O Garoto da Casa Verde
12 O Garoto da Casa Verde 12
Notas iniciais
As minhas veias gelaram, era como se por algum motivo a atmosfera tivesse mudado naquele momento, como se eu tivesse sido empurrada daqueles braços como se a realidade tivesse batido no meu rosto. Eu o empurrei me afastando dele como se tivesse alguma doença e então, fechei os olhos e no momento em que ia perguntar ele estava para guardar a câmera:
—Eu vi Edu sua câmera, por que você tirou foto nossa nos beijando?
Ele ficou vermelho, seus ombros estavam rígidos como tivesse sido pego fazendo algo muito errado, mas ele então suspirou, sorriu para mim e simplesmente disse:
—Eu só queria registrar o nosso momento.
Eu não estava acreditando, não que fosse ruim registrar aquele beijo, mas em algum lugar dentro de mim sabia que não estava agindo assim com o objetivo de registrar, sabia que alguém o tinha pedido para fazer aquilo, mas eu simplesmente cruzei os braços, franzi a sobrancelha e olhei para baixo vendo a nossa cabine da roda gigante chegar ao chão ao falar:
—Por que você precisa registrar?
Ele simplesmente guardou a maquina, colocou a mão em meu queixo me fazendo olhar para ele dizendo mais seguro do que estava:
—Eu quero guardar esse momento para mim, tem algum problema nisso?
Eu fechei os olhos sobre o exame dos seus, suspirei e sentia que aquelas palavras eram apenas desculpas que a verdade ele não queria contar, então fingindo que tinha acreditado, dei um pequeno sorriso no canto e falei:
—Está bem. Mas agora que eu lembrei, vou precisar ir embora minha mãe vai me levar ao dentista hoje.
Ele comprou um bicho de pelúcia azul para mim, conversamos sobre algumas poucas coisas, apensar do clima tenso que era visível pairando sobre nós depois daquele doce e estranho beijo, ele falou que tinha vontade de fazer veterinária, e que tinha se divertido comigo, mas mesmo assim, eu estava longe tentando entender o que tinha acontecido.
Fiquei me remoendo o caminho todo, queria poder entender o que tinha acontecido, não parecia que conseguirei vê-lo de novo.
Ao chegar na porta da escola depois de pegar a minha mochila do armário do colégio, ele sorriu para mim e beijou a minha bochecha ao dizer:
—Mal posso esperar para sair com você mais vezes Clara, eu realmente me diverti muito.
Ele passou as mãos em meu cabelo, senti o seu suave perfume, vi que seus braços estavam malhados e fortes, ele parecia estar sendo sincero quando falava comigo, eu me sentia avontade ao seu lado, ele me fazia sentir bem, podia falar qualquer bobagem que ele dava aquele seu sorriso maravilhoso e ria comigo, sabia em algum lugar que aquela tranquilidade e paz que sentia era reciproco, mas parecia que algo muito errado com ele e comigo estando naquele colégio estava acontecendo ou iria acontecer, não tinha certeza do que era, mas estava preparada para o que tivesse que vir.
Então estendi meus braços e envolvi seu pescoço e seus braços com os meus, colocando minha cabeça em seu ombro e fechando os olhos, ele não tinha esperando.
Mas quando eu senti que seus musculosos e fortes braços envolveram minha cintura, eu suspirei profundamente o seu perfume ao dizer:
—Muito obrigada Edu por esse dia especial.
Me afastei um pouco tonta, dei um sorriso fraco e beijei sua bochecha e falei:
—Até mais. Fique com Deus.
Fui andando pelas largas causadas de pedra, sentindo seu perfum e ainda em minha roupa, sentindo os ultimos raios de sol do fim da tarde bater em meu olho, assim que abri os olhos já estava algumas quadras longe do colégio, e ainda sentia que apesar das barreiras alguma coisa poderia acontecer.
Sentia a minha cabeça pesada de preocupações do que aquela foto poderia gerar, mas precisava fazer alguma coisa para me ocupar, os desenhos que fazia e os estudos a tarde não eram o suficiente para me desligar e me distrair.
A primeira coisa que pensei quando deitei a cabeça no travesseiro, era como seria bom poder ter o meu dinheiro para comprar minhas coisas e ajudar um pouco a minha mãe. Então pensei não tinha idade o suficiente. Mas lembrei dos buffet de aniversário nos finais de semana que contratava menores e o melhor ainda, eu tinha dinheiro que sobrará da minha mãe para imprimir e distribuir currículos.
E foi o que eu fiz, antes de dormir naquela noite, fui até o meu computador que estava na escrivaninha do meu quarto e comecei a escrever o melhor que pude de um currículo de uma garota com 15 anos, escrevendo que fazia curso de inglês, que fiz aulas durante seis meses em aprofundamento em desenho e aquarela e antes que estivesse tarde e muito cansada já tinha umas vinte copias do currículo sabendo que tinha vários buffet espalhados por ruas do nosso bairro e perto da escola e que algum provavelmente iria me contratar e que teria menos tempo para pensar e nele.
Eu finalmente poderei ajudar a minha mãe pagando as minhas coisas, ajudando com um pouco a pagar minha mensalidade do colégio e ficarei feliz em cuidar e brincar com crianças, pois eu adorava e me dava bem com qualquer faixa etária, lembrando de uma vez que meu pai me levou a um hospital que trabalha com crianças com câncer e eu adorei brincar com elas.
Antes de pegar no sono, com a coberta quente enrolada no meu corpo, me peguei em lembranças daquele beijo, antes da foto estragar tudo o quanto foi especial, doce e gostoso suas mãos envolvendo as minhas, nossos corpos juntos, sua perna acariciando o jeans da minha, a cocega que seus sedosos cabelos cor do sol fez em meu rosto, nunca pensei que o meu primeiro beijo tivesse sido tão bom e por ultimo com o garoto que eu gostava a muito tempo.
Sentindo o resto do gosto de seus lábios no meu e seu doce perfume dormi no meu macio travesseiro agradecida por aquele dia.
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