O Grande Dia

25 Capítulo XXV - Reunião e Explosão


Notas iniciais
Pessoinhas, quero explorar um pouquinho mais o Mu, ainda mais esse lado mais esquentado dele que não aparece em nenhuma das minhas outras fanfics. Well... Mu é um cara centrado, gentil, ponderado... Mas ele também é humano, e estou trazendo aqui uma pontadinha ariana (explosiva, mas não muito, afinal, é Mu) em sua personalidade. Beijos!

POV Mu

Arrumei-me rápido, mas sem correr, coloquei uma calça jeans e uma camisa com listras rosa, um sapão esportivo e estava pronto. Fui até a torre com passos rápidos, eu já estava mais de dez minutos atrasado, o que era imperdoável para Shion e completamente incomum para que que sempre fui extremamente pontual.

Tudo o que eu não queria era me encontrar com meu mestre, mas também não queria deixa-lo ter acesso a Shaka ao final da reunião. Sem contar que faltar numa das reuniões mensais era uma falta gravíssima para qualquer cavaleiro de uma constelação dourada, e acima de qualquer briga eu era responsável aos meus compromissos.

Cheguei, finalmente, e abri a porta da sala de reunião que ficava na torre do relógio. Obviamente todos pararam para me olhar. Shion com ar de reprovação, Shaka com um rosto de interrogação, Camus me olhou compadecido e os outros não demonstraram nada fora do comum. Andei devagar e silenciosamente até a cadeira vazia e sentei-me.

– Que bom que deu o ar de sua graça.

Eu revirei os olhos diante da ironia de Shion, claro, ele estava bravo comigo, não deixaria de me dar uma ou outra pontada irônica. Eu ignorei e ajeitei minha cadeira naquela grande mesa retangular onde estavam todos os cavaleiros de ouro.

– Pois bem, terminamos de ler a ata da reunião passada. Vamos começar apresentando a pauta da reunião de hoje. Primeiro eu trouxe o fluxo de caixa para vocês darem uma olhada, tivemos um grande gasto com problemas de encanamento nesse último mês.

– De novo? – Dohko se pronunciou.

– Sim, Dohko, o que me leva a crer que talvez seja melhor pararmos com esses gastos paliativos em locais problemáticos e que invistamos numa modernização do equipamento.

Foi então que comecei a ficar alheio a discussão acirrada que se instaurou na sala, parte pelos que acreditavam que os investimentos seriam bons e parte pelos que achavam que os gastos não deveriam ser feitos naquele momento de crise na Grécia. Eu não conseguia olhar para Shion e muito menos me preocupar com um problema tão pequeno diante do que eu estava encarando com Shun.

Permaneci mais dez ou quinze minutos alheio à discussão, pensando em Shun e no quanto ele devia estar sofrendo. Amar é difícil, ainda mais quando se é adolescente e não se consegue pensar com maturidade. Em algum momento decidiram o valor a ser gasto com os encanamentos obsoletos do Santuário, mas não me ative ao que foi decido. Somente ouvir Shion falando de Kiki me tirou de meus devaneios.

– Na última semana recebi três reclamações de amazonas sobre o Kiki entrar no território estritamente feminino e aprontar com poderes telecinéticos. – Shion disse, entregando as notificações das amazonas para Shaka que estava mais perto dele, com tom normal, seguindo a pauta da reunião.

Shaka pegou com o cenho franzido e leu nitidamente insatisfeito.

– Não se preocupe, Mestre Shion, tomaremos as providências necessárias – Shaka disse e o assunto parecia ter se encerrado. Vi Shion novamente lendo a ata e iniciando outro assunto.

– Sobre o campo de trei...

– Me deixe ver isso aqui. – Eu arranquei o papel das mãos de Shaka que me olhou intrigado enquanto eu interrompi Shion. – Não vejo problema nenhum nisso, ele estava perto do riacho e teleportou algumas frutas da árvore para o rio.

– O que? – Shion perguntou.

– Kiki é uma criança, só uma criança. Não sei se você sabe o que isso quer dizer, Shion. Ele não bateu em ninguém, não colocou a vida de ninguém em risco, apenas aprontou uma traquinagem boba. Quem ele mataria jogando frutas no rio?

– Mu... – Shaka falou, com cuidado, vez que percebeu que eu estava nervoso. – O local de moradia das amazonas é terminantemente proibido para homens. Esqueceu-se da regra da máscara...

– Kiki é só uma criança! Não fez nada de errado e não vamos tomar providência nenhuma sobre isso.

– Mu... – Shaka me olhou com os dois olhos abertos, pude ler em seu pensamentos que ele questionava da minha sanidade ao afrontar o mestre do santuário.

– O rio onde Kiki estava é onde as amazonas se banham, ou seja, onde elas entram nuas. Ele estava num local proibido e lá no local mais restrito e inaceitável para ele ficar. E, não contente em observar as mulheres tomarem banho, ignorando as regras do Santuário, ainda passou a utilizar seus poderes indevidamente para irritá-las, lançando coisas na água.

– Oh! É mesmo, mestre. O senhor está certo! Kiki merece a forca! Vamos enforca-lo hoje mesmo, o senhor pode ser o carrasco, que tal?!

Todos me olhavam consternados, pude ler em alguns pensamentos que aquela ironia contida não era do meu perfil. Pois bem, não era, mas eu não estava gritando, estava apenas fazendo valer o meu ponto. Kiki não tinha destruído nada, não havia machucado ninguém, e não fazia sentido ser elencado como um problema na pauta da nossa reunião mensal.

– MU! CHEGA DESSA PALHAÇADA! SEUS FILHOS ESTÃO FORA DE CONTROLE E A CULPA É SUA.

– Seus filhos? – Shaka perguntou perplexo.

– AH, ENTÃO ELE RESOLVEU ESCONDER O ATAQUE DE SHUN DE VOCÊ, SHAKA? MU, VOCÊ ANDA GRITANDO, RESPONDENDO, MENTINDO... NÃO SEI MAIS...

– Que ataque de Shun, Mu? – Pronto, Shaka estava nervoso.

– Er... Que tal deixarmos essa conversa para depois? – Camus tentou intervir, mas eu me levantei na hora indo para perto de Shion, se ele queria discutir comigo, que discutisse olhando nos meus olhos.

– Não sabe mais o que fazer comigo? – Eu perguntei, tornando seu pensamento uma frase. – Não sabe mais o que fazer comigo... Por que não me dá uma surra como sempre faz? É assim que resolve os problemas, não é?

Quando ouvi a porta se fechando, notei que Camus havia colocado todos para fora, sendo que lá dentro ficamos apenas eu, Shaka, Camus, Milo e Shion que me encarava com um olhar firme e severo.

– Não me provoque Mu, não me provoque...

Então ouvi um pensamento alto e direcionado a mim “Mu, por favor, mestre Shion está nitidamente nervoso e não acho prudente enfrenta-lo assim”. Era Camus.

– Cansei de sempre ser prudente para com nosso, mestre. – Respondi em voz alta – Acho que nesse momento preciso ser prudente com meus filhos.

– O que foi que aconteceu com Shun?! – Shaka era o único da sala que estava perdido naquela discussão toda.

Ouvi, então, Camus narrar o ocorrido sem muitos detalhes para o meu marido. Eu não tirava os olhos de Shion e ele não tirava os olhos de mim. Não conseguia ler sua mente, ele a estava bloqueando propositalmente.

– MAS ISSO É INACEITÁVEL! ELE TEM QUE SER PUNIDO! – Só ouvi Shaka dizer, o que me fez tirar os olhos do meu mestre e olhar com uma cara de poucos amigos para o meu marido. Ele não ia m desautorizar daquela forma, não naquela situação.

– SIM, EU PENSO EXATAMENTE DESSA MANEIRA. Não interessa o que motivou Shun, apesar de eu acreditar que ele tenha um bom motivo, a realidade é que ele teve um verdadeiro ataque histérico em público. Lançou objetos pelos ares, esbofeteou um amigo. Problemas todos nós temos, mas demonstrações públicas de descontrole são inaceitáveis para um cavaleiro de qualquer categoria.

– Mu, a sala estava toda mudada. Não foi um desejo de redecorar, como você disse, provavelmente Shun destruíu a sala e você tentou esconder de mim e... – Shaka parou de falar presumindo, muito bem, o que havia acontecido.

– Shaka, nós conversamos em casa... – Eu disse, sério, o encarando. Normalmente Shaka, por ser rígido e intransigente, acabava por dar a última palavra, mas por Zeus ele percebeu que eu não estava bricando.

– Mestre Shion, eu vou falar apenas uma vez... Não se meta na educação dos meus filhos!

Num segundo vi Shion bufar, Camus tentar segurá-lo sem sucesso, e então senti um cacoalhão no meu colarinho.

– Mais respeito seu moleque!

– Vai me bater? Acha que isso adianta algo?

– Pois eu devia Mu, eu devia...

Foi então que ouvi a voz grossa de Shaka.

– Solte o meu marido.

E senti as mãos de Camus sobre mim e sobre meu mestre.

– Vamos todos nos acalmar. Mestre, por favor, Mu está nervoso, ele está passando por problemas sérios com Shun. E Mu, por favor, Shion só quer ajudar...

Aproveitei que o apertão de Shion havia afrouxado e me soltei, dando-lhe as costas.

– Vamos Shaka.

Sai com meu marido daquela palhaçada toda, já sabendo da fúria que Shion sentia e que eu teria que agora aguentar Shaka também.

oOo

POV Camus

Eu não estava acostumado a fazer aquele papel de mediador, e, para ser honesto, não acho que me sai muito bem. Mas foi difícil, eu estava atônito com Mu, ele nunca enfrentou meu mestre assim, na verdade, eu acho que ninguém na história enfrentou meu mestre assim e viveu para contar a história.

Eu ouvi a porta bater com força quando Mu saiu com Shaka, Milo estava no canto da sala roendo as unhas, e Shion que estava paralisado, de repente, bateu com força na mesa.

– Mu se esqueceu quem manda nessa merda! – Vi Shion desabotoando o cinto de suas calças e sair andando em direção à porta – Mas eu vou lembra-lo disso!

Milo abriu os olhos e deu um pulinho, roendo o canto da boca. Aquilo me incomodava um pouco, eu sabia que, no fundo, meu escorpiano assistia a aquilo tudo com a mesma empolgação que tinha com suas novelas. E, eu também sabia, fofoqueiro como era, que os outros cavaleiros saberiam da história com detalhes.

– Mestre, por favor!

– Não Camus, onde essa história vai parar?! Eu deixei barato da última vez e veja, agora ele me desafiou na frente de todos!

– Mas Mu já é adulto, pai...

Shion respirou fundo, fechou os olhos levando dois dedos até as pontinhas em sua testa. Ele sempre fazia aquilo quando ficava nervoso.

– Está na hora de vocês aprenderem que a paternidade não se encerra com a maioridade, Camus. Eu os eduquei para serem homens honrados e agradecidos por toda a existência de vocês, e se vocês erram eu estarei sempre aqui. Acho que não deixei claro, mas é hora de Mu aprender que nunca se é velho demais para uma boa lição...

Notas finais
Sei que a história aqui parece que vai tomar um rumo, mas acho que vou surpreende-los. De qualquer maneira espero os reviews... Beijos!!!