O Garoto Do Andar de Cima

20 Capítulo 19 - Mais uma dose…


Shun POV

Eu passei os próximos três dias me debatendo entre a ânsia pra que a noite de Natal chegasse logo, e eu pudesse ver Hyoga outra vez, e a súbita vergonha pelo que eu havia dito a ele na Segunda-feira. Imediatamente seguida por um desejo de que aquele dia não chegasse nunca mais.

Como resultado, na noite de Quinta-Feira eu estava uma pilha de nervos. O que iria fazer quando encontrasse com Hyoga outra vez? O que iria dizer?

Não só eu tinha agido como um imbecil, me comportando como uma namorada ciumenta com o Hyoga… na frente dos nossos amigos. Como havia colocado em risco nossa amizade, e estragado tudo.

Hyoga nunca mais ia querer falar comigo de novo.

Shunrei e Shiryu não haviam comentado nada sobre o que tinham presenciado aquela noite, mas eu sabia que as explicações alguma hora teriam que vir. E eu nem fazia idéia do que poderia dizer, quando eu mesmo estava achando difícil entender a coisa toda.

E aquela história de "porre coletivo”, também não estava ajudando muito. Pra começar, eu nem sabia direito como me vestir pra aquilo. Quer dizer, meu guarda-roupas não era exatamente abastecido com roupas apropriadas pra encher a cara em baladas, sabe. E ainda tinha aquela coisa dos doormans que decidiam quem podia e quem não podia entrar nas boates em New York com base em quão arrumada e descolada a pessoa estava vestida.

Motivo pelo qual Shunrei me obrigara a enfiar uma calça jeans preta e uma blusa de malha da mesma cor que ela comprara pra mim de presente. A roupa era ajustada, mostrando todas as curvas que eu não tinha. Uma coisa que eu nunca usaria. Um cinto com detalhes em metal sobre os quadris, e um bracelete de couro, dava um ar meio punk rock ao conjunto. Shunrei também passou algumas correntes prateadas pelo meu pescoço, e contornou meus olhos de preto. O resultado era uma coisa meio garoto rebelde, que eu não achei de todo ruim. A roupa me fazia sentir ainda mais deslocado do meu próprio eu, mas como era uma ocasião festiva, eu não via problema em mudar um pouco.

Ikki, por outro lado, via um monte de problema. Na verdade, toda a idéia de festejar o Natal em uma boate lhe parecera bastante problemática. Mas Shunrei conversara com a Esmeralda, a namorada dele, que de alguma forma o convencera de que podia ser divertido, e então… bem, nós estávamos todos ali agora. Em uma boate da moda em Midtown, ao som de guitarras estridentes, uma bateria furiosa e letras gritadas. Eu mal podia ouvir meus próprios pensamentos.

O que eu estava pensando? Eu preferiria muito mais ter ficado em casa com um balde de pipoca e uma maratona de Breaking Bad.

Havíamos encontrado com a Shunrei e o Shiryu na entrada, mas eu ainda não vira o Hyoga em lugar nenhum.

Meu irmão e Esmeralda se misturaram à luta por por uma vaga nos camarotes no andar de cima, e Shunrei, Shiryu e eu procuramos pelo ambiente escuro, através dos corpos da desiludida juventude americana se debatendo. Extravasando sua raiva com uma dose saudável de Rock and Roll. Acabamos encontrando Hyoga encostado contra o balcão do bar falando com o Seiya.

Ele riu de alguma coisa que Seiya dissera, afastando uma mecha loira dos olhos e eu congelei o passo. Meu coração parou. Droga! Ele era tão bonito. O nervoso bateu outra vez. O que eu ia fazer? O que ia dizer a ele?

Quer dizer, eu amava o Hyoga, tudo bem. Eu podia lidar com isso. Eu poderia amá-lo em silêncio pra sempre. Eram todas aquelas outras coisas que ele havia despertado com seu beijo que me atormentavam. Aquela expectativa, o ciúme, o desejo. Eu simplesmente não sabia o que fazer com isso.

— Respire fundo — Shunrei disse no meu ouvido. — Respire bem fundo.

Mas respirar parecia impossível.

— E se ele não quiser falar comigo? — Eu falei — Eu disse que não era mais para ele falar comigo.

— Você quer dizer depois de ter agido como um namorado ciumento na Segunda-feira, dizendo que estava tudo terminado e que não era mais pra ele te ligar? — Ela zombou.

Eu abaixei os olhos constrangido.

— É… — Eu disse. — Eu sei, foi estúpido, e ele nunca mais vai querer ser meu amigo de novo.

Ela esticou o braço e apertou a minha mão.

— Ei, relaxa. Eu só estava brincando. Vai dar tudo certo. Aja naturalmente. Você está ótimo.

Eu respirei fundo. Certo. Eu estava bem. Ia ficar tudo bem. Certo.

Sem que eu percebesse meus pés foram impulsionando o resto do meu corpo pela distância que faltava até ele. Shunrei e Shiryu seguiam logo atrás. A música pulsava no meu cérebro. Eu tropecei nos pés de algum cara. Ele me xingou de um nome não muito bonito, e eu murmurei uma desculpa enquanto me afastava.

— Ei. — Shiryu gritou quando estávamos a uma distância em que poderíamos ser ouvidos.

As costas de Hyoga estavam parcialmente voltadas pra mim. Ao som da voz do Shiryu ele se virou. E o queixo dele quase caiu. Seus olhos fixos em mim.

Seiya abriu a boca também.

— Uau, Shun! — Ele falou — Onde você estava escondendo tudo isso?

Hyoga continuava sem fala. Eu abracei meu próprio corpo consciente de seu olhar e ele apareceu se assustar, se endireitando de repente.

— Ah… Shun… — Ele gaguejou — Você está muito… é…

— Atraente. — Shunrei disse. — É essa a palavra que você estava procurando, Oga.

Hyoga engasgou e eu senti meu rosto ferver.

Talvez Shunrei estivesse certa. Talvez eu devesse me arrumar daquele jeito mais vezes.

Seiya assentiu.

— Se você fosse uma garota eu pegava. — Ele disse, e Hyoga e eu o fuzilamos com o olhar ao mesmo tempo. Ele levantou as mãos para o alto. — Só estou dizendo.

Shunrei riu e enfiou um copo de bebida na minha mão.

— Tudo bem, chega disso, vamos brindar. — Ela anunciou.

— Ao Natal? — Hyoga arriscou.

— Ao porre coletivo de Natal! — Shiryu disse, e todos riram erguendo os copos. Eu revirei os olhos mas ergui o copo também, brindando com os outros antes de beber.

A bebida tinha gosto de refrigerante, com alguma outra coisa mais forte misturada. No começo era meio estranho, mas quanto mais eu bebia, melhor ficava. Ou menos eu notava, não sei.

Minha cabeça foi ficando meio aérea quando outro copo foi colocado na minha mão.

E depois mais um…

E então eu estava rindo muito. Tão feliz.

Mais um copo.

Shunrei agora respondia a uma pergunta do Seiya sobre o meu irmão. Dizendo alguma coisa sobre a Esmeralda ter conseguido convencê-lo a passar o Natal na boate, mas não a ficar longe da tranquilidade dos camarotes.

Eles riram, e Shiryu comentou que na verdade fora Esmeralda que prometera manter Ikki ocupado no camarote. Algo assim. Era difícil ter certeza. Estava ficando complicado prestar atenção em tudo o que meus amigos estavam dizendo.

Mas tudo bem. Por que eu me sentia bem. Realmente bem.

Por que eu nunca tinha ficado bêbado antes? Eu tinha sido tão idiota. Não era grande coisa. Eu totalmente entendia agora por que as pessoas bebiam. Cara, eu estava me sentindo tão estranho. Poderoso.

Meu olhar desfocado caiu no garoto parado diante de mim. A silhueta alta, os ombros largos, o cabelo loiro.

Hyoga. Eu precisava falar com o Hyoga.

Eu dei um passo na direção dele, mas me atrapalhei com meu pés, cambaleando um pouco. Shunrei me amparou.

— Credo, Shunny. Você já está assim? Quantos copos você bebeu? — Ela perguntou. Eu levantei a mão diante dela, confuso. Três dedos. Quatro dedos. Cinco. Algo do tipo.

Meu amigos riram, mas Hyoga continuou sério. Nossos olhares se encontraram e eu senti aquela eletricidade familiar, agora potencializada pelo efeito do álcool.

Mais uma contradição, talvez a mais significativa, o desejo que meu corpo sentia por ele. Um desejo quase independente da minha racionalidade. Eu sabia que era errado, mas meu corpo insistia que estava certo.

Nós continuamos nos encarando.

— Dança comigo. — Eu falei de repente. Ele pareceu surpreso, mas tirou o copo da minha mão e o colocou junto com o seu no balcão. Nossos outros amigos olhavam pra nós abobalhados, mas eu nem liguei. Ele era mais meu amigo do que deles agora. Eu agarrei a mão dele e o puxei até a pista de dança.

A música mudou para algo ainda mais turbulento, e eu me deixei dominar por ela. Hyoga seguia meu corpo com os olhos. Ele segurou na minha cintura, encontrando o ritmo, e nós nos movemos juntos.

O ambiente girava ao nosso redor. O cabelo dele estava suado. O meu cabelo estava suado. Eu o puxei mais para perto, e ele não protestou. Eu desci pelo corpo dele com a música. Quando eu subi, seus olhos estavam fechados, sua boca levemente aberta. Era tão sexy.

Nossos corpos se encontraram. Suas mãos seguraram nos meus quadris e nós combinamos as investidas um com o outro. A música mudou outra vez. Cada vez mais alta. Mais rápida. A multidão agora era um frenesi de corpos.

Nós estávamos sem ar, as roupas encharcadas, os corpos colados. Meu coração pulsava na garganta. O cheiro dele estava em meu nariz. Eu queria senti-lo na língua. Queria mais dos seus beijos. Ansiava por seu toque.

Desejo! A palavra era nova pra mim, mas totalmente verdadeira. Certamente era a melhor definição pra aquilo que eu estava sentindo. Eu não sabia o quanto daquilo era efeito da bebida, mas não me importava. Eu me apertei mais a ele, sentindo suas costelas subindo e descendo junto as minhas. Desejo. Seria isso mesmo muito errado?

Eu sabia a resposta, mas, naquele momento, preferia ignorar.

Eu me virei de costas pra ele e fiz com que suas mãos deslizassem pelo meu tórax até parar na cintura, ao mesmo tempo em que mexia meus quadris de encontro aos dele, ao ritmo da música. Sentindo aquela onda elétrica subindo pelo meu corpo outra vez.

Hyoga ofegou, seus dedos apertando mais firme minha cintura.

— Shun, se você continuar fazendo isso, eu não vou me responsabilizar pelas consequências.

Mas eu não queria que ele se responsabilizasse. Não queria pensar. Queria apenas sentir. E que ele sentisse.

Eu repeti o movimento e gemi com a sensação deixando que minha cabeça pendesse em seus ombros, zonza e sem controle. Hyoga estremeceu e me virou pra olhar pra ele. Olhos azuis penetrantes de pupilas dilatadas que viam demais, mais do que eu estava preparado pra ver de mim mesmo.

Eu fiquei na ponta dos pés e joguei meus braços em torno do seu pescoço até onde eles alcançavam, levando meus lábios a altura dos dele. Ele segurou meu queixo.

— Shun, você está bêbado, eu não quero…

— Você quer. — Eu aproximei mais os lábios. — E eu quero também. Sei que não devia, mas quero. Eu não consigo me conter.

— Droga, Shun. — Ele protestou, os olhos fixos na minha boca.

— Me beije logo, Hyoga. — Eu mandei.

E então, com um som que parecia um gemido, ele me beijou.

***

Eu fechei os olhos quando senti a boca dele se fechar com força sobre a minha. Bruscamente. Não, aquilo não era beijar, era devorar. Os lábios dele abriram os meus, a língua dele em minha boca. Eu mal conseguia respirar. Mas tudo bem, porque respirar parecia algo extremamente supérfluo naquele momento.

Era engraçado como eu não percebera que ele também estava um pouco bêbado. Ele não havia dado nenhum indício de estar fora do seu normal, mas devia estar. Do contrário, por que me beijaria com tanto ímpeto? E na frente de todo mundo? Eu, pelo menos, estava bêbado o bastante pra não me importar.

Na verdade eu estava gostando daquilo. O beijo, o efeito da bebida, o jogo de luzes, a música furiosa, o calor dos corpos. Estava gostando muito.

Eu percebi que ele não havia feito a barba, pois sentia sua textura áspera arranhando a pele em volta da minha boca. Ao mesmo tempo seus braços me esmagavam contra seu abdómen, enquanto suas mãos passeavam pra cima e pra baixo nas minha costas e nas laterais do corpo. Ele me beijava de forma tão profunda que a língua parecia ter o único propósito de explorar cada pedaço da minha boca.

Meus sentidos entraram em um redemoinho, a pulsação nos meus ouvidos batendo mais alto até do que a música. De repente, eu estava achando difícil continuar de pé. Mesmo porque eu precisava ficar na ponta dos pés pra continuar a beijá-lo.

Mas isso, afinal, não foi problema nenhum, porque ele pareceu notar minha aflição, e levando ambas as mãos até as minhas nádegas, me suspendeu contra o seu corpo.

Nesse momento, me pareceu a coisa mais natural a fazer envolver-lhe os quadris com as pernas. Infelizmente, quando eu fiz isso, não pude deixar de sentir contra minha virilha aquela coisa extremamente dura que forçava a frente dos seus jeans. Não que eu estivesse em uma situação muito melhor do que a dele, é claro.

E foi por isso que eu achei perfeitamente aceitável, desejável até, pressionar aquela parte do meu próprio corpo contra o dele, provocando nele outro daqueles sons. Algo entre um soluço e um gemido, antes que ele voltasse a me beijar, com ainda mais ânsia, aparentemente sem nenhum intenção de abandonar a minha boca, enquanto se movia comigo, afastando-nos da pista de dança para algum lugar.

Eu não conseguia ver para onde ele me levava, pois meu campo de visão estava inteiramente tomado por ele. Mas logo senti algo plano e rígido contra as minhas costas e conclui que só podia ser uma parede. Pela minha visão periférica, eu notava alguns sofás espalhados e casais parecendo fazer exatamente o que estávamos fazendo, ou pior.

Eu sabia que em circunstâncias normais eu desaprovaria totalmente aquela situação, mas minhas circunstâncias estavam longe de poderem serem chamadas de normais. De forma que tudo o que eu fiz foi afundar a mão em seus cabelos macios enquanto ele me abraçava, com os lábios firmes nos meus, a língua saqueando-me a boca, penetrando-a de um jeito que fazia meu corpo tremer e arder ao mesmo tempo.

Mais uma vez eu confirmava que a língua da pessoa certa dentro da boca podia despertar toda uma gama de sensações incríveis. Sendo a principal delas o desejo de sentir mais dele dentro de mim do que apenas a língua.

Não que eu estivesse realmente preparado pra fazer isso com alguém, é claro. Eu não estava. No entanto…

No entanto eu só conseguia me agarrar ainda mais a ele. Correspondendo ao beijo tão profunda e apaixonadamente quanto ele. Estremecendo quando ele afastou os lábios da minha boca para pressioná-los contra o meu pescoço, a respiração quente me queimando a garganta. Sua voz reverberando em meu peito quando ele dizia meu nome com a voz rouca, a respiração tão rápida quanto a minha.

Ele me imprensava contra a parede. Tão apertado que, quando falava, parecia que o som percorria meu corpo. Aquela voz dizendo o meu nome provocava algo na minha coluna, uma vibração, que me transformava de osso rígido em uma substância mais semelhante à manteiga.

Eu afastei meu rosto do pescoço de Hyoga, onde o enterrara, e olhei pra pra ele, me perguntando como ele fazia aquela mágica com a voz.

Mas logo ele me proporcionou outras coisas para pensar, movendo uma de suas mãos, que antes contornava a minha cintura, para escorregá-la por baixo da minha blusa.

Eu prendi a respiração sentindo o calor daquela mão nas minhas costelas. E então abri os olhos, que nem percebera ter fechado, quando senti seu polegar roçando no bico sensível de um dos meus mamilos — que haviam ficado rígidos no instante em que ele começara a me beijar.

Era uma tortura. Uma doce tortura. O jeito que ele me tocava me deixava agitado. Me dava a impressão de que algo muito prazeiroso me esperava, bastava que ele me beijasse mais, me tocasse mais.

E então ele o fez. Levantando mais minha camiseta pra substituir seus dedos pela língua. Prendendo o mamilo intumescido em sua boca. Primeiro um, depois outro, provocando-os com os dedos, lambendo-os com sua boca causticaste de tão quente

A torrente de sensações resultantes foi esmagadora. O toque macio da boca dele, o roçar deslizante da língua… Eu jamais sentira tanto calor. Não ali.

Tudo me queimava, fazendo minhas costas arquearem. E, de repente, aconteceu outra vez. Aquele membro rijo, que pressionava com insistência a frente dos jeans dele, se esfregando na protuberância na frente das minhas calças.

Eu gemi com a contração prazeirosa entre as pernas, e então, só pra me certificar de que não estava imaginando coisas, pressionei de novo, ganhando a mesma sensação outra vez e um leve pulsar. Não, não propriamente um pulsar, aquilo estava mais pra uma espécie de puxão.

Mas, desta vez, além do puxão, o movimento também provocou uma reação em Hyoga. Uma espécie de gemido no fundo da garganta, que eu concluí ser um incentivo pra repetir o movimento. E então eu o fiz. De uma forma bastante entusiasmada.

Ah, aquilo era errado de uma forma tão deliciosa…

Realmente, eu não deveria gostar tanto disso. Eu nunca havia imaginado que poderia apreciar ser tocado dessa forma um dia. Eu nunca quis ser tocado dessa forma. E pelo Hyoga, ainda por cima. Quer dizer, que tipo de garoto fazia esse tipo de coisa com o melhor amigo? Que tipo de garoto gostava disso?

Eu, aparentemente. Eu era esse tipo de garoto.

Bem, paciência. Eu fechei os olhos, deixando minha cabeça cair pra trás, e apertei mais as pernas em torno da cintura dele, tentando me mover outra vez, mas ele segurou meus quadris.

— Shun, você está me enlouquecendo. — Ele falou arfante.

Eu olhei pra ele outra vez — para os olhos azuis desfocados e tempestuosos, a respiração ofegante — e mordi meu lábio inferior, sentindo-o inchado pelos seus beijos. Um calor se alojou no meu ventre. Meu corpo enrijeceu ainda mais, parecendo preparar-se para alguma coisa.

— Que bom. — Eu sussurrei — Porque eu quero te enlouquecer.

E então ele me beijou outra vez. Com uma espécie de murmúrio ininteligível que ficou perdido no beijo antes dele me puxar pelos quadris, me encaixando com firmeza sobre ele outra vez. Com tanta firmeza, na verdade, que aquele membro rijo golpeou meus locais mais íntimos, quase me fazendo chorar de prazer. O puxão que eu sentira antes entre as pernas não era nada comparado aquela tração que eu sentia agora. De repente, eu estava pressionando meu corpo contra o dele, não apenas porque me dava prazer, mas porque me parecia necessário para a minha sanidade.

Eu afundei meus dedos nos seus ombros como se eles fossem a única coisa estável em um mundo subitamente inundado de desejo, enquanto o sentia se mover também contra mim, indo e voltando. Nossos quadris se aproximando e se afastando, pressionando o máximo que podiam sob a prisão das roupas.

Minha respiração era curta, ofegante. Eu desci uma das mãos pra segurar camisa dele ainda me movendo contra o seu corpo, alheio à tudo exceto à tração entre as minhas pernas, que parecia ter assumido meu corpo inteiro e se transformado em uma dor, uma dor que eu só poderia aliviar me pressionando cada vez mais a ele.

Meu corpo se estirava, tenso, como uma corda bamba, e eu sabia que ele sentia o mesmo. A mesma excitação vertiginosa, a mesma precariedade.

Quando ele lambeu, eu também lambi, e o ouvi ofegar quando eu ofeguei. Minhas pernas apertadas em volta dele como um torno, entregando-me deliciado ao sentir as investidas daquele membro excitado. Querendo mais dele, mais, mais.

Seus dedos já se insinuavam no fecho da minha calça, quando uma voz chorosa de garota se fez ouvir acima da música.

— Hyoga! Eu sabia. Como você pôde?

Hyoga paralisou. Seu corpo ficou estático de repente, e meus pés tocaram o chão sem firmeza quando ele se afastou.

Nós nos viramos em direção a voz, e meus olhos se arregalaram de choque quando eu a vi.

Freya!

Eu não conseguia acreditar naquilo. Era muita falta de sorte. Sério. O que ela estava fazendo ali?

Ela me lançou um olhar de ódio e eu quase levei minha mão ao pescoço com medo de ter minha carótida perfurada por unhas pintadas de cor de rosa, mas tudo o que ela fez foi desviar o rosto.

Infelizmente, não antes que eu pudesse ver que estava chorando.

Eu senti meu coração pesar um pouco.

— F-Freya?! — Hyoga falou surpreso.

— Eu sabia! — Ela balbuciou dessa vez — Eu sabia, Hyoga! — E então, antes pudéssemos falar qualquer outra coisa, ela estava fugindo pela multidão.

Eu olhei para Hyoga e ele passou uma mão pela cabeça com descrença.

— Merda. — Ele disse.

— Merda mesmo. — Nós ouvimos a voz de Shunrei, e eu arregalei os olhos surpreso ao constatar que ela e Shiryu também estavam ali.

Ela nos lançava um olhar de censura e eu senti o peso no meu coração aumentar.

— Eu… — Hyoga balançou a cabeça — Nós não… Droga, não era pra ter sido assim. — Ele disse, e então estava correndo atrás da namorada. Chamando seu nome. Empurrando as pessoas no seu caminho, até desaparecer na multidão.

Espera. Hyoga havia acabado de me deixar? Pela Freya? Depois de ter me beijado daquela maneira?

De repente eu não estava me sentindo muito bem. Meu olhos ardiam, meu estômago estava revirado e eu sentia uma espécie de bolo na garganta.

Shunrei e Shiryu estavam falando alguma coisa mas eu não conseguia compreender as palavras. Minha cabeça girava, e dessa vez não era por causa da bebida.

Hyoga havia ido atrás dela.

Ele escolhera a Freya. Mais uma vez.

Notas finais
Olá a todos, aqui estou eu outra vez, espero que tenham gostado do ch :). E, pra começar, tenho só uma coisa a dizer: Ah, o que o álcool na faz?! u.u... kkkkkk Shun cada vez mais bad boy, em todos os sentidos kkkkk. Confesso que o visual dele nesse ch foi meio que inspirado no Bill Kaulitz da Tokio Hotel. Só um pouco XD Então... agora é a hora em que eu tenho que esconder o Oga no sótão em prol da boa continuidade da história, ou vcs acham que ainda conseguem poupar a vida dele por mais alguns chs? kkkkkk Sim, eu sei que vcs querem matar o Oguinha no momento, mas contem até 10, e dêem uma chance pro pato. Ah, e oremos para q o Ikki não descubra nada dessa treta toda, ou a história se encerra de forma trágica no próximo ch XD Mas enfim, é isso aí, espero de verdade que tenham gostado do ch - que veio bem quente dessa vez ;). Obrigado de coração a todos que acompanham, e um obrigado mais do que especial à: HuadanNox, SweetTangerine, Kass, MilaScorpions, Jenferr , Lilith Rose, Shaketdiva, LiraFujoshi, e Sherlock Holmes. As lindas que me incentivaram e me incentivam sempre com suas reviews ˆ_ˆ. Bjos PS: Como estou atrasadinha com o ch dessa vez, estou postando ele primeiro, e irei respondendo aos comentários aos poucos, ok?! ;)