O Garoto Do Andar de Cima

15 Capítulo 14 - Amor Meu Grande Amor…


Shun POV

Hyoga, era uma doença física, o quanto eu o amava.

Eu amava o Hyoga.

Adorava o som da sua voz, adorava quando ele erguia uma sobrancelha quando eu dizia alguma coisa que ele achava inteligente ou divertida. Adorava que ele fosse meio nerd, e que ele tivesse aquele sotaque lindo.

Eu amava tudo isso.

E eu provavelmente o amava ainda mais agora, depois depois das três semanas que passáramos juntos em New York, e principalmente, depois dele ter aceitado ir comigo prestar um novo depoimento na delegacia, sobre o que acontecera em Boston.

Ele não quisera ir a princípio. Ele temia que seu irmão soubesse o quão irresponsável ele havia sido, se embebedando com Seiya e tomando parte em jogos clandestino em uma boate em Dorchester, mas eu o convencera. Se ele não queria dizer a verdade ao irmão, tinha que ao menos contar a polícia sobre Radamanthys.

Nós pisamos na delegacia na manhã de uma quarta feira, dois dias depois que eu desembarcara em New York.

Após preenchermos uma ficha na recepção fomos levados a uma sala de janela estreita, onde só cabiam uma mesa e três cadeiras velhas. Eu me sentei ao lado de Hyoga em uma cadeira de perna bamba, e uma jovem loira, vestida em uma farda cinza impecável, se pôs a tomar nosso depoimento.

Hyoga estava nevoso e eu segurei a mão dele pra dar apoio.

Após informar seus dados, ele contou o que acontecera em Boston, e como ele e Seiya acabaram envolvidos com Radamanthys e seus comparsas na boate em Dorchester.

Assim que Hyoga mencionou o nome Radamanthys, no entanto, os olhos verdes da jovem oficial se arregalaram e ela interrompeu o depoimento dizendo que nós deveríamos nos reportar diretamente aos detetives responsáveis pela divisão de investigação especial.

Nós nos entreolhamos hesitantes, e eu apertei a mão de Hyoga mais forte conforme ela nos conduzia por um curto corredor até o que parecia uma saleta de espera.

A sala se resumia a dois sofás de couro gastos, uma máquina de café, e uma televisão presa na parede pra entreter quem esperava.

Já haviam duas pessoas sentadas lá quando entramos. Um loiro irritado de aparência delicada e roupas da última estação, e seu acompanhante, um sujeito pálido e engravatado.

Nós esperamos ali na companhia do rapaz irritado e do que eu supunha ser seu advogado, por cerca de vinte minutos até alguém aparecer.

Mal um loiro alto de jaqueta de couro, jeans surrado e coturno apontou na saleta, o rapaz se levantou em posição de combate.

– Kanon, seu grande filho da puta… Você me paga.

O advogado, alto, com abundantes cabelos castanhos, segurou o rapaz pelo braço.

– Misty, permita-me lidar com a situação. Tenente, eu sou o advogado do Canal 11, e vim representar o Sr. Lacerta. Devo dizer que considero inaceitável o tratamento dado ao meu cliente, respeitável profissional da mídia. Uma queixa será feita aos seus superiores.

– Ah, é? — O Tenente sorriu de canto, tirando um cigarro do bolso da jaqueta e o levando aos lábios — O Sr. Lacerta é testemunha de uma investigação de homicídio. Eu lhe pedi que viesse até aqui de forma voluntária, para ser interrogado, mas ele não demonstrou cooperação.

Ele enfiou as mãos no bolso em busca de um isqueiro, e eu assisti estupefato enquanto ele acendia o cigarro. Que eu soubesse era proibido fumar em local fechado na cidade de New York. E, pelo amor de Deus, aquilo era uma delegacia. Se nós não podíamos contar que as regras fossem respeitada ali dentro, onde então? Eu pensei, mas obviamente não falei nada.

– Eu estava no meu direito e era minha autoridade — o tenente continuou após uma longa tragada — trazer seu cliente até aqui, assim como era direito do Sr. Lacerta arrastar o senhor até aqui só para me irritar. Preciso das fotos que tirou, Misty. — Ele se dirigiu ao rapaz outra vez.

O tal Misty voltou a sentar e cruzou as pernas. Afofou os cabelos loiros e sorriu suavemente.

– Você deve apresentar um mandado para o meu advogado, Tenente, e, quando a autenticidade do documento for confirmada, poderemos conversar sobre as fotos.

O sorriso do policial se ampliou de forma perigosa.

– Você não vai querer dificultar as coisas pra polícia vai? Ou testar os nervos do Saga?

Os olhos azuis do rapaz brilharam de raiva.

– Acha que não? Porra, Kanon, você me prendeu!

– De acordo com as leis federais e estaduais — O advogado se manifestou de novo — o Sr. Lacerta não tem obrigação nenhuma de apresentar à polícia objetos pessoais ou profissionais sem uma ordem judicial.

– Eu liguei pra você. — O rapaz falou de novo. — Não precisava ter feito isso. Eu poderia ter ido direto até a rua Delancey para fazer meu furo de reportagem. Mas avisei vocês antes, por respeito ao seu trabalho e por amizade. Vocês conseguiram chegar lá antes de mim e me deixaram de fora do lance. E essa é a minha versão.

– Eu não sou seu amigo, Misty. — O detetive falou ácido. — E você me ligou porque era seu dever, como cidadão, fazer a comunicação de um crime. Mas não se preocupe, você ainda pode conseguir seu furo de reportagem. Acabei de passar a última meia hora em uma casinha no Brooklyn, junto dos pais de uma menina de vinte anos que se desmontaram de pesar, pedaço por pedaço, quando eu lhes contei que sua filha estava morta. E ainda tive de contar onde é que ela passou essa noite. Dentro de uma latão de lixo. Retalhada. — Ele cuspiu as palavras.

O rapaz estava calado agora, em choque, todos nós estávamos. Ali estava um lado de New York que eu não tinha intenção de conhecer.

– Essa menina tinha vinte anos, — o policial prosseguiu — estava estudando pra ser professora e trabalhava em uma loja de conveniência. Gostava de dançar e colecionava cursinhos de pelúcia. Tinha uma irmã mais nova, chamada Melissa. Sua família achava que ela tinha ido dormir com as amigas, como fazia uma ou duas vezes por semana, e não estavam preocupados. Até que eu bati na sua porta agora de manhã.

O detetive respirou fundo e apagou o cigarro em um cinzeiro próximo antes de continuar.

– Sua mãe perdeu a força das pernas e caiu de joelhos, quase sem ar. Você devia dar uma passada na casa deles assim que acabarmos aqui, Misty. Acho que dá pra conseguir imagens fortes para colocar na sua reportagem. Mostrar esses tipo de sofrimento cruel sempre faz a audiência dos jornais bombar. Tenho certeza de que isso te tiraria das colunas sociais e te colocaria na sessão de crimes molezinha.

– Isso é apelação- O advogado reagiu. — É intolerável. Meu cliente….

O Tenente segurou o homem pela gola da camisa estreitando os olhos. Obviamente com a paciência no limite.

– Seu cliente vai aguardar a nossa conversa no fundo de uma cela se o senhor der mais uma palavra. — Sibilou.

Isso ao menos funcionou para que o homem ficasse quieto.

O detetive então passou uma mão pelo rosto e bufou cansado.

– Merda, como eu odeio esses maníacos malucos. Bando de doente da porra! — Ele esbravejou. Mas eu acho que estava se referindo ao caso da garota morta e não ao jornalista irritadiço e seu advogado. — Onde está o Saga? — Perguntou pra uma oficial, que, só agora eu percebia, estava parada ao nosso lado, assistindo com inegável satisfação ao espetáculo protagonizado por seu chefe.

– Na sala do comandante apresentando o relatório, Boss. — A moça respondeu. Era a mesma garota loira que nos acompanhara até lá.

Então os olhos cobalto do tenente pousaram em nós, sentados no sofá puído, e ele pareceu se irritar outra vez.

– E o que diabos esses moleques estão fazendo aqui? — Ele lançou pra nenhum destinatário em específico.

– Eu acho que vocês vão querer ouvir o que os garotos têm a dizer. — A loira falou, misteriosa. — Lembranças de Pandora.

O semblante do detetive mudou. Seus solhos brilharam com interesse e ele levantou uma sobrancelha, nos examinando com cuidado, antes de dizer.

– Certo. Convoque o Saga, — ele mandou — e faça os moleques arrastarem as bundas brancas pra minha sala em cinco minutos. Misty, — Ele não se deu ao trabalho de se voltar para o jornalista ao se dirigir a ele — você está dispensado por hora. Estou reagendando a nossa conversa pra amanhã as 10:00 horas.
O rapaz levantou rangendo os dentes e saiu pisando duro sendo seguido por seu advogado.

– Sim senhor, Boss! — A garota loira bateu uma continência e sorriu enquanto observava o chefe desaparecer por uma porta nos fundos, reclamando que precisava de um café.

Cinco minuto depois nós éramos conduzidos a uma sala ampla com duas mesas, cadeiras confortáveis, um pequeno sofá e inúmeros arquivos.

O detetive de antes estava parado ao lado da janela com grades segurando uma caneca… E havia um outro homem sentado na mesa em frente a porta. Ele era surpreendentemente igual ao primeiro. Na verdade, os homens eram idênticos. Exceto que este trazia os longos cabelos loiros presos em um rabo de cavalo baixo e usava um blazer social cinza no lugar da jaqueta de couro.

– Muito prazer, nós somos os detetives Saga e Kanon Panagopoulos — O homem por trás da mesa se apresentou, indicando as cadeiras a sua frente pra que nos sentássemos. — O que vocês trazem pra nós?

Hyoga, então, voltou a contar sobre os fatos em Boston. Falou sobre a bebedeira, a boate, Radamanthys e seu comparsa, Zelos, o jogo clandestino, e finalmente, sobre o tiro que levara no campus da faculdade, e os olhos dourados de Radamanthys. A última lembrança que tinha antes de apagar.

– E você tem certeza de que foi ele? Foi o Radamanthys que atirou em você? — Um dos detetives perguntou.

Hyoga assentiu. Ele tinha certeza.

Os detetives se entreolharam como que compartilhando uma informação que passava desapercebida pra nós.

– Nós já estamos atrás dele há algum tempo. — Um dos policiais falou.

– Não vai ser fácil botar as mãos nele. — O outro completou — Nós vamos precisar de uma boa armadilha.

Aparentemente esse cara, o tal Radamanthys, já era procurado por diversos crimes, conforme os policiais nos explicaram.

– E foi esse garoto, Seiya Kido, que o apresentou a você, não foi? — O de cabelo preso perguntou.

Eu senti o aperto da mão de Hyoga na minha aumentar. Esse era o outro motivo que o levara a não dizer a verdade pra polícia até então. Ele não queria comprometer o Seiya.

– Mas ele não sabia de nada. — Hyoga se apressou em dizer. — Seiya não fazia idéia também, eu juro.

Os detetives se entreolharam outra vez… aquilo já estava me dando nos nervos… então assentiram.

– Tudo bem. Eu acho que isso já é o suficiente por enquanto. — O mesmo detetive continuou — Obrigado pelo depoimento. Vocês já podem ir agora.

Então o que usava a jaqueta de couro se aproximou entregando um cartão ao Hyoga. — Entre em contato se Radamanthys voltar a aparecer. — Ele falou.

Nós saímos da delegacia para o vento frio do final de Novembro, e fomos tomar um café da manhã tardio no Tom’s Restaurant — como em Seinfeld -, conversando amenidades. Eu sabia que Hyoga preferia não falar sobre os seus receios em relação ao depoimento que prestara. Eu respeitava isso.

Mais tarde, navegamos em um passeio de veleiro pela costa de Manhattan. Passando pelos arranhas céus imponentes, pela magnífica ponte do Brooklin, até a Ellis Land.

O sol já se punha nas águas quando no aproximamos de Lady Liberty. O vento frio batia contra minhas bochechas. Eu olhei pra estátua gigantesca em bronze, símbolo da liberdade política e da democracia, e para pequenas ondas batendo contra o casco do barco e senti os braços de Hyoga me envolvendo por trás.

Ele apoiou o queixo na minha cabeça.

– Obrigado, Shun. Obrigado por estar aqui comigo.

Eu mordi o lábio, entorpecido com o calor dele, o coração acelerado.

Meu pensamento dando voltas outra vez.

Eu amava o Hyoga.

Desde que me dera conta desse sentimento, era como se eu não pudesse parar de pensar nisso. Como se ele não parasse mais de crescer. Ficando cada dia maior e maior. Como se eu fosse explodir.

Eu adorava o Hyoga. Adorava tudo nele.

Tinha apenas uma coisa que eu não gostava nele. Ela.

Desde que chegara que eu vinha percebendo que a situação entre ele e Freya piorara muito. Ela não viera pra passar a noite de Ação de Graças com ele, e, quando eu perguntei sobre isso, Hyoga apenas disse que era Ação de Graças em San Francisco também, e que ela estava comemorando com a família.

Ela também ligava pra ele o tempo todo. Ele nunca, nunca, atendia.

Então por quê? Por quê ele ainda estava com ela? Eu me perguntava.

Mas eu fazia uma boa idéia do porquê.

E não era como se ele gostasse de mim de qualquer maneira. Só o fato de eu gostar dele, não significava meu sentimento fosse retribuído. Quer dizer, eu sei que ele havia dito que sim aquela vez no hospital, mas ele estava dopado, não estava? Aquela declaração repentina era apenas efeito da morfina, certo?

Estava exatamente refletindo sobre isso naquela Quinta-feira, três semanas depois, debruçado na amurada ao lado da majestosa árvore de Natal do Rockefeller Center, assistindo as pessoas patinarem no ringue de patinação de Inverno, enquanto esperava Hyoga aparecer.

Ele estava ligeiramente atrasado como sempre, mas eu não me importava. Gostava de ficar ali observando as crianças brincando de patinar com seus pais, adolescentes fazendo coreografias amadoras no gelo, e casais enamorados, patinando de mãos dadas, com a grande estátua dourada de Prometeu atrás.

Não fora fácil descolar aquele lugar em meio a multidão empolgada. E isso porque ainda era apenas o final da tarde, eu pensei. À noite o Rockefeller Plaza certamente estaria dez mil vezes mais bonito, e cinquenta mil vezes mais lotado.

Eu senti meu telefone vibrando no bolso do meu casaco e o puxei pra atender, pensando que fosse o Hyoga:

– Feliz Ação de Graças pra você! — Eu ouvi a voz da Misuki cantar do outro lado — Feliz Ação de Graças pra voceeeeê! Feliz Ação de Graaa-çaaass, Shu-Shuuu… Feliz ação de Graças pra vocêeee!!!

Eu ri, enquanto ela festejava e batia palmas.

– Obrigado, Mi-chan. — Eu disse — Mas o dia de Ação de Graças foi há quase três semanas.

Ela ficou em silêncio, por um momento, e então falou indignada.

– Não foi nada! Eu procurei o no Google e lá estava escrito que o feriado de Ação de Graças era comemorado uma semana antes do Natal!

Eu ri ainda mais.

– Então parece que você precisa rever seus padrões de pesquisa.

Ela bufou irritada, então suspirou.

– Mas você pelo menos passou o feriado com o seu namorado?

– Não, passei com o Ikki e a namorada dele. — Eu respondi — E o Hyoga não é meu namorado. Mas nós fomos assistir ao Fantasma da Ópera com os irmãos dele e o Ikki no Sábado, se isso te faz feliz.

– Você apresentou ele pro Ikki? — Ela prendeu o fôlego horrorizada — Você não tem compaixão? E como foi?

Eu ri outra vez.

– Não tão desastroso quanto poderia ser, eu suponho. Ikki só rosnou um pouco, e o Oga tirou de letra.

Eu lembrei da nossa noite de Sábado quando Ikki e eu fomos ao teatro com Hyoga e os irmãos dele. Saori, graças aos céus, não estava presente, e Afrodite estava com um italiano meio mau encarado que ele apresentou como seu namorado. Acho que era o tal cara de quem ele estava reclamando aquele dia no hospital, mas não fiz perguntas. Meu Deus, já faziam quase seis meses agora.

Misuki soltou o ar.

– Agora o garoto ganhou meu respeito. Se ele foi capaz de lidar com o Ikki, é capaz de qualquer coisa. Definitivamente é o homem certo pra você. — Sentenciou.

Eu suspirei frustrado.

– Ele não pode ser o homem certo pra mim porque, caso você não se lembre, ele já tem uma namorada. — Eu não conseguia esconder a pontada de irritação na voz.

Estava consciente do sinal luminoso na minha testa, piscando o óbvio: Eu amo o Hyoga! Mas nem me importava. Não ligava que ela soubesse.

Ela ficou calada por um tempo e então lançou:

– Por que ele ainda está com ela? Quero dizer, eles mal se vêem mais, agora que ele está aí em New York. Certo?

– É… — Eu falei devagar. Tivera bastante tempo pra pensar sobre isso — Mas não é tão simples. Eles estão juntos há quase um ano… Acho que já deve ter feito um ano agora. E, além disso, ambos são realmente... cautelosos.

– Cautelosos?

– É. Você sabe. Hyoga é muito… estável. E a Freya parece ser do mesmo jeito. Shunrei me disse uma vez que ela levou séculos para escolher um estágio, e então ela ainda escolheu um que era a apenas alguns bairros de distância da faculdade. Quero dizer, a Boston Magazine é uma revista prestigiada e tudo, mas ela a escolheu porque era familiar. E agora, com tudo o que aconteceu com o Hyoga, eu não acho que ele esteja preparado pra uma mudança. Ele com certeza precisa de algo familiar, estável. E ela não vai terminar com ele, não depois de quase perdê-lo de uma forma tão… drástica. Mesmo que essa não seja mais uma relação muito saudável.

– Então você acha que eles estão infelizes?

Eu suspirei outra vez.

– Não infelizes, mas... não estão felizes também. Felizes o bastante, eu acho. Isso faz sentido?

Ela bufou.

– Faz. E eu odeio isso.

Eu odiava também.

Porque isso significava que eu não poderia dizer nada a ele, ou estaria arriscando nossa amizade. Significava que eu teria que continuar agindo como se nada tivesse mudado, como se eu não sentisse por ele nada além do que sentia pela Shunrei.

Ainda estava meditando sobre isso alguns minutos mais tarde, depois de desligar o celular, quando Hyoga apareceu. Ele estava vestindo seu sobretudo preto até os joelhos, jeans, e coturnos.

Eu lhe dei o meu melhor sorriso e acenei.

Ele lutou contra a multidão até chegar onde eu estava, e então se recostou ao meu lado, com um suspiro de alívio.

– E então, aonde vamos hoje?

– Eu não sei ao certo. — Eu falei. — Pensei que poderíamos sair e…saberíamos quando chegássemos lá.

Ele arregalou os olhos.

– O quê? Nada de planos? Nada de itinerário?

Eu bati de brincadeira na parte de trás da sua cabeça.

– Cuidado. Olha que eu faço um. — Ameacei rindo. Eu vinha arrastando ele por três semanas consecutivas através de todos os meu itinerários turísticos detalhadamente planejados pra minhas férias em New York.

Até agora nós já tínhamos visitado Chinatown, o Soho, a Broadway Square, o Empire States, o Rockefeller Center, o Met, o Museu de Arte Natural, Madame Tussauds, o Museu do 11 de Setembro, e a Estátua da Liberdade.

– Deus, não! Qualquer coisa, menos isso. — Ele abaixou a cabeça entre as mãos desolado, então olhou pra mim por entre os dedos com um meio sorriso no rosto.

Eu o atingi de novo, enquanto nos afastávamos até a 50 St., e ele caiu na risada outra vez.

– Onde estão suas luvas? — Eu perguntei então, notando só naquele momento que suas mãos estavam descobertas. E ele também não estava usando gorro, eu percebi. Pelo amor de Deus, ele não sentia frio?

Eu estava devidamente agasalhado com meu impermeável até os joelhos — que me fazia parecer um marshmallow gigante — galochas, luvas e cachecol combinando, e o prosaico gorro de lã com orelhas feito pela minha avó. Já Hyoga usava apenas uma de suas camisetas dos Beatles sob o sobretudo escuro.

E nós já estávamos em meados de Dezembro, o inverno havia chegado com força. O céu estava branco e espesso, o vento gelado soprava cortante, e eu podia apostar que haveria neve essa noite outra vez.

Ele olhou de soslaio pra mim.

– Camus? É você? Eu preciso do meu cachecol? Vai nevar, mamãe?

Eu cruzei os braços sobre o peito.

– Tudo bem, congele até a morte. Veja se me importo. — Eu falei. Mas ele tirou um par de luvas do bolso do casaco, enfiando também um gorro na cabeça e enrolando seu cachecol preto no pescoço, antes de abrir um sorriso luminoso pra mim.

Eu soprei o ar com enfado.

Então nós passamos por um mendigo com a barba desalinhada, ele estava deitado em frente ao metrô com caixas de papelão ao redor para aquecê-lo, e Hyoga parou, revirando os bolsos, pra colocar um punhado enorme de dólares na caneca do homem.

– Feliz Natal! — Ele desejou.

Eu arregalei os olhos surpreso, e olhei para o mendigo conforme nos afastávamos. Ele estava maravilhado, embasbacado, com a quantia de dinheiro em suas mão.

Eu senti meu coração esquentar outra vez, e olhei para o garoto ao meu lado.

Como eu poderia não amá-lo? Como era possível alguém não se apaixonar por um cara assim?

Ele estava sorrindo, e meu coração falhou uma batida. Eu parei de respirar. Agora não havia mais volta. Mesmo que eu nunca pudesse contar a ele, eu amava o Hyoga.

Amava sua voz calma. Seus olhos azuis. Sua gentileza. Seu cheiro de amaciante e perfume. E amava tanto aquele sorriso que poderia morrer.

Fiquei olhando até que o sorriso sumisse e ele me olhasse interrogativamente.

– Shun? Está tudo bem?

Eu balancei a cabeça tentando parecer normal mas minha voz saiu baixa demais.

– Tudo… Vamos.

Notas finais
Olá a todos, eis aqui mais um ch pra vcs, espero que gostem ;) E a grande atração desse ch é... *rufem os tambores*... : Kanon, é claro...kkkkk Direto de Aprendendo a Seduzir para O Garoto do Andar de Cima, especialmente, pros que estavam com saudades dele como eu. Aliás, não sei se vcs perceberam, mas enfim as duas histórias começam a seguir em paralelo, e começam a se entrelaçar mais. E elas estarão cada vez mais e mais entrelaçadas daqui pra frente, espero que gostem. Outro destaque, é a conversa no telefone com a Mizuki, com a versão do Shun sobre a pergunta que não quer calar: Por que diabos o Oga não larga a Freya? E aqui já adianto que ele está em parte certo no seu ponto de vista. Hyoga realmente está, em parte, tentando se poupar de mais confusão. Mas não podemos esquecer da razão que o próprio Oga deu no extra dele, quando ele foi baleado, né?! ;) Enfim, esse ch está mais paradinho pq na verdade era pra ele ser parte de outro, que acabou dividido em três, por causa do tamanho, mesmo assim espero que dê pra curtir ˆˆ Bjos e obrigada a todos que acompanham, em especial à: HuadanNox, Kass, Jenferr, Xianism, nane yagami, Lilith Rose, MilaScorpions, DaniiHyuuga, Shaketdiva, LiraFujoshi, e Queen of Fire, pelos lindos reviews. Muito obrigada mesmo pelo incentivo, meninas ˆˆ.