O Grande Dia

26 XXVI - Se essas Escadas Falassem...


Notas iniciais
Bom pessoal, como vocês viram, várias histórias paralelas se desenvolveram e eu não posso perder o "fio da meada". Bom, então esse é um capítulo que alinha tudo traz a tona um ponto central dessa história (leia na sinopse dessa fic depois do capítulo para entender). Bom, é isso aí, já já vem um capítulo com mais emoção. Eu espero que gostem. Beijos lindonas!!!

XXVI — Se essas Escadas Falassem...

POV Milo

O mais engraçado daquilo tudo era que eu tinha acabado de perder meu casamento, tinha acabado de ver meus dois filhos quase de matarem, vi meu noivo quase esfolar meu filho mais velho e ainda tinha que lidar com as tretas dos outros.

– Onde você está indo, Camus?

– Como onde estou indo? Não viu o estado que Shion saiu daqui? Alguém precisa segurá-lo!

– Ah, mas ele e Mu que se danem! Nós ainda não conseguimos conversar!

Vi Camus parar na porta, oscilar seu olhar entre mim e o mestre que se afastava.

– Milo, por favor...

– NÃO TEM POR FAVOR! Eu sempre sou deixado por último!

Vi Camus parar e cruzar os braços me olhando, porém sem dizer nada. Bom, ao menos ele não tinha me ignorado e saído para resolver problemas alheios.

– Tudo bem, Milo, você já viu que a história é verdadeira! Eu não planejei arruinar nosso casamento, pelo contrário, tudo que fiz foi na tentativa de não estragar nosso casamento, de não deixa-lo nervoso, não fazer você perder o momento. Sim, não deu certo! No nervosismo eu deixei meu celular em casa, Shion ficou sem o dele, nada ocorreu como eu queria, Milo.. Nada!

Meus olhos ficaram mareados, Camus realmente estava falando com muita emoção, muita tristeza.

– Eu te amo mais que tudo, você é a razão dessa minha existência não ser vazia. Sem você nada tem cor, a comida não tem gosto... – De repente Camus percebeu que estava se excedendo na declaração, mudou a postura e se conteve. – Milo, nada do que aconteceu foi culpa minha. Será que não dá pra você me perdoar?

– Ah, Sr. Camus! Se você não tivesse quebrado o trem, a polícia não teria...

– Ah Milo! Faça-me o favor! Você queria que eu tivesse deixado Isaac fugir?!

– Mas claro que não! Está louco?

– Milo, você é tudo para mim. Chega. Chega disso... – Camus foi se aproximando – Não seja infantil, você já viu que eu jamais quis e largar no altar! Eu nunca faria isso com você, nunca! – E então ele me abraçou e me segurou na parte de trás do meu pescoço. – Casa comigo, Milo?

– Hãm?

– Eu não desisti de casar com você, nem de te dar o casamento que você sonha...

– Mas gastamos tanto no último casamento que não aconteceu...

– Isso não importa, só quero ver um sorriso no seu rosto novamente. Porque não preparamos tudo novamente? O que acha de casarmos em duas semanas? Já temos os fornecedores... É só ver se eles tem disponibilidade...

Dito isso, Camus enfiou a mão no bolso e tirou uma caixa maravilhosa.

– É seu, não pude te dar antes.

Eu peguei com as mãos trêmulas, era um relógio maravilhoso de uma marca suíça. Eu estava feliz, mas ainda ferido. Um novo casamento seria o momento perfeito para limpar minha imagem de largado no altar.

Camus percebeu que eu não estava completamente feliz, mas que estava emocionado por seu esforço. Claro que eu não ficaria feliz do dia para a noite, meus nervos estavam cansados até para ser sarcástico.

Não respondi, apesar de querer. Tudo que consegui foi sorrir amarelo e segurar no braço de Camus enquanto saíamos da torre, em direção às escadarias.

POV Shaka

Eu estava extremamente irritado, porém me contive ao máximo com Mu que estava literalmente fora de seu juízo perfeito. Como ele pode afrontar Shion daquela maneira? E como pode acobertar Shun depois de tudo que ele havia feito? Não, eu não permitiria aquele tipo de comportamento de forma alguma.

Se eu precisasse brigar com Mu, eu o faria, mas não deixaria Shun se desvirtuar. Vimos o que aconteceu com os filhos de Camus, com Ikki e com tantos outros adolescentes nos arredores do Santuário. Meu filho não seria mais um na estatística de bebedeiras, drogas e cenas públicas que apenas envergonham nosso nome e reputação.

Por mais que eu quisesse voar no pescoço de Mu, aquela reunião não era hora nem lugar. E enquanto descíamos as escadarias também não, nós chegaríamos em casa e discutiríamos direitinho essa palhaçada toda e Shun ia me ouvir, ah, se ia.

Logo na porta eu e Mu percebemos que Shun não estava lá dentro, pela ausência do seu cosmo.

– E agora Mu, onde esse moleque se enfiou?!

POV Shun

Se Hyoga pensava que podia me trair daquela forma, ainda mais com o meu irmão, e sair dessa ileso, estava muito enganado. Eu iria me vingar, e como iria! E começaria fazendo com que ele sentisse o gosto do próprio veneno.

Saí apressado pelas escadas do Santuário em direção à casa de touro. Bati na porta afoito e agradeci aos céus quando quem atendeu foi Jabu.

– Oi Shun!

Jabu atendeu me olhando com cara de sono e coçando a cabeça, eu logo, sem pensar, me lancei nos braços dele e o beijei com ferocidade. Não, eu não gostava de Jabu, mas ele me amava há muito tempo e Hyoga o odiava, naquele momento isso bastava para mim.

E o puxei pelo colarinho para fora da casa e lhe dei a mão, o guiando para os pátios. Se era para fazer aquilo, que fosse bem feito, que fosse para todos verem. Hyoga não se importou ao me trair num lugar público, eu também não me importaria.

– Mas Shun, o que está acontecendo? E Hyo...

Eu o calei colocando meus dedos delicadamente em seus lábios, embora minha vontade fosse dar-lhe um soco na boca quando comecei a ouvir aquele nome tão asqueroso. Tentei parecer romântico e apaixonado, a fim de que ele não recuasse ou desistisse.

Paramos no pátio central, e começamos a nos beijar. No começo os beijos tímidos de ambos foram tomando força, eu fui colocando minha raiva para fora e Jabu passou a externar todo seu desejo reprimido por mim por tantos e tantos anos.

Eu, então, me entreuei ao momento como nunca antes fizera. Pouco me preocupei em ferir os sentimentos de Jabu, apenas queria que todos me vissem me agarrando com aquele idiota e todos soubessem que eu havia trocado Hyoga.

Quando dei por mim, já estávamos sem camiseta, com as calças abertas, nos atracando como dois animais do cio. As roupas estavam jogadas, estávamos cheios de marcas e chupões. De repente, sentimos um puxão forte nos separar.

POV Shion

Descia as escadas nervoso, enquanto decidi colocar meu cinto novamente na bainha para parecer menos ridículo. Onde Mu estava com a cabeça? Que ele pensava que eu era para auentar aquela espécie de afronta depois de tudo que fiz por ele?

Em meio aos meus pensamentos desconexos, percebi que as pessoas me encaravam, eu devia realmente parecer nervoso, mas não me importava ou notava muito os olhares curiosos desses transeuntes.

Foi então que lá pelas escadarias da casa de touro um homem passou ao meu lado e eu parei de andar. Fiquei estático olhando para um ponto no horizonte. Não podia ser, não, não ele. Respirei fundo, olhei para trás e encarei aquela figura tão conhecida subindo as escadas.

Num ímpeto corri até ele e o levantei pelo colarinho o prensando na parede, vi em sua mão um convite de casamento amassado e sujo.

– O que você pensa que está fazendo aqui?!

– Ora, um homem não pode visitar seu filho? – Respondeu ele, num sorriso irônico.

– Camus não é seu filho!

Notas finais
REVIEEEEW please!!!