O Golpe

8 Lobo em pele de cordeiro


Notas iniciais
Olha eu aqui. Primeiro quero agradecer aos comentários lindos que recebi de cada uma de vocês no capítulo anterior. Vocês são as leitoras mais especiais e incríveis, sério. Segundo quero dar as boas vindas a Dama das Estrelas e agradecer pelo comentário❤. Mulher fiquei sem palavras com o que escreveu, de verdade. E concordo com suas colocações sobre a Sara. Mas que dá uma raiva por ela está sendo ingênua desse jeito com um estranho, dá. Vontade de dar uma sacudida nela e dizer acorda que esse cara não presta. Se afasta dele. Mas infelizmente nossa protagonista ainda precisa ser cega com William para as coisas acontecerem e o circo pegar fogo geral kkkkk. Mas enquanto as coisas não esquentam vamos com o mau caráter do Will envolvendo Sara mais em sua teia mentirosa.

"Para o mau-caráter trair e enganar é algo normal, ele é um canalha que não tem misericórdia nem compaixão de ninguém. É um ser ambicioso, falso, egoísta e maléfico."

(Izzo Rocha)

***

Fazia muito tempo que ele não dormia e acordava tão bem em um colchão macio como aquele que estava. A última vez tinha sido quando ainda morava com seu "pai" Joel. Sua cama na casa do homem que o criou era quase como aquela, porém menos sofisticada. Quando fosse rico se lembraria de comprar uma tão confortável e maior quanto aquela.

Rico!

Ele ia ser rico. Muito rico!

E Sara quem ia lhe proporcionar isso.

Aquela idiota era seu bilhete premiado, o passaporte para uma vida que ele tanto almejou ter e que já estava perdendo as esperanças de conquistar devido a falta de sorte. Mas, agora, numa virada do destino estava na iminência de conseguir concretizar seu desejo.

O bandido se espreguiçou com um sorriso satisfeito em sua face. Depois checou as horas em seu celular. Ao ver que já ia dar nove da manhã, ele resolveu se levantar.

— Caramba dormi demais!

Um bom banho quente de dez minutos e ele estava pronto para descer e dar continuidade ao seu teatro de consolar a recente órfã. Pretendia ser o ombro amigo dela e futuramente, seu marido e algoz.

— Vamos lá, bancar o bom moço àquela tonta.

Ele saiu do quarto e veio pelo corredor. Desceu as escadas e resolveu ir a sala de refeições ver se por acaso Sara estaria lá tomando café. Will chegou sorrateiramente a porta da sala e avistou Lilly servindo Catherine enquanto as duas conversavam sobre Sara.

— A menina está tão arrasada, que temo que ela acabe adoecendo de tristeza.

— Ela é forte, mãe. Vai conseguir dá a volta por cima. Além do mais, ela tem a nós, o Gil e o William para ajudar nisso.

— William. — a governanta pronunciou o nome do sujeito com profundo desagrado. Depois sem sequer imaginar que o homem estivesse espreitando sua conversa com Catherine, deu sua opinião sobre o sujeito. — Não gostei nada desse sujeito. Começo a achar que Gil pode estar certo em cismar com esse tal William.

— Ah, você também, mãe? Por que isso?

— Catherine esse sujeito é um estranho, que apareceu do nada dizendo que era amigo do patrão. Estou nesta casa há anos e, assim como Gil, eu também não me recordo do senhor Sidle ter mencionado algum amigo de nome William. E se esse sujeito inventou toda essa história com más intenções?

Do seu canto escondido, Will praguejar mentalmente pela dedução assertiva da mulher.

Velha maldita!

— Ai, mamãe! William me parece ser uma boa pessoa e tem sido um suporte e tanto a Sara. Vocês que estão vendo chifres em cabeça de cavalo, eu hein. — inocentemente, Catherine assim como Sara havia 'comprado' a história vendida por Will sem qualquer desconfiança.

— Para o bem de Sara, eu espero que você esteja certa e Gil e eu errados quanto aquele homem, filha, porque vou odiar ver a menina sofrer por conta deste desconhecido.

— Quer saber? A senhora e o Gil estão paranoicos. Agora deixa eu ir nessa ou vou chegar atrasada.

Catherine se pôs de pé após dá um último gole em seu café com leite e apanhou sua bolsa pendurada no encosto da cadeira. Tinha que ir trabalhar pela manhã em uma escola particular e a tarde em outra.

— Tchau, mãe.

— Tchau, minha filha. Que Deus te proteja.

— Amém. Dá um beijo em Sara por mim. Estou de volta só no fim do dia.

— Tá bom!

Catherine saiu pela outra porta para alívio de Will, que já ensaiava uma desculpa qualquer caso Cath viesse na direção da porta em que ele estava e o pegasse ali escondido.

O sujeito esperou uns três segundos apenas e entrou na sala como se não tivesse escutado nada. A verdade é que nem queria mais entrar ali, porem como estava com fome e também queria saber o paradeiro de Sara e, certamente, aquela governanta estúpida sabia disso. Então, ele se viu obrigado a entrar na sala e pior, falar com Lilly mesmo depois de ouvir que ela suspeita dele.

— Bom dia. — o sujeito cumprimentou a governanta fingindo cordialidade e educação. Decidiu usar uma tática diferente com àquela mulher para não despertar mais ainda sua desconfiança. Nada de arrogância ou algo parecido no tratamento com ela, apesar de ela merecer.

— Bom dia! — a mulher respondeu sem dar qualquer atenção ao homem. Se ocupou de recolher para uma bandeja a louça que sua filha sujou.

— Lilly, eu quero lhe pedir desculpas pelo meu comportamento nada educado ontem a noite. — Will observou a mulher que recolhia uma xícara suja, levantar a cabeça para encarar encará-lo. Tendo a atenção dela para si, o bandido prosseguiu: — Tratei você de uma maneira nada cortês ao pedir o jantar. Me desculpe, mais que isso... Me perdoe. Eu estava cansado e esgotado emocionalmente pela perda de um amigo querido, e quando fico assim sou meio rude com as pessoas.

Ele precisava apagar a má impressão que sua atitude despertou na mulher. Sem contar, que não queria correr o risco de ela contar a Sara sobre ontem e borrar a boa imagem que vinha pintado a sua futura esposa.

— Não há necessidade deste pedido.

— Há sim. Eu fui arrogante com você e insisto por seu perdão. Pode me perdoar por ontem a noite?

Ele fingiu sua melhor cara de arrependido para convencer a mulher. Ela o olhava com uma expressão que Will não conseguia bem decifrar.

"Vamos sua velha ridícula!"

— Se insiste. Está perdoado. — Lilly se pronunciou após quase meio minuto encarando em silêncio Will. No fundo ela não conseguia sentir um pingo de verdade vinda daquele pedido do sujeito. Mas resolveu não criar caso para ver até onde ele ia com tudo aquilo.

— Obrigado. E pode estar certa que aquele comportamento não se repetirá.

A vontade dele de vomitar por ter que dizer aquelas palavras e agir daquela maneira tão pacífica e cordial com alguém, que ouviu momentos atrás desconfiar dele, era gigantesca. Mas pelo bom funcionamento de seu plano ele teria que engolir aquele sapo a seco.

— Eu vou levar essas louças. Acredito que tenha o suficiente a mesa para o seu dejejum. Com licença. — Lilly anunciou, ignorando por completo a fala anterior de Will.

— Antes de ir pode me informar se Sara já acordou?

— Sim, ela já acordou tem meia hora.

— E onde está?

— Acho que ainda está no orquidário que era da mãe dela. — a mulher se retirou com pressa sem dar tempo de William perguntar onde ficava o tal orquidário.

— Que ótimo! — resmungou Will insatisfeito pela saída de Lilly. — Onde diabos será que fica esse orquidário?

Resolveu deixar para descobrir isso depois de tomar café. Nem em sonho ia se privar de comer bem só para ir atrás da órfã.

Acomodando-se a cabeceira da mesa, ele começou a se servir. Primeiro foi de uma salada de frutas deliciosa. Em seguida panquecas acompanhadas de suco de laranja. E por fim, café preto com um tradicional bagel, uma espécie de pãozinho no formato de rosquinha, recheado com cream cheese, que por sinal estava uma delícia.

Ao terminar seu último gole de café, Will se sentiu satisfeito.

"Dormir bem... Comer bem... Vida melhor que essa desconheço!", o sujeito pensou com um sorriso.

Ele olhou a sua volta e estufou o peito se sentindo o tal por estar ali. Aquilo que era vida. Ele nasceu para ter tudo aquilo. E aquilo tudo ia ser dele em breve. Se fosse temente a Deus completaria a frase acrescentando: "Se Deus quiser!", mas sua crença em Deus ficou no passado, assim como a inocência que um dia o menino Will chegou a ter.

Obstinado em seu plano de ficar rico as custas de Sara, Will não ia deixar que nada, nem ninguém o tiraria esse prazer. E quem ousasse se interpor aos seus planos, ele se encarregaria de eliminar. Como, por exemplo, a sonsa da governanta que naquele exato momento apareceu na sala de refeições.

— Esta cadeira era do patrão. — Lilly informou não se agradando nada em ver aquele estranho sentado no lugar que se habituou a ver Charlie sentado para fazer as refeições.

E fazendo-se de inocente, Will se levantou na hora da cadeira.

— Me desculpe. Eu não sabia. Sentei por sentar.

Mentira. Ele imaginou que aquela fosse a cadeira do patrão. E como visava no futuro ser o patrão ali, então se acomodou naquela cadeira para ir se ambientando ao 'posto' que em breve pretendia ocupar na casa.

— Já terminou? Preciso tirar a mesa.

— Oh, terminei sim. E a propósito estava tudo muito bom.

Lilly apenas olhou e não disse nada. Não conseguia sentir empatia pelo sujeito desde a forma grosseira com a qual ele lhe tratou ontem. Ainda que tenha pedido desculpas há pouco, ele não lhe descia pela goela.

Ela começou a recolher a louça suja e colocar na mesma bandeja que havia levado as louças de ainda pouco.

— Poderia me dizer onde fica o orquidário? Quero me despedir de Sara antes de ir embora.

— Já vai embora de vez?

Aquela notícia deixou Lilly mais animada.

— Na verdade ainda não. — Will quase quis rir da cara de frustração que a mulher não conseguiu conter ao ouvir sua resposta. Ela já parecia feliz quando ele anunciou sua ida, mas murchou rapidamente quando disse que não era uma ida definitiva. Não vai se livrar da minha presença, velha idiota. - Pretendo ficar na cidade mais um tempo. Mas procurarei um hotel para me hospedar e venho visitar Sara sempre. Não quero que ela se indisponha outra vez com o amigo dela por minha causa. O Grissom não gostou nada da minha permanência aqui. E ele tem total razão nisso, porque sou um desconhecido mesmo ao menos para Sara e vocês.

Ele discursou, torcendo para que a governanta caísse naquele seu papo furado.

Lilly achou sensata a decisão do sujeito, mas adoraria mesmo é que ele se fosse em definitivo. Porém, apreciava imensamente o fato de não tê-lo mais ali dentro da casa.

— É o melhor que faz. — se limitou em dizer Lilly e viu o sujeito diante de si mover a cabeça em sinal positivo, como que concordando com sua fala. Em seguida a governanta lhe disse como chegar ao orquidário. Se era para ele ir embora, então que se despedisse logo de Sara e pegasse o rumo fora daquela casa.

— Obrigado, Lilly. E desculpa qualquer coisa. — Will disse antes de dar as costas a mulher e seguir seu rumo com um sorriso debochado que não era visto pela mulher.

A governanta ficou observando o sujeito até que por fim ele sumiu de suas vistas. Agradeceu aos céus de pelo menos aquele estranho não permanecer na casa mais outra noite. Mal conseguiu pregar o olho essa noite sabendo que na mansão estava dormindo um sujeito estranho do qual não sabiam absolutamente nada. Tanto que ela rezou para nada de ruim acontecer e para que aquele sujeito fosse embora dali no dia seguinte.

— Obrigada por ouvir as minhas preces, Senhor. — religiosa como só ela, Lilly fez um sinal da cruz e olhou para cima agradecendo por ter não mais a presença do estranho na casa.

William saiu pela porta da frente da mansão e não deixou de rir da governanta. Aquela infeliz achava mesmo que não ia mais vê-lo, mas caiu do cavalo. Vai ter me aturar e mais ainda quando for seu patrão. O sorriso do sujeito se alargou mais com aquele pensamento enquanto descia os lances da escada da varanda. Ser dono daquela mansão e de tudo mais que era de Sara, passou a ser sua meta.

Pegando a lateral da casa e seguindo reto, o golpista logo enxergou lá ao fundo o tal orquidário com estrutura de madeira mencionado pela governanta.

A medida que foi se aproximando mais do local, Will notou a figura de Sara acomodada em uma das cadeiras de vime que havia junto a mesa de refeição instalada ali na área próxima a porta de entrada do orquidário. A jovem estava com a cabeça apoiada aos joelhos e seus braços em torno das pernas, desse modo mal notou a aproximação de Will.

Hora do show de novo!

— Sara! — ele chamou-a com um tom de voz brando assim que parou a pouca distância da cadeira em que a jovem estava.

Assim que ouviu o chamado, ela ergueu a cabeça.

— Ia perguntar como foi sua noite, mas essas olheiras em você me dizem que nem deve ter dormido direito. — ele comentou se acomodando na cadeira vazia que estava ao lado da que Sara se encontrava.

— Eu mau consegui pregar o olho, William.

A madrugada para ela foi horrível, porem só não foi pior que a anterior, na qual recebeu a fatídica notícia do falecimento dos pais. Esta foi de longe a pior!

— Eu ainda não consigo acreditar que eles se foram. — ela disse em um tom de voz embargado. — Nunca mais os verei.

Uma lágrima acabou por escapar do canto de seu olho esauerdo, mas Sara tratou de enxugar prontamente.

— Eu não estava preparada para dizer adeus a eles assim tão cedo, William.

— A verdade é que nunca estamos preparados, Sara.

William comentou com um olhar focado em um ponto além de Sara. Sua mente trouxe de volta a lembrança do dia em que perdera sua mãe há 26 anos. Ele ainda lembrava-se disso! Porem fazia anos que não recordava deste fato e de repente, confortar Sara fez trazer de volta aquela lembrança a sua mente tão vívida quanto doída. E foi depois da perda da mãe que sua vida mudou e nunca mais foi a mesma, assim como ele.

— Não é fácil superar uma perda ainda mais quando ela é de alguém tão importante como são os pais. Porém o tempo nos ajuda a superar isso, mas nunca a esquecer! — ele finalizou e encarou Sara que o tempo todo não tirou os olhos dele enquanto falava.

— Você fala como se já tivesse passado por isso.

— E já passei. — ele confessou. — Quando estava com nove anos, perdi minha mãe.

— Sinto muito, William.

— Eu também sinto, mas... Chega de falar nisso. Na verdade não gosto de tocar nesse assunto, então é melhor parar por aqui se não se importa. — ele sequer sabia porquê cargas d'água foi tocar neste assunto com ela. Nem com Gary gostava de conversar isso.

— Tudo bem. — Sara concordou.

— Esse orquidário parece enorme e muito bonito. — ele comentou, virando para trás e observando a fachada do local. Sob suas cabeças um pergolado de madeira com alguns vasos pendurados enfeitavam o local.

— Ele é lindo e realmente enorme por dentro. Quer conhecê-lo?

Ele estava pouco se lixando para conhecer aquele orquidário, mas para não fazer desfeita a sua futura esposa, ele tratou de aceitar o convite.

— Claro.

Quando entrou no lugar Will ficou embasbacado, porque o orquidário era enorme. Segundo Sara a área ali era de 152 m²; o local era composto de ripas de madeira e envolvido por telas de arame para impedir a entrada de pássaros. O forro de malha metalizada, recobria a estrutura, amenizando a luz solar, enquanto uma fonte, com queda d’água, aumentava a umidade do ambiente. O sistema de irrigação, com esguichos instalados no teto fazia a rega diária das orquídeas, que ficam apoiadas em bancadas ou penduradas por ganchos espalhados pelo local. As duas portas basculantes evitam a fuga de algumas espécies de passarinhos que vivem no orquidário. Do lado de fora, a bancada, equipada com pia, dá apoio ao cultivo. São usados apenas substratos orgânicos para não afetar o ecossistema do viveiro.

— Minha mãe amava orquídeas. E há dois anos construiu esse orquidário com o auxílio de uma amiga orquidófila.

Aquele lugar era o cantinho preferido de Laura. Como ela amava estar ali com suas "meninas", que era o termo pelo qual costumava se referir as orquídeas e outras plantas que cultivava no orquidário.

— Sua mãe era uma excelente arquiteta paisagista. — ele sabia da profissão de Laura por causa que o guardador de carros ontem mencionou tal fato.

— Sim. — Sara afirmou, esboçando um breve sorriso enquanto admirava o local no qual sua mãe vivia enfurnada quando não estava trabalhando. Se fechasse os lhos era capaz de ouvi-la assoviando alguma canção de blues enquanto cuidava das plantas. Ela amava blues tanto quanto amava orquídeas.

— Assim como o Charlie era um excelente investidor. Já parou pra pensar que agora, com a morte de seus pais, todo o patrimônio da sua família passa a ser somente seu? Você quem vai ter que assumir as rédeas disso, Sara.

— Eu nem sei lidar com essas coisas, William. Por enquanto vou deixar nas mãos do Gil mesmo. Ele como meu advogado vai tomar conta disso pra mim.

"Ah, mas aquele engomadinho não vai mesmo, sua tonta."

— Você confia bastante nele, não é?

— Sim, muito! Mas agora chega de falar de mim e da minha família. Me conta um pouco sobre você. Desde que nos conhecemos não falamos nada sobre você. O que faz? Mora aqui em São Francisco mesmo?

Sua mente ágil logo bolou respostas mentirosas que não o comprometessem.

— Sou um fotografo free-lance. Não sou de São Francisco, mas também não sou de lugar nenhum. Vivo de cidade em cidade tirando fotos e vendendo-as para jornais e revistas, mas no momento não estou fazendo isso, porque tive meu equipamento roubado há duas semanas.

— Que pena. Mas você tira fotos de quê?

— De várias coisas.

De fato ele gostava de tirar fotos. Fotografia foi um hobby bom. Chegou a ter uma camera profissional que Joel lhe deu de presente, mas do nada acabou perdendo um pouco o interesse em tirar fotos.

— Tipo?

''Não faça tantas perguntas, garota!''

— Pra jornais, coisas que rendam matéria. Já pra revistas, no caso as de ciências que são as que costumo vender meu trabalho, tiro de natureza, bichos e afins.

— E de pessoas, não tira?

— Quando são interessantes sim! Mas elas são pra '' acervo'' pessoal.

— Hum...

Ele se aproximou mais dela que se encontrava encostada a uma mesa rústica de madeira onde havia alguns vasos e segurou sua mão.

— Se não tivessem roubado meu equipamento tiraria muitas fotos suas somente pra guardar em meu ''acervo''. Tenho certeza que elas seriam as fotos mais lindas que já tirei, porque você é linda!

Arthur aproveitou e beijou a mão de Sara. O bom senso lhe dizia para ir devagar na conquista senão podia espantar sua presa, mas ao mesmo tempo ele também tinha pressa para ganhar logo aquela jovem. Temia ser lento e acabar sendo descoberto.

Sara corou com suas palavras e agradeceu pelo elogio feito.

Enquanto isso na mansão Grissom era recebido por Lilly que abria a porta para ele.

— Bom dia, Lilly. — o advogado cumprimentou a governanta antes de entrar na casa.

— Bom dia, Gil. Achei que só viesse mais tarde, depois do trabalho.

— Avisei que chegaria mais tarde um pouco no escritório.

Ele queria ver primeiro como Sara estava. A madrugada toda pensou nela sob o mesmo teto que um estranho. Havia ficado bem preocupado com isso, sua torcida era para que este sujeito nem estivesse mais por ali.

— E Sara já acordou?

— Na verdade ela me disse que nem conseguiu dormir.

— Não deve estar sendo nada fácil para ela isso.

— Nenhum pouco Gil. Enquanto estive com ela ontem a noite até meados da madrugada, a pobrezinha só chorou e chorou. Temo que ela acabe adoecendo de tristeza ou caindo em uma depressão.

— Lilly isso não vai acontecer. — o advogado segurou no ombro da governanta por quem tinha um carinho como de um filho pela mãe. — Sara é uma garota forte. Se duvidar até mais forte do que a gente julga. Ela vai saber superar este abalo. E qualquer coisa têm a nós para apoia-la, não é? — a governanta assentiu. — Agora onde ela está?

— No orquidário com o tal William.

— Esse sujeito ainda está aqui? — Grissom não fez questão alguma de esconder seu descontentamento ao indagar a governanta.

Lilly contou ao advogado sobre o que Will lhe disse antes de ir atrás de Sara e de quebra, depois ainda lhe relatou a forma como o sujeito tratou-a ontem a noite, bem como seu pedido de desculpas agora pela manhã.

Enquanto isso no orquidário, o golpista informava a Sara que já ia embora.

— Mas por que não fica? Essa casa é enorme. Não tem porquê ir para um hotel.

Ele adorou ver que ela queria sua permanência na casa. Por sua vontade ficaria, até porque assim sua presa estaria mais acessível a ele. Porém achou melhor recuar um passo para depois avançar dois ou quem sabe até três.

— Sara é melhor eu ir. Não quero ser motivo de um novo desentendimento entre você e seu amigo advogado. Ele não gostou de eu ter dormido aqui e tem razão em não gostar. Sou um estranho e você não devia chamar estranhos para sua casa.

— Você não é um estranho. Era amigo do meu pai. Fica, Will.

"Essa garota está no papo."

— Olha prometo ficar em um hotel perto daqui e vir te visitar todo dia, está bem? — ele a viu concordar nada satisfeita. — Agora tenho que ir.

William a abraçou e deu um beijo na testa de Sara. Todas as suas ações e gestos de carinho a ela eram meticulosamente calculados e feitos para agradar e conquistar a jovem.

— Amanhã eu venho te ver.

Ela apenas assentiu e ficou observando William até ele cruzar a porta de saída do orquidário.

Notas finais
William é um perfeito mau caráter de marca maior. Mas ele que não fique esperto porque Lilly e Gil estão de olho nele. Já avisei nas outras fics, mas não custa nada repetir aqui: eu vou atualizar três fics juntamente somente hoje. Depois dessa tripla atualização de hoje, eu estarei postando os capítulos apenas de Conectando-se. Acabou essa fic entra as atualizações somente de Sex Games. Finalizou SG então começo as postagens alternadas de O Golpe e After Separation. Deste modo vai demorar só um tiquinho para nova atualização desta fic, mas não se preocupem que ela será postada e terminada, tá bom? Bjs e até o próximo capítulo daqui umas semaninhas.