O Garoto Feito de Sol e Terra
39 Capítulo 39 — Revelações
No fim da tarde, Eduardo saiu de casa e foi direto para o pequeno shopping da cidade. O ar estava fresco, e a praça de alimentação já estava cheia de grupos espalhados. Ele avistou Davi e Carla primeiro, de mãos dadas, conversando sobre alguma coisa animadamente. Bruno estava perto deles, segurando um milkshake e mexendo no celular.
Quando Eduardo se aproximou, Carla foi a primeira a notá-lo.
— Opa, o Castilho chegou! — ela disse, levantando a mão em um cumprimento casual, um sorriso brincando no canto dos lábios.
Davi olhou para ele e sorriu, batendo no ombro de Eduardo com força o suficiente para desequilibrá-lo um pouco.
— Achamos que você ia dar um perdido.
Eduardo arqueou as sobrancelhas, fingindo indignação.
— Eu? Claro que não. Vocês é que chegaram cedo demais.
— Chegamos na hora certa. — Carla corrigiu, estreitando os olhos para ele.
Eduardo tossiu de leve, prestes a rebater, mas foi interrompido por uma voz familiar se aproximando.
— Finalmente cheguei! — Leo surgiu no grupo, o cabelo bagunçado pelo vento, as bochechas levemente avermelhadas da caminhada apressada.
Os olhos dele pousaram direto em Eduardo por um segundo antes de abrir um sorriso fácil.
— Já tava achando que ia ficar sem minha pipoca de graça hoje.
Eduardo revirou os olhos, cruzando os braços, mas por dentro, o peito apertou. A culpa veio como uma sombra atrás do sorriso. Ele tentou manter a expressão leve, mas o jeito como Leo o olhou, o brilho natural nos olhos, a alegria simples de estar ali... tudo isso fez o peso do que ele estava escondendo se tornar ainda mais real.
Ele se sentiu pequeno por um segundo, como se tivesse traído algo sagrado.
— Sonha, fazendeiro. — respondeu, mantendo o tom provocativo, mesmo que a voz lhe parecesse um pouco mais baixa do que o normal.
Leo riu e deu um leve empurrão no braço dele, como se estivesse testando até onde podia provocá-lo e continuou:
— Castilho, só tô dizendo que seria um belo gesto de amizade se você resolvesse pagar a pipoca do seu grande amigo que veio de longe só pra prestigiar esse momento.
Bruno, que até então apenas observava a interação enquanto terminava seu milkshake, finalmente se manifestou:
— O que eu tô vendo aqui é um pedido descarado por patrocínio.
— Ele sempre tenta. — Eduardo resmungou, mas não conseguiu evitar um pequeno sorriso.
Leo riu, dando de ombros.
— É a arte da lábia.
Os outros riram, e por um instante, Eduardo se sentiu mais leve. Tudo parecia normal. Pelo menos ali, pelo menos naquele momento.
— Bora logo comprar os ingressos. — Bruno disse, apontando para a bilheteria.
Eles foram juntos para a fila. O grupo caminhou rindo, trocando piadas, e o clima parecia leve como nos velhos tempos. Eduardo ficou ao lado de Leo, enquanto os demais se adiantaram à frente. Quando chegou a vez de Leo na fila, Eduardo se adiantou sem pensar muito.
— Deixa que eu pago nossos ingressos. — falou, já se virando para a atendente e começando a falar com ela, rápido o suficiente para não dar margem à discussão.
Leo franziu a testa, surpreso, mas não teve tempo de protestar. Eduardo confirmou as poltronas, fez o pagamento e pegou os dois ingressos impressos. Ao se virar, estendeu um deles para Leo, que ainda esperava do lado, com as mãos nos bolsos e um meio sorriso confuso no rosto.
— Ué, Castilho… eu ia pagar o meu.
— Relaxa. Considere um agrado. Ou um investimento em silêncio durante o filme, porque sei que você vai se empolgar. — Eduardo disse, com um sorriso leve, ainda sem encará-lo por completo.
Leo soltou uma risada curta, e os olhos brilharam mais do que ele parecia perceber.
— Tá tentando me comprar logo no começo da noite? Esperto você.
Eduardo sorriu, mas sentiu o coração apertar. Era um gesto pequeno, simples, mas ele viu que Leo ficou feliz, e isso o desarmava mais do que deveria.
Logo após, eles seguiram para a fila da pipoca. Carla e Bruno discutiam sobre combos e sabores, Davi fazia piada com o refrigerante de litro que nunca era suficiente, e Bruno começou a imitar o vilão do trailer, arrancando risadas exageradas do grupo. Eduardo se esforçava para acompanhar o ritmo, para parecer tão leve quanto o resto, mas lá dentro, havia uma tensão silenciosa, como se ele estivesse pisando em um chão frágil demais.
Então, depois de um tempo, no meio da fila, Leo esbarrou de leve no ombro dele.
— E aí, riquinho? O que foi? Tá meio esquisito.
Eduardo piscou, voltando à realidade. O tom era brincalhão, mas o olhar de Leo dizia outra coisa.
— Nada não. — respondeu rápido. — Só… pensando.
Leo manteve o olhar por um segundo a mais do que o necessário.
— Sei…
Eduardo forçou um sorriso e deu um empurrão de volta nele.
— Cala a boca e escolhe logo sua pipoca.
Leo riu, mas antes de se virar para olhar o cardápio, até que Eduardo lembrou de algo:
— E o pão de queijo? Você disse que ia me trazer, hein.
O sorriso de Leo aumentou, divertido, e ele balançou a cabeça com um ar de falsa indignação.
— Ah, sobre isso... minhas irmãs devoraram tudo antes que eu pudesse salvar um pra você.
Eduardo bufou.
— Tinha certeza que isso ia acontecer.
— Bom, você conhece aquelas pestinhas. — Leo deu de ombros, ainda rindo. — Quando vi, já era tarde demais.
Eduardo revirou os olhos, mas não conseguiu segurar um sorriso de canto.
— Era só ter escondido, né, gênio?
— Eu tentei! Mas a Mari tem um faro absurdo pra comida boa. Não tem como competir.
Eduardo apenas balançou a cabeça em falso desgosto.
Depois de terem feito seus pedidos, o grupo se dispersou por alguns instantes. Bruno e Carla estavam discutindo sobre os sabores do refrigerante, enquanto Davi resolvia algo no caixa. Eduardo e Leo ficaram para trás, perto do balcão, apenas observando a cena.
Foi nesse momento que Eduardo decidiu falar.
Ele se inclinou um pouco para perto de Leo, mantendo a voz baixa o suficiente para que só ele ouvisse.
— Davi sabe.
Leo, que estava distraído mexendo no cabelo, congelou por um segundo. Depois, virou o rosto na direção de Eduardo, a expressão de leve desconfiança se transformando em algo mais sério.
— Como assim? — a voz dele veio em um sussurro.
Eduardo umedeceu os lábios, olhando rapidamente para os outros para garantir que ninguém estava ouvindo.
— Não sei como, mas ele sabe. Me mandou uma foto sua usando o chapéu de Mickey e disse que achou que eu fosse gostar… — Eduardo fez uma careta. — Foi meio estranho.
Leo franziu a testa, parecendo processar a informação.
— Ué, mas que foto é essa?
— Aparentemente, alguma que tiraram de você na fazenda. — Eduardo deu de ombros. — Você tava distraído, com aquele chapéu do Mickey que eu te dei.
Leo revirou os olhos, já sabendo em que momento foi isso. Foi quando Davi e Carla estavam na fazenda e encontraram ele com aquele chapéu ridículo na cabeça. Por que estava usando aquilo? Não sabia dizer.
Eduardo continua:
— Mas depois ele falou umas coisas estranhas… tipo que eu e você temos umas paradas que ninguém mais entende... — Eduardo fez uma pausa. — Sei lá, foi como se ele estivesse testando minha reação. O jeito que ele mandou… Não sei, parecia que queria ver o que eu ia responder.
— Nossa… você acha que a Carla contou?
Eduardo soltou um suspiro, coçando a nuca.
— Não sei. Eu fui falar com ela, e ela desconversou. Mas o jeito do Davi mandar a mensagem… cara, foi estranho.
Leo suspirou, passando a mão pelo rosto. Ele não parecia exatamente apavorado, mas definitivamente incomodado.
— E você respondeu o quê?
— Perguntei o que ele queria dizer com aquilo tudo, e ele só soltou um ‘nada, esquece’, meio que desconversando, sabe?
Leo soltou um riso seco.
— É, isso tá estranho mesmo.
Eduardo deu de ombros, fingindo mais segurança do que realmente sentia e disse:
— Sei lá, acho que ele tá esperando que a gente fale alguma coisa primeiro.
Leo estreitou os olhos, refletindo por um instante.
— E a gente vai dizer?
Eduardo bufou uma risada curta.
— Claro que não.
Leo relaxou um pouco e sorriu de lado.
— Ótimo. Porque eu ia te mandar calar a boca se você dissesse que sim.
Eduardo revirou os olhos, mas riu junto.
Leo olhou rapidamente para onde Davi estava, como se analisasse alguma coisa.
— Ele tá normal. Se soubesse e quisesse arranjar problema, já teria falado alguma coisa.
Eduardo assentiu.
— Pois é, mas... Só fica esperto.
Leo encarou Eduardo por um segundo a mais do que o necessário, os olhos analisando cada detalhe de sua expressão. Então, bateu de leve no ombro dele.
— Relaxa, riquinho. Se ele sabe, sabe. Ninguém vai morrer por isso.
Eduardo tentou se convencer de que era verdade.
Mas, lá no fundo, algo lhe dizia que aquilo não seria tão simples assim.
◄☼►
O cinema estava lotado quando saíram, a conversa ainda animada sobre o filme. O grupo de amigos ria e comentava as melhores cenas, as reviravoltas, e até criticavam alguns furos no roteiro. A energia era leve, despreocupada, como se nada no mundo pudesse quebrar aquele momento.
Do lado de fora, o vento da noite bateu contra os rostos de todos. Davi, sem pensar muito, pegou a mão de Carla com naturalidade. Bruno já se afastava, acenando com a mão.
— Vou nessa, pessoal. Como vocês sabem, minha casa é pro outro lado.
— Vai sozinho, coitado. — Leo provocou, rindo.
— É a vida. — Bruno respondeu, dando de ombros. — Mas valeu pessoal, o filme foi muito bom.
— Toma cuidado, hein — Carla disse.
Eles se despediram e seguiram caminhando. Apenas quatro agora: Eduardo, Leo, Davi e Carla. O silêncio foi confortável por alguns segundos, até que Davi, com um sorriso travesso, soltou do nada:
— Coitado do Bruno, né? Ficou de vela. Dois casais e ele sozinho.
O impacto foi instantâneo.
Eduardo parou no meio do caminho. Leo, que estava ao lado dele, endureceu por um segundo, como se tivesse levado um choque. Carla, que estava de mãos dadas com Davi, virou o rosto em um movimento tão brusco que quase deslocou o pescoço.
O silêncio foi pesado e sufocante. Até que Eduardo soltou, num tom quase inaudível:
— O quê?
Davi riu, balançando a cabeça.
— Ué, acham que eu não sabia?
Leo franziu o cenho, trocando um olhar rápido com Eduardo, que parecia tão estupefato quanto ele. Carla arregalou os olhos e, em um reflexo imediato, pisou com força no pé de Davi.
— Ai! — Davi pulou, segurando o próprio pé. — Que foi?! Eu só falei a verdade!
— Seu imbecil! — Carla sibilou, ainda incrédula.
Leo cruzou os braços, estreitando os olhos.
— Como assim você sabia?
Davi suspirou, voltando a andar, mancando levemente.
— É que a Carla deixou escapar. — respondeu com simplicidade.
— Eu o quê?! — Carla se engasgou, incrédula. — EU NUNCA—
— Ah, nunca? — Davi arqueou uma sobrancelha. — Então você não me disse nada sobre "Edu e Leo acham que são discretos, mas nem são tanto assim"? Depois disso só juntei dois mais dois.
Carla abriu a boca, depois fechou. Depois abriu de novo, apontando um dedo acusador para Davi.
— Seu desgraçado!
Eduardo passou a mão no rosto, respirando fundo, tentando processar aquilo tudo. Ele sentiu Leo se mexer ao lado dele, mas não teve coragem de encará-lo ainda. Sua mente só conseguia pensar em uma coisa: Davi sabia esse tempo todo.
— Relaxa, gente. — Davi sorriu, tranquilo. — Vocês acham que eu ia espalhar? Eu nem liguei. Mas, sério, não era óbvio?
Eduardo bufou.
— Óbvio pra quem?
— Pra qualquer um que prestasse atenção. — Davi deu de ombros. — Mas relaxa, eu sei guardar segredo.
Eduardo trocou um olhar rápido com Leo, que ainda parecia meio desconfiado, como se não soubesse se deveria estar aliviado ou preocupado. Carla, por outro lado, parecia prestes a dar um soco no namorado.
— Você fala demais. — ela resmungou.
Davi riu.
— E você pisa muito forte.
Eduardo suspirou. O alívio começou a se infiltrar lentamente em seu peito. Davi saber não era o problema, pois ele claramente não parecia querer fazer alarde.
O problema era que isso significava que eles estavam longe de ser tão discretos quanto imaginavam.
E se Davi percebeu… quem mais poderia ter percebido?
Leo soltou um riso nasalado, sacudindo a cabeça.
— Você é um palhaço.
— Eu sei. — Davi sorriu.
O grupo continuou andando, agora com uma leveza maior. Eduardo finalmente relaxou um pouco. Talvez, no fundo, não fosse tão ruim assim alguém saber.
Mas, de qualquer forma, ele sabia de uma coisa: Carla ainda ia matar Davi quando ficassem sozinhos.
◄☼►
A conversa continuou leve depois da revelação de Davi, com risadas escapando entre os quatro enquanto seguiam pelo caminho. Carla ainda lançava olhares mortais para o namorado, murmurando insultos que faziam Davi rir e dizer que ela era dramática demais. Leo, por sua vez, parecia mais relaxado, andando ao lado de Eduardo como se nada tivesse acontecido.
Mas dentro de Eduardo, algo começava a pesar.
No meio das risadas, no meio da descontração, um pensamento incômodo surgiu sem aviso: Kayla.
A lembrança veio como um choque frio, empurrando todo o alívio que ele sentia para fora do peito. O beijo. Não foi arrebatador, não bagunçou seus sentidos como os de Leo faziam, mas aconteceu.
Eduardo desviou o olhar, o estômago revirando.
Ao seu lado, Leo continuava falando alguma coisa, despreocupado, como se tudo estivesse bem. Como se nada tivesse mudado. Mas Eduardo sabia que tinha. Ele sabia o que tinha feito, e isso queimava dentro dele. Porque enquanto ria e conversava com Leo agora, ele sentia que não merecia estar ali. Que não merecia essa tranquilidade.
Eles caminharam mais alguns metros, e Eduardo forçou um sorriso quando Leo olhou para ele de relance, sem perceber o peso do que estava acontecendo dentro dele.
Mas Eduardo sentia.
Sentia o peso daquele segredo crescendo dentro dele como uma sombra.
◄☼►
Quando chegaram à esquina onde os caminhos se dividiam — Davi e Carla dobrariam para um lado, enquanto Eduardo e Leo seguiriam reto — Carla parou por um instante e olhou para os dois.
— Se comportem, hein — brincou, dando um sorriso de lado, com aquela expressão de quem sabia mais do que dizia.
Davi, ao lado dela, soltou uma risada e acenou de forma casual.
— Até mais, pombinhos.
Leo estreitou os olhos para ele, mas não parecia realmente irritado. Apenas revirou os olhos com um meio sorriso, como se já estivesse acostumado com aquele tipo de provocação.
Eduardo, por outro lado, apenas acenou de volta, sem saber muito bem o que responder.
Carla e Davi riram novamente antes de finalmente seguirem seu caminho, as vozes deles se tornando um ruído distante na noite. Eduardo os observou por um instante, vendo as sombras deles se alongarem sob a luz amarelada dos postes, até sumirem na curva.
Então, ele e Leo continuaram andando.
Sem pressa, sem dizer nada.
A brisa da noite estava fria, mas o calor no peito de Eduardo crescia rápido. Leo, como sempre, não parecia nem um pouco afetado. Caminhava ao seu lado com as mãos enfiadas nos bolsos, a postura despreocupada. Mas, então, ele lançou um olhar de canto, um sorriso puxando o canto dos lábios.
— Tá quieto, riquinho. Pensando demais?
Eduardo piscou, tirado de seus devaneios, e soltou um riso fraco.
— Talvez.
— Perigoso, hein. Você não combina com isso. — Leo cutucou sua cintura com o cotovelo. — Se continuar pensando tanto assim, vai acabar explodindo.
Eduardo revirou os olhos, mas sorriu. Leo sempre fazia isso, sempre tinha esse jeito de querer arrancar a tensão do ar, de transformar tudo em algo mais leve, mais simples. Mas, naquele momento, Eduardo não queria sentir apenas essa leveza.
Queria sentir Leo.
Queria sentir a segurança que só ele trazia, a certeza absurda de que, por mais confuso que tudo estivesse, aquilo ali era real. Queria esquecer a culpa, os segredos, o medo de que alguém soubesse demais. Porque com Leo, tudo sempre pareceu simples. Até quando não era.
A forma como Leo falava com ele, como ria, como o puxava para fora dos próprios pensamentos pesados. Eduardo precisava daquilo. Mas, mais do que isso, precisava dele. Precisava da proximidade, do toque, da confirmação de que, pelo menos ali, pelo menos naquela noite, nada tinha mudado.
Então, sem pensar muito, virou-se um pouco mais para Leo, e antes que pudesse se questionar ou hesitar, levou a mão ao rosto dele. Os dedos roçaram a pele quente da bochecha de Leo, que parou no mesmo instante, surpreso com o toque.
Eduardo não deu tempo para perguntas.
Ele o beijou.
Na sombra da rua vazia, sob a brisa fria da noite, ele o beijou como se não houvesse mais nada além dos dois.
Foi avassalador.
Diferente.
Cada célula do corpo de Eduardo reconheceu aquilo, reconheceu Leo. O jeito como o corpo dele reagia ao toque, como seus lábios se encaixavam, como o beijo não era só um beijo, era mais. Sempre foi mais.
O beijo com Kayla… não tinha chegado nem perto.
Aquilo ali, isso ali, era algo que Eduardo sentia até os ossos. Algo que fazia seu coração disparar, sua respiração pesar, seus dedos se apertarem contra a pele de Leo como se precisasse segurá-lo ali, como se não pudesse deixar escapar.
Quando se separaram, o ar entre eles estava carregado. Leo abriu os olhos devagar, uma sombra de surpresa e provocação neles.
— Uau. — murmurou, com um sorriso torto. — Isso foi do nada.
Eduardo respirou fundo, o coração ainda batendo rápido.
— Só quis fazer.
Leo riu baixo, passando a língua pelos lábios, como se ainda sentisse o gosto do beijo ali.
— Então faz de novo.
E Eduardo fez.
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