O Golpe

7 Ligações


Notas iniciais
Olá, queridas leitoras! Faz um tempinho já desde a minha última postagem aqui no site, e nesta fic então nem se fale, bota tempo. Meu mês de Novembro e dezembro foram e estão sendo bem punk. Uma porção de acontecimentos (nanowrimo, trabalho, curso) roubaram-me tempo e boicotaram meus planos de escrita. E sem contar na baita rasteira que recebi da vida, a qual ainda tô tentando me recuperar. Perdi no último dia 24 alguém muito querido e de uma maneira tão inesperada, que a ficha tá demorando a cair. Por isso mesmo eu pensei muito se postava algo a vocês ou deixava quieto e voltava com atualizações ano que vem, quando as coisas talvez já estivessem mais amenas do que agora. E após pensar bastante cheguei a conclusão de que vocês mereciam uma última atualização esse ano em pelo menos uma das fics. Então optei por esta e talvez ela não seja a fic que gostariam, caso não seja desde já peço desculpas, mas como ela é a única que se encontra com capítulo todo pronto e completo (há meses diga-se de passagem), então vai ser ela. Não é o capítulo mais alegre, tampouco leve. Mas segue abaixo a atualização. Deixo vocês com a leitura dele e nos falamos mais nas notas finais.

Proteger e cuidar é a forma mais bela de amar.

Edna Frigato

***

"Até que ponto chega a ingenuidade de alguém?", era o que Grissom se indagava enquanto estava parado no semáforo e encarava com certa raiva ao sinal vermelho.

O advogado ainda não se conformava com o fato de Sara ter colocado um estranho dentro da casa dela. E o pior, o que mais lhe indignava, para não dizer que doía mesmo, era o fato de ela ter acreditado tão facilmente na história que aquele estranho contou.

Está certo que podia até ser verdade mesmo que esse tal William fosse amigo de Charlie, mas por alguma razão Grissom não conseguia engolir essa história. Para o advogado a coincidência daquele desconhecido ser amigo do pai de Sara e aparecer justamente, após a morte trágica de Charles e Laura, não descia pela goela de Gil e muito menos, o tal sujeito de nome William.

Grissom não confiava nada naquele estranho. William não lhe inspirava a menor confiança.

"Pois à mim ele inspira confiança e é isso que importa. Confio nele e acredito no fato dele ter sido amigo do meu pai e você devia parar com essa desconfiança boba, Gilbert."

A lembrança dessas palavras de Sara, principalmente as últimas, causou raiva e mais indignação em Gil a ponto de o advogado não conseguir se conter e acabar desferindo um forte soco no volante do carro, fazendo a buzina do veículo soar.

Como Sara já podia confiar assim em alguém que conheceu a pouco mais de 24 horas?

Isso não fazia muito sentido para o advogado!

— Droga, Sara! Ele é um desconhecido.

E Grissom estava bastante temeroso por sua amada em relação a William. A perda dos pais da maneira trágica como foi, havia deixado a jovem vulnerável e o advogado temia que aquele sujeito estranho estivesse se aproveitando disso para ludibriar Sara.

Mas o que aquele estranho ia querer com ela?

E por que logo ela?

Será que ele já vinha espreitando a jovem e viu naquela fatalidade a chance perfeita de se aproximar?

Pois se fosse esta a intenção, Grissom pretendia fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para o tal de William não conseguir fazer algo de ruim a jovem filha de seu amigo/chefe.

O advogado resolveu que ia mandar investigar esse sujeito. Precisava se cercar de informações a respeito deste tal William Benson. E não ia perder tempo ou poderia ser tarde mais.

Então assim que chegou em casa, ele discou o número de seu velho amigo Xerife para pedir-lhe um enorme favor.

— Boa noite, Jim... Sou eu, Grissom.

— Boa noite, meu amigo. A quê devo a honra dessa ligação?

— Preciso de um favor urgente.

Os dois homens eram amigos de longa data. Portanto, Grissom sabia que podia contar com Brass para pedir qualquer coisa, incluindo uma investigação informal a respeito de alguém. Até porque não era a primeira vez que recorria a seu amigo justamente para esta tarefa.

— Pode pedir, amigo. Sabe que pra você não faço concessão. Faço do impossível o possível.

O xerife tinha no amigo advogado um verdadeiro irmão, a quem não negava ajuda sempre que era solicitado. E recebia de Grissom o mesmo tratamento. Nas poucas vezes que precisou da ajuda do advogado, Jim a teve de imediato.

— Quero que descubra tudo o que puder sobre um sujeito chamado William Benson... — o advogado havia gravado aquele nome desde que o delegado o mencionou e jamais ia esquecer. — E, principalmente, se ele tem a ficha suja na polícia.

— Algum desafeto de um cliente seu?

— Não.

De maneira resumida o advogado contou sobre os últimos acontecimentos, bem como a respeito do sujeito em questão, sua desconfiança sobre ele e a preocupação por Sara ter 'comprado' tão fácil a história que o desconhecido 'vendeu'.

— Eu até entendo que ela tá abalada pela perda recente, mas é muita ingenuidade dessa moça, hein? Como ela cai nessa tão fácil?

— Também não entendeu isso, Jim.

— Bom, sorte dela que tem por perto um cara esperto e apaixonado por ela como você, não é? — o xerife não perdeu a oportunidade de provocar seu amigo.

Jim não é hora para brincadeiras.

— Ok, parei! — o xerife sorriu do outro lado da linha. — E pode deixar que vou revirar tudo a respeito desse cara. Se tiver coisa suja, eu encontro e te falo, amigo.

— Obrigado, Jim. Ficarei no aguardo do seu contato.

— Tentarei ser o mais rápido possível no resultado da busca.

— Ok, amigo. Obrigado mais uma vez.

— Disponha, velho amigo. Nos falamos em breve. Até.

— Até!

Assim que desligou a chamada, Grissom jogou o celular sobre a mesinha de centro e afrouxando a gravata se recostou ao encosto macio do sofá azul, cobrindo os olhos com as mãos.

Sua torcida agora era para seu amigo xerife encontrar algo de comprometedor sobre o tal William e o mais rápido.

O radar de alerta de Grissom dizia que Jim ia encontrar algo revelador sobre o suposto amigo de Charlie. Caso isso se comprovasse e fosse algo que pudesse oferecer risco a Sara, aquele Will estaria ferrado na mão do advogado.

— Eu não vou deixar que esse cara faça algo de ruim com sua filha, Charlie. Prometo.

Tão logo acabou de falar, Gil escutou seu celular reverberar. Suspirou e tirando as mãos dos olhos, lançou um olhar ao aparelho celular tocando sobre o móvel de tampo de vidro.

O advogado se surpreendeu positivamente com o nome que avistou na tela do aparelho celular. Prontamente, se inclinou a frente e apanhou o celular da mesa. Com um sorriso muito discreto atendeu no mesmo instante a chamada que era de vídeo.

— Heather! Acho que você tem um radar que te indica o momento certo de me ligar.

Do outro lado da tela o advogado viu a psicóloga ruiva abrir um sorriso.

Heather Kessler é uma amiga que Gil fez durante o período que viveu em Londres. Os dois foram vizinhos de porta no prédio em que o advogado morou. Inclusive, eles chegaram a ter um breve envolvimento, que não foi para frente porque Heather percebeu antes mesmo de Gil lhe contar, que o coração dele já estava ocupado por outra. Mas apesar da relação amorosa não ter ido em frente, permaneceu a amizade que continua mesmo com um oceano os separando. Constantemente, eles se falam por mensagens ou ligações de voz ou vídeo.

— Por que? O que aconteceu, Gil?

***

O quarto era grande o suficiente para caber fácil uns três iguais as espeluncas que já dividiu com Gary. Mobiliado com requinte e sofisticação, possuía ar condicionado, cama king size, um roupeiro que ia do chão ao teto, TV LCD com uma tela grande, banheiro em anexo com direito inclusive a banheira de hidromassagem.

Will se sentiu como se estivesse em um hotel de luxo. Só dormiu até hoje em quartos porcarias, que aquele seria o primeiro mais luxuoso que passaria a noite.

O primeiro de muitos!, pensou o homem.

— Na gaveta do armário do banheiro têm toalhas limpas. — a fala de Lilly atraiu a atenção de William, que se virou para a governanta. — E na porta da direita do roupeiro há um pijama do senhor Charlie, que Sara pediu há pouco que pegasse e deixasse aí para você.

Pijama do falecido que legal!, debochou em pensamento Will.

— Ok! — foi tudo o que ele respondeu enquanto se atirava a cama de sapato e tudo, sujando de leve a cara colcha branca.

Lilly não gostou nada de ver aquilo. Ela achou muito folgado aquele sujeito.

— Acho que nem preciso dizer pra ficar a vontade, porque claramente você aparenta estar assim.

O comentário em tom de alfinetada da governanta, não agradou Will que lançou um olhar nada contente a mulher.

A governanta pouco se intimidou com aquele olhar torto do sujeito. Já estava vacinada contra aquilo. Seu ex-marido, um homem abusivo, foi uma ótima 'escola' para ela aprender a lidar com cara feia de homem. Sam era machista, ciumento, autoritário e adorava lhe intimidar falando alto ou lançando olhares nada gentis, mas jamais lhe levantou a mão.

Até que um dia, ele não só fez isso como ousou lhe aplicar uma surra, porque ela estava conversando com o vizinho. Lilly apanhou, mas Sam foi preso horas depois no serviço. E desde esse dia há mais de vinte anos, a mãe de Catherine jurou a si mesma que homem algum ia lhe pôr medo seja com olhares ou atitudes agressivas. Poucos meses depois da prisão de Sam, ela soube que o ex acabou sendo morto ao se desentender com outro preso, mas para Lilly aquilo pouco lhe importou. Seu ex já não lhe interessava em nada.

— Você não ficaria se fosse instalada em um quarto assim? — Will se levantou da cama devagar e com as mãos no bolso, foi se aproximando lentamente da mulher até parar há uma curta distância dela.

Em silêncio, Lilly o enquadrou bem por alguns poucos segundos antes de, por fim, responder com seriedade a pergunta de William com outra.

— Acho que minha resposta não é tão relevante assim pra você, estou certa?

"Com toda certeza, velha ridícula!", Pensou o bandido tentado em externar aquele pensamento, mas ciente de que se o fizesse, colocaria por água abaixo seu plano, já que pelo que notou Sara tinha apreço por aquela mulher.

Vendo que o sujeito não lhe respondia e só a encarava de maneira séria, Lilly resolveu se retirar, já que o que quer que ele dissesse, tampouco a importava.

— Lhe deixo devidamente instalado. Agora vou ficar com Sara.

— Não, espera! — ele pronunciou assim que ela lhe deu as costas.

Sem muita boa vontade a governanta se voltou outra vez para o sujeito.

— Sim. — ela cruzou os braços e o encarou nos olhos.

— Quero que me traga algo pra jantar. Não como nada direito desde ontem a noite. Estou morrendo de fome.

A governanta achou muito abuso do sujeito aquilo. Sem contar a falta de educação dele ao fazer o "pedido". Sequer um "por favor" ele se dignificou a usar. Ela não era sua empregada e ainda que fosse, ele não tinha o direito de tratá-la daquela forma arrogante e prepotente.

— A cozinha fica no andar de baixo. Vá lá e sirva-se. — ela não pretendia servi-lo em hipótese alguma, ainda mais depois desse jeito o qual ele "pediu". — É só descer as escadas, seguir o corredor a direita da sala e chegará lá na cozinha. Infelizmente não posso atendê-lo no seu pedido, porque Sara me espera. Com licença.

Sem dar margem para réplica, a governanta saiu do quarto, deixando para trás um William espumando de raiva.

— Velha estúpida! Você me paga depois. — com ódio o sujeito resmungou de dentes trincados.

Aquela tal de Lilly acabava de entrar na lista negra de William, fazendo companhia ao advogado Grissom. Will precisava pensar em um jeito de anular aqueles dois perante Sara caso eles tentassem lhe atrapalhar.

— Esses dois não vão sujar meus planos. Ah, não vão mesmo!

***

— Você fez bem em pedir ao seu amigo xerife para checar o sujeito. Mas e se ele não achar nada de errado?

— Eu sinto que ele achará, Heather.

— Sente? — a ruiva franziu a testa.

— É!... Esse tal de William tem cara de não ser boa peça.

O faro do advogado estava lhe dizendo que havia algo de errado com aquele desconhecido. E, geralmente, seu faro não se enganava!

— Gil essa desconfiança toda não é ciúmes da Sara, é? — a psicóloga indagou com certo cuidado porque sabia o quão arredio o advogado ficava quando o assunto dizia respeito aos seus sentimentos pela filha de Charlie.

Em pouco tempo de amizade, Heather identificou que assuntos relacionados a sentimentos, não eram o forte do advogado. Ele sempre dava um jeito de fugir desses assuntos quando ela tentava arrancar dele as coisas. E isso só ficou mais evidente com o passar do tempo e quando se envolveram intimamente como namorados. Grissom era mais de ouvir que falar ou expor seus sentimentos. Mais na dele.

Tanto que para ela conseguir que ele confirmasse suas suspeitas sobre haver alguém em seu coração que o impedia de se entregar a ela e a relação que iniciaram, foi a muito custo e depois de algumas doses de uísque, pouco tempo após Heather pôr um fim no relacionamento que tinham iniciado.

— Ah, você também, Heather?

Ele se irritou com isso. Se não bastasse Catherine mais cedo, agora vinha Heather bater nesta tecla.

— Eu também? Quem mais achou isso, posso saber?

— Catherine! Ela disse que essa minha implicância com o tal William é por ciúmes. Mas não é Heather!

Na verdade era um misto de preocupação com um pouco de ciúmes sim. Contudo, o advogado não ia admitir isso a ninguém. Nem mesmo a Heather a quem ele tinha confiança e intimidade suficiente para dizer o que quer que fosse.

E a psicóloga sabia disso! O conhecia e, principalmente, sabia o desvendar melhor que qualquer pessoa, até mesmo que o próprio Grissom.

— Ah, é?! Então é o quê, Gil? Conte-me! — ela sorriu e ele franziu.

— Não sou um de seus pacientes, sabia?

— Mas bem que podia ser. Já te disse isso algumas vezes.

Ele apenas estreitou os olhos na imagem sorridente dela, que estampava a tela de seu celular.

— Preocupação, Heather! — o advogado se pronunciou após dez segundos. — Se trata de preocupação com Sara e não, ciúmes.

Para qualquer pessoa ele alegaria que se tratava apenas de preocupação.

A reação de Heather ao ouvir isso do amigo e ex-namorado foi abrir um largo sorriso.

— Qual é a graça? — Gil indagou mais sério ainda.

— Gil, você pode enganar os outros, mas não a mim, querido. Sei que tem ciúmes no meio disso.

Ela viu seu amigo desviar os olhos dela e 'pedir' para mudaram de assunto ou ele encerraria a ligação. Heather acabou aceitando porque ainda tinha coisas para tratar com Gil.

Eles ainda conversaram mais um tempo e depois despediram-se com a promessa de se falaram em breve pessoalmente, já que Heather revelou durante o papo deles, que em duas semanas mais ou menos estava vindo para os EUA visitar seu amigo advogado a quem não via desde a partida dele de Londres rumo aos EUA de volta.

***

Depois de tomar um demorado banho quente e em seguida descer para saciar sua fome na cozinha, Will foi dar uma rápida averiguada em alguns poucos cômodos da mansão dos Sidle. O pouco que ele conseguiu ver (biblioteca, cinema, escritório, a própria cozinha, sala de estar, além da sala de visita), era tudo muito luxuoso e enorme, sem contar que devia valer uma nota cada coisa que havia ali. E o bandido imaginou quanto ganharia se vendesse aquela casa com tudo de valor que tinha dentro da mansão. Certamente, seria uma pequena fortuna!

Will logo já retornava ao quarto em que havia sido instalado, temendo ser pego no flagra bisbilhotando a casa. Deitado todo estirado na cama macia, o bandido pegou seu celular velho da mesa de cabeceira e discou os números de seu amigo Gary. Levou dois toques apenas para o outro bandido estar atendendo a chamada muito puto de raiva e preocupação com o comparsa.

— William seu filho da puta! Onde está? Pensei que tivesse dito que chegaria pelo amanhecer aqui em Sacramento.

Já era noite do outro dia, o que teria dado tempo suficiente para Will ter chego na cidade mencionada por seu comparsa para se encontrarem e dali, seguirem rumo a qualquer outro lugar em busca de recomeçarem suas vidas criminosas.

— Se acalma aí. — ele pediu com tranquilidade. — Eu até estava a caminho daí quando aconteceu uma coisa que me fez retornar pra São Francisco.

— O quê? Não acredito! Não me diga que se meteu em rolo de novo, mané?

— Não! Foi coisa boa, algo que quando souber não vai acreditar na sorte que demos.

— Então desembucha logo!

Sem esquecer nenhum detalhe, ele narrou todos os fatos que lhe aconteceram nas últimas 24 horas e, principalmente, sobre seu plano que já estava pondo em ação. E finalizou a narrativa se gabando sobre o quão bem eles se dariam caso tudo ocorresse como sua mente brilhante arquitetou.

— Cara isso não vai dar rolo, não? - Gary demonstrou total preocupação. O plano de seu amigo até podia ser bom, mas o risco de dar errado para eles, principalmente para Will era enorme. E Gary temia por seu parceiro de crime. — Você disse que ela tem um amigo advogado.

— Ah, desse paspalho eu cuido, pode deixar. Ele não será impedimento ou problema pra mim.

— Tem certeza, cara?

— Absoluta. Vai por mim! E caso, ele se meta no meu caminho, eu dou um jeito de me livrar dele.

— Se é assim, então está bem!... Mas, agora conta aí, a garota, é pelo menos bonita?

Will pensou por alguns segundos antes de responder. A tal Sara até que tinha lá seus atributos físicos, mas ele já conheceu mulheres da vida que eram muito mais belas que a jovem com quem tinha pretensões de casar-se.

— Olha... Ela é jeitosa, jovem e o melhor de tudo... é bem ingênua, uma perfeita idiota. — o canto dos lábios de Will se espicharam em um sorriso ao dizer a última palavra.

— Essa última parte é essencial para os seus planos, não é?

— Com certeza.

Quanto mais ingênua e idiota fosse sua vítima, mais chance de ele conseguir êxito em seu plano com ela.

— Qual é a idade dessa idiota?

— 20 anos.

Sara havia lhe contado isso durante uma conversa aleatória, que ele tinha puxado com ela no carro a caminho do cemitério, com a desculpa furada de "distraí-la" quando, na verdade, estava querendo mesmo era arrancar informações dela sem que a jovem desconfiasse.

— 13 a menos que você, hein garanhão?

— Mas ela não me interessa e sim, a grana dela.

Para ele o único atrativo que via naquela jovem era o dinheiro que ela lhe renderia, porque ela mesma não lhe atraía em nada. Era só uma garota sem graça, sem muito charme e podia apostar que ela ainda era virgem.

— Ah qual é cara? Não vai nem aproveitar à novinha? Eu não a dispensaria, seria desperdício demais.

William não queria, mas acabou rindo levemente do comentário do amigo.

Ao contrário de Will que é seletivo demais quando o assunto era mulheres. Gary não dispensava nenhum rabo de saia que fosse.

— Sei que não a dispensaria e pensando bem, eu também não vou, amigo. Posso muito bem me divertir com essa Sara, já que ela não é lá de se jogar fora.

Foi a vez de Gary rir e alto na linha.

— É assim que se fala, camarada! Vai fundo cara! Usa e abusa da novinha. E depois arranca tudo dela. Deixa essa idiota, na sarjeta.

— É o que eu pretendo, meu amigo. Vou deixar essa Sara na miséria total!

Se depender dele a tal de Sara ia ficar na rua da amargura e, ainda por cima, odiará tê-lo conhecido.

Notas finais
Ficamos por aqui. Não posso deixar de nesta última postagem do ano agradecer a companhia, o carinho e a paciência de vocês. Esse ano de 2019 foi complicado para todos, mas pra mim acho que foi mais ainda por não conseguir me dedicar como antes a escrita devido a vida corrida. E se não bastasse isso ainda teve esse final de ano que foi o pior possível. Torço e rezo para 2020 ser um ano melhor para todos nós. Um ano com menos tragédias e mais tolerância, respeito e amor ao próximo. Vamos deixar de julgar e ajudar. Vamos deixar de odiar e amar. Vamos aproveitar ao máximo cada instante ao lado das pessoas queridas. Diga a estas pessoas o quanto são especiais para você e o quanto as ama. Não deixe para o amanhã isso, porque a vida é um sopro. Hoje aquela pessoa está aqui, mas amanhã pode ser que não esteja mais. Então não perca tempo! Fale que ama. E nesse ano que se iniciará em três dias, desejo boas vibrações a cada uma de vocês e seus familiares. Que haja mais amor, paz, prosperidade e tudo mais de bom no mundo. Um beijo e até a segunda quinzena de Janeiro com a postagem dos capítulos finais de Conectando-se e Sex Games, para depois as retomadas de postagens de After Separation e O Golpe.