O Garoto Feito de Sol e Terra

88 Capítulo 88 — Voltar no Tempo


O silêncio entre eles parecia maior do que qualquer espaço físico.

Subiram para o apartamento sem trocar muitas palavras, sem saber exatamente o que estavam fazendo ou por que estavam ali. No elevador, Leo manteve os olhos fixos no painel, observando os números mudarem, enquanto Eduardo o olhava pelo canto do olho, sem coragem de dizer nada.

Quando as portas se abriram, Leo saiu primeiro, destrancou a porta do apartamento e entrou, indo direto para a cozinha pegar um copo de água. Eduardo parou na entrada, olhando ao redor. Ele sabia que Diego estava viajando a negócios. O apartamento estava silencioso demais, sem sinais da presença de outra pessoa além de Leo.

Eduardo respirou fundo, tentando aliviar a tensão no peito.

— Você mora aqui há quanto tempo? — Ele perguntou, tentando cortar o silêncio.

Leo deu um gole na água antes de responder, sem muito interesse.

— Um ano.

Eduardo assentiu, observando mais atentamente a decoração. Era um lugar bem organizado, moderno, sem muitos excessos. Tinha a cara de Leo: prático, direto, sem firulas desnecessárias.

Leo terminou de beber e deixou o copo na pia, passando uma mão pelos cabelos. Depois caminhou até a sala e se jogou no sofá, pegando o controle remoto e ligando a televisão.

Eduardo hesitou.

Ele se sentia um estranho ali, deslocado, sem saber se deveria ficar ou ir embora. Mas algo dentro dele dizia para não sair.

Com um suspiro, caminhou até o sofá e se sentou ao lado de Leo.

Ficaram assim por um tempo, sem trocar palavras, apenas com o som da televisão preenchendo o ambiente.

Mas Eduardo sabia. Ele sentia.

A energia no ar estava carregada.

Leo estava inquieto. Ele movia as mãos sobre as próprias pernas, mordia o lábio, desviava o olhar da tela constantemente.

Eduardo tentou manter o foco na televisão, mas então sentiu.

A mão de Leo tocou seu braço de leve, deslizando lentamente até seu ombro.

O toque era hesitante no começo, mas depois se tornou mais firme, mais decidido.

Eduardo virou o rosto para encará-lo.

Os olhos de Leo estavam escuros, intensos, carregados de algo que Eduardo reconhecia muito bem.

Leo não disse nada. Apenas manteve o olhar.

Não precisavam de palavras.

Eduardo não hesitou.

Se inclinou para frente, e antes que qualquer dúvida surgisse, capturou os lábios de Leo nos seus.

O beijo foi urgente.

Uma mistura de saudade, necessidade e desejo reprimido por anos.

As mãos de Leo foram direto para a nuca de Eduardo, puxando-o para mais perto. Eduardo, por sua vez, deslizou os dedos pelos cabelos de Leo, aprofundando o beijo sem pensar em mais nada.

Não existia culpa, não existia passado.

Só existia aquilo.

Os lábios se movendo, as respirações se misturando, os corpos se aproximando como se nunca tivessem se separado.

E eles mataram a saudade.

Se beijaram como se o tempo não tivesse passado. Como se nunca tivessem se afastado. Como se fossem os mesmos garotos de antes, presos um no outro, sem medo, sem reservas.

Só existiam os dois.

O beijo começou a ficar mais intenso, mais quente, como se anos de saudade e desejo reprimido estivessem finalmente encontrando uma saída.

As mãos de Eduardo deslizaram pela cintura de Leo, enquanto os dedos de Leo se agarravam aos cabelos dele, como se quisesse impedir que ele fosse embora de novo.

Os corpos se moviam um contra o outro, e o calor aumentava a cada segundo. Eduardo sentiu a pele arrepiar, o sangue pulsar mais rápido, o coração bater forte contra o peito.

Era isso.

Com Leo, sempre era isso. A melhor sensação do mundo.

Não existia nada que se comparasse.

Leo sentia o mesmo.

Ele sabia que nunca havia sentido isso com Diego. Nunca tinha sentido esse fogo, esse arrepio que vinha de dentro, essa necessidade absurda que fazia o corpo inteiro tremer.

Eduardo segurou seu rosto com as mãos, aprofundando o beijo, as línguas se encontrando num ritmo que só eles entendiam.

Leo gemeu contra os lábios dele.

E aquilo foi o suficiente.

De repente, Leo se levantou, ainda agarrado a Eduardo, e o puxou pela mão, sem hesitação, sem palavras, sem precisar de nenhuma confirmação.

Eduardo o seguiu sem resistência, o corpo já em chamas, a mente tomada por um único pensamento: Leo.

Quando atravessaram o corredor e Leo abriu a porta do quarto, Eduardo sentiu um choque de realidade cortando através do desejo avassalador que tomava conta do seu corpo.

Era ali.

No quarto onde Leo dormia todas as noites.

O quarto que ele dividia com Diego.

Eduardo sentiu a respiração falhar por um instante.

O desejo ainda queimava em sua pele, pulsava em cada músculo, em cada centímetro de seu corpo que implorava por mais. Mas, no meio daquela febre que era estar com Leo de novo, sua mente gritou.

O que estavam prestes a fazer era perigoso. Irreversível.

Eduardo parou na soleira da porta, o peito subindo e descendo rapidamente.

A consciência tentava se sobrepor ao desejo, tentando fazê-lo enxergar as consequências. Mas então Leo se virou para ele, e qualquer resistência vacilou.

Os olhos de Leo estavam escuros, intensos. Havia desejo ali, sem dúvida, mas também havia algo mais profundo, algo que puxava Eduardo para aquele abismo sem que ele pudesse lutar contra.

— Você tem certeza? — Eduardo perguntou. Sua voz saiu rouca, tensa.

Leo respirou fundo, e sem desviar o olhar, respondeu:

— Sim.

A palavra foi firme, sem hesitação.

Eduardo sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

E então entrou, fechando a porta atrás de si. E qualquer pensamento racional morreu ali.

O beijo era urgente, faminto, um choque elétrico entre dois corpos que ansiavam por se consumir por inteiro. Eduardo segurou o rosto de Leo com firmeza, como se quisesse se certificar de que aquilo era real, de que Leo estava ali, debaixo de suas mãos, se entregando sem reservas.

Leo puxou Eduardo pela camisa, os dedos ágeis desabotoando-a enquanto suas bocas continuavam coladas, se movendo desesperadas, tentando compensar os anos perdidos em um único beijo.

Eles tropeçaram juntos até a cama, os corpos colidindo com o colchão macio. Eduardo caiu sobre Leo, seus lábios nunca se separando, seus toques se tornando mais vorazes.

As mãos de Leo desceram pelas costas de Eduardo, unhas cravando na pele quente, fazendo Eduardo soltar um gemido abafado contra a boca dele.

— Porra… — Eduardo arfou, os olhos semicerrados, olhando para Leo debaixo dele.

Leo não falou nada em resposta, apenas puxou Eduardo para mais perto, suas pernas se enroscando enquanto seus corpos se pressionavam, cada movimento gerando uma faísca, um incêndio.

Peça por peça, as roupas foram removidas.

Eduardo beijava cada pedaço de pele que era revelado, suas mãos explorando, relembrando cada curva, cada músculo, cada arrepio que causava em Leo.

E quando finalmente não havia mais nada entre eles, quando Leo estava ali, completamente entregue, Eduardo sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

Eduardo, por fim, se posicionou entre as pernas de Leo, as mãos segurando firmemente sua cintura, o coração batendo tão forte que parecia querer sair do peito.

E quando finalmente se uniram, quando Eduardo deslizou para dentro do corpo quente de Leo, um som escapou de sua garganta, algo entre um gemido e um suspiro trêmulo.

O aperto, o calor, o jeito como Leo se moldava a ele de maneira tão perfeita…

Eduardo quase gozou ali mesmo.

Porque, porra... era Leo.

Ele fechou os olhos com força, tentando respirar, tentando se controlar.

— Caralho… — Ele sussurrou, a voz falha, os dedos apertando os quadris de Leo como se isso pudesse segurá-lo no presente, no agora, e não levá-lo à loucura completa.

Leo arqueou as costas, um gemido escapando de seus lábios, e Eduardo soube que estava perdido.

Leo, deitado na cama, com o corpo quente e completamente entregue, ergueu o olhar para Eduardo acima dele.

A luz fraca do quarto delineava cada detalhe do homem que estava ali, se movendo dentro dele, tomando-o para si de uma maneira que ninguém jamais conseguiu.

Eduardo não era mais o garoto do passado.

O corpo não era mais de um adolescente inexperiente e inseguro.

Os ombros estavam mais largos, os músculos definidos pela vida adulta, pela rotina, pelo tempo. O peito subia e descia ofegante, marcado por pequenas cicatrizes, detalhes que Leo nunca tinha visto de perto antes. As veias nos braços, tensas pelo esforço, pareciam saltar sob a pele.

E os olhos…

Os olhos ainda carregavam aquele brilho intenso que Leo lembrava tão bem. Mas havia algo mais agora. Algo mais maduro, mais intenso, mais profundo.

A beleza de Eduardo, aprimorada pelo tempo e marcada pela vida adulta, era uma visão quase insuportável de se ver, uma atração pura e simples, poderosa o suficiente para desmanchar a pouca sanidade que ainda restava em Leo.

Eduardo mordia o lábio inferior, concentrado, o olhar cravado no dele enquanto investia contra seu corpo com precisão e desejo desenfreado.

E Leo sentiu.

Cada toque, cada movimento, cada centímetro da pele de Eduardo queimando contra a sua.

Sentiu como se estivesse voltando no tempo e, ao mesmo tempo, vivendo algo novo. Algo que ele tentou apagar por anos, mas que agora, inevitavelmente, o consumia por inteiro.

Leo arquejou, segurando os lençóis ao lado do corpo, sentindo o prazer subir como uma onda incontrolável.

Eduardo se inclinou, trazendo suas bocas para perto, sua respiração misturando-se à de Leo, sua voz rouca e trêmula sussurrando contra os lábios dele:

— Eu sonhei com isso tantas vezes…

Leo não respondeu.

Ele não conseguia.

Sua mente estava tomada por uma névoa densa de desejo e prazer.

A única coisa que fez foi se agarrar a Eduardo, cravar as unhas em suas costas e puxá-lo para ainda mais perto, como se isso fosse o suficiente para preencher todos os anos de distância entre eles.

Eduardo gemeu baixo contra sua pele, sua boca deslizando pelo pescoço de Leo, explorando cada pedaço de pele que encontrava. Seus movimentos eram firmes, controlados, mas havia um desespero escondido ali, como se ele quisesse gravar aquele momento na memória para nunca mais esquecer.

Leo sentia tudo. Sentia Eduardo dentro dele, sentia a respiração quente em sua clavícula, sentia o suor deslizar pela pele de ambos.

Sentia-se em torpor.

Era como se estivesse flutuando, como se a única coisa que existisse fosse aquele momento, aquele toque, aquele corpo pressionando o seu.

E Eduardo…

Eduardo estava tão perdido quanto ele.

Os olhos semicerrados, a expressão contorcida de puro prazer, os dedos apertando sua cintura como se temesse que Leo desaparecesse.

Nenhum dos dois queria pensar.

Nenhum dos dois queria lembrar do passado.

Ali, naquela cama, tudo que importava era o presente.


◄☼►


O quarto estava silencioso, exceto pelas respirações ofegantes que aos poucos iam se acalmando. O suor ainda brilhava na pele de ambos, o corpo de Leo ainda tremia levemente sob os lençóis revirados.

Eduardo, ainda tentando recuperar o fôlego, se moveu lentamente e, sem pensar, passou um braço ao redor de Leo, puxando-o para perto.

Era um gesto instintivo, inconsciente.

Como se seu corpo soubesse exatamente o que fazer antes mesmo que sua mente processasse.

Leo não disse nada.

Não se afastou, não protestou.

Pelo contrário, relaxou contra Eduardo, sentindo o calor que emanava dele, o jeito como o braço forte o envolvia, como se quisesse protegê-lo de algo invisível.

A respiração de Eduardo batia contra a nuca de Leo, lenta, pesada, e por um momento, pareceu tão certo estar ali, daquele jeito, que Leo quase se permitiu acreditar que aquilo podia durar.

Mas não podia.

Eles sabiam disso. Mesmo assim, nenhum dos dois falou nada.

Nenhuma palavra. Nenhuma promessa.

Ficaram apenas ali, presos naquele silêncio pesado, no calor um do outro.

Até que, sem perceber, o cansaço os venceu.

E dormiram.


◄☼►


Leo despertou lentamente, a respiração ainda calma, sentindo o calor de um corpo junto ao seu.

Por um segundo, seu coração parou.

A sensação era familiar, confortável de um jeito perigoso.

Mas então, a memória da noite anterior veio como um soco.

Ele sentiu o peso de um braço forte envolvendo sua cintura, o peito firme de Eduardo pressionado contra suas costas. A respiração dele era quente e ritmada, ainda mergulhada no sono profundo.

Não foi um sonho.

Foi real.

Leo fechou os olhos com força, tentando ignorar o aperto sufocante em seu peito. Ele queria desesperadamente que aquilo fosse um devaneio qualquer, uma alucinação trazida pelo desejo reprimido, pela saudade camuflada.

Mas era real.

Ele fez uma merda enorme.

Com cuidado, tirou o braço de Eduardo de cima de si e se levantou devagar, sentindo a pele ainda sensível, marcada pelos toques e beijos da noite anterior. Vestiu qualquer peça de roupa que encontrou no chão e caminhou até o banheiro, fechando a porta atrás de si.

O silêncio era ensurdecedor.

Ele se encarou no espelho, as olheiras marcadas, os lábios ainda vermelhos, o cabelo bagunçado.

E a única coisa que sentiu foi vergonha.

Vergonha por ceder.

Vergonha por, depois de anos, ainda se sentir o mesmo garoto perdido que sempre acabava nos braços de Eduardo.

Vergonha porque, mesmo sabendo que aquilo era errado, tinha se entregado como se nada mais importasse.

E pior de tudo…

Ele traiu Diego.

Diego, que sempre teve ciúmes de Eduardo. Diego, que sempre fez questão de afirmar que Eduardo queria algo dele. E agora…

Leo soltou um suspiro trêmulo, sentindo os olhos arderem. Ele tentou segurar, tentou respirar fundo, mas não conseguiu.

O choro veio sem aviso, sufocado e amargo.

Ele se sentou na tampa do vaso sanitário, as mãos apertando os cabelos, o peito subindo e descendo em soluços contidos.


◄☼►


Eduardo despertou lentamente, sentindo o calor ainda impregnado nos lençóis. Seus braços se estenderam automaticamente para o lado, buscando o corpo de Leo, mas encontrou apenas o vazio.

Franziu o cenho, piscando algumas vezes para espantar o sono. O quarto estava silencioso, a luz fraca do amanhecer se infiltrando pelas frestas da cortina. Ele se sentou na cama, passando a mão pelo rosto, até que ouviu um barulho vindo do banheiro.

Eduardo se levantou, caminhando descalço pelo quarto até a porta do banheiro. Bateu duas vezes.

— Leo? — Sua voz saiu rouca de sono. — Tá tudo bem?

Silêncio.

Eduardo esperou alguns segundos, mas não obteve resposta.

Algo dentro dele se revirou.

Ele encostou a testa na madeira da porta, respirando fundo.

— Leo… — Tentou de novo, com mais suavidade.

Nada.

O som do chuveiro sendo desligado. O barulho da toalha sendo puxada apressadamente. E então, a maçaneta girou.

Leo saiu, ainda com os cabelos molhados, o rosto pálido, os olhos vermelhos, como se não tivesse dormido nada ou… tivesse chorado.

Eduardo percebeu na hora.

— Leo… — Ele começou, mas o olhar que recebeu em resposta foi cortante.

— Você tem que ir embora. — Leo disse de imediato, sem hesitação.

Eduardo piscou, confuso.

— O quê?

— Vai embora, Eduardo. — A voz de Leo estava estranhamente fria, mas sua expressão denunciava o caos interno.

Eduardo ficou parado por um segundo, tentando processar, mas então viu o modo como Leo apertava os punhos ao lado do corpo. O jeito que respirava mais fundo, como se estivesse tentando controlar alguma coisa que ameaçava transbordar.

E então, veio. A verdade crua, brutal, esmagadora.

— Eu traí o Diego. — A voz saiu amarga, carregada de culpa, envenenando cada palavra. — Eu traí meu namorado… com você.

Eduardo abriu a boca, buscando algo para dizer, mas Leo não deixou espaço.

— Eu passei tanto tempo tentando seguir em frente. — A voz dele falhou, o peito subindo e descendo rápido. — Tentando esquecer, tentando me convencer de que o passado não importava mais. Mas olha pra mim. — Os olhos dele brilhavam de frustração. — Eu sou o mesmo idiota de antes. Sempre cedendo pra você.

Eduardo sentiu o peito apertar, mas Leo não queria olhar para ele. Não queria ver a expressão dele, não queria ver nada.

Porque nada no mundo poderia apagar o que aconteceu.

O que ele fez.

O que ele sentia.

Eduardo tentou falar, mas Leo ergueu a mão, como se não quisesse ouvir.

— Você precisa sair daqui. Agora.

Eduardo deu um passo à frente, hesitante.

— Leo, calma. Você não precisa—

— Eu já disse pra você sair, Eduardo! — Leo o cortou, firme.

E então, Eduardo soube que não tinha escolha.

Ele voltou para o quarto, pegou suas coisas, se vestiu em silêncio e, sem dizer mais nada, saiu do apartamento.

A porta se fechou atrás dele.

E do outro lado, Leo deslizou contra a parede do quarto, enterrando o rosto nas mãos, sentindo o peso esmagador da culpa e do arrependimento.


◄☼►


Nos três dias seguintes, Leo se fechou completamente.

Ele ia para o trabalho, cumpria suas tarefas com precisão cirúrgica, mantinha as conversas estritamente profissionais e voltava para casa como se estivesse no piloto automático.

Nada além do essencial. Nada além do necessário. Dentro dele, no entanto, tudo era um turbilhão.

A culpa o corroía, martelando sua mente sem descanso.

Ele traiu Diego. E não foi só uma traição qualquer. Foi com Eduardo.

O mesmo Eduardo que Diego sempre teve ciúmes. O mesmo Eduardo que Diego sempre soube que era um problema.

E, no fundo, Leo também sabia que algo assim poderia acontecer.

Mas, no momento em que aconteceu, nada disso importou. No momento em que Eduardo o tocou, no momento em que o olhou daquele jeito, no momento em que sussurrou contra sua pele, tudo o que ele tinha construído nos últimos anos simplesmente desmoronou.

Ele voltou a ser aquele garoto do passado. Aquele garoto que nunca resistia a Eduardo.

E agora, Diego estava prestes a voltar.

Leo não fazia ideia de como olharia para ele.


◄☼►


Durante esses três dias, Eduardo não conseguiu tirar aquela noite da cabeça. Cada detalhe estava gravado em sua pele, em sua mente, em seu corpo. O calor de Leo, o som dos gemidos abafados contra seu pescoço, a maneira como seus corpos se encaixavam perfeitamente, como se o tempo não tivesse mudado nada entre eles.

Mas mudou. Mudou porque agora Eduardo sabia que não era um adolescente assustado fugindo de algo que não entendia. Mudou porque, mesmo depois de tudo, mesmo depois de anos separados, o que ele sentia ainda estava ali. Forte, visceral, impossível de ignorar.

Ele tentou se distrair. Enterrou-se no trabalho, mergulhando em reuniões, revisando contratos, tomando decisões que antes pareciam cruciais, mas agora não passavam de distrações vazias. Mas nada funcionava.

Leo estava lá. Em cada pensamento. Em cada momento de silêncio.

Então, ele fez o que sempre fazia quando sentia que ia enlouquecer.

Ligou para Fernando.

— Eu fiz merda. — Eduardo disse assim que Fernando atendeu.

— Finalmente uma novidade. — Fernando ironizou. — O que foi dessa vez?

Eduardo passou a mão pelo rosto, suspirando pesado.

— Eu dormi com ele.

O outro lado da linha ficou em silêncio por um momento.

— Você dormiu com quem? — A voz de Fernando saiu mais séria agora.

Eduardo fechou os olhos.

— Com o Leo, né?

— …Puta que pariu, Castilho.

Eduardo riu, sem humor.

— Pois é.

Fernando suspirou do outro lado.

— Me diz que ele não tá mais com aquele cara.

Eduardo fechou os olhos e recostou-se na cadeira.

— Eu queria poder dizer isso.

— Merda. — Fernando murmurou. — E como ele tá?

Eduardo ficou em silêncio.

Porque essa era a pior parte.

Ele não sabia.