O Grande Dia
36 Capítulo XXXV - O Levante
Notas iniciais
POV SHION
Estava tudo pronto nós partirmos. Camus veio conosco, me contrariando e contrariando Milo que estava preocupado com o próprio casamento e eu com o estado do escorpiano. Mas eu não estava com cabeça para discutir com ninguém e, de fato, a presença de Camus me ajudaria muito.
Shaka e Mu estavam confusos quanto ao próprio relacionamento, mas fiquei satisfeito em ver que conseguiam trabalhar em conjunto mesmo em meio a uma crise. Aquilo demonstrava maturidade, e era o que mais precisávamos naquele momento.
Minu, sempre eficiente, levantou o endereço exato desse suposto adolescente com o qual Shun conversava. Se nos apressássemos com certeza chegaríamos a tempo de pegá-lo antes de grandes estragos. Carros são infinitamente mais rápidos que ônibus.
Para garantir o sucesso da operação, resolvi nos dividir em grupos. Os 4 cavaleiros de prata formaram duas frentes nas duas possíveis paradas que o ônibus naquela direção faria, onde, provavelmente, Shun poderia trocar de ônibus.
Shaka e Mu foram em direção à rodoviária de Kavala e eu e Camus fomos para a casa desse tal Rusk entender quem ele era e qual era o tipo de ligação que Shun firmou com ele. Esse nome ecoava na minha cabeça, pois não me era estranho... Mas eu não conseguia me lembrar.
A caminho da Kavala, eu não pude deixar de ler os pensamentos de Camus.
— Se está assim tão preocupado com Milo cuidado das crianças deveria ter ficado.
— Ah, mestre...
— Nada de “Ah, mestre...”, estamos em meio ao caos e você tem que discutir minhas ordens. Sabe que eu me espanto com o quanto você e Mu são intransigentes às vezes.
— Pai, eu só achei que eu seria mais útil aqui do que em casa...
— Eu sei, só espero que haja alguma casa quando voltarmos, pois juntando Hyoga, Isaac, Ikki, Saori e Kiki na mesma casa... Duvido que não coloquem fogo ou a explodam...
Camus não respondeu, ele concordava comigo e sabia que as coisas com certeza sairiam de controle no Santuário.
oOo
Na Casa de Aquário....
Milo massageava as têmporas com raiva enquanto andava pela sala cheia de bagunça no chão, ouvindo a gritaria ao fundo. Só havia se passado três horas e os adolescentes estavam brigando sem parar.
— PARA IKKIIIIII!!!!! TIO MILOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO.
Milo foi andando, com uma tremenda dor de cabeça, sendo guiado pelo grito estridente de Saori. Ao chegar no quarto, se deparou com Ikki em cima dela puxando seus cabelos e ela apertando o pescoço dele.
Olhou em volta e não encontrou Kiki nem Isaac.
— Hyoga, onde está seu irmão?
O loirinho não tirou os olhos do vídeo-game para responder.
— E eu lá sou babá dele?
Milo revirou os olhos e colocou a mão na cintura.
— Você sabe muito bem que seu pai não deixa jogar isso durante a semana, desligue isso.
Milo disse, puxando Ikki pelo colarinho e o tirando de cima de Saori.
— Vocês não conseguem se comportar só até voltarem com Shun? Pelo amor dos céus?! Vão me deixar louco!
— A CULPA É DELA!
Milo puxou Saori para si e a levou até a sala dizendo.
— Não quero saber de quem é a culpa, apenas PAREM COM ESSA BAGUNÇA AQUI!— Disse Milo levando Saori para ver TV na sala, enquanto empurrava com o pé as montanhas de bagunça que todos largaram pela casa.
Milo pegou o telefone e ligou para Camus.
— Amor?
— Miluto, como você está?
— Péssimo. Você foi embora e largou todos os capetas do inferno aqui dentro e eu estou quase morrendo de dor de cabeça.
— Como assim? O que eles estão fazendo? — Camus perguntou olhando para Shion que lia seus pensamentos.
— O que eles não estão fazendo, você quer dizer? O Ikki e a Saori estão se engalfinhando o tempo todo, o Hyoga está mais mal educado do que nunca e desencanou da escola e deveres para se dedicar única e exclusivamente ao vídeo-game, o Kiki e o Isaac sumiram e e parece que o furacão Katrina passou pela casa.
— Coloque no viva-voz, Camus – Disse Shion. – Milo, chame Ikki e Saori.
Milo chamou as crianças, colocando no viva-voz.
— O QUE VOCÊS DOIS PENSAM QUE ESTÃO FAZENDO?
Ikki e Saori olharam traídos para Milo.
— Olha, eu estou ajudando a procurar Shun, mas não me incomodo em nada se tiver que voltar e mandar outro dourado no meu lugar só para acabar com essa palhaçada de vocês aí!
— Mas mestre...
— NEM MAIS NEM MENOS MESTRE. SE MILO ME LIGAR MAIS UMA VEZ PARA FALAR QUE VOCÊS ESTÃO BRIGANDO, EU VOLTO NA HORA PARA DAR UMA SURRA DE VARA EM VOCÊS. ENTENDERAM?
— Sim...
— Sim.
— SIM O QUE?
— Sim senhor.— Disseram os dois adolescentes cabisbaixos.
— Milo, será que agora eu posso falar com o Hyoga? – Disse Camus, com muita tranquilidade.
— Sim, um minuto. – Disse Milo entregando o celular para Hyoga.
— Quem é?
— ISSO É JEITO DE ATENDER AO TELEFONE, HYOGA?
— Me-mestre?
— Sim, Hyoga, posso saber o que raios você está fazendo na frente do vídeo-game no meio da semana?! Você pensa que só porque não estou aí pode fazer o que quiser? Acho que depois de tudo que já passamos, você deveria ter aprendido a respeitar o Milo!
— Mas mestre, eu...
— Nem mais, nem menos Hyoga! Se eu souber que você está desrespeitando o Milo, eu volto na hora para termos uma conversinha e garanto que você não vai gostar nada.
— ...
— Que vergonha! Se aproveita só porque Milo está doente e é mais mole que eu. Mas saiba que eu não admitirei isso, Hyoga! Está entendido?
— Sim senhor...
— E levante esse traseiro agora daí e vá procurar Kiki e Isaac.
— Mas...
— NÃO TEM MAIS. VÁ A-GO-RA! E se eu souber que você ligou essa porcaria de vídeo-game de novo, eu vou mandar essa porcaria pra doação. Estamos entendidos?
— Sim, mestre.
Hyoga devolveu o telefone para Milo.
— Nossa, que clima de enterro aqui nessa casa, o que foi que vocês falaram?
— Milo, nos avise se Saori e Ikki brigarem e se Hyoga ligar essa porcaria de novo. Mandei Hyoga sair para procurar Isaac e Kiki. Você está bem?
— Sim, estou.
— Avise que eu mandei Ikki e Saori arrumarem a casa. – Disse Shion.
— Ok.
— Amor, eu não demoro, desfaça essa raiva vai...
Milo revirou os olhos e se despediu, ele estava muito bravo com aquela situação toda. Se questionava por que raios todos os adolescentes do santuário decidiram atrapalhar seu casamento.
Se ele não estivesse com a cabeça doendo tanto, poderia muito bem esganar cada um daqueles moleques. Mas não tinha força para isso, na verdade, tudo que sentia era sono, muito sono e muita dor.
POV CAMUS
Era engraçado dividir com Shion a nossa vida cuidado de adolescentes, não era o que estávamos acostumados desde que ele me deu parte da liderança do Santuário. Nos perdemos em tantos assuntos administrativos que nossa família acabou ficando de lado, mas aquilo estava mudando.
Ele ria dos meus pensamentos como quem concordava. Por um tempo nos perdemos em pensamentos, eu lembrava da minha infância e parecia que ele acompanhava com nostalgia.
— Bons tempos, Camus.
— Não sei se na época o senhor pensava assim, parecia sempre tão bravo conosco.
Shion me olhou com carinho.
— O que você acha dessa fase que está passando agora com Hyoga e Isaac? Com Milo te ajudando a cuidar deles? De ve-los se tornarem cavaleiros melhores a cada dia?
— É a melhor fase da minha vida, sem dúvidas.
Foi quando ele me olhou com ternura. Meu coração ficou um pouco apertado ao pensar que alguém no mundo podia me amar como eu amava aqueles dois... Sim, Shion foi, sem dúvida alguma, o melhor pai do mundo para mim.
Passávamos o tempo todo recebendo ligações de todos os outros grupos de buscas com notícias de que Shun não havia passado por nenhum dos lugares. Os mais frustrados era, sem sombra de dúvidas, Mu e Shaka que acreditavam que pegariam o garoto na rodoviária.
Eu e Shion éramos a última esperança. Começamos a sentir o peso ao nos aproximar no endereço e eu me questionava o que faria se Shun não estivesse lá.
Era uma casa velha, e claramente mal cuidada. Estacionamos o carro na estrada de barro mais próxima e seguimos andando pelo mato alto que parecia integrar o quintal. Me irritei um pouco com o fato de se grudarem carrapichos na minha calça, além do fato de me questionar sobre animais peçonhentos escondidos naquela grama mal cortada.
Shion tomou a dianteira, porém ele andava devagar. Ainda mancava pelo incidente no lixão. Não tardou a bater na porta com um olhar interrogativo, provavelmente sua telepatia não respondeu nossos questionamentos. Eu sentia um forte cosmos oriundo daquele lugar.
Um garoto não mais velhos que os meus filhos abriu a porta e Shion franziu a testa. Era nítido que ele conhecia o menino e, honestamente, o garoto não me parecia estranho. Me fechei em pensamentos tentando me lembrar onde eu o tinha visto...
— Souma...
Disse meu mestre. Souma... souma... Sim! Me lembrei... Há alguns anos foram precipitados na distribuição de patentes e transformaram alguns adolescentes em cavaleiros de prata. Creio que tenha sido um dos piores erros que cometemos, sem dúvida. Os garotos fugiram do santuário e estavam desaparecidos desde então.
Senti um cosmos forte vindo por trás de nós, e automaticamente reconheci.
— Kouga...
Eu não podia acreditar, logo apareceram mais três adolescentes desertores e Shion olhava perplexo.
— Nachi, Jabu e Neki! O que estão fazendo fora do Santuário?!
Eu pensei novamente, havia assinado uma autorização para férias nos Estados Unidos dos três cavaleiros de bronze. Os protetores haviam permitido e eu apenas assinei. E eles estavam lá, juntando-se a uma facção de desertores.
— Não são apenas desertores, Camus.
— O que, mestre?
— Eles se juntam para um levante contra o Santuário.
— Mas o que?
— Shun não está aqui. Onde está Shun.
Souma se posicionou como líder, sorrindo com ironia.
— Aqui você não manda, velhote.
Os cavaleiros mais novos entraram em formação para atacar Shion e Camus que se entreolharam preocupados se questionando sobre o paradeiro de Shun.
Fale com o autor