O Garoto da Casa Verde

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Conversamos sobre nossas, vidas, novamente ele me perguntou dos desenhos, contei que era uma forma de me expressar e que estava começando a lidar com a morte do meu pai, ele me contou que seus pais estavam começando a ter brigas muito feias na sua casa, que como irmão mais velho ele tem de orientar seus irmãos, que entende a minha perda. Até que os nossos lanches chegaram, paramos de conversar por um tempo saboreando os nossos pedidos,até que com a boca cheia sentindo o maravilhoso sabor do queijo disse:

—Esse lanche está maravilhoso! Não acredito que não me falou desse lugar antes!

Nem um pouco descente, começou a rir da minha cara, ficando todo vermelho de tanto dar risada, o que eu achei muito fofo, registrando na minha cabeça para um futuro desenho.

Ele deu uma longa bebida no seu milk shake e falou:

—Você vai gostar muito do lugar onde vou te levar.

Eu sorri para ele.

Passamos longo para a sobremesa, quando eu me perdi em pensamentos.

Estava cavalgando em um cavalo negro como a noite, num lindo vasto de gramas e arvores de maças e laranjas enormes com ele em um cavalo branco lindo com a roupa num azul claro mostrando suas lindas covinhas, quando eu o ouvi chamar minha atenção:

—Clara? Está gostoso o pudim?

Eu levantei meus olhos chocada, perdida, quando olhei para as minhas mãos, a colher estava intacta, então rapidamente, peguei uma colherada do pudim e dei um sorriso tentando disfarçar da minha viajem:

—Nossa que pudim gostoso!

Ele certamente percebeu a minha pequena viajem, pois estava sério, pegou na minha mão e perguntou:

—Está tudo bem?

Eu olhei para ele, terminando o pudim na boca que realmente estava gostoso, apenas apertei sua mão e falei:

—Está sim. E que sempre paro e penso nas coisas da minha vida assim sem querer.

Foi a pior justificativa que eu dei, ele simplesmente deu um sorriso caloroso, aceitando minha desculpa, pagou a nossas contas mesmo eu tendo dito que pagaria e fomos para dentro do shopping, e pela primeira vez ele segurou nas minhas mãos mantendo o meu corpo perto do seu.

Antes de entramos, ele tampou minha visão com as suas mãos, ele parecia nervoso tanto quanto eu, eu me sentia muito bem e a vontade com ele apesar de sermos dois adolescentes a sensação era de duas crianças brincando uma com a outra.

Assim que ele tirou as mãos eu vi era um playgraund do shopping, com vários tipos de jogos com luzes muito alegres piscando, eu fiquei encantada, a minha boca foi ao chão, estava muito surpresa nunca tinha ido num lugar assim apesar de já ter visto algo semelhante em filmes, mas pessoalmente era outra realidade.

O ambiente era enorme, parecia pegar um piso inteiro do shopping, tinha uma pequena roda gigante, um barco, uma loja ao fundo para trocar os ticktes por prêmios a cada jogo.

Eu sabia que iriamos passar o dia todo naqueles brinquedos, quase correndo em direção a um brinquedo de luta eu gritei para ele sobre o ombro:

—O vencedor fica com o maior prêmio!

Então eu o senti correr na minha direção enquanto eu chegava na maquina para começar a brincar.

Nunca me senti tão feliz naquele dia, voltei a ser a criança mais feliz, e as preocupações da vida como a morte do meu pai ficou para trás.

E além do mais tinha ganhando a maioria dos jogos mesmo nem os conhecer.

Quando estávamos na roda gigante, ele tinha comprado algodão doce para nós dois, como aquelas cenas de um filme, demos várias risadas um do outro, sentamos um tão junto do outro, que num momento em que estava subindo as cadeiras, ele passou um braço nas minhas costas, e quando ele tocou com a outra mão seus dedos em minha bochecha, a sensação de que só estava nós dois naquele enorme lugar se fez presente mais do que nunca.

Ele se virou para me olhar com aqueles lindos olhos verdes e como algo que nem os dois parecia esperar, ele se aproximou de mim encostando sua testa na minha, até que com sua coragem quando estávamos no alto, já escuro o ambiente, ele junto seu rosto no meu e senti seus lábios devagar e doces nos meus, foi um beijo muito gostoso, ele mordia de vez em quando o canto da minha boca as vezes intensificando o beijo.

Foi só quando ele estava direcionando a câmera para nós dois tirando uma foto, que me dei conta da realidade, me afastando de seus braços.