O Grande Dia

28 Capítulo XXVIII – A Parte Difícil da Paternidade


Notas iniciais
Visando me redimir, seguem dois capítulos num dia só XD Espero que gostem... Espero meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeesmo

Shion se levantou e foi até a porta, muito mais calmo do que estava enquanto descia as escadas do Santuário atrás de seu filho lemuriano. Talvez por razão de agora dividir sua preocupação com a recente aparição de Ivan. Ele, então, pegou seu celular e ligou para Minu, sua secretária.

— Minu?

— Sim, Sr. Shion?

— Tivemos uma incidência hoje com a aparição de Ivan novamente.

Minu suspirou fundo do outro lado da linha, já havia acompanhado essa situação mais de uma vez e visto o quanto Camus sofria com essas situações.

— Se lembra do procedimento da última vez? Preciso que deixe os guardas do santuário em alerta e a polícia avisada.

— Sim senhor.

— Como ele envelheceu desde a última vez, peço que puxe imagens recentes dele pelas câmeras de segurança. Ele esteve nas escadarias há cerca de uma hora e meia.

— Sim senhor, vou providenciar.

— Além disso, preciso que você peça para o Ayaacos puxar a ficha criminal dele desde a última vez. Faça uma pesquisa nos órgãos de proteção ao crédito para verificar se ele está com o nome negativado, tudo bem? Receio que ele tenha aparecido novamente com suas chantagens.

— Ok, senhor Shion.

— Vi que você deu encaminhamento em meus e-mails, muito obrigado. Peço que você receba todas minhas ligações e responda os e-mails urgentes, estarei ocupado pelas próximas horas e deixarei meu celular desligado.

— Mas Senhor Shion, e a reunião com o prefeito?

— Diga que tive uma emergência familiar e precisei cancelar.

— Está tudo bem com o Camus?

Minu não se conteve, ela era muito mais que uma secretária, erao braço direito de Shion quando Camus não respondia. Ela havia sido criada com eles e tinha uma carinho sem tamanho por todos.

— O problema não é com Camus, Minu. Dessa vez é o Mu.

Shion desligou, deixando uma Minu sem saber o que acontecia e com muito trabalho a fazer. Mas ele sabia que ela daria conta, além disso, nada naquele momento era mais importante do que dar um jeito no caos que havia se instaurado na primeira casa zodiacal.

Mas para isso precisava parar para pensar, foi quando entrou numa das vielas que atravessavam as casas. Antes de decidir o que fazer e como fazer, ele precisava colocar o pensamento em dia e reformular tudo que havia ocorrido.

POV Shaka

Eu retornei à casa de áries e novamente vi tudo quebrado, com certeza tinha sido Shun fora de controle. Eu pulei as coisas sem me preocupar em tirá-las do chão, passei pelo quarto das crianças e ambos estavam vazios, tanto o de Kiki quanto o de Shun.

Onde as crianças estavam eu não fazia ideia, mas naquela hora minha preocupação era outra. Entrei no meu quarto e vi Mu deitado na cama com cara de poucos amigos. Não falei com ele, não queria falar com ele, minha decisão já estava tomada.

Peguei uma mala grande no maleiro que fica na parte superior do guarda-roupa e a coloquei aberta em cima da cama, no lado que Mu não estava usando. Então, com calma, passei a esvaziar as minhas gavetas e colocar minhas roupas na mala de maneira organizada.

Mu quando percebeu o que eu fazia se sentou na cama e bufou uma pergunta resmungada e ríspida.

— Posso saber o que você está fazendo, Shaka?

— Estou tirando as minhas coisas do seu guarda-roupa.

— E posso saber o motivo?

Eu respirei e abri os olhos para falar aquilo que estava em minha mente.

— Não seu a razão da interrogação. Você tem vivido uma vida sem mim, tem me escondido coisas, tem me privado da educação dos meus filhos. Eu venho sendo motivo de chacota por não saber cuidar de Shun e Kiki e eu sequer tinha conhecimento de tantas travessuras e ataques. Pois bem, a escolha foi sua e a decisão também: se é para viver mentindo e me excluindo da sua vida, vou facilitar para você.

— Você só pode estar brincando, depois de tudo que eu passei hoje...

— Mu, eu estou longe de brincar. O que você passou hoje foi exclusivamente culpa sua. Você andou escondendo de mim tudo, se chegou a Shion é exatamente por esse motivo. E, sinto muito, mas ele está certo.

— COMO VOCÊ PODE FICAR AO LADO DELE?

— Só você ainda não percebeu que não existem lados aqui. Não estou dizendo que sei porque vocês dois estão brigando, só sei que tudo que ele disse de Shun e Kiki é correto e eu concordo com ele.

— ENTÃO VAI SER ASSIM?

— Sim, Mu, será assim. Se é para você mentir para mim, não existe mais relacionamento nenhum entre nós. Vou me organizar novamente na casa de virgem e depois vamos decidir como ficará a questão da guarda das crianças.

— GUARDA DAS CRIANÇAS? ELAS FICARÃO COMIGO!

Eu revirei os olhos, ele só podia estar brincando. Eu tentava ao máximo falar pouco,pois quanto mais eu falasse, mais margem a brigas eu daria. E não queria discutir, minha decisão estava tomada. Fechei minha mala com os principais pertences que tinha.

— Isso é assunto para outra hora e talvez para a cúpula do santuário decidir.

Sai deixando para trás Mu nervoso e irritado. Ele era um poço de calmaria, mas eram apenas aparências, o lemuriano fora de si era um perigo.

Saindo com minha mala, me deparei com Shion na frente de casa. Não precisei explicar nada, ele deve ter ouvido tudo e se não ouviu já havia lido meus pensamentos. Eu frisei para ele “isso é definitivo”. Ele não refutou, apenas colocou a mão em meu ombro com carinho pedindo para que eu me acalmasse.

oOo

Shion entrou na casa, indo até o quarto de Mu que estava sentado na cama com as mãos no rosto tentando enxugar as lágrimas que insistiam em cair. Ele observou a casa que estava um caos, coisas quebradas por Shun por todos os lados, o quarto de Kiki parecia que nunca havia sido arrumado, metade do guarda-roupa vazio.

A cena era deprimente. O estado de Mu era deprimente. Mas Um quando notou a presença do mestre automaticamente elevou seu cosmos com raiva. Shion pareceu ignorar e sentou-se na poltrona de leitura de couro marrom próxima à cama.

Ele adorava aquela poltrona, foi seu presente para Mu que também adorava ler sentado nela. Ele passou um tempo apenas sentado observando o braço velho da poltrona se questionando sobre sua idade já avançada, tal qual da poltrona.

— O que o senhor está fazendo aqui?

Shion estreitou os olhos.

— Mu, eu quero ajudar apenas.

— POIS EU NÃO PRECISO DE AJUDA.

Shion levou seus dedos aos seus pontinhos buscando paciência.

— MU....

Mu parou de falar, emburrado, cruzando os braços.

— Desfaça essa cara, Mu. Sabe o que você está parecendo? Um moleque birrento. Você está chateado e fica cheio de afrontazinhas e cara feia. Você não tem vergonha? Dá para conversar como adulto? Por que do jeito que você está me tratando parece uma criança que precisa ter a calça arriada e os fundilhos coloridos por belas palmadas.

O lemuriano revirou os olhos, mas no fundo sabia que aquilo era verdade. Ele precisava se recompor e conversar de uma maneira adulta com Shion por mais que não concordasse com o que ele falava ou com o que pensava sobre todos os assuntos que haviam discutido.

— Filho, por zeus... Precisamos dar um jeito nessa situação toda. Não é possível que você pensa que todos estão errados e você certo. Shaka acabou de deixar você, eu quase te expulso do santuário por insubordinação. Eu não sou apenas seu pai, eu sou MESTRE e presido esse santuário todo, você acha que posso deixar essas afrontas sem punição administrativa? Isso acaba com minha autoridade enquanto líder! Só não te tirei a armadura porque Camus tirou todos da sala...

O homem de cabelo lilás ouvia tudo sem se mover, sem expressões. Ele sabia que havia perdido a linha.

— E sobre Kiki e Shun...

— MEUS FILHOS NÃO! NINGUÉM FALA MAL DELES!

— Mas eu não estou falando mal deles, eles são ótimas crianças. Mas estão clamando por disciplina, assim como todos os outros fazem vez ou outra. Você entende nossas obrigações? Eles são máquinas mortais! Foram criados para extirpar uma cidade com apenas um golpe! Precisamos fazer deles pessoas justas e disciplinadas. A adolescência é o momento mais difícil e perigoso para eles se tornarem pessoas ruins ou então fazerem besteiras movidos por hormônios...

— Mestre, eu sei como educo os m...

— NÃO, NÃO SABE. Não sabe! Veja o que Kiki tem feito, veja o que Shun fez.

— Kiki faz traquinagens e shun... Eu ainda não entendi o que houve.

— Não disse que Kiki tem que ser esfolado. Disse que precisa de freio. E Shun, se você não sabe, pegou Hyoga e Ikki se beijando na frente da minha casa. Esse é o motivo desse ataque todo.

— Então é isso... Veja só, ele não tem razão de estar nervoso?!

— De estar nervoso SIM. De gritar em público, agredir o amigo, lançar um vaso no rosto do irmão e praticamente fazer sexo em público com qualquer um que aparece NÃO. Veja, ele pode ficar mal, deprimido, discutir com o namorado. Agora essas atitudes impensadas.... Veja Mu, veja!

Shion apontou para a casa, os quadros quebrados, a mobília revirada e tudo fora do lugar.

— Mu, Shun está fora de controle. Não digo que não seja motivado, mas não é justificável. Ele precisa ser trazido à realidade. Relacionamentos não dão certo, as pessoas muitas vezes erram, mas ele não pode sair de si.

Mu olhava para suas pernas resignado, seu mestre estava certo e ele não tinha argumentos para refutar a atitude de Shun.

— Só acho que bater não é a solução...

— Olha, eu não vou entrar nesse mérito. Também acho que não é necessário bater em toda situação e você é a melhor prova disso. Quantas vezes eu te bati?

— Há, vai dizer que foi pouco?

— Sim! Eu costumava deixa-los de castigo muito mais do que recorrer às punições corporais. Eram treinos pesados, eram dias ou semanas no quarto, eram cargas mais pesadas de estudo... Ou vai dizer que estou mentindo? Eu bati sim e não me arrependo de nenhuma surra que lhes dei, mas não eram o tempo todo.

Mu permaneceu calado.

— Eu sempre deixava uma aviso... Era primeiro uma bronca, as vezes uma segunda bronca antes de um castigo e sempre um aviso de que se certa atitude se repetisse vocês seriam punidos. Nunca me excedi com você para ficar essa mágoa toda e esse ódio por alguma punição.

— Mas eu não acho que o senhor foi injusto nenhuma vez...

— Então por que razão Mu? Qual o sentido em enfrentar Shaka e a mim?

— Eu apenas não quero Shun e Kiki passando por uma educação tão rígida. Não estamos mais em guerra. Os tempos mudaram...

— Mu, onde está Shun? Onde está Kiki?

Foi quando Mu começou a chorar.

— Eu não sei, mestre. Eu, eu não sei...

Mu começou a chorar copiosamente, o que levou Shion a se levantar e ir abraçar o pupilo que estava sentado na cama. Shion sentou-se ao seu lado e abraçou com seu queixo em cima da cabeço do adulto que parecia uma criança.

— Calma Mu... Calma filho...

— Vocês estão certos, eu sou um péssimo pai. – dizia entre soluços – Eu não consigo, eu não sei o que fazer... Eu só tenho medo que eles me odeiem, eu...

Shion parecia naquele momento entender tudo. Foi então que ele se levantou e sentenciou:

— Mu, eu entrei aqui decidido a fazer algo diferente, mas acho que chegou a hora de te mostrar mais uma vez o meu papel como seu mestre.

— O que?

Mu não tinha entendido, quando se deu conta Shion o puxava deitado sobre suas pernas.

— Mas o que o senhor pensa que está fazendo?

— Sabe, quando dizem que dói mais em mim do que eu você, não mentem. Se você soubesse – disse Shion abaixando a calça de pijama de Mu – o quanto é difícil para mim cada vez que eu precisava dar um tapa sequer em vocês...

PAFT aiiiiiiiiiiiiii mestre!

— Muitas vezes eu me sentia frustrado e machucado por dentro por vocês não me ouvirem, por não me obedecerem...

PAFT aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii mestre! Para! Eu não sou criança!

— Veja eu, um velhote, tendo que dar umas palmadas num adulto que perdeu a capacidade de dialogar, de me ouvir...

PAFT ai! Isso dói!

— Está na hora de você aprender uma lição sobre paternidade, Mu, mas antes vou te ensinar uma lição sobre ser um bom filho.

PAFT

PAFT

PAFT

PAFT

— Sabe, quando você gritou daquele jeito comigo na casa de aquário eu pensei que fosse sair de mim de raiva e vergonha por ter um filho já formado me tratando daquele jeito em público.

PAFT

— Nem em particular aquilo era admissível, imagine em público. Não sei como não peguei uma vara lá mesmo para acabar com sua birra! Você não se sente mal por me envergonhar?

PAFT

— HÃM? RESPONDA!

PAFT

PAFT

PAFT

— Sim, mestre, sim!

— E para piorar, depois ainda me afronta em meio a uma reunião com todos os seus colegas. Eu simplesmente não pude acreditar.

PAFT

PAFT

PAFT

— Camus teve que esvaziar a sala e encerrar a reunião por causa do seu showzinho!

PAFT

PAFT

PAFT

— Sem contar que sequer para Shaka, pai dos meninos também, você contou o que tinha acontecido. Você acha isso certo?!

PAFT

PAFT

PAFT

Um chorava copiosamente, tentando se desvencilhar de Shion sem sucesso algum. Foi quando seu mestre parou e o colocou sentado, o fazendo gemer de dor ao sentir o contato com a cama áspera.

Logo, Shion passou a desabotoar o cinto com calma na frente de Mu até dobrá-lo e apontar para ele.

— Agora Mu, vou te ensinar uma lição bastante dolorosa. Talvez a mais dolorosa de todas as lições. Meu filho, agora você vai aprender a parte mais dura de ser responsável por alguém.

... continua....