O Garoto Do Andar de Cima
16 Capítulo 15 - As Time Goes By (Parte 1)
Shun POV
– É isso! Esse é o meu plano. — Eu falei quando chegamos a esquina com a Quinta Avenida.
Hyoga seguiu o meu olhar para o enorme catedral de mármore branco. As duas torres góticas imponentemente recortadas contra os arranha céus modernos e o céu esbranquiçado. O mesmo céu que New York vinha vendo todos os dias desde que a temperatura caíra.
– St. Patrick? — Ele perguntou cautelosamente.
Eu assenti.
– Você sabe, estou aqui há três semanas e ainda não sei do que se trata isso. — Pulei na faixa de pedestres, indo em direção à estrutura gigante.
Ele encolheu os ombros.
– Se trata de uma igreja.
Eu parei pra encará-lo com desdém e ele me empurrou adiante impedindo que eu fosse atropelado por um ônibus azul de turistas que passou buzinando.
– Oh, certo. — Eu falei ironicamente — Uma igreja. Como eu não percebi isso antes?
Hyoga me encarou com o canto dos olhos e sorriu.
Eu bufei exasperado.
– Eu quero saber do que se trata essa igreja em particular. — Eu expliquei. — Quer dizer, há igrejas em todos os lugares. O que tem de tão diferente aqui?
Subimos os degraus de entrada, e a proximidade das altas torres era esmagadora. Nunca estivera assim tão perto.
– Sei lá. — Ele deu de ombros. — Nada, eu acho.
– Não pode ser nada. — Eu insisti.
Ele ponderou por um segundo.
– Vamos ver… St. Patrick é a maior igreja católica de New York. Ela começou a ser construída em 1858 no estilo Gótico e só foi concluída em 1878. Oito arcebispos estão enterrados na cripta embaixo do altar.
– Só isso? — Eu fiquei meio desapontado. Pra mim parecia que esse lugar deveria pelo menos ter enterrado alguns presidentes e artistas famosos, ou algo assim.
Ele levantou uma sobrancelha.
– Bem… tem outras coisas também. Mas, de qualquer forma, é uma atração de segunda categoria.
Nós entramos na igreja, e fomos recepcionados por um número inimaginável de domos, colunas e arcos.
Tudo era grande e abobadado. Eu achara ela um pouco pequena vista por fora, mas sem dúvida esse efeito era causado pela proximidade com aquele monte de arranha-céus. Porque ela era imensa por dentro. Imensa e deslumbrante. Com seus ornamentados afrescos de santos, guerreiros e anjos pintados ou esculpidos nas suas paredes de mármore imponentes, e as grandes janelas trabalhadas com vitrais espalhadas por toda parte.
– De segunda categoria? — Eu falei impressionado — Você deve estar brincando.
Agora eu estava ofendido. Gostava de St. Patrick. Não. Eu amava St. Patrick. Ela era linda.
– O que mais tem por aqui? — Perguntei.
– Hum… — Ele fez, mordendo o dedão, pensativo. — A catedral tem dezenove sinos, cada um com o nome de uma santo, e vinte e um altares, sendo que dois deles foram desenhados pela Tiffany and Company.
Eu levei inconscientemente a mão ao pingente que ele me dera por cima da roupa.
– Tiffany? Como na loja Tiffany?
– Essa mesmo. — Ele afirmou com um sorriso de canto. — A mesma de Breakfeast At Tiffany (1) também.
– Uau. Viu só? Você não pode dizer que isso não é algo impressionante.
Ele riu.
– É, o Afrodite certamente concorda com você.
Eu ri também, e então nós avançamos por um dos grandes corredores laterais da Catedral, andando ao longo do mármore em silêncio respeitoso, exceto quando ele apontava para algum monumento importante como os dois imensos órgãos com 7855 tubos, ou o baldachim todo em bronze sobre altar principal, ou a estátua da Pietá criada em 1906 por um escultor americano. Hyoga disse que ela era três vezes maior do que a feita por Michelangelo, na Basílica de São Pedro em Roma.
Ele também contou que St. Patrick era o santo padroeiro da Irlanda e que esse nome foi dado à catedral em homenagem ao crescente numero de imigrantes desse país na cidade. Eu desconfiava que esse tal de St. Patrick existira de verdade, mas fiquei com vergonha de perguntar. Quando estava com Hyoga, sempre ficava ridiculamente consciente do quanto eu não sabia.
Então um busto de bronze no fundo da catedral me chamou a atenção.
Certo. Eu não conseguia evitar.
– O que é aquilo? — Acabei perguntando.
Hyoga deu de ombros.
– Não sei. — Ele disse, procurando por uma plaquinha de informação.
– Não sabe? — Eu pisquei surpreso. — Estou chocado. Achei que você soubesse de tudo.
Ele sorriu, então avistou a plaquinha de informação.
– João Paulo II. — Ele leu, então bateu com a mão na testa — Ah, é claro!
João Paulo II, o papa? Eu não conseguia enxergar a plaquinha direito de onde eu estava parado, então fiquei esperando por uma explicação, mas ela não veio.
– E…? — Eu perguntei.
– É o busto do Papa João Paulo II. — Ele falou — Foi colocado aqui em homenagem a visita do Papa a New York em 1979.
– Ah, certo. — Eu falei. — É bem… católico.
Ele riu.
Depois nós passamos pelo altar do Sagrado Coração, e eu coloquei uma moeda de um dólar na caixinha pra acender uma vela pra Virgem de Guadalupe.
– Será que funciona como a fonte dos desejos? — Eu brinquei enquanto acendia a pequena vela.
Hyoga sorriu,
– Ao que me consta pode-se fazer qualquer tipo de pedidos aos santos, e você pagou um dólar por isso, então… vá em frente.
– Que mercenário da sua parte. — Eu fingi indignação e ele riu.
– A "Imperatriz da América”. — Eu li na plaquinha de informação — Padroeira do México e da América Latina, apareceu ao índio da tribo Nahua, Juan Diego Cuauhtlatoatzin, em Tepeyac, noroeste da Cidade do México, em 9 de Dezembro de 1531. É venerada no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e a sua festa é celebrada em 12 de Dezembro… Uau, isso foi na semana passada!
Hyoga riu da minha empolgação.
– Bem, feliz dia de Nossa Senhora de Guadalupe atrasado pra você então. — Ele desejou.
Eu sorri também. Gostava quando conseguia fazê-lo rir daquele jeito. Sentia uma espécie de calor gostoso se espalhar por dentro. Realmente amava o sorriso dele.
Desviei depressa minha atenção pra plaquinha de informação outra vez, antes que começasse a pensar demais naquele sorriso.
– A "Senhora do Céu" — eu continuei a ler — apareceu a Juan Diego, identificou-se como a mãe do verdadeiro Deus e fez crescer flores em uma colina semidesértica em pleno inverno. Juan foi instruído por ela a dizer ao bispo que construísse um templo no lugar, e deixou sua própria imagem impressa milagrosamente em seu manto. Em ampliações da face de Nossa Senhora, os seus olhos, na imagem gravada, parecem refletir o que estava à sua frente em 1531: Juan Diego, e o bispo.
Hyoga assentiu.
– Mas isto também pode ser explicado pelo fenômeno da pareidolia.
– Pareidolia?
– É um fenômeno psicológico, como quando reconhecemos figuras em nuvens, montanhas, e janelas embaçadas, por exemplo, sabe. Segundo Carl Sagan isso seria uma espécie de “efeito colateral evolutivo". Os bebês que há um milhão de anos eram incapazes de reconhecer um rosto retribuíam menos os sorrisos, e por isso eram menos inclinados a conquistar o coração dos pais e tinham menos chance de sobreviver. Pela evolução quase todos os bebês hoje identificam rapidamente uma face humana e respondem com um sorriso. O mecanismo de reconhecimento de padrões em nossos cérebros, no entanto, se tornou tão eficiente em descobrir uma face em meio a muitos outros pormenores que às vezes vemos faces onde elas não existem. Reunimos pedaços desconectados de luz e sombra, e inconscientemente tentamos ver uma face. Acho que é isso que acontece com a suposta imagem gravada nos olhos da Virgem de Guadalupe. As pessoas simplesmente enxergam o que são sugestionadas a enxergar, através do fenômeno da pareidolia.
– E quanto ao manto? — Eu questionei.
Ele deu de ombros.
– Bem… Vamos aceitar apenas que “existem mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia”.
Eu sorri com a menção a Hamlet.
– E é nisso que você acredita?
– Sim, acho que sim. — Ele falou hesitante. — Quero dizer, eu não sou nenhum religioso, mas, assim como a fé inabalável, a descrença total também me parece uma explicação um tanto simplista do Universo.
– Simplista?
Ele assentiu.
– Veja,- Ele começou pensativo — se eu afirmar que não existe nenhuma inteligência por trás do Universo, nenhum sentido criativo, então nosso cérebro não teria sido concebido para o propósito de pensar. Para o ‘pensamento verdadeiro’, como define Platão.Trataria-se apenas de um acaso que os átomos no interior do nosso crânio, por razões físicas ou químicas, tivessem se organizado de uma certa maneira que nos dá, como subproduto, a sensação a que chamamos de pensamento. Mas, nesse caso, como poderíamos confiar em nosso próprio pensamento? Como garantir que uma sensação, subproduto de pura casuística, a que chamamos pensar, corresponde de fato a um pensamento verdadeiro, e não apenas à sensação de um pensamento verdadeiro? E, se não podemos confiar em nosso próprio pensamento, como confiar no julgamento produzido por esse pensamento de que não existe um sentido por trás do Universo?
Ele fez um pausa, seus olhos brilhando daquele jeito empolgado, antes de continuar:
– Segundo C. S. Lewis um homem jamais pode afirmar que uma linha é torta se não tiver algum tipo de noção do que é uma linha reta. Assim, em sua própria tentativa de provar que uma linha é torta, ele é obrigado a admitir a existência de uma linha reta que lhe serviu de parâmetro pra essa conclusão. Em outras palavras, em sua própria tentativa de provar que a realidade como um todo é sem sentido, o homem é forçado a considerar que ao menos uma parte da realidade, ou seja, a sua ideia do que faz ou não faz sentido, está cheia de sentido. Quer dizer, se eu não acreditar na existência de um sentido primordial no Universo, eu não posso acreditar que o meu próprio pensamento, parte desse Universo, tenha sentido, e logo não posso usá-lo pra afirmar que não existe um sentido no Universo.
– Hum… — Eu ponderei. — Faz sentido. — Brinquei com o trocadilho, e ele riu. Mas realmente fazia. Era confuso, complexo, meio maluco, e a cara dele. Eu não consegui deixar de sorrir. — E esse é, sem dúvida, um argumento de razão pra refutar o materialismo naturalista, independente do que se acredite. — Eu falei.
Ele sorriu.
– É tão fácil falar com você. Quando eu tento conversar com a Freya sobre algo assim, ela simplesmente não faz idéia do que eu estou falando…- Ele se interrompeu, como se tivesse falado demais. — Mas chega desse papo agora, vamos ver algumas pessoas mortas.
– Pessoas mortas? — Eu congelei. — Como assim pessoas mortas?
Ele riu.
– A cripta. Vamos conhecer a cripta. O que você achou que tinha dentro dela?
Eu tossi.
– Certo. A cripta. Tudo bem, vamos lá.
– A menos que você esteja com medo. — Ele provocou.
Eu cruzei os braços sobre o peito, erguendo o queixo.
– Não tive problema algum no cemitério em Boston, tive? — Eu desafiei, e então saí correndo em direção a entrada da cripta. A borracha do solado das minhas galochas fazendo um barulho estridente ao derrapar contra o mármore.
O barulho ecoou no ambiente e todos os turistas olharam.
Eu queria morrer de vergonha.
Então Hyoga passou correndo por mim. O barulho dos coturnos dele competindo com o das minhas botas, e eu esqueci a vergonha. Ri pela surpresa e ganhei velocidade. Estávamos corpo a corpo… quase lá… quando um guarda, nervoso, pulou na nossa frente. Tropecei em Hyoga tentando parar. Ele me segurou pela cintura pra me frear, conforme o guarda gritava conosco. Minhas bochechas ficaram positivamente vermelhas dessa vez, mas, antes que eu pudesse ter a chance de me desculpar, Hyoga o fez por nós dois.
O guarda se tranquilizou e nos deixou ir depois de nos passar um sermão.
Era como em Mount Auburn outra vez. Hyoga sempre conseguia se safar
– Você consegue se safar em qualquer situação, não é?! — Eu falei.
Ele riu. Mas não discutiu porque sabia que era verdade.
Nós descemos a escada em espiral até a cripta,
– É maior do que eu pensava. — Eu disse quando chegamos até embaixo.
– A cripta cobre toda a área debaixo do altar principal. — Hyoga falou, e eu não pude evitar imaginar as catacumbas infindáveis, escuras e decoradas com ossos
Mas na verdade a cripta era bem iluminada. Estava congelando lá embaixo, mas também era limpa, espaçosa e branca. Não era exatamente uma masmorra.
O que era bom. Eu podia lidar perfeitamente com corpos enterrados em espaços aberto e ajardinados como Mount Auburn, mas não gostava da idéia de estar em um espaço bolorento e fechado, rodeado de gente morta.
Nós nos movemos ao longo dos corredores e fiquei surpreso ao ver quão vazio era tudo por ali. Havia oito cardeais sepultados, e um monte de espaços vagos. Lugares para tumbas futuras, eu pensei.
– Nenhum crânio ou fêmures expostos, pelo menos. — Eu sorri um pouco aliviado enquanto subíamos de volta até a igreja.
Então meu alívio deu lugar a preocupação quando notei a palidez excessiva de Hyoga.
– Está tudo bem? — Eu perguntei.
– Tudo. Não se preocupe. — Ele fez uma careta de dor, levando uma mão às costelas. Sua voz era forçada e apressada, e ele não olhou pra mim.
E então eu percebi.
Ah, meu Deus, como? Como eu pude ter sido tão estúpido a ponto de esquecer que ele ainda estava se recuperando de uma operação complicada? Eu o fizera correr comigo pela igreja, e depois ainda o levara pra baixo e pra cima por aquelas escadas, é claro que ele iria sentir dor.
Ele se escorou nas paredes irregulares, se movendo vagarosamente em direção ao topo, e seu corpo balançou perigosamente pra trás.
Eu estava firme atrás dele.
– Estou aqui. — Disse, segurando sua mão.
Eu queria me matar.
Estúpido! Estúpido!
Ele apertou meus dedos com força, e eu o conduzi gentilmente, escada acima. Degrau por degrau. Não era uma escada longa, mas o processo foi penoso.
Uma fila se acumulou atrás de nós até estarmos de volta sob as cúpulas, colunas, arcos, e o espaço aberto do piso principal. A manada de turistas impacientes explodiu atrás de nós quando chegamos.
– Se ele não consegue subir um lance de escada, devia ter ficado em casa. — Escutei uma voz ríspida dizer na multidão, mas não dei atenção. Toda minha atenção estava em Hyoga.
Ele me soltou e desmoronou no banco mais próximo.
– Desculpa. — Eu me sentei no banco ao lado dele — Foi estupidez minha ter esquecido… — Mas ele apenas balançou a cabeça em negativa, e eu fiquei quieto.
Eu esperei que ele se recuperasse. Sua respiração foi normalizando aos poucos, enquanto eu observava as pessoas tirando fotos dos afrescos. Vi o guarda que gritara conosco um pouco antes. Não olhei para Hyoga em nenhum momento. Tinha medo de que se olhasse pra ele não conseguisse resistir a necessidade de tocá-lo, de conferi-lo com meus próprios dedos
Finalmente, ele levantou a cabeça. Eu pensei que ele fosse falar alguma coisa, mas ele começou a rir.
– Cara, ainda bem que nem o Camus e nem o Dite estão aqui. — Ele disse entre risos — Eu me tornaria um prisioneiro em meu próprio quarto se algum deles ficasse sabendo disso.
Eu balancei a cabeça em negação. Como ele podia levar aquilo de forma tão despreocupada? Mas a verdade é que estava aliviado.
– Vamos, nós ainda não vimos a Capela da Virgem Maria. — Ele falou se levantando, e eu o imitei.
Nós exploramos a capela por um tempo, conversando sobre coisas sem importância, como a história do filme que eu havia visto com o Ikki na noite passada, e o novo Layout que eu estava criando pro meu site. E então ouvimos a mesma voz ríspida atrás de nós outra vez.
– Não ande atrás deles ou nós vamos ficar presos aqui o dia todo.
Eu ia me virar pra dizer alguma coisa, mas Hyoga segurou meu braço.
– Não. Ele não vale a pena — Ele me guiou para o outro lado da capela, e eu respirei fundo, tentando me concentrar em uma plaquinha de informação na parede, mas estava tão furioso que só conseguia enxergar um borrão. Eu fixei a placa até que ela entrasse mais ou menos em foco.
– A Capela de Nossa Senhora foi construída graças a uma doação de propriedade de Margaret e Eugene Kelly. — Eu li com dificuldade — Elas eram sobrinhas do Arcebispo Hughes, um dos fundadores da Universidade Católica da América em Washington. É isso? — Eu perguntei.
Mas antes que Hyoga pudesse responder a voz ríspida disse novamente atrás de nós:
– Margaret era sobrinha do Arcebispo. Eugene é um homem.
Nós nos viramos para encontrar o dono da voz. Um cara presunçoso de camiseta do Chicago Bulls.
Eu senti meu rosto queimar pelo engano, e procurei o braço de Hyoga para que ele nos levasse para outro lugar de novo, mas ele já estava em cima do cara.
– Eugene Kelly foi um homem. — ele corrigiu — E você é um babaca. Por que você não cuida da própria vida e deixa ele em paz!
“…Deixa ele em paz, deixa ele em paz, deixa ele em paz!" Sua voz ecoou pela igreja. Chicago Bulls, assustado com a explosão, se voltou para sua acompanhante que soltou um gritinho. Todos os demais ficaram olhando, boquiabertos.
Hyoga puxou minha mão e me arrastou para a saída catedral. Eu estava nervoso, assustado com o que poderia acontecer. Mas quando paramos na rua movimentada lá fora, vestindo nossos casacos, e a infinidade de luzes coloridas iluminaram as feições de Hyoga, seu rosto estava calmo.
Havia começado a nevar. Os flocos de neve caiam leves e gelados sobre as nossas bochechas.
Eu ergui as mãos pra colher alguns deles na minha palma antes de calçar as luvas, e Hyoga sorriu.
– Vamos. — Ele falou, me guiando pela mão outra vez. — Vamos atrás do nosso jantar.
Nota:
1- Famoso filme de 1961 com Audrey Hapburn, cujo título foi traduzido pra Bonequinha de Luxo em português.
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