O Golpe

3 O começo de um GOLPE inescrupuloso


Notas iniciais
Antecipei a postagem que seria só segunda para hoje. Não posso deixar de agradecer do fundo do coração aos reviews lindos da CarOli, Ana Camila, Bruniele e Fofura. Meninas obrigada pelas palavras de carinho e os elogios. É uma sensação tão boa ver que vocês compram e ainda curtem as minhas ideias malucas. Sou muito grata pela receptividade sempre maravilhosa com a qual acolhem cada nova história que eu posto aqui. Eu só tenho a agradecer a isso de verdade. Segue o capítulo abaixo:

"Boa noite, 911. Samuel falando, com que falo por gentileza?"

Por um segundo ele hesitou se devia seguir mesmo com aquilo. Seria arriscado se envolver, sem contar também que poderia dar muito ruim para ele. Se pegasse apenas a grana e fugisse dali com ela e tudo mais de valioso que achou, seria melhor e correria riscos zero. Mas em contrapartida poderia perder a chance de conseguir mais do que somente aquele 'achado'. Então, outra vez em sua vida miserável, a ganância falou mais alto que qualquer senso lógico e Will resolveu arriscar tudo para ter muito mais.

"Sou William, acabei de encontrar um carro e duas vítimas fatais no fundo de um barranco."

"Ok, senhor William. Estava com as vítimas?"

"Acabei de dizer que os ACHEI.", rosnou a última palavra. Que atendente mais burro.

"Ok. Me passe a sua localização e estaremos designando viaturas e o resgate."

Ele repassou onde poderia ser encontrado. Ouviu o sujeito do outro lado da linha digitar as informações que ia lhe passando. Logo que acabou o atendente lhe avisou que o mais rápido possível o socorro estaria chegando ao local."

***

Sentado e pensativo na sala de espera da delegacia, William repassava outra vez toda a história mirabolante a qual inventou para não cometer falhas que lhe prejudicassem.

Após a ligação para a emergência ele se sentou no meio fio e bolou um plano bem ousado, que consistia em não fugir com aquela grana toda que encontrou e sim, aproximar-se da garota da foto. Pelo que pode deduzir com os dizeres dela na fotografia, ela era filha única e como tal, seria a herdeira absoluta dos pais que a seu ver eram ricos, milionários talvez. Sendo assim, ele tentaria conquistar a garota, casar com ela, depois lhe arrancar tudo e sumir no mundo com a grana dela. Um ótimo plano se tudo saísse como ele arquitetava. Fingiria ser um velho conhecido dos pais dela e tentaria a envolver. Certamente, ela estaria vulnerável com a perda e suscetível a qualquer aproximação carinhosa de apoio. Com tal plano em mente ele esperou a polícia chegar para dar "vida" ao plano.

Mais de uma hora depois os tiras chegaram no local do acidente e Will que já estava com tudo meticulosamente armado em sua mente inescrupulosa, pôs em prática seu golpe.

Interpelado pelos polícias a respeito se conhecia o casal morto, Will disse prontamente que sim, que ele era amigo de Charlie Sidle, o morto, mas que fazia muitos anos que não o via até poucas horas atrás, quando eles dois se encontraram coincidentemente no estacionamento de um restaurante.

Will havia achado um comprovante de um restaurante no porta-luvas depois de encontrar a valise com o montante valioso, e se valeu do ticket para dar veracidade a sua história.

Ele ainda relatou aos polícias que conversou por uns bons minutos com o casal Sidle e depois se despediram com a promessa de se encontrarem para um almoço muito em breve.

Quando questionado em como soube do acidente, ele contou sobre seu carro, que deu defeito justo ali e assim, coincidentemente, descobriu sobre o carro do ''amigo'' caído no fundo do barranco e pagando de bom moço ainda entregou a valise com TODOS os bens preciosos que encontrou. Notou que os policias se entreolharam, certamente, surpresos com sua honestidade. Uma honestidade que diga-se de passagem, Will estava a anos luz de ter. Mas os policiais nem sonhavam com isso.

— Senhor... Precisa assinar seu depoimento!

Ele ouviu o escrivão lhe chamar de um balcão mais adiante e se assustou.

Estava tão absorto pensando no que havia se metido ao inventar aquela história toda, que nem percebeu que o outro homem lhe chamava, já era a terceira vez inclusive. Will não podia negar que estava um tanto temeroso com aquela farsa que havia montado. Caso a polícia e/ou os familiares dos mortos, descobrissem que era tudo mentira o que dissera, estava bem encrencado. Seria cana na certa e uma pena bastante generosa.

— Claro!

Levantando-se da cadeira, ele foi até o balcão em que o outro homem se encontrava.

— Já avisaram a Sara, filha do Charlie?

Enquanto assinava os papéis, ele perguntou despretensiosamente como se realmente fosse íntimo daquelas pessoas.

— Sim... A qualquer momento ela deve chegar aqui, já que mora em San Francisco, que fica a duas hora daqui.

— Hum... Aqui está!

Ele estendeu os papéis já assinados de volta ao outro homem.

— Bem... Está liberado pra ir embora, se quiser.

— Não... Vou esperar a filha do meu amigo. Quero estar aqui para lhe dar apoio quando ela souber da trágica morte dos pais.

Ele fingia tão bem que ninguém ali desconfiava que tudo que falava não passavam de mentiras.

— Se quer isso, pode ficar aguardando aí na recepção mesmo!

— Ok!

Ele fez seu caminho de volta até sua cadeira. Sentou-se e ficou ali no aguardo da chegada da garota que ele pretendia se aproximar.

Ansioso e bem nervoso, resolveu fumar para tentar manter-se 'calmo'. Do bolso interno do casaco surrado, puxou a carteira de cigarro e pegou o último que havia dentro dela. Levou a boca, mas na mesma hora um sujeito na recepção o alertou que fumar ali era proibido. Se ele quisesse fazer isso que fosse lá para fora da delegacia.

— Ok. — ergueu as mãos com as palmas para cima em sinal de entendimento. — Não fumarei. — devolveu o cigarro para a embalagem e o guardou no lugar de onde tiro. Seu olhar foi ao sujeito que lhe chamou a atenção. — Melhor assim?

O sujeito de expressão fechada se absteve de responder e cuidou de atender ao telefone que tocou em seu balcão.

Se recostando na cadeia de plástico e cruzando os braços na altura do peito e as pernas na altura dos calcanhares, Will se pôs a esperar ansiosamente pela chegada de seu alvo.

Será que ela era mais bonita ainda ao vivo?

Bom... Pela fotografia ela já era bonita, pessoalmente devia ser bem mais.

E será que ela tinha algum namorado?

Pois se tivesse William ia dar um jeito de se livrar do 'rival'. Sujeito algum seria obstáculo ou problema para ele.

Ah, Sara Sidle, você será o meu passaporte rumo a riqueza!

Quase quarenta minutos depois, Will a viu entrar desesperada na delegacia e sendo amparada por um homem que devia ter a idade dele ou até um pouco mais velho, e uma mulher loira.

— Eu quero falar com o delegado... — ela exigiu do sujeito no balcão. Há pouca distância dela, Will a observava atentamente com seus olhos astutos. — ... Ligaram pra minha casa há um tempo e disseram que os meus pais sofreram um acidente de carro, mas não quiseram me dar mais informações só pediram que eu viesse aqui. O que houve com eles? Por que me pediram pra vir pra cá ao invés de ir à um hospital?

A jovem falava com rapidez e completamente nervosa e angustiada. A ligação há mais de duas horas em plena a madrugada, avisando do acidente de seus pais, que viajaram a negócios e passeio, foi um susto tremendo para ela. De primeira a garota pensou que fosse trote, mas quando a pessoa deu todos os dados pessoais a respeito de seus pais, além de descrever com exatidão a roupa que eles usavam antes de partirem de casa, foi que a filha do casal acreditou em que lhe ligava. Na mesma hora, ela disse que já estava se dirigindo a delegacia.

Antes porém ela ligou ao o advogado e amigo de seu pai. E ele se disponibilizou imediatamente a acompanhá-la, assim como a melhor amiga da jovem.

— Se acalme moça. — o recepcionista do local pediu em tom educado.

— Me acalmar?? Meus pais sofreram um acidente e quer que eu fique calma? — ela se irritou e bateu com as duas mãos no balcão de madeira. Se havia imã coisa que a deixava mais ainda irritada e nervosa, era quando lhe pediam para ficar calma.

O homem magricelo e calvo diante dela apenas arqueou suas grossas sobrancelhas e depois lançou um olhar aos acompanhantes da jovem.

— Acalmem-na enquanto vou avisar ao delegado da chegada de vocês.

O recepcionista saiu e coube ao homem que estava ao lado da moça morena tentar fazer o que foi pedido pelo outro sujeito.

— Sara, por favor, tente manter a lucidez e a calma. Se desesperar não vai adiantar. — o sujeito tocou o ombro dela com todo o carinho que nutria pela jovem.

— Gil está certo, amiga. Fique calma. — Catherine pediu mesmo ciente de que sua amiga ia chiar com tal pedido.

E ela chiou na mesma hora.

— Vocês dizem isso porque não são os pais de vocês. — irritou-se Sara dando as costas aos dois amigos.

Tanto Grissom quanto Catherine se olharam sem que Sara percebesse e ambos não ousaram dizer mais nada. Era do conhecimento de ambos que falar com a jovem nesse estado nervoso em que ela se encontrava, não adiantava nada.

De longe um par de olhos azuis acinzentados espreitava a tudo disfarçadamente.

Will não achou por bem se aproximar agora. Pelo que pode perceber a jovem ainda não sabia sobre o óbito dos pais, portanto ainda ficaria na sua e não tentaria contato com ela.

— O delegado os espera. — o recepcionista retornou, avisando. — Queiram me acompanhar por gentileza.

O trio seguida direção apontada pelo outro sujeito.

De sua cadeira Will não pode evitar sorrir após o quarteto sumir de suas vistas. A tal Sara estava desesperada, com certeza, ficaria arrasada com a notícia que receberia do delegado. E a ideia de que isso seria ótimo para Will e seu plano, fez o golpista vibrar de alegria por dentro.

— Talvez conquistar essa garota seja mais fácil do que pareça.

Seu sorriso cínico se alargou mais e se escondeu atrás da mão que ele levou disfarçadamente à boca.

Ele não deixou de notar em como ela era bonita e bem jovem, mais do que na fotografia.

Pensando bem não seria sacrifício algum se envolver com aquela garota bonita e até casar-se com ela! Ela não seria uma das mais belas mulheres com as quais se envolveria e, decerto, não teria nem de longe a experiência das várias outras com as quais ele já transou, mas a garota daria para o gasto, para uma diversãozinha.

— Vai ser bem divertido pegar essa garota.

Enquanto isso na sala do delegado...

— Cadê os meus pais?

Sara foi logo indagando assim que viu o delegado. A jovem achou que seus pais pudessem estar ali falando com o delegado e a sua espera, mas ao adentrar o local e encontrar apenas o oficial, ela não hesitou em questioná-lo.

— Sara calma. — sussurrou o advogado ao lado dela, mesmo ciente de que pedir aquilo a jovem era inútil.

— Para de me pedir calma, Gil.

O advogado se calou diante da fala rude e olhar zangado da filha de seu amigo/chefe.

— E então delegado? — com as mãos na cintura, Sara encarou o homem engravatado postado do outro lado da mesa.

— Sentem-se!

Catherine e Sara se acomodaram nas duas cadeiras que haviam diante da mesa do sujeito. Grissom permaneceu de pé e postado entre as duas mulheres.

— Antes de tudo sou o delegado Contreras. — o oficial se apresentou.

— Eu imagino que não precise me apresentar, porque o senhor já deve saber muito bem quem sou. — respondeu Sara com certa impaciência e acidez.

— Sim, sim. E eles dois são da sua família? — ele apontou para os outros com Sara.

— Faz alguma diferença isso?

— Por favor senhorita.

A jovem revirou os olhos e bufou de insatisfação.

— Eles são como se fossem da minha família. Catherine é minha melhor amiga e Grissom é o advogado que trabalha com meu pai e também amigo da família. — apresentou Sara. — Agora o senhor quer fazer o favor de dizer logo onde estão meus pais.

Aquela enrolação toda dele já estava lhe dando aflição e até irritando. Queria saber de seus pais, se estavam bem e onde estavam. E aquele delegado não dizia nada.

— Senhorita Sidle como lhe foi informado pelo telefone seus pais sofreram um acidente de carro. Um conhecido deles acabou encontrando o veículo no fundo de um barranco.

— Conhecido? Que conhecido? — Grissom prontamente interrompeu o relato do delegado.

— Ele se chama William... — o delegado checou o restante do nome do sujeito no papel do depoimento dado por ele. — Benson. William Benson. — largando o papel de volta a mesa, o oficial encarou o trio a sua frente. — Ele inclusive disse que é um amigo do Senhor Sidle, mas que não se viam há anos. Se encontraram coincidentemente horas antes do acidente.

— Delegado... — foi a vez de Sara o interromper. — Não me interessa saber quem é este homem. Só quero saber dos meus pais, pelo amor de Deus. Eles estão bem?

O delegado coçou o canto de sua têmpora e resolveu dar a fatídica notícia sem mais fazer enrolações, porque pelo visto a filha do casal não estava muito de paciência.

— O acidente lamentavelmente vitimou de maneira fatal os seus pais, senhorita Sidle.

A jovem sentiu como se seu mundo ruísse diante da notícia recebida.

— Espera aí. O senhor está me dizendo que...

— Seus pais morreram! Sinto muito.

— Não! Isso não é verdade. — ela caiu em prantos e foi prontamente consolada por sua amiga e o advogado, ambos tão em choque e igualmente devastados com aquela notícia quanto Sara.

Notas finais
Tadinha da nossa protagonista. Perdeu os papais. E o pior é que ainda tem mais sofrência para ela mais a frente. Oh Deus! Na maioria das minhas fics a bichinha sofre, santo pai! Sou má com ela podem dizer que eu deixo kkkkk. Não irei me defender da acusação. Mas mais mal do que eu só o nosso golpista que como vocês viram NÃO é o Gil. Ele vai ser o é mocinho da história. Quem ficou feliz com isso? Só que vou confessar a vocês que quando encontrei a fic no meu caderno, o Gil era o bandido e o advogado adivinhem quem era? Quem? Quem? Quem? Nick Stokes! Não me perguntem porquê raios escolhi o Nick, porque nem eu sei mais a resposta. Faz mais de cinco anos que escrevi esses capítulos iniciais da fic. Aí, quando reli a história logo após encontra-la achei melhor mudar o papel do bandido, mas por uma razão de coerência do que outro coisa que possam supor. Eu tenho em mente fazer o nosso bandido aprontar algumas com Sara quando eles se reencontrarem e não seria lógico e coerente (pelo menos para mim) que no fim da história a Dar ficasse com um bandido que aprontou rodas com ela, mesmo sendo este bandido o Grissom. "Ah Dri, então quer dizer que o Gil não sendo o bandido é garantia de final feliz para o nosso casal amado?", Nananinanão violão. Eu tenho dois finais em mente. Em um nosso casal GSR fica junto e no outro Sara fica só. Mas até eu me decidir por qual deles, muita água ainda vai passar por de baixo dessa ponte, porque a fic tá só no começo. Sendo assim bastante tempo pela frente. Preparem os corações e as caixas de lenços viu?! E acho que falei tudo o que tinha pra falar. Qualquer coisa anoto depois e coloco na postagem do próximo capítulo. Bjs e até breve.