O Golpe
6 Ganhando terreno mais rápido que o esperado
Notas iniciais
Já era fim de tarde, quase início da noite para ser mais exato, quando Sara e seus acompanhantes chegaram na casa da jovem, todos vindos no carro de Grissom. Enquanto Lilly foi até a cozinha para preparar um chá à Sara, porque achava que seria muito benéfico aquilo a jovem, os demais que incluíam a dona da casa, Grissom e William permaneceram na sala.
— Seria bom você tomar um banho, se deitar e descansar um pouco, Sara. Desde a madrugada que você não dorme.
— Gostaria de poder dormir e não acordar nunca mais, sabia Gil?
Sua alma ainda estava devastada e a dor que ainda sentia em seu coração, provavelmente, demoraria um bocado para amenizar.
— Você é forte, Sara. — Grissom tocou o rosto da jovem. — Vai saber superar isso que aconteceu. Além do mais, pode contar comigo para o que precisar sempre, sabe disso não sabe?
Da mínima coisa que fosse até a mais grandiosa, ele estaria lá para ela, porque a amava e jamais a abandonaria em qualquer situação ou circunstância que fosse.
— Obrigada, meu amigo! — ela o agradeceu e abraçou, descansando a cabeça em seu peito.
O advogado ficou feliz pelo abraço, mas triste pelo ''meu amigo'', porque queria tanto ser mais que isso para ela. Se ao menos tivesse a coragem de se arriscar, para abrir seu coração como mais cedo Catherine lhe disse, e alguma leve desconfiança de que os sentimentos que nutria por Sara pudessem ser correspondidos por ela, as coisas possivelmente poderiam ser como ele gostaria. Porem nenhuma daquelas opções não lhe pareciam ser nada possíveis.
Há uns metros de distância da dupla, William apenas observava seu alvo e o advogadinho presos naquele abraço afetuoso demais. O bandido logo percebeu, que tinha que agir o mais breve ou aquele metido à besta do tal de Grissom poderia atrapalhar seus planos ao ficar naquele chamego todo com a jovem. Se bem que o bandido podia notar, que Sara parecia gostar do outro sujeito de uma forma diferente da qual via o advogado gostar dela. Porem, ainda assim, Will tinha que agir o mais rápido possível para conquistar Sara, porque não queria perder tempo ali.
— Sara?
William resolveu chamá-la e assim, pôs fim ao abraço que a jovem trocava com Grissom.
— Eu já vou. — comunicou ao ter a atenção da jovem em si. — Tenho que procurar um lugar pra dormir. E amanhã venho saber como você está.
Ele viria todo dia vê-la e a cada visita, tentaria estreitar um pouco mais o laço com ela até envolvê-la por completo em sua lábia.
— Não vai, William. — na mesma hora a jovem retrucou. — Pode ficar aqui. Essa casa tem vários quartos e não tem necessidade de você ir se hospedar num outro lugar. — sugeriu Sara para a alegria interna de Will e desespero externo de Gil.
O advogado quase surtou ao ouvir aquela proposta da jovem. Não era possível que ela realmente estava chamando aquele desconhecido para ficar em sua casa? Aquilo era loucura. E Grissom achou por bem intervir naquele despautério.
— Não acho uma boa idéia isso, Sara.
Quando o homem disse isto em tom sério, atraiu a atenção de sua amada secreta e William. Sendo que este segundo teve que dissimular e mascarar sua ira diante da fala de Gil.
"Que saco esse advogado!", pensou William.
— Por que não, Gil? — Sara quis saber intrigada. — Ele era amigo do meu pai, não vejo problema algum nisso.
Gil suspirou. Sua amada havia mesmo caído nessa história. Como pode? Contudo, ele não ia fazer vista grossa para este fato dela querer enfiar um desconhecido dentro da própria casa, como vinha por hora fazendo quanto a ela ter acreditado que aquele desconhecido era mesmo amigo do pai dela.
— Sara... — ele anunciou já levando pela mão a jovem à um canto da sala bem longe dos ouvidos de William.
Da porta onde estava Will observou com atenção e curiosidade o advogado levar Sara para longe.
"O que esse idiota vai falar para ela?", Will mantinha o olhar fixo na dupla postada do outro lado da sala.
— Seja sensata, Sara. — começou a falar Gil tentando manter um tom de voz calmo e sereno. — Você nem o conhece direito e vai trazê-lo pra dentro de sua casa, só porque ele diz que era amigo do seu pai?
— Você não gosta dele não é? — ela rebateu se abstendo de responder a pergunta dele.
Gil decidiu ser sincero e honesto com a jovem.
— Nenhum pouco! Ele não me inspira confiança, Sara. Diz que foi amigo do Charlie, mas não acredito muito nisto.
Ele repetiu quase o mesmo que já tinha dito tempos atrás a Catherine no cemitério.
— Por que não acredita? Em quê se baseia para essa desconfiança toda Gil?
— Eu não me baseio em nada, mas...
Ela sequer o deixou concluir.
— Pois à mim ele inspira confiança e é isso que importa. Confio nele e acredito no fato dele ter sido amigo do meu pai e você devia parar com essa desconfiança boba, Gilbert.
Gil sentiu um aperto no peito diante da rispidez com a qual Sara falou. A jovem parecia ter se encantado por aquele sujeito, já que suas palavras de agora ao defendê-lo do julgamento do advogado demonstravam isso. E tal ação não deixou de magoar Gil.
E, realmente, no fundo a jovem já meio que havia se encantado com William! Bastou menos de um dia, doze horas mais exatamente de contato com ele, para Sara sentir que ele era a pessoa mais confiável do mundo, pois o sujeito lhe inspirava isso.
— Sara, por favor, você mal o conhece. — o advogado ainda tentou dissuadi-la.
— Chega, Gil, por favor. Ou vou começar a achar que essa sua desconfiança é ciúmes. — a jovem Sidle murmurou a última parte em um leve tom de zombaria e se afastou do amigo.
Sem que ela visse, o advogado arregalou os olhos e ficou estático. Porem, rapidamente, se recompôs quando escutou Sara se pronunciar a William, reiterando seu convite para ele se hospedar em sua casa.
— William você pode ficar? Eu gostaria muito que isso fosse possível, mas caso não possa eu vou entender!
Ela parou diante dele, deixando Gil sozinho lá onde poucos segundos atrás conversavam.
— Se você quer, eu fico sem problema algum, Sara.
Will concordou e lançou por cima dos ombros jovem, um olhar na direção do advogado. O bandido teve que se segurar para não rir da cara de Grissom e lhe gritar bem alto um ''idiota''.
Sem fazer esforço estava ganhando terreno rápido com a tal Sara. E se seguisse tudo assim nessa facilidade toda, ele não teria grandes problemas para conseguir conquistar a garota, já que esta demonstrava confiança e até certo interesse nele mesmo.
Se sentindo um completo excluído ali, Gil resolveu ir embora.
— Pelo visto a minha opinião não tem serventia e eu estou sobrando aqui.
— Gil não é isso. — Sara se virou para o advogado.
— Eu vou pra minha casa. Fique na companhia do seu mais novo amigo, Sara.
— Gil! — ela tentou segurar no braço dele quando o advogado se aproximou dela, mas este rejeitou por completo o contato.
— Adeus! Amanhã passo pra saber como está! — ele passou por ela sem se dar ao trabalho de despedir-se da jovem com um abraço carinhoso como era de seu habitual, quando se despediam.
— Gil espera!!
Mais uma vez Sara o chamou, mas o advogado saiu dali feito um raio e ainda bateu a porta forte, deixando explícita sua desaprovação e irritação com Sara ter convidado Will a ficar na casa dela.
— Parece que seu amigo não gostou e nem aprovou nada o fato de você ter me pedido pra ficar aqui. — Will sorriu em deboche sem que Sara visse, já que a jovem estava virada na direção da porta por onde Grissom tinha saído.
— Amanhã converso com ele direito.
— Parece que ele não gosta de mim.
— Ele está com um pé atrás com você só isso, mas ele é uma boa pessoa. — amenizou a jovem ao se virar para Will.
Lilly reapareceu na sala e não gostou nada da encontrar ainda a presença de William ali. A mulher apesar de não ter comentado ainda com ninguém, também não via com bons olhos aquele desconhecido próximo de Sara. Lilly conhecia o casal Sidle há muitos anos e assim como Gil, também não se recordava de ouvir seu patrão falar sobre algum amigo de nome William.
— Por que Grissom saiu daquele jeito, menina?
A governanta tinha por costume chamar Sara carinhosamente de ''menina'', desde que esta era pequena e continua por chamá-la pelo apelido carinhoso até hoje.
— Ele não gostou de eu ter convidado o William pra ficar hospedado aqui em casa hoje.
— Este moço vai ficar aqui? — a governanta tinha uma das sobrancelhas arqueadas e ostentava uma cara de quem não tinha se agradado da notícia.
— Vai sim, Lilly. Por favor, prepare um dos quarto de hóspedes pra ele.
Mesmo não aprovando aquilo que ouviu, a governanta decidiu acatar as ordens de Sara para não contrariá-la, já que ela ainda estava bastante fragilizada pela perda recente dos pais.
— Tudo bem, vou fazer o que me pedi. Agora, seria bom você descansar um pouco, menina. Essas últimas horas foram desgastantes demais pra você, está abatida e tem mais que descansar.
— Eu vou fazer isso, Lilly. Quando a Cath chegar, diz pra ela ir lá comigo no quarto?
Quando se dirigiam para a saída do cemitério, Catherine recebeu um chamado urgente pelo celular, para substituir um professor e dar aula. Mesmo não sendo de sua vontade ir, ela não se recusou em atender ao pedido de quem lhe deu a oportunidade de ter seu primeiro emprego em sua área. Formada em Química (licenciatura), Catherine trabalhava em uma escola onde atuava como professora substituta sempre que era requisitada.
— Eu digo, sim. Agora suba que vou levar um chá para você dormir um pouco.
— Eu não queria ficar sozinha no quarto.
William pensou em se oferecer em fazer companhia a jovem, mas antes que ele ousasse externar o que pensou, Lilly se pronunciou.
— Se quiser posso ficar com você até a Cath chegar.
A governanta possuía por Sara o mesmo carinho e amor, que tinha pela filha, Catherine, e sempre gostava de mimar sua ''menina'' quando possível.
— Eu vou aceitar a sugestão.
— Bem, então suba que vou só preparar o quarto para este... Moço e já, já estou lá com seu chá para te fazer companhia.
— Está bem. William... — Sara se dirigiu ao homem que estava calado só prestando atenção nas duas mulheres. — ... A Lilly vai te acomodar num dos quartos, tudo bem?
— Tudo. Agora vá descansar, vai fazer bem pra você! — ele tomou a liberdade de afagar o rosto de Sara com uma das mãos.
A jovem assentiu em resposta e saiu rumo as escadas que levavam aos quartos situados no outro andar da casa. Já sozinho na sala com Lilly, William pode notar o olhar de insatisfação da mulher para cima dele.
— Eu vou providenciar um quarto para você e já volto.
— Certo!
Ela saiu dali nada satisfeita por ter aquele homem instalado na mansão de seus patrões. Já Will apenas sorriu cínico enquanto se sentava no sofá e se punha a admirar o belo e requintado cômodo.
— Em breve esta casa e tudo mais que está aqui dentro, será meu. — sussurrou para si mesmo.
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