O Grande Dia
21 Capítulo XXI – Encontros, Desencontros e Traições
Notas iniciais
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POV Camus
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– Diga, Milo, fale por tudo que você passou.
– Eu... – Vi o aquariano ficar sem reação.
– Espere, vou chamar Hyoga aqui também. Isaac, pode vestir suas calças.
Caminhei até a porta enquanto vi pela visão periférica Isaac vestindo a cueca e a calça jeans fazendo uma careta em virtude da dor que sentia. Aquela tinha sido uma surra inesquecível, eu mesmo precisava reconhecer.
– HYOGA!
Eu gritei da porta do quarto e não obtive qualquer resposta. Tornei a chama-lo mais uma vez, sem sucesso algum.
– Milo, onde está Hyoga?
– Eu não faço ideia, não o vejo desde que ele foi buscar você.
Abaixei a cabeça pensando, a última vez que eu o havia visto foi na porta da casa do mestre Shion, ou seja, Hyoga não voltou para casa logo depois de mim, aproveitou o momento delicado para ficar passeando pelo santuário, mesmo sabendo que estava de castigo.
– Mas ele só pode estar brincando comigo! É realmente testar a minha paciência!
Eu disse, nervoso, enquanto pegava meu celular e ligava para Shion, já que foi o último lugar em que vi meu caçula, talvez Shion soubesse de algo.
– Alô, mestre?
– Pode falar, filho.
– O senhor está em casa?
– Estou chegando, por quê?
– Desde que estive aí, não vi mais Hyoga que estava de castigo e aproveitou a situação para escapulir. Pensei que o senhor talvez o tivesse visto...
– Não, Saori e Ikki estão nos quartos, só se... Um minuto.
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POV Shion
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Fui até o quarto de Ikki ver se sabia onde Hyoga estava, porém quando abri a porta não o vi lá. Franzi a testa e abri a porta do quarto de Saori que estava quieta estudando.
– Princesa, você sabe onde está Ikki? – Eu estava nervoso por Ikki ter me desobedecido, mas não com Saori.
– Olha mestre, eu não sei onde ele está, mas ouvi ele conversando com o Hyoga.
Eu afaguei os cabelos dela.
– Tudo bem, Saori, acabou o castigo, pode sair. Mas eu não quero mais ver você se engalfinhando com o Ikki como eu vi.
– Mas foi ele que...
– Eu não quero saber. Se ele te provocar você me chama ou me liga se eu não estiver em casa e eu tomo as providências. Eu não quero ver vocês dois brigando novamente.
– Tudo bem...
Ela respondeu geniosa, Saori não era fácil. Sai do quarto dela deixando a porta aberta e caminhei até meu escritório onde peguei a palmatória antiga que eu tinha, uma grande e larga, de madeira, com vários furos.
Eu havia prometido ao Ikki, na última vez que ele fugiu de um castigo, que se isso voltasse a acontecer ele apanharia onde eu o encontrasse com a palmatória. Agora ele decidiu me testar e eu sou, definitivamente, um homem de palavra.
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POV Hyoga
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– Bú
– Ikki!
Eu olhei para aquele delinquente que só me trouxe problemas no passado me perguntando o que raios ele queria comigo. Ele me olhava de uma maneira, parecia que ele me despia com os olhos, e aquilo estava realmente me irritando.
– Tchau! – Virei as costas, revoltado a atitude dele.
– Hey, hey, calma... Qual o motivo de tanta pressa hein? – Ikki perguntou, me puxando pelo braço e me encurralando aos poucos na parede da casa.
– Eu tenho que voltar para a minha casa Ikki. – Eu respondi sendo cada vez mais prensado na parede pelo próprio corpo de Ikki.
– Mas a gente nem pode conversar...
Dessa vez Ikki que já estava completamente grudado em mim que fiquei entre ele e a parede, começou a se insinuar falando muito perto de mim e deu um leve beijo no meu pescoço, o que foi o suficiente para todos os pelos do meu corpo se arrepiarem. Eu, sempre tão acostumado a tomar uma postura mais ativa com Shun, fiquei quase sem ação.
– Olha só como você gosta...
Ikki com a mão direita agarrou o meu cabelo sem machucar e puxou minha cabeça para cima me fazendo fechar os olhos enquanto ele apertava mais o corpo dele contra o meu, sendo que já era possível nos sentirmos excitados.
Eu precisava parar aquilo, eu não podia fazer isso com o Shun. Mas meu corpo não me obedecia, o toque de Ikki era algo que me tirava do chão. Esse jeito dele de comandar a situação sem qualquer esforço era algo completamente novo para mim.
– Ikki, chega...
Quando comecei a falar, ele apertou a mão que estava na minha bunda e num repente me beijou. Não foi um beijo terno, mas sim um beijo desesperado, em que nossas línguas se enroscavam num frenesi intenso. Eu tentava empurrá-lo, mas aquilo parecia só aumentar o tesão que havia entre nós.
Então eu consegui o empurrar com força, e continuei a encará-lo, ofegante, tentando me recompor. Ele olhou para mim e riu, sem se preocupar em esconder a protuberância que aparecia em suas calças.
– Você me quer, Hyoga, confessa.
– Não quero nada, Ikki... Você é louco!
– Sssssh... – Ele falou o dedo indicador na minha boca delicadamente – Você me quer, não lute contra isso.
Mais uma vez me vi sendo prensado na parede pelo corpo de Ikki, que me paralisava de tanto tesão só pela proximidade. Eu respirei fundo e quando ia xingá-lo, senti minha boca sendo invadida novamente pela língua feroz do leonino.
– Chega Ikki, me solta! Eu...
Ikki me prensou mais forte, com uma mão na minha bunda, por dentro da minha calça me apalpando com vontade. Aquilo estava uma delícia, eu só pensava em explorar mais aquele homem que estava comigo, mas eu não podia, eu não podia fazer isso.
Então, ele com a mão na minha bunda e a outra segurando meu cabelo, se aproximou ainda mais do meu ouvido e disse baixinho, mais uma vez me arrancando arrepios.
– E eu sei agora que você me quer, patinho.
– Eu não quero saber de você! – Eu gritei.
– Ah, sim, você quer!– Ele sussurrou ainda mais baixo – E eu quero você, e esse cu aqui é meu, Hyoga...
Ele disse puxando meu cabelo com mais força, mas sem machucar muito e, para a minha surpresa, com a mão que me apalpava, deslizou um dedo e enfiou um pedaço em mim. Aquela sensação que eu nunca havia sentido me tirou do chão e foi a minha vez de agarrá-lo num beijo desesperado. Eu sabia que não devia, minha mente não queria, mas meu corpo não me obedecia.
– Isso, assim eu gosto, bom menino... – Ele zombou me beijando enquanto continuava com um dedo se movimentando em mim, me fazendo ver estrelas.
Eu enrubesci quando me toquei que estávamos em público e qualquer um poderia nos ver, então olhei em volta e vi a pessoa que menos queria ver naquele momento.
– Shun...
– Shun não está aqui, Hyoga.
– Shun!
Ikki parou e olhou para trás, era Shun longe de nós, nos encarando com os punhos cerrados e um olhar traído. Eu nunca me odiei tanto em minha própria vida, como eu pude fazer isso com Shun? Como?
Shun se virou chorando e saiu correndo pelas escadarias do santuário, sem olhar para trás. Eu me libertei de Ikki e sai correndo, mas fui impedido por ele que me puxou de lado e tapou minha boca enquanto nos escondia atrás de um pilar.
– Shhhhhhhhhh... Shion!
Ele murmurou, enquanto ouvimos Shion falar ao telefone entrando na casa. Pude ouvir que era com Camus que ele falava... Camus! Não acredito! Eu estava ferrado! Esqueci-me que estava de castigo, Ikki me tirou do prumo. Na verdade eu não me esqueci, Ikki me segurou. Desgraçado. Agora eu tinha dois problemas: Shun e Camus.
Logo que ouvimos a Saori nos delatar, saímos correndo pelas escadarias, ou melhor eu sai correndo para encontrar Shun e Ikki corria desesperadamente atrás de mim. Eu só me perguntava se Shun iria me perdoar... Só isso que eu queria saber.
Eu corria sem parar, quase sem respirar. Eu não tinha tempo para isso. Também não podia impedir Ikki de correr atrás de mim, na verdade eu não perderia um minuto mais com ele, se queria me seguir, ótimo, mas eu não falaria com ele.
– HYOGA!
– ME DEIXA IKKI, VOCÊ JÁ CAUSOU PROBLEMAS DEMAIS.
– CALMA, A GENTE PODE CONVERSAR COM O SHUN!
– FIQUE FORA DISSO, SEU IMBECIL! VEJA SÓ TUDO QUE CAUSOU!
– AH SIM, PATO, EU PRATICAMENTE E ESTUPREI! VOCÊ É UM SANTO...
– NÃO TENHO TEMPO PARA AS SUAS IRONIAS AGORA!
Era possível ouvir a gritaria na escadaria facilmente, eu deveria ter pensado nisso antes, pois quando passávamos pela casa de aquário ouvi um grito. Obviamente meu mestre deve ter me ouvido gritar e descobriu onde eu estava.
E tudo o que eu não precisava naquela hora em que tudo que importava era encontrar o meu Shunito, era o meu pai no meu pé por ter cabulado o castigo. Eu respeito ele, entendo seus motivos, mas naquela hora o que mais importava era o meu Shun...
– HYOGA, VOLTE AQUI AGORA!
Era a única voz capaz de me fazer parar naquele momento, meu mestre Camus me ordenando para parar de correr e voltar para a minha casa. Eu parei e olhei para ele com lágrimas nos olhos.
– Mestre, agora eu não posso, eu volto e te explico depois!
Então, desatei a correr novamente, sabendo bem o que desobedecer acarretaria.
– HYOGA, SE VOCÊ SABE O QUE É BOM PARA VOCÊ, PÁRE AGORA MESMO!
Eu parei novamente. Era muito difícil desobedecer ao mestre Camus daquela maneira, ainda mais quando ele me ameaçava tão contundentemente, mas eu tinha um Shun magoado para lidar. Virei-me novamente ignorando meu mestre e comecei a andar rápido pegando o ritmo da corrida, quando senti um puxão muito forte na minha orelha.
– Aaaaai!
– Você não ouviu seu pai?
Era Shion, agarrou uma das minhas orelhas e uma das orelhas de Ikki e nos arrastou até a casa de aquário, por mais que eu tentasse me soltar para correr para o meu Shun, não conseguia. Tudo que eu pensava sendo arrastado para dentro de casa era no quanto Shun deveria estar magoado comigo e isso fazia meu coração se apertar e meus olhos se enxerem de lágrimas.
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