus devaneios:
– Mestre, o Senhor acha que dará tempo de chegar na cerimônia mesmo? Imagina como Milo ficará se eu não estiver lá a tempo?
Eu abri os olhos imaginando a cena mexicana que seria Milo sendo deixado no altar, e partilhei um pouco do pavor do meu discípulo. Olhei meu relógio e falei tentando me convencer:
– Falta apenas meia hora para a parada, filho. Lá descemos e pegamos um taxi, não acredito que podemos encontrar algum problema...
Vi Camus olhando para o estrago que tinha feito no trem.
– E não se martirize assim...
– Eu perdi a cabeça, preciso pagar por esse estrago.
Vi Camus analisando o estrago que seu chute causou no trem, não foi nada leve, enquanto Isaac se enfiava ainda mais em sua cadeira. Isaac estava calado, passou toda a viagem sentado o lado de Camus, apoiando sua cabeça no dorso do pai. Algumas vezes chegou a cochilar.
Quando tive certeza que Isaac estava dormindo eu comecei a conversar com Camus.
– Estou muito orgulhoso de você, em especial da forma que tem criado seus filhos.
– Não me parece que tenho feito um bom trabalho, não – Disse ele com certa ironia remetendo-se aos acontecimentos recentes.
– Ora, essas coisas são normais, é preciso paciência. E eu não sei se teria a mesma paciência que você.
Camus olhou para mim com os olhos arregalados.
– Nem quero imaginar o que o Senhor teria feito comigo se fosse eu no lugar de Isaac...
– Nem eu, filho, nem eu...
E ambos começamos a rir, perdidos num tempo passado que foi tão bom. Eu sentia falta dos meus meninos comigo, deles tão ansiosos por aprender e lutar e... Aprontar. Peguei-me olhando meus cabelos e culpando eles por alguns fios brancos.
– Eu não posso acreditar que você vai se casar...
Sorrimos um para o outro, com palavras que não precisavam ser ditas. Mas acabei por falar.
– Espero que tenha aprendido algo com isso tudo...
– Sim, serei mais vigilante com esse rapaz aqui.
– Não, filho, espero que tenha aprendido que para um pai o amor é infinito e não se mede. Um pai não ama mais um filho ou o outro... O amor de um pai é imensurável. Espero que isso tudo tenha te ensinado que eu sempre amei você e o Mu como dois filhos, cada um da sua forma.
Ele sorriu. O trem parava, aos poucos, estava um pouco atrasado porque já eram sete e quinze da manhã, ambos nos levantamos aflitos e Isaac acordou sendo puxado carinhosamente por Camus.
Logo que estávamos dando um passo para fora daquele maldito trem quando fomos abordados por policiais com armas.
– O que é isso? – Camus falou.
– MÃOS PARA O ALTO.
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