O Garoto Feito de Sol e Terra

29 Capítulo 29 — A Primeira Vez


Os dias passaram como sempre. Escola, amigos, conversas no pátio. Eduardo continuava ouvindo Tiago contar vantagens sobre seu namoro com Samanta, rindo e fingindo não ligar. Mas, no fundo, algo dentro dele havia mudado.

O assunto não saía da sua cabeça.

Era como se um limite tivesse sido traçado e ele sabia que podia cruzá-lo a qualquer momento.

Então, quando decidiu ir para a fazenda naquela sexta-feira, já tinha algo em mente.

Mal sabia Leo, mas Eduardo tinha planejado aquilo.

Levou uma mochila com algumas roupas, como sempre fazia quando ia dormir lá. Mas, dessa vez, havia algo a mais no bolso pequeno da mochila. Pequeno, discreto, mas carregado de significado.

Um preservativo.

Ele não sabia bem por que tinha tomado essa decisão. Não sabia nem ao certo se era o momento ideal. Só sabia que queria.

E que queria que fosse com Leo.

A noite caiu sobre a fazenda como sempre. Depois do jantar, ficaram no quarto de Leo, jogando conversa fora, como se fosse apenas mais uma noite qualquer.

Mas Eduardo sentia o coração bater mais forte do que o normal.

Quando se deitaram, lado a lado no colchão da cama de Leo, o silêncio se estendeu por um tempo. O único som era o vento batendo de leve na janela.

Até que Eduardo virou o rosto para ele.

No escuro, os olhos de Leo brilharam com a pouca luz que vinha de fora.

Eduardo encostou a mão no rosto dele, e então o beijou.

Foi um beijo lento no começo, mas logo ganhou intensidade, como sempre acontecia quando estavam sozinhos ali. Só que, dessa vez, Eduardo não parou.

Passou os dedos pela nuca de Leo, o puxando mais para perto. Sentiu o corpo dele se aquecer, a respiração se misturar à sua.

O silêncio entre eles ainda era preenchido pela respiração entrecortada dos beijos, pelo calor de seus corpos tão próximos, por algo novo e inevitável pairando no ar.

E então, Eduardo sussurrou:

— Eu quero fazer isso.

Leo franziu levemente a testa, confuso, até ver Eduardo puxar algo do bolso.

Um pequeno pacote.

A luz fraca da noite iluminava o brilho prateado da embalagem entre os dedos de Eduardo.

Leo congelou.

O coração disparou como se tivesse sido empurrado de um precipício.

Eduardo percebeu o corpo dele se enrijecer, hesitante, então se inclinou e o beijou, lento, cuidadoso.

— Eu prometo ser cuidadoso. — murmurou contra os lábios dele.

Leo engoliu seco.

Quase sentiu o próprio coração sair pela boca.

Não era como se nunca tivesse pensado naquilo. Pensou, sim. Fantasiou, imaginou. Mas nunca soube exatamente quando aconteceria. Nunca imaginou que seria agora.

Mas Eduardo estava ali. Olhando para ele daquele jeito, falando com aquela voz baixa, com aquela certeza.

Leo sentiu o coração disparar.

Eduardo já tinha assumido, sem precisar dizer, qual seria a dinâmica entre eles naquela noite, e, no fundo, Leo também queria assim.

Não era algo que o incomodava.

Pelo contrário.

Porque ele queria aquilo.

E, naquele momento, soube que estava pronto para se entregar.

Respirou fundo, desviando o olhar por um instante. Mas, depois, assentiu devagar.

Ele confiava em Eduardo.


◄☼►


Os beijos se tornaram mais profundos, os toques mais ousados, atravessando barreiras que, até então, pareciam inquebráveis. Os dedos deslizaram hesitantes, descobrindo o que antes só era intuído, sentindo pela primeira vez a verdade do desejo um do outro.

Os corações batiam forte, acelerados pela antecipação.

Eduardo sentiu o próprio corpo estremecer ao se afastar um pouco, respirando fundo. Com mãos um pouco trêmulas, puxou o pequeno pacote que tinha trazido. O som do plástico rasgado no silêncio do quarto fez Leo prender o ar.

Eduardo colocou o preservativo em si mesmo, sem pressa, os olhos fixos nos de Leo.

Leo não conseguia respirar direito. O peito subia e descia rápido demais, como se seu coração estivesse tentando escapar pela garganta. Era um frio estranho na barriga, misturado a algo que ele não sabia descrever. Não era medo. Não era dúvida.

Era entrega.

Sem dizer nada, Leo se deitou melhor no colchão, movendo as pernas para uma posição que deixava espaço entre elas.

Eduardo se colocou no meio, olhando para ele com um misto de carinho e expectativa.

Leo engoliu em seco.

E então, simplesmente assentiu.

Eduardo deslizou os dedos pela pele quente de Leo, sentindo a tensão nos músculos dele, o corpo rígido sob o seu.

No início, doeu. Ele percebeu nos olhos cerrados de Leo, no modo como sua respiração prendeu por um instante.

Então, esperou.

Seus lábios encontraram a pele do pescoço de Leo, distribuindo beijos suaves, murmurando contra ele:

— Tá tudo bem?

Leo engoliu seco antes de responder, a voz um pouco rouca:

— Sim… pode continuar.

Eduardo sentiu a respiração presa no peito quando se moveu pela primeira vez, mergulhando naquela sensação inédita. O calor ao redor dele era diferente de tudo que já havia experimentado, apertado, intenso, quase arrebatador.

Eduardo se moveu devagar, sentindo a forma como seus corpos se encaixavam, como se descobrissem, juntos, algo que sempre esteve ali, apenas esperando para ser vivido.

Seu coração martelava tão forte que parecia ecoar por todo o quarto, suas mãos tremiam levemente ao segurarem a cintura de Leo e posteriormente suas coxas. Era como se seu corpo tentasse assimilar cada detalhe daquele momento.

No início, o receio o fez ir devagar, atento a cada mínima reação de Leo, esperando, dando tempo. Mas, conforme ele sentiu o outro relaxar, conforme seus dedos puxaram Eduardo para mais perto, um arrepio percorreu sua espinha, um instinto mais profundo tomando conta.

Era diferente de tudo.

Era pele quente contra pele quente, era desejo e nervosismo, era a mistura confusa de algo que era ao mesmo tempo certo e imenso.

E quando Leo gemeu baixo, escondendo o rosto na curva do pescoço dele, Eduardo soube.

Nada seria igual depois daquilo.

Nada além deles dois existia naquele instante.

Aos poucos, o ritmo do movimento dos corpos se tornou algo natural, instintivo. Um encaixe novo, intenso, uma entrega silenciosa que nenhum dos dois sabia descrever, mas que, naquele instante, preenchia tudo.

Eduardo sentia o calor ao redor dele, sentia Leo se moldando sob seu toque, se abrindo para ele de um jeito que nunca tinham experimentado antes. Cada movimento aprofundava a sensação, tornando-a mais real, mais impossível de ignorar.

E então, veio a rendição.

Leo parou de segurar o fôlego. Seu corpo relaxou de vez, as mãos deslizando pelas costas de Eduardo, segurando, guiando, puxando-o para mais perto. O prazer tomou conta dele como uma onda lenta, inevitável, arrebatadora.

E Eduardo apenas seguiu, perdido na sensação, na forma como Leo se entregava a ele, na maneira como o mundo pareceu desaparecer ao redor.

Por um tempo, nada mais existiu.

Nada além deles dois, entrelaçados na escuridão, gravando aquele momento na pele, na respiração entrecortada, no desejo silencioso que finalmente ganhou forma.


◄☼►


Quando acordaram, a janela já deixava entrar a primeira luz da manhã.

Eduardo piscou devagar, sentindo o peso do que tinham feito descer sobre ele como uma onda.

Leo ainda dormia ao seu lado, a respiração lenta e profunda.

Eduardo o observou por um tempo, tentando processar tudo.

Eles tinham feito.

Depois de tantas incertezas, de tantos momentos interrompidos, finalmente tinham cruzado aquela linha.

Mas, agora que tinha acontecido, uma nova pergunta surgiu:

E agora?

Leo se mexeu ao lado dele, franzindo levemente a testa ao despertar. Abriu os olhos devagar, encontrando os de Eduardo.

O silêncio entre eles era diferente.

Não era constrangedor, mas carregava algo que nenhum dos dois sabia dizer o que era.

E então, Leo desviou o olhar e soltou um riso fraco.

— Bom dia.

Eduardo riu baixo, coçando a nuca.

— Bom dia.

E, mesmo sem dizer mais nada, ambos sabiam que aquela noite nunca foi apenas mais uma noite qualquer.