O Grande Dia
5 Capítulo V – Hospital
Notas iniciais
POV Camus
Chegue correndo no hospital, nem me lembro ao certo onde larguei o meu carro, só conseguia pensar no estado em que meu filho estava. Aquilo tudo era culpa minha, Mestre Shion tinha razão, fui displicente com meu filho e com a sua rotina. Eu jamais me perdoaria se acontecesse alguma coisa com ele, jamais!
Quando me vi estava quase gritando com a recepcionista, tentando descobrir onde Isaac estava. Nesse momento senti uma mão apertando meu ombro, era Milo, eu senti um alívio ao vê-lo não tão desesperado quanto eu estava.
– Calma, amor. Isaac deve estar bem.
Ele continuou conversando com a moça até descobrir com quem deveríamos falar sobre o caso do nosso primogênito, eu sabia que ele estava se segurando e que estava maluco com o estado de Isaac.
Demorou alguns minutos, mas assim que obtivemos a informações corremos até o quinto andar para ter com o Dr. Acco. Uma das enfermeiras nos sentou na sala de espera e disse que ele já nos atenderia. Eu conhecia bem esse médico, era ótimo, professor comigo na universidade.
– Olá Camus!
– Acco! Como está meu filho? – Perguntei quase em desespero.
Ele olhou para os lados e viu que havia mais pessoas na sala de espera, acho que por nos conhecermos e saber o quanto eu era reservado, me chamou para conversar na sala dele junto com Milo.
– Pelo amor de Zeus, diga logo! – Eu disse, implorando, ao chegarmos.
– Camus, primeiramente, saiba que a situação de Isaac está controlada e ele vai ficar bem.
Ele falou me olhando diretamente nos olhos, profundamente, eu respirei aliviado e Milo soltou um gemido de satisfação. Isso deu a ele combustível para continuar.
– O que aconteceu foi um daqueles grandes shows adolescentes. Ele foi encontrado pela polícia que fazia uma batida naquele bairro que é conhecido como zona de drogas chamado Koppolit, o trouxeram as pressas junto com um amigo dele chamado Ikki.
Eu e Milo estávamos atônitos, nenhum de nós proferiu uma palavra, apesar a pausa silenciosa do Dr. Acco. Acho que nossos olhos ficaram vidrados, pude ver lágrimas escorrem na face do meu noivo.
– Fiquem calmos. Isaac não teve uma overdose, mas quase entrou em coma alcoólico, motivo do desmaio. Ele tem alguns machucados em decorrência de algum tipo de briga que sofreu, mas nada preocupante. Ele já está recebendo soro glicosado e já deu sinais de que acordará em breve.
– Então ele não se drogou?
Eu perguntei, preocupado, Acco de remexeu na cadeira.
– Questionei Ikki sobre o ocorrido, antes dele ser levado à delegacia. Ele me disse que Hyoga fumou um cigarro de maconha.
Apertei minhas mãos nos braços da cadeira onde estava sentado.
– Por que Ikki foi levado à delegacia?
– Além da briga, foi pego utilizando cocaína.
Milo tapou a boca com a mão, eu obviamente me preocupei, mas precisava pensar em um adolescente de cada vez. Se Ikki já havia recebido alta do hospital é porque estava bem. Mandei uma mensagem pelo celular para Shion para que resolvesse o problema de Ikki preso.
– Mas então não temos certeza que Isaac não é usuário de drogas, apenas a versão de Ikki dos fatos.
– Bom Camus, tendo em vista que somos amigos e que o conheço bem, tomei a liberdade de pedir exame de sangue para essa análise. Com exceção da maconha e do álcool, Isaac está completamente limpo. Não foi mais que uma travessura que passou dos limites.
Foi quando relaxei, coloquei os dois cotovelos na mesa apoiando minha cabeça nas mãos e me deixando respirar. Milo estava chorando há algum tempo, mas diferentemente do normal, de maneira silenciosa, acho que não queria piorar ainda mais a situação.
Acco levantou-se e colocou uma das mãos no meu ombro e me olhou.
– Está tudo bem, sei o que você está passando, ser pai de adolescentes não é fácil. Vamos, venha ver Isaac.
Fomos conversando até chegar ao quarto, até então com Milo em silêncio. Quando chegamos, a cena foi no mínimo chocante, Isaac estava desacordado e monitorado por diversos aparelhos que indicavam sua pressão e batimentos cardíacos. Havia tubos interligados aos seus braços que transmitiam soro e remédios, creio eu.
Seu rosto tinha um roxo avermelhado, provavelmente deixado por um soco de algum homem forte. Já sua costela estava enfaixada, talvez resultado da briga também.
POV Milo
Eu estava conseguindo me segurar, cada segundo era uma tormenta, mas eu não podia me deixar desesperar com Camus bravo. Ele precisava do meu apoio e da minha força e eu daria isso a ele.
Mas meu plano foi por água abaixo quando vi meu menino deitado naquela cama de hospital cheio de tubos e aquele bando de aparelhos que apitavam mais que trem em ferrovia! Não, aquilo não estava certo, ele era tão frágil, tão criança naquela situação.
Não me aguentei e o abracei, apertando forte.
– Meu bebê!!!
Com certeza soltei algum aparelho, já que começaram apitos desesperados na sala, enfermeiras tentaram me soltar de Isaac sem nenhum sucesso. Eu estava chorando desesperado agarrado ao menino que quase tinha morrido.
– Isso é minha culpa! Minha culpa! Eu sabia que ele andava fazendo coisa errada e não fiz nada...
Soltei, enquanto chorava, quando Camus me encarou sério.
– O que?
Oh-oh, mais uma vez havia falado demais. Mas eu precisava tirar aquilo de dentro de mim, eu havia visto ele fumando cigarros diariamente e uma vez o vi fumando um cigarro, digamos, suspeito com Ikki.
Como não tinha certeza do que era e se era o que eu desconfiava, acabei por deixar de lado com medo do meu geladinho dar uma surra no menino. Tentei tanto me aproximar, mas quando mais eu chegava perto, mais Isaac me afastava.
Ouvimos, então, de repente, uma tosse. Era Isaac acordando! Eu não podia acreditar, ele estava abrindo os olhos e se mexendo, talvez eu o tenha apertado demais e o despertado do estado em que estava.
Camus logo se esqueceu de mim e olhou para o menino prontamente.
– Isaac, consegue me ouvir? Filho?
Passaram alguns momentos, ele parecia confuso, Camus o auxiliou a se sentar enquanto ele olhava em volta como quem se situa num ambiente novo.
– ... sim...
Foi quando Dr. Acco assumiu a situação chamando duas enfermeiras que começaram a medir os sinais vitais de Isaac, enquanto ele o examinava.
– Está me enxergando bem, Isaac? – Disse ele apontando um objeto iluminado de médico em direção aos olhos de Isaac, eu nunca soube o nome desses aparelhos, apenas Camus entendia do assunto apesar de não ser da área médica.
– ... sim...
Isaac respondeu fechando um pouco os olhos, incomodado com a luz.
– Você sente esses toques?
O Dr. Acco perguntou testando cada membro de Isaac, braços, tronco, pernas. Ele reagia a todos, demonstrando dor nas costelas.
– Você se lembra do que aconteceu?
Isaac olhou para o médico com o rosto um pouco consternado, talvez até um pouco confuso, depois desviou o olhar para Camus que logo deve ter percebido que o menino se lembrava muito bem de tudo e devia estar receoso das consequências dessas maluquices. Meu noivo suspirou e cruzou os braços na altura do peito estreitando os olhos.
– O Doutor lhe fez uma pergunta, Isaac.
Camus disse, ríspido e severo. Ah, ele não dava desconto para esses meninos nem nessas horas, era impressionante!
– Me lembro em partes.
Ele respondeu baixinho, aquilo era o suficiente para Dr. Acco perceber que ele estava com medo e não com algum tipo de amnésia. Camus virou-se pegando o celular e ligando para alguém.
– Mestre?
Ah, estava ligando para Shion na certa.
– Sim, sim, o senhor já está na delegacia? Ok... Podemos nos encontrar na minha casa?
Eu queria conseguir ouvir o que o chifrudo dizia para o meu noivo, mas não conseguia...
– Isaac está bem, mas não sei quando receberá alta, vou conversar com o médico e te dou informações.
Depois disso veio um longo silencio, provavelmente Shion devia estar contando a mesma história que o médico nos contou, mas na versão dos policiais. A face de Camus era de preocupação, ele passava a mão pela testa descendo pelos cabelos.
– Precisamos dar um jeito nisso, não pode continuar.
Shion continuava falando, ah, que ódio, o que não podia continuar? O que? Eu odiava ficar de fora das conversas. Foi quando notei Isaac bem atento à conversa entre os dois. Ah, aquele menino não era bobo, na verdade era muito mais ligado nas coisas que Hyoga, tanto que passara despercebido até agora.
Camus estava certo, aquilo tinha que parar, e dessa vez eu estava decidido a não interferir. Eu não perderia meu menino para as drogas ou alguma gangue que ele resolvesse entrar junto com Ikki. Eu estava decidido a fazer qualquer coisa para coloca-lo no prumo, se isso fosse possível.
– Tudo bem mestre, vejo o senhor em seguida. Obrigado...
Camus desligou, após agradecer Shion com a maior sinceridade que vi. Era engraçado, Shion era o que Camus tinha mais próximo de um pai, já que fora criado por um crápula sádico. E eu sei que ele estava incomodado por ter sido desrespeitoso com Shion naquela manhã.
Camus virou-se para o médico que era amigo dele, o que me incomodava um pouco, como Camus conhecia tanta gente? E aquele médico era bem interessante... Mas logo afastei aquele sentimento ciumento da minha mente.
– Quando você acha que pode liberá-lo?
– Bom, normalmente eu o deixaria em observação por mais um dia, mas como conheço você sei que ele ficará bem em casa, contanto que fique em REPOUSO. Todos os exames estão bons e os sinais estabilizados há muito tempo.
Camus apenas concordou com a cabeça, enquanto eu dava pequenos pulos de alegria em ter meus dois meninos em casa comigo. Havia lugar melhor? Claro que não! Eu poderia dar uma alimentação decente e não aquela gororoba servida em hospital, bem como poderia deixa-lo mais confortável com travesseiros de pluma e cobertas que trouxe da França. Ah, sem falar nos aromatizadores que comprei na minha última viagem em que visitei os campos de lavanda!
Camus acompanhou calado as enfermeiras tirando as sondas e agulhas de Isaac, o encarando sério. Enquanto isso eu tagarelava para meu filho sobre como ele ficaria confortável nos próximos dias, mas ele parecia não me ouvir, apenas olhava com afronta para Camus.
Ele finalmente pode levantar-se, com muita dificuldade, após Camus assinar todos os papéis de liberação. O menino teve de ir amparado por mim e Camus até o carro, e gemeu alto quando Camus fixou o cinto de segurança e afagou seus cabelos.
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