O Garoto Feito de Sol e Terra
79 Capítulo 79 — A Ida ao Passado
Os pais de Eduardo haviam deixado São Tomás há cinco anos, cerca de dois anos depois que ele partiu para a Inglaterra. Frederico encerrou os negócios na cidade, determinado a se restabelecer em um lugar que refletisse melhor sua ambição e status. Para ele, São Tomás sempre foi apenas um ponto de passagem, uma fase necessária antes de alcançar algo maior.
Helena, por outro lado, relutou. Ela estava acostumada à vida na cidade, às rotinas simples, ao respeito que recebia como esposa de um homem influente na região. Mas, no fundo, São Tomás nunca foi realmente sua casa. Ela gostava da imagem que construíra ali, mas não pertencia àquele lugar. E, no momento em que Frederico decidiu partir, ela soube que não havia motivo real para ficar.
No fim, a mudança aconteceu sem alarde, sem despedidas emocionadas. Eles simplesmente foram, deixando para trás uma cidade que já não fazia parte dos seus planos futuros.
Agora, eles viviam na cidade grande, em outro estado, longe daquela vida mais interiorana que tinham antes. Para Frederico, isso fazia sentido. Ele não queria laços com o passado, muito menos com os escândalos que envolveram Eduardo. São Tomás era um capítulo encerrado.
E Eduardo, quando voltou para o Brasil após concluir sua faculdade, simplesmente se encaixou nessa nova realidade. Morava sozinho num apartamento na cidade grande, trabalhando e construindo sua carreira ali. Ele nunca teve um real motivo para voltar a São Tomás, ou pelo menos, foi o que ele se convenceu.
Mas a cidade ainda vivia dentro dele. E, principalmente, Leo ainda vivia dentro dele.
Naquela noite depois da conversa com Fernando, Eduardo não dormiu.
A ideia de voltar a São Tomás pesava em sua mente como uma âncora. Sete anos. Sete anos longe, fugindo, enterrando qualquer vestígio do passado sob uma pilha de trabalho e distrações.
Mas Leo nunca saiu dali.
Ele nunca saiu da sua cabeça.
E por mais que quisesse continuar ignorando, continuar fingindo que podia simplesmente seguir a vida sem olhar para trás, ele sabia que não podia mais.
O contato com o pai, há anos, tinha se tornado raro, limitado a ocasiões formais, como aprovações importantes na empresa ou decisões estratégicas que exigiam a assinatura dele. Fora isso, eram dois estranhos dividindo um sobrenome.
Com a mãe, não era muito diferente. Ela ainda ligava de vez em quando, em datas especiais ou quando o silêncio entre eles ficava longo demais para ser ignorado. Mas as conversas nunca iam além da superfície. Era só um cuidado frio, distante, como quem mantém uma lembrança viva por obrigação.
Não havia mais ninguém para impedi-lo.
Não havia mais um pai autoritário ditando suas decisões. Não havia mais uma cidade inteira assistindo seus passos, julgando suas escolhas.
Eduardo era livre.
E, pela primeira vez, decidiu fazer algo com essa liberdade.
◄☼►
Dois dias depois, ele e Fernando pegaram um voo para o aeroporto mais próximo de São Tomás.
— Você parece que vai desmaiar. — Fernando comentou, observando Eduardo, que encarava a janela do avião como se estivesse prestes a pular dali.
Eduardo soltou uma risada curta.
— Eu tô bem.
— Tá nada. — Fernando revirou os olhos. — Mas relaxa. Eu tô aqui, lembra?
Eduardo inspirou fundo e assentiu.
Ele enfrentaria o que fosse.
Se fosse o pai, que provavelmente não ficaria nada feliz ao descobrir que ele voltou ali. Se fosse a cidade, que talvez ainda murmurasse sobre “aquele escândalo” de anos atrás. Se fosse o próprio Leo.
Principalmente Leo.
Porque, no fundo, Eduardo sabia que merecia qualquer coisa que Leo dissesse para ele.
Ele merecia cada olhar de desprezo, cada palavra amarga, cada silêncio cortante.
Mas mesmo assim, ele precisava ir.
Ele precisava vê-lo.
Ele precisava saber.
E, pela primeira vez, não importava qual fosse a resposta.
◄☼►
Assim que Eduardo desceu do carro, o ar quente e seco de São Tomás o atingiu em cheio, trazendo consigo um peso que ele não sabia que ainda carregava.
Era estranho estar de volta.
Os mesmos postes, as mesmas ruas, o mesmo cheiro de terra batida misturada com grama recém-cortada. Tudo parecia menor do que ele se lembrava.
Ele respirou fundo, tentando controlar a enxurrada de lembranças que começava a invadir sua mente.
Ele se lembrava de correr por aquelas ruas quando era criança, de subir em árvores, de andar de bicicleta com Leo e os outros amigos da escola. Se lembrava de cada esquina, de cada atalho.
Se lembrava de quando tudo ainda era simples.
Mas o tempo não perdoava. Agora, ele estava ali de novo, mas nada dentro dele era como antes.
Fernando saiu do carro ao seu lado, dando uma olhada ao redor.
— Então, essa é a sua grande e temida São Tomás. — comentou, enfiando as mãos no bolso. — Meio pacato, não?
Eduardo soltou um riso fraco.
— É. Não mudou muito.
Eles caminharam um pouco pela calçada, os passos de Eduardo mais lentos conforme seu olhar se fixava em uma casa familiar.
A casa onde ele havia morado. Onde viveu os piores e os melhores anos da sua vida.
Agora, tinha novos moradores.
As janelas estavam diferentes, pintadas de outra cor. A porta da frente não era mais a mesma. O jardim, que antes sua mãe cuidava com tanta atenção, tinha mudado.
A vida continuou ali. Mesmo sem ele. Sem sua família.
Eduardo sentiu um aperto no peito. Era como se ele fosse um fantasma, visitando um lugar que já não lhe pertencia.
— Eu morei aqui. — disse Eduardo, apontando para a casa à frente, a voz baixa, quase nostálgica.
Fernando notou a maneira como ele olhava para o lugar e tocou de leve seu ombro.
— Vai entrar aí?
Eduardo balançou a cabeça rapidamente.
— Não… nem sei quem mora aí agora. — respondeu, desviando o olhar.
Ele ficou ali por mais alguns segundos, observando em silêncio, como se estivesse se despedindo de algo que já tinha partido há muito tempo.
Então, respirou fundo e voltou a caminhar.
Eles tinham um destino.
E Eduardo sabia que era apenas o começo.
◄☼►
Eduardo sentia o peito apertar a cada quilômetro que o carro avançava na estrada de terra. O caminho até a fazenda não tinha mudado muito. Os campos ainda se estendiam pelo horizonte, e o vento quente trazia aquele cheiro característico de terra, grama e lembranças que ele tentava controlar.
Mas nada parecia capaz de conter o turbilhão dentro dele.
Ele se perguntava como Leo estaria agora. Como ele reagiria ao vê-lo depois de tantos anos. Se o odiava tanto a ponto de mandá-lo embora sem uma palavra.
Fernando, ao volante, lançou um olhar rápido para Eduardo.
— Você tá quase arrancando a costura da calça, cara. — comentou, notando como Eduardo mexia os dedos inquietamente sobre o tecido do jeans.
Eduardo soltou o ar pesadamente e cruzou os braços.
— Eu não sei o que esperar. Não sei nem se ele vai querer olhar na minha cara.
— O que é justo, considerando o que você fez. — Fernando disse sem rodeios. — Mas se você não tentar, vai passar o resto da vida se perguntando.
Eduardo apenas assentiu, engolindo em seco.
Quando finalmente viraram a última curva e a fazenda surgiu no horizonte, Eduardo sentiu o estômago afundar.
A casa grande, os campos abertos, o celeiro. Tudo estava lá, como se nada tivesse mudado. Mas ao mesmo tempo, parecia uma vida inteira de distância.
Eles desceram do carro, e Eduardo sentiu o calor do sol contra a pele.
Foi quando viu uma garota na entrada da casa.
Ela estava sentada no degrau da varanda, mexendo no celular, e olhou para eles com uma expressão confusa. Parecia ter por volta de dezenove anos, talvez um pouco mais, e Eduardo precisou de alguns segundos para reconhecê-la.
Mariana, irmã de Leo. A última vez que ele a tinha visto, ela ainda era só uma garotinha.
Eduardo limpou a garganta e se aproximou.
— Oi. Mariana?
Ela franziu a testa, claramente tentando reconhecê-lo.
— Oi. Quem é você?
Aquilo atingiu Eduardo de uma forma estranha. Claro que ela não lembraria dele. Ele era só uma pessoa do passado, alguém que desapareceu.
— Sou… um amigo antigo do Leo. Meu nome é Eduardo.
Ela piscou, parecendo se lembrar vagamente.
— Ah… Eduardo. — murmurou, inclinando a cabeça. — O Eduardo?
Ele sentiu o estômago revirar. O tom dela era intrigado, mas não hostil. Não parecia exatamente surpresa… mas também não parecia feliz em vê-lo.
Eduardo forçou um sorriso tenso.
— O próprio.
Mariana ficou em silêncio por um momento, observando-o como se tentasse decidir se devia continuar a conversa ou não. Então, finalmente, respondeu:
— O Leo não mora mais aqui.
Eduardo sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
— Sério? Onde ele mora?
Antes que Mariana respondesse, uma outra voz surgiu da entrada da casa.
— Mari, tá falando com quem?
Eduardo se virou e deu de cara com Gustavo.
O irmão mais velho de Leo parou abruptamente na porta, os olhos arregalados ao vê-lo.
— Caralho. — Gustavo murmurou, descendo os degraus rapidamente. — Eduardo?
Eduardo assentiu, sentindo o peso do olhar dele.
— Oi, Gustavo.
Gustavo cruzou os braços, ainda o analisando, como se tentasse ter certeza de que era realmente ele ali, depois de tanto tempo.
— Eu achei que nunca mais fosse te ver nessa vida. — disse, com um meio sorriso incrédulo. — O que tá fazendo por aqui?
Eduardo respirou fundo, direto ao ponto.
— Eu queria ver o Leo.
O rosto de Gustavo ficou mais sério. Ele trocou um olhar rápido com Mariana antes de soltar um suspiro.
— Ele não mora mais aqui. Faz um tempo já.
— Onde ele mora?
Gustavo hesitou por um momento, mas então falou:
— Ele tá na cidade grande, em São Paulo. — Faz uma pausa e continua. — Se mudou logo depois que se formou na faculdade. Conseguiu um emprego na área de audiovisual e tá lá até hoje.
Eduardo sentiu o coração disparar.
Audiovisual.
Ele imediatamente se lembrou do Leo mais novo, sempre gravando tudo, fotografando qualquer coisa que achasse interessante.
Eduardo engoliu em seco.
— E ele tá bem? — perguntou, a voz saindo mais baixa do que pretendia. — Sabe, eu meio que perdi o contato com ele…
Gustavo o encarou por um momento antes de responder.
— Olha, ele seguiu a vida. Trabalha muito, se esforçou pra chegar onde tá. Acho que ele tá bem, sim.
O nó no peito de Eduardo apertou.
Ele respirou fundo, tentando processar a informação. A cidade grande. Audiovisual. Leo realmente tinha seguido o que amava. Era estranho imaginar ele em outro cenário que não fosse aquela fazenda, mas ao mesmo tempo, fazia sentido. Leo sempre quis mais.
Mas ainda não era suficiente. Ele precisava saber mais.
— E o que mais ele faz da vida? — Eduardo perguntou, forçando a voz a soar estável.
Gustavo deu de ombros, coçando a nuca.
— Não sei muito. A gente se fala, mas ele tá sempre na correria. Trabalha em uma produtora, faz uns freelas com edição e gravação de curta-metragens… ah, e acho que ele tá envolvido num projeto de documentário agora.
Eduardo assentiu, absorvendo cada palavra. Ele conseguia imaginar Leo nesse mundo, imerso nas coisas que sempre amou. Mas então, depois de algum tempo, Gustavo continuou.
— E... ele tá namorando também. Já faz um tempo. Um cara, se não me engano o nome é Diego. Acho que ele escreve peças de teatro, trabalha com filmagem também.
Gustavo fez uma pausa, coçando a nuca, como se buscasse as palavras certas.
— Pra ser sincero, não sei muito bem... só sei que eles moram juntos há um ano.
Foi como levar um soco no estômago.
Eduardo congelou.
O som ao redor pareceu sumir por um instante.
Namorando.
Moram juntos há um ano.
Diego.
Ele piscou, tentando processar as palavras de Gustavo, mas parecia que seu cérebro simplesmente se recusava a aceitar a realidade.
Claro.
Óbvio que Leo seguiu em frente. Por que ele não seguiria?
Foram sete anos.
Sete anos de silêncio.
Sete anos em que Eduardo nunca foi atrás.
Ele não podia esperar que Leo estivesse preso no passado do mesmo jeito que ele.
Mas, porra, doía.
Ele engoliu em seco, forçando-se a manter a expressão neutra.
— Entendi. — Foi tudo o que conseguiu dizer.
Gustavo continuou olhando para ele, como se tentasse adivinhar o que Eduardo estava pensando. Mas antes que qualquer coisa pudesse ser dita, uma voz conhecida interrompeu o silêncio.
— Meu Deus… Eduardo?
Ele se virou, e ali, na porta da casa, estava Rita.
Ela estava visivelmente mais velha, os cabelos mais grisalhos do que ele se lembrava, mas os olhos ainda carregavam aquela familiaridade acolhedora.
Eduardo sentiu um aperto no peito ao vê-la. Quanto tempo faz desde a última vez que a viu? Desde que sentiu aquele olhar maternal sobre ele?
Ela desceu os degraus lentamente, ainda processando a presença dele ali.
— Você realmente voltou? — Sua voz era carregada de surpresa e algo mais… um toque de mágoa.
Eduardo abriu a boca para responder, mas ela o cortou antes.
— Você foi embora sem se despedir. De ninguém. — A dor em sua voz era evidente.
Ele engoliu em seco, sentindo o peso daquelas palavras baterem forte.
Ele sabia que tinha ido embora da pior maneira possível. Sabia que não tinha deixado nada para trás, nem uma explicação, nem um adeus.
E agora, estava ali, encarando as consequências.
Rita cruzou os braços, o analisando com aquele olhar que só mães sabiam dar. Aquele olhar que via tudo.
Eduardo não sabia o que dizer.
Porque, no fundo, não havia justificativa.
Ela ficou em silêncio por alguns instantes, apenas observando Eduardo, como se tentasse entender o que se passava dentro dele. Então, suspirou e relaxou um pouco a expressão.
— Vocês devem estar com fome. Venham, vou passar um café. — Ela disse, virando-se para entrar.
Eduardo hesitou por um momento, mas Fernando tocou seu ombro de leve, incentivando-o a ir. Sem dizer nada, ele seguiu Rita para dentro da casa, e Fernando o acompanhou logo atrás.
A casa parecia a mesma de antes. O cheiro de café recém passado misturado com madeira e bolo recém assado preenchia o ambiente de uma maneira nostálgica. Eduardo sentiu uma pontada no peito ao perceber como tudo parecia intocado, como se os anos não tivessem realmente passado ali dentro.
Rita serviu café para os dois e se sentou na mesa. Ela não falava sobre Leo. Apenas perguntava sobre Eduardo. Sobre o trabalho. Sobre como estavam seus pais.
Ele respondia no automático, sem mencionar que a relação com o pai ainda era fria, sem mencionar que com a mãe, ele mal falava.
— Você sempre foi um garoto muito esperto. — Ela comentou, segurando a xícara entre as mãos. — Sabia que se daria bem.
Eduardo forçou um sorriso breve.
— Obrigado.
O silêncio pairou por alguns segundos.
Rita tomou mais um gole do café, seus olhos caindo sobre Eduardo mais uma vez. Não tocou no nome de Leo. Era como se soubesse que aquele assunto não deveria ser mencionado.
Depois de algum tempo conversando sobre trivialidades, Eduardo e Fernando perceberam que era hora de ir. Rita se levantou junto com eles, acompanhando-os até a porta.
— Foi bom ver você de novo. — Ela disse, olhando para Eduardo com um carinho genuíno. — Apesar de tudo.
Ele sentiu um nó na garganta, mas apenas assentiu.
— Obrigado pelo café, dona Rita. Foi muito bom ver a senhora.
Ela sorriu levemente, e então, Eduardo e Fernando saíram.
O caminho de volta para o carro foi silencioso. Eduardo caminhava como se estivesse em transe, os passos pesados, o peito apertado.
Quando finalmente sentou no banco do passageiro e Fernando deu partida no carro, Eduardo ficou olhando para a estrada, sem enxergar nada de verdade.
Então, como se toda a força que estava segurando dentro de si finalmente cedesse, ele desabou.
Primeiro veio o suspiro trêmulo, os olhos ardendo. Depois, as lágrimas começaram a escorrer.
Fernando olhou de relance, mas não disse nada. Apenas dirigiu em silêncio, deixando Eduardo ter aquele momento.
— Ele seguiu em frente. — Eduardo murmurou, a voz falha.
Fernando soltou um suspiro.
— Você sabia que era uma possibilidade.
Eduardo assentiu, limpando o rosto com a manga da blusa, mas as lágrimas não paravam.
— Mas eu ainda queria... — Ele riu sem humor, balançando a cabeça.
Fernando apertou o volante um pouco mais forte, escolhendo as palavras com cuidado.
— Você ainda pode falar com ele.
Eduardo soltou um riso amargo.
— Pra quê? Ele tá feliz, tem alguém, mora com o cara. Ele não precisa de mim. Não deve nem querer me ver.
Fernando ficou em silêncio por um tempo antes de murmurar:
— E você?
Eduardo olhou para ele, confuso.
— Você não precisa dele? Pelo menos vê-lo?
Eduardo abriu a boca para responder, mas nada saiu.
Porque, no fundo, ele sabia a resposta.
E aquilo doía mais do que qualquer coisa.
◄☼►
Eduardo passou a noite em claro no hotel da cidade. Cada pensamento, cada lembrança, cada fragmento de tudo o que viveu com Leo girava em sua mente como um filme antigo que ele não conseguia desligar.
Ele estava decidido.
Ia para São Paulo.
Ia atrás de Leo, mesmo que fosse para encarar seu desprezo, mesmo que fosse para ouvir que nunca mais deveria procurá-lo. Ele só precisava ver Leo mais uma vez. Nem que fosse a última.
Com o celular em mãos, Eduardo começou sua busca.
Leonardo Souza.
Havia muitos “Leonardo Souza” na internet, mas Eduardo sabia que Leo não era uma pessoa de expor muito a vida pessoal, então tentou outro caminho. Buscou algo relacionado a audiovisual, fotos e vídeos.
Foi então que encontrou.
Um perfil no Instagram.
@leosouza.visuals
Ele abriu a página, e ali estava. O estilo, o olhar, as imagens que só poderiam ter sido feitas por Leo. Fotos artísticas, retratos, cenas urbanas, jogos de luz e sombra. Cada uma carregava a identidade dele. Eduardo sentiu um aperto no peito.
Leo estava vivendo o sonho que sempre quis.
Percorrendo o feed, encontrou pistas sobre o trabalho dele. Numa das postagens, havia uma legenda discreta agradecendo à equipe da Gravità Studios. Nos comentários, algumas pessoas elogiavam seu talento, outras comentavam como era bom tê-lo na equipe, destacando sua criatividade e comprometimento. Eduardo leu cada palavra sentindo um misto de orgulho e saudade.
Foi o suficiente. Eduardo pesquisou sobre a empresa, uma produtora de conteúdo visual e audiovisual situada em São Paulo.
E então, lá estava. O endereço.
Leo estava tão perto agora.
Eduardo respirou fundo, sentindo o coração disparar. Ele ia para São Paulo. Ia ver Leo de novo. Nem que fosse apenas para ter a confirmação de que não havia mais espaço para ele na vida de Leo.
◄☼►
No dia seguinte, enquanto arrumava suas coisas para a próxima viagem, Fernando o observava em silêncio. Ele já sabia que Eduardo tomaria essa decisão. Não estava surpreso.
Mas quando Eduardo olhou para ele como quem pede apoio, Fernando apenas suspirou.
— Eu sabia que ia dar nisso. — Fernando murmurou. — Mas, cara, eu tenho que voltar pra minha vida. Tenho trabalho, minha rotina. Você vai ter que ir sozinho dessa vez.
Eduardo assentiu, sem se abalar.
— Eu sei.
Fernando o encarou por um instante, depois riu fraco, balançando a cabeça.
— Espero que você não faça merda.
Eduardo soltou um riso curto.
— Eu também.
E então, pegou sua mala, respirou fundo e partiu.
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