O Golpe

1 Da inocência perdida à vida bandida


Notas iniciais
Surpresa!

Eu disse lá no face que ia postar essa fic só depois que acabasse Sex Games, mas como bateu a ansiedade e a curiosidade em saber as impressões de vocês quanto a essa história, aí eu resolvi disponibilizar a fic. Mas é o seguinte só postarei esse por enquanto o capítulo seguinte vem só mesmo depois de Sex Games, OK?

Vamos dizer que esse cap é só uma degustação.

Segue abaixo o primeiro capítulo.

— Vamos jogar bola? — gritou um menino ao coleguinha de classe.

O outro garoto de dez anos olhou tentado ao campinho de terra, onde um grupinho de meninos estavam na iminência de iniciar uma partida de futebol após a aula terminar.

Seus olhos azuis até chegaram a brilhar para ir se juntar aos amiguinhos de classe, mas ele sabia que tinha que correr para casa. Não podia se dar a este luxo de brincar. Não podia ser criança como as outras. Tinha obrigações como Timothy repetia sempre quando ele esquecia isto, ao mesmo tempo em que lhe punia com uma bela surra de cinto por seu esquecimento.

— Eu não posso. Tenho que ir pra casa. — ele gritou de volta.

Se ficasse e passasse da hora de chegar lá, uma bela surra de cinto lhe esperava.

— Ah, não convido mais. Você nunca aceita. Vai pra casa mesmo, seu filhinho do papai.

— Ele não é meu pai! — gritou com raiva para o outro menino que já havia lhe dado as costas para ir se juntar ao grupo que jogaria bola.

O pequeno garoto de olhos azuis girou em seus calcanhares e de cabeça baixa, olhos cheios de lágrimas e cheio de raiva marchou rumo ao caminho de casa.

Por que os outros meninos podiam fazer coisas divertidas e ele não?

Por que os outros podiam viver alegres e ele triste?

Será que estes meninos alegres também apanhavam na maioria das vezes de graça como ele apanhava?

Quando sua mãe era viva as coisas para ele não eram tão duras. Mas ela teve uma frescura, segundo Timothy e morreu. A partir daí tudo mudou da água para o vinho na vida do pobre garoto.

Ele só tinha oito anos de idade na época! Hoje estava com dez.

Morando em um bairro barra pesada na Califórnia, o garoto ficou aos cuidados do abusivo padrasto, Timothy, um homem alcoólatra e viciado em jogo, que vivia o maltratando.

O menino só ia para as escola, porque o conselho tutelar obrigou Timothy a manter o enteado frequentando as aulas, caso contrário, o responsável pelo menino ia ser preso. Com medo de pegar cana, o sujeito acatava aquela ordem. Se fosse por sua vontade o pivete nem estudava.

Timothy era implacável e não tinha qualquer sentimento bom pelo enteado. Deixava o pequeno garoto passar fome, batia nele por qualquer motivo ou até mesmo sem motivo algum e, ainda por cima, o explorava fazendo-o mendigar dinheiro nas ruas depois da aula, para saciar seus vícios em bebida e jogatina.

O pobre garotinho sofria um bocado nas mãos do padrasto. Algumas vezes pensava em fugir de casa, mas seu padrasto o ameaçava dizendo que se ele fizesse isso ia encontrá-lo e bater tanto nele que só ia parar quando o garoto desmaiasse. De medo por pegar uma surra desta, o menino se mantinha refém dos maus tratos do sujeito que foi casado com sua mãe por muitos anos.

Tudo o que o garotinho pedia ao papai do céu toda noite antes de dormir, era que aquela vida mudasse. Que alguém o tirasse dali e lhe desse uma vida melhor. Mas ele não tinha ninguém. Sua mãe não possuía parentes vivos. A única pessoa que ele tinha era o padrasto, infelizmente. Talvez aquela vida sofrida só tivesse fim quando ele fosse grande.

Mas muito antes, mais precisamente um ano depois, seu sofrimento teve fim e uma nova vida estava prestes a começar ao garoto.

Tudo bem que não foi do jeito que ele esperava, mas ao menos ele se livrou de seu padrasto. Como? Timothy o vendeu como se fosse uma mercadoria qualquer à um cafetão estelionatário muito temido por aquelas bandas. O sujeito de nome Joel Benson procurou Timothy e lhe ofereceu uma bolada pelo garoto, mas a princípio o padrasto recusou a ''oferta''. Contudo, dias depois o sujeito mudou de opinião.

Timothy se deu conta que a grana que receberia do sujeito pelo ''fedelho molambento'' seria boa o bastante para ele fugir daquele bairro onde já devia grana a muitos bandidos. Sem contar também, que ainda daria para ele viver muito bem e sustentar seu vício por longos anos a fio tranquilamente.

Diante dessas possibilidades maravilhosas para si, dias depois da oferta feita por Joel, Timothy foi atrás do cafetão em seu prostíbulo muito conhecido no bairro e lhe disse que se ele ainda quisesse comprar o garoto, ele o venderia, só que havia uma condição nisso, não aceitaria de volta o garoto caso Joel quisesse o devolver.

O bandido temido na região alegou a Timothy que não pretendia devolver mesmo o garoto, pois tinha futuros planos para sua ''aquisição''. Sendo assim, Timothy vendeu o enteado na mesma hora e sem qualquer remorso.

Acordo feito...

Dinheiro entregue...

E logo depois o inescrupuloso padrasto levou Joel a sua velha casa de madeira com três cômodos para que o homem apanhasse a ''mercadoria'' por ele comprada. Nem bem chegou a casa, Joel já saía dela levando junto consigo o garoto assustado e confuso que acabava de comprar.

O menino mesmo não entendendo nada acompanhou sem objeção alguma o homem que ele já conhecia, pois ambos haviam se visto semanas atrás e na ocasião Benson havia dado ao garotinho uma boa gorjeta por ele ter reparado seu carro, quando o deixou parado em frente a uma boate onde entrou para fazer algumas novas ''aquisições'' de garotas para seu cabaré.

Foi depois desse encontro e mais alguns outros no qual tiveram, que Joel resolveu comprar o garoto. Primeiro mandou um de seus homens descobrirem tudo sobre o menino e com as informações que obtivera, procurou o padrasto do mesmo para lhe fazer uma oferta por ele.

Indagado certa vez por um de seus homens a respeito do porquê do interesse no menino, o cafetão respondeu que via muito de si naquele garoto. O menino tinha os mesmos olhos azuis com sede de poder, de vencer e de... Trapacear, como Joel tinha na sua idade. E como não tivera filhos por conta de ser estéril desde nascimento, Benson escolheu adotar aquele garoto desconhecido como seu herdeiro. E se sua intuição estivesse certa, o menino seria um herdeiro a altura.

Após tirá-lo do padrasto, a primeira coisa que Joel fez foi providenciar um registo falso do garoto em seu nome. Colocou nele o nome de seu pai, William Benson. A princípio o menino não quis aceitar aquilo, porque seu nome de batismo era uma homenagem ao pai, segundo sua mãe contava. Vendo a resistência do menino quanto a aceitação do novo nome, Joel sentou-se com ele e explicou ao filho que infelizmente, teriam que mudar seu nome até mesmo pelo seu bem. E completou alegando, que um novo nome era uma forma de deixar seu passado para trás e iniciar uma nova vida. Mesmo ainda não gostando muito dessa ideia de ter outro nome, o garoto cedeu e concordou com aquilo.

— Você agora é meu filho, olhos azuis.

O sujeito olhou para o menino ao seu lado no banco do carro e sorriu deixando visível seus dois dentes de ouro. Na mão de Joel a certidão falsa do garoto. A falsificação era tão perfeita que nunca iam pensar que era mais falsa do que nota de três.

— Eu vou ter que te chamar de pai? — o menino tinha uma careta ao indagar.

— Se você quiser. Mas se não pode chamar só de Joel mesmo, que não tem problema. — piscou o homem mexendo nos cabelos castanhos do menino. — Toca para o cabaré, Keaton.

— Sim, senhor.

Com o passar dos dias o menino sentia-se contente por estar com Joel e ter se livrado de vez do padrasto. Com aquele homem que se dizia agora seu pai, ele não era mais explorado, nem passava fome e muito menos, apanhava como acontecia quando estava vivendo com Timothy.

Joel lhe tratava muito bem, como um filho mesmo. Nada de castigos, de fome, de exploração. Nada de ruim, pelo contrário, William passou a viver como um rei bem tratado por todos.

Will como o garoto passou a ser chamado pelas pessoas de seu novo convívio, foi crescendo em um antro, cercado de prostitutas, traficantes e bandidos da pior espécie. E em virtude disso, foi pouco a pouco perdendo o resquício de inocência que ainda havia nele e adquirindo uma personalidade que em nada orgulharia sua falecida mãe, uma mulher religiosa e de princípios.

E à medida que William foi se tornando adulto, Joel foi lhe ensinado tudo o que sabia sobre trapaças e como aplicar golpes em outras pessoas a fim de obter grana fácil. Foi justamente para isso mesmo que o homem havia comprado o garoto, para transformá-lo em um bandido que lhe rendesse grana.

O homem fez de William sua imagem e semelhança, tanto que dezenove anos depois, Will já um homem feito e com seus trinta anos, era um perfeito criminoso capaz de dar qualquer golpe que fosse e em quem quer que fosse, a fim de obter grana fácil, como Joel fazia e lhe instruíra a fazer.

O garoto agora homem, vivia do dinheiro que conseguia ganhar com os golpes aplicados em outras pessoas a mando de Joel, que era quem ficava com a maior parte da grana conseguida. Só que ficar apenas com as ''migalhas'' da grana que conseguia já não satisfazia mais William. Ele queria ficar com todo o ''lucro'' dos golpes que dava, sem ter que dividi-lo com o mentor e pai. Will queria ganhar sua própria grana, isso sim.

Com isso em mente, ele resolveu sumir, se mudar para outro lugar longe de Joel e assim começar a ganhar sua própria grana fácil. Porém, antes de ganhar o mundo, ele aplicou um golpe naquele que fora seu mestre na arte do crime. Tirou de Joel todo o dinheiro que ele mantinha guardada no cofre de seu escritório no bordel. Era muita grana, o bastante para Will que a levou toda consigo como uma forma de ressarcimento pelos anos em que deu boa parte dos seus lucros a Joel. Assim que pegou a grana, uma semana após tomar a decisão de se mandar dali, William partiu sem o conhecimento de Joel que só deu por sua falta e a da grana dois dias depois.

A grana que pegou de Joel deu para William viver muito bem por meses e meses em San José. Nessa cidade ele começou a viver dos golpes que aprendera a aplicar desde jovem. Meses depois já havia juntado a grana que ganhara nos golpes com a que já tinha roubado de Joel e ficara com uma boa bolada. Mas em uma noite, a ganância o fez perder tudo na mesa de jogo para um cara chamado Gary.

O sujeito, um negro de olhos verdes feito duas belas esmeraldas, era mais fera do que Will no jogo de cartas e desta forma, acabou levando toda a bolada que William havia juntado.

Esse mesmo Gary que ''depenara'' Will no jogo há um ano, acabou virando seu ''parceiro'' de crime alguns meses depois daquela noite de depena.

Notas finais
Este é o nosso bandido. Foi basicamente a apresentação a respeito dele.

E aí, o que acharam?

Reforçando que ele será o grande carrasco de Sara.

Agora espero as impressões e teorias que vocês possam ter formado a respeito do nosso bandido. Só para avisá-las, ele é alguém conhecido. Seu nome verdadeiro só será revelado alguns capítulos mais pra frente. Por enquanto será William.

O próximo capítulo só em algumas semanas.

Bjs