O Garoto Feito de Sol e Terra
89 Capítulo 89 — Distância Segura
Diego chegou no início da tarde de domingo.
Leo estava no sofá, com a televisão ligada, mas não prestava atenção em nada. A cada minuto que passava, a tensão em seu peito crescia.
A porta do apartamento se abriu, e Diego entrou carregando sua mala. Ele largou-a ao lado da entrada e se aproximou com um sorriso satisfeito.
— Finalmente em casa. — Ele murmurou, inclinando-se para dar um beijo rápido na boca de Leo.
Leo sentiu o gosto familiar de Diego, mas tudo dentro dele se contraiu.
— Como foram essas duas semanas? — Diego perguntou, jogando-se no sofá ao lado de Leo, relaxado.
Leo forçou um sorriso, mas a resposta saiu automática, sem vida:
— Normais. Trabalho, casa… nada demais.
Diego não percebeu de imediato. Apenas se espreguiçou, passou a mão no cabelo e começou a contar sobre a viagem, sobre as reuniões, os eventos, as pessoas que conheceu.
Leo ouvia, mas não ouvia.
Ele só conseguia pensar no que tinha feito.
A culpa queimava dentro dele, se enroscava em seu estômago como um nó impossível de desatar.
Naquela noite, Diego dormiu ao seu lado como se nada tivesse mudado. Como se o mundo de Leo ainda fosse o mesmo.
Mas não era.
Leo não conseguia respirar direito.
Ele ficou deitado por horas, os olhos abertos na escuridão do quarto, sentindo o peso insuportável da traição.
Como ele poderia simplesmente fingir que nada aconteceu?
A consciência pesava, se acumulava em seu peito como um peso esmagador.
E então, sem mais conseguir suportar, ele se virou na cama, sentindo o corpo trêmulo de tensão.
— Diego…
Diego resmungou, meio sonolento.
— Hm?
Leo umedeceu os lábios secos. A boca parecia de areia. O peito subia e descia rápido.
— Eu… — Ele começou, sentindo a garganta se fechar. — Eu fiz uma merda. Grande.
O silêncio foi imediato.
Diego ficou completamente desperto, os olhos se abrindo no escuro.
— O que aconteceu? — Sua voz saiu lenta, perigosa.
Leo engoliu em seco, o estômago se revirando.
— Eu… — Ele fechou os olhos, sentindo o arrependimento bater ainda mais forte. — Eu te traí.
O quarto ficou completamente mudo.
A respiração de Diego ficou irregular. Leo não conseguia ver a expressão dele, mas sentia o peso do silêncio, sentia a tensão tomar conta do espaço entre os dois.
Até que Diego riu.
Baixo, seco, incrédulo.
— Você tá brincando comigo, né? — Ele murmurou, sentando-se na cama.
Leo não conseguiu responder.
Diego soltou um riso amargo, passando as mãos pelo rosto. Sua respiração estava descompassada, como se estivesse tentando se controlar.
Então, ele se virou para Leo.
— Não me diga que foi com o Castilho.
O silêncio de Leo foi a única resposta necessária.
Diego travou o maxilar, os olhos se estreitando com algo próximo ao ódio.
Ele respirou fundo, balançando a cabeça lentamente, como se estivesse tentando processar aquilo.
E então, o surto veio.
— PORRA, LEO! — Diego gritou, se levantando bruscamente da cama.
Leo encolheu os ombros, sentindo o coração martelar dentro do peito. Diego passou as mãos no cabelo, começou a andar de um lado para o outro, furioso.
— Eu sabia! Eu sempre soube que esse filho da puta tava te cercando! Sempre soube! Mas você me dizia que não era nada, que eu tava exagerando! E agora você…?
Ele riu sem humor, uma risada vazia e carregada de raiva.
— Me diz uma coisa: foram beijos ou…?
Leo fechou os olhos, sentindo o gosto amargo da verdade.
— Diego…
— VOCÊ TRANSOU COM ELE?!
O grito ecoou pelo apartamento, e Leo sentiu o sangue gelar. Seus olhos se encheram de lágrimas. Ele respondeu baixinho:
— Sim.
Diego congelou.
Seus punhos cerraram ao lado do corpo, os músculos tensos. Ele fechou os olhos por um instante, respirando fundo, mas era óbvio que estava lutando contra um impulso destrutivo.
Então, ele riu de novo, aquele mesmo riso vazio, cruel.
— Você me fez de otário esse tempo todo, né?
Leo sentiu o peito apertar ainda mais.
— Diego, eu não planejei isso, eu…
— Cala a porra da boca. — Diego rosnou, e pela primeira vez, sua voz saiu baixa, carregada de raiva.
Ele riu, mas não era uma risada real. Era fria, carregada de desprezo. Ele passou a língua pelos dentes, negando com a cabeça antes de soltar a primeira facada.
— Então foi só eu viajar que você abriu as pernas pro Castilho, né? — A voz era baixa, controlada, mas carregada de puro veneno. — Quanto tempo, Leo? Quanto tempo você tava esperando por essa oportunidade?
Leo sentiu o estômago revirar.
— Diego, por favor...
— Você tem ideia do que fez? — A voz dele era baixa, raivosa. — Eu te coloquei onde você está. EU. Fui eu quem te ajudou quando você era um estagiário fodido, sem nada, sem contatos, sem dinheiro. Eu apostei em você, Leo.
Leo sentiu o coração disparar.
— Diego, eu sei, mas—
— Cala a boca. — Diego cortou, sua voz mais afiada agora. Ele deu um passo à frente, os olhos queimando de ódio. — Eu te coloquei na Gravità. Foi MINHA indicação que te deu essa vaga. Se não fosse por mim, você nem teria essa merda de carreira que tanto preza. E é assim que você me agradece? Dando pra outro?
Leo sentiu um nó na garganta, o estômago afundando em puro desespero.
— Não foi assim, Diego…
— NÃO FOI? — Diego explodiu — Eu fui idiota o suficiente pra acreditar que você me respeitava. Que você era diferente das outras pessoas com quem me relacionei. Você é um ingrato, Leo. Eu fiz tudo por você. Eu te ergui, te coloquei onde você queria estar, não foi?
Leo sentiu o peito apertar ainda mais.
— Diego, eu nunca quis te machucar…
— Ah, mas machucou. — Diego rebateu de imediato, os olhos frios. — E agora você vai pagar por isso.
Leo sentiu o pânico crescer dentro de si.
— O que você quer dizer com isso?
Diego soltou um riso baixo, e então deu o golpe final.
— Você acha mesmo que vai manter sua carreira intacta depois de ter ferrado comigo?
Leo congelou.
— Diego…
— Eu te avisei, Leonardo. — Diego cuspiu seu nome com puro desprezo. — Te avisei pra não fazer esse tipo de merda.
Leo sentiu o corpo estremecer.
Ele nunca tinha visto Diego assim.
Nunca.
Ele se levantou da cama num movimento desesperado, sentindo as pernas trêmulas, o peito apertado em puro pânico.
— Diego, eu… — Ele tentou, a voz falhando, tentando encontrar palavras, qualquer coisa que amenizasse a situação, mas sabia que não havia nada a ser dito.
Diego o seguiu com o olhar, os punhos cerrados ao lado do corpo.
— Me diz que não foi aqui, nessa cama. — Ele exigiu, sua voz baixa e cortante.
Leo abriu a boca, mas não conseguiu falar. O ar parecia preso na garganta, sufocante, esmagador.
— ME DIZ, PORRA! — Diego avançou um passo, a voz explodindo pelo quarto.
Leo engoliu em seco, desviando o olhar.
O silêncio foi resposta suficiente.
Diego riu. Mas foi um riso seco, cruel, absolutamente vazio.
E então, antes que Leo pudesse reagir, o tapa veio.
A cabeça dele virou para o lado com a força do impacto, a ardência se espalhando pela pele em segundos. O choque fez o estômago de Leo despencar.
— Como você teve coragem? — Diego cuspiu as palavras, o olhar carregado de nojo.
Leo levou a mão ao rosto instintivamente, os olhos arregalados, o corpo inteiro tremendo. Ele queria dizer algo. Queria gritar, queria se defender, queria… queria qualquer coisa.
Mas a única coisa que sentia era um vazio insuportável crescendo dentro de si.
Diego passou a língua pelos dentes, cerrando os punhos novamente.
— Você é um ingrato, Leonardo. Um traidor. Sinto vergonha de você. — Diego cuspiu cada palavra como se fossem veneno. — Mas quer saber? Você não vai me envergonhar mais.
Leo sentiu o corpo tremer.
— Diego, por favor… — Sua voz era quase um sussurro, mas foi cortada de imediato.
— Você tem até amanhã pra sair da minha casa. — Diego sentenciou, seco, cada palavra soando como um soco.
Leo arregalou os olhos.
— O quê?
Diego cruzou os braços, o olhar impiedoso.
— Tá surdo? Esse apartamento é MEU. Tudo aqui é MEU. E você? — Ele riu de novo, negando com a cabeça. — Você só tá aqui porque eu deixei. Mas não mais.
Leo sentiu o pânico se espalhar. Ele nunca imaginou que Diego chegaria tão longe, que realmente o expulsaria.
— Diego, eu… eu não tenho pra onde ir agora, eu…
— Isso não é problema meu. — Diego o cortou, indiferente. — Você fez a sua escolha. Agora lide com as consequências.
O silêncio se estendeu pesado no quarto.
Leo sentiu os olhos arderem.
— Pelo menos… pelo menos me dá alguns dias.
— Eu já fui generoso demais, a minha vontade é de te jogar na rua nesse exato momento. — Diego rebateu e repetiu: — Até amanhã. Se vira.
Leo passou a língua pelos lábios ressecados, sentindo o peito afundar mais e mais. Ele deu um passo à frente, tentando se aproximar, mas Diego recuou de imediato, o olhar duro, cheio de repulsa.
— Eu não quero nem mais olhar pra você. Hoje vai dormir na sala. Nem encoste mais nessa cama. — Ele o encarou de cima a baixo, o desgosto evidente em cada traço do rosto.
A humilhação final.
Leo sentiu o ar faltar.
Diego não queria apenas que ele fosse embora. Queria esmagá-lo até o último instante. Queria deixá-lo pequeno.
E, naquele momento, Leo percebeu que tinha perdido tudo. Mas, no fundo, sabia que merecia aquilo.
◄☼►
Leo não dormiu naquela noite.
Passou as horas seguintes sentado no sofá do apartamento que já não parecia mais seu, com os olhos fixos em um ponto qualquer, enquanto tentava entender onde tudo desmoronou de vez. Mas a verdade era que ele sabia. Sempre soube. Diego nunca foi um cara fácil, e a relação dos dois já estava desgastada há tempos. O erro de Leo foi acreditar que poderia manter tudo intacto enquanto seu passado ainda assombrava seu presente.
Quando o sol começou a nascer, ele se levantou, pegou suas coisas e saiu. Não levou muita coisa. Só o essencial. Algumas roupas, documentos, seu notebook e seu celular. Não teve coragem de olhar para trás. Cada passo até a porta era um golpe seco, um lembrete do que tinha perdido, mas ainda assim manteve a cabeça erguida, desde o elevador até a rua.
O hostel que encontrou era pequeno e apertado, mas pelo menos oferecia um teto. Ele reservou duas semanas de estadia e tentou não pensar muito no futuro. Não sabia o que faria depois. A única coisa que sabia era que precisava continuar.
Quando chegou à Gravità naquela manhã, se sentia um zumbi.
O estômago estava embrulhado, as olheiras marcavam seu rosto e seu corpo inteiro parecia pesado. Mas ele não podia parar.
Trabalho. Ele precisava se concentrar no trabalho.
— Bom dia — murmurou para ninguém em particular ao entrar na agência. Alguns colegas responderam, outros nem notaram sua presença.
Mas Diego notou.
Estava ali, sentado em sua mesa, com os olhos fixos em Leo como se o estivesse esperando. Havia algo frio e cruel em seu olhar, um desprezo evidente que fez Leo desviar os olhos e seguir direto para sua mesa.
Ele não tinha tempo para isso. Não podia se dar ao luxo de fraquejar. Precisava manter a compostura, fingir que estava tudo bem, que não tinha passado a noite anterior sendo expulso do lugar onde morava.
Mas a verdade era que ele se sentia um lixo.
Na hora do almoço, foi até a copa buscar um café e encontrou Tati e Karina conversando. As duas pararam quando ele entrou. Tati o olhou com uma expressão curiosa antes de estreitar os olhos.
— Leo, você tá bem? — perguntou, inclinando a cabeça. — Tá com uma cara péssima.
Leo soltou um riso fraco, pegando a xícara e servindo o café.
— Só não dormi muito bem. — Deu de ombros, tentando parecer despreocupado.
— Tem certeza? — Karina cruzou os braços. — Porque, sério, parece que um caminhão passou por cima de você.
— Valeu pelo elogio — brincou, mas sua voz saiu sem vida.
Tati não pareceu convencida.
— Tem a ver com o Diego?
Leo congelou por um segundo, apertando a xícara entre os dedos, mas logo balançou a cabeça, forçando um sorriso.
— Não, nada a ver.
Tati franziu o cenho, sem parecer convencida.
— É mesmo? Você e o Diego estão meio estranhos hoje.
Leo suspirou, já cansado daquela conversa antes mesmo dela começar.
— Eu só preciso de café. — Bebeu um gole e olhou para as duas. — Dá pra gente mudar de assunto?
Tati e Karina trocaram olhares, claramente desconfiadas, mas não insistiram.
Leo sabia que não conseguiria sustentar essa mentira por muito tempo. Mas, por ora, precisava se manter firme.
Do outro lado da sala, Diego estava sentado, mas seus olhos estavam fixos nele. Leo sentiu o peso daquele olhar, sentiu o nó apertando ainda mais na garganta.
Isso era só o começo.
◄☼►
Leo tragou o cigarro fundo, sentindo a nicotina acalmar momentaneamente o turbilhão dentro dele. A manhã tinha sido um inferno. Tati e Karina estavam desconfiadas, Diego o ignorava o tempo todo, mas ao mesmo tempo, seus olhares pesavam sobre Leo como uma lâmina afiada.
Ele fechou os olhos por um instante, sentindo o vento frio bater contra seu rosto. Mas então, um arrepio percorreu sua espinha. Não era pelo vento.
Era Diego.
Leo abriu os olhos lentamente e viu a figura do namorado — ex-namorado — parado a poucos metros de distância. O coração dele disparou no mesmo instante. Diego se aproximou devagar, mãos nos bolsos, o semblante sério. Mas seus olhos, aqueles olhos carregados de algo sombrio, estavam cravados nele.
— Você já conseguiu lugar pra ficar? — A voz de Diego veio baixa, quase um sussurro, mas carregada de veneno.
Leo sentiu o estômago afundar.
Ele não respondeu. Só tragou o cigarro de novo, olhando para frente, tentando parecer impassível.
Mas Diego não recuou.
Ele inclinou a cabeça levemente, estudando cada detalhe de Leo, como se esperasse uma reação.
— É num daqueles hostels, né? — Diego soltou uma risada curta, cheia de desprezo.
Leo sentiu a mandíbula travar, seus dedos apertando o cigarro com mais força.
— Me deixa em paz, Diego.
Diego ergueu uma sobrancelha, como se achasse graça da resposta.
— Olha, espero que tenha sido um sexo muito bom mesmo. — A voz dele caiu para um tom mais baixo, carregado de sarcasmo. — Porque agora você tem que lidar com as consequências. E, acredite, Leo, elas nem começaram.
Leo desviou os olhos para longe, tentando não demonstrar que as palavras dele estavam o atingindo em cheio.
Mas Diego sorriu de canto.
Ele sabia que estavam.
◄☼►
O quarto era pequeno, mas pelo menos era só dele. Não tinha muito espaço além da cama estreita, um armário minúsculo e uma janela que dava para uma rua movimentada. Ainda assim, depois de tudo que aconteceu, Leo se sentia grato por ter pelo menos um teto sobre sua cabeça. Ele se jogou no colchão, sentindo o corpo exausto. O dia tinha sido longo, pesado, e a última coisa que ele queria era pensar.
Mas, claro, sua mente não colaborava.
A voz de Diego ainda martelava dentro de sua cabeça. A maneira como ele sorria com desprezo, como deixava claro que aquilo não estava nem perto de acabar. Leo sabia que Diego não era do tipo que simplesmente deixava as coisas passarem. Ele ia tornar tudo ainda mais difícil.
Ainda assim, Leo não se arrependia de ter contado sobre a traição. Por mais doloroso que tivesse sido, ele sabia que não suportaria viver naquela mentira por mais tempo. Além disso, manter a fachada de um relacionamento que já estava quebrado seria apenas prolongar o inevitável.
Ele passou as mãos pelo rosto, respirando fundo.
Só precisava de um tempo para descansar.
Só precisava respirar sem sentir o peso esmagador da culpa e da raiva sufocando sua garganta.
Seus olhos começaram a se fechar, o corpo finalmente cedendo ao cansaço, quando o celular vibrou ao lado dele.
Ele não conhecia aquele número.
Leo franziu o cenho.
Por um instante, hesitou. Depois de tudo que aconteceu, ele não queria falar com ninguém. Mas, por algum motivo, seu dedo deslizou pela tela e ele atendeu.
— Alô.
O silêncio durou meio segundo antes da voz familiar preencher seus ouvidos.
— Oi, Leo. Você tá bem?
A respiração de Leo travou.
Eduardo.
Ele sentiu o estômago revirar na mesma hora.
— Como você conseguiu meu número? — Ele perguntou, a voz baixa, cansada.
Do outro lado da linha, Eduardo suspirou.
— Gravità. Estava nos documentos da campanha.
Leo fechou os olhos com força. Ótimo.
— Você não deveria ter me ligado.
— Eu precisava saber como você está.
Leo soltou uma risada seca.
— Não precisava, não.
O silêncio se estendeu por um instante.
Eduardo percebeu que algo estava errado. A voz de Leo não era apenas fria, tinha algo quebrado ali. Algo que reconhecia muito bem.
— O que aconteceu, Leo? — Ele perguntou, sério.
— Nada. — Leo respondeu rápido demais.
Eduardo apertou o telefone.
— Leo, eu sei que aconteceu alguma coisa. Me fala.
— Não tem nada pra falar, Eduardo. — Leo disse, ríspido.
Eduardo trincou a mandíbula.
— Foi o Diego?
Leo fechou os olhos novamente, sentindo um nó apertar sua garganta. Por que Eduardo sempre soube exatamente onde cutucar?
Ele não respondeu.
Eduardo respirou fundo.
— Se ele fez alguma coisa com você, eu—
— Eduardo, chega. — Leo interrompeu, a voz firme, sem hesitação. — Você não faz mais parte da minha vida. Então para de tentar fazer.
A frase caiu como um golpe entre os dois.
Eduardo sentiu um aperto no peito, mas não disse nada. Leo esperou um segundo, e quando viu que Eduardo não responderia, simplesmente encerrou a ligação.
O som do silêncio preencheu o quarto.
Leo soltou o celular no colchão e cobriu o rosto com as mãos. Ele não podia deixar Eduardo entrar de novo. Ele não podia.
◄☼►
Eduardo estava sentado na poltrona do quarto de hotel, um copo de uísque meio cheio na mão, olhando para o nada. A cidade lá fora brilhava através da janela panorâmica, os faróis dos carros se misturando às luzes dos prédios, mas ele não enxergava nada disso. Sua mente estava presa em Leo.
A ligação tinha sido um soco no estômago.
Eduardo esperava resistência, mas não aquela frieza. Leo não apenas tentou afastá-lo, ele o cortou.
"Você não faz mais parte da minha vida. Então para de tentar fazer."
Eduardo passou a língua pelos dentes, trincando o maxilar.
Além disso, ele notou algo estranho na voz de Leo.
O que aquele desgraçado do Diego fez?
Porque alguma coisa tinha acontecido. Ele conhecia Leo. Conhecia cada suspiro, cada hesitação, cada silêncio que dizia mais do que palavras. E naquela ligação, Leo não parecia apenas frio. Parecia machucado.
Eduardo levou o copo aos lábios, mas parou antes do primeiro gole.
Ele já sabia que Diego não era flor que se cheire. Ciumento, controlador, agressivo nas palavras. Já tinha visto os olhares que Diego lançava para ele sempre que Leo estava por perto, sempre com aquela maldita certeza de que Eduardo era um perigo.
E ele estava certo. Eduardo era.
Mas agora, havia algo a mais. Uma ameaça real.
Porque se Diego tivesse tentado qualquer coisa, se tivesse encostado um dedo em Leo, Eduardo sabia que não conseguiria se controlar.
Seu sangue já estava fervendo, a raiva se misturando com um instinto primitivo que ele não sentia há anos.
Ele precisava descobrir o que havia acontecido.
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