O Garoto Do Andar de Cima

1 Capítulo 1: O Garoto do Andar de Cima


Shun POV

– Shun, está na hora.

– O quê? – Eu levantei os olhos das minhas camisetas dobradas em quadrados perfeitos sobre a cama e olhei pro meu irmão.

Ikki se aproximou e tocou meu ombro.

Era tarde e ele precisava voltar para o hotel, eu sabia. Seu vôo pra New York sairia cedo na manhã seguinte.

Eu apertei a camisa que estava em minhas mãos um pouco mais forte. Finalmente havia acontecido. Lá estava eu. Estados Unidos da América! Boston, pra ser mais específico. O mais novo primeiro anista do curso de Administração de Harvard.

Desde que o resultado da prova de admissão havia sido anunciado alguns meses atrás que eu estava enlouquecendo. Já havia gritado, pedido, implorado e chorado, mas nada convenceu meu pai de que a universidade de Tóquio era uma opção tão boa pra mim quanto qualquer outra.

E agora eu estava ali, no alojamento de Exatas com meu irmão (meus pertences sendo desempacotados em um quarto menor do que a minha mala), e tinha um novo visto de estudante e um passaporte, cada um me declarando: Shun Amammya, cidadão dos Estados Unidos da América.

Não que eu fosse ingrato, não era isso. Era Harvard, afinal. Uma das mais tradicionais universidades do mundo. Eu não era imune a isso. É só que essa história de fazer faculdade no exterior era muito mais sobre o meu pai do que sobre mim, sabe. Eu não tinha pretensão nenhuma de deixar o Japão. Meu pai, por outro lado, vinha tentando por toda a vida impressionar seus amigos importantes sobre o quão rico, culto e influente ele era.

Meu pai não era culto. Mas era influente. E rico.

E de alguma forma todo esse dinheiro e prestígio levaram seu cérebro a pensar que seus filhos deveriam cursar uma prestigiada universidade internacional. Ikki havia se formado em Columbia o ano passado e estava administrando uma filial da rede de hotéis da família em New York. Nossa família era conhecida no ramo da hotelaria.

E aparentemente agora era a minha vez. O que significava que eu deveria morar por cinco anos em Boston. Sozinho.

Fala sério, quem realmente enviava seu filho pra viver em um alojamento estudantil? Isso era tão... Hogwarts.

E eu ainda não conseguia acreditar que ele estava mesmo me separando da minha mãe. Quer dizer, quem iria cuidar dela se eu não estivesse lá? Quem iria comprar os chocolates dietéticos dela e colocar nas embalagens de chocolates comuns pra que ela não percebesse e não fosse parar no hospital pela diabete cada vez que se descontrolasse depois de descobrir mais um dos casos do meu pai? Mas talvez esse fosse o objetivo dele. Talvez ele quisesse os filhos bem longe e mamãe no hospital pra poder desfilar mais a vontade com suas amantes.

Eu só esperava que ele não pensasse que eu iria trabalhar em New York como o Ikki, ou que tivesse algum interesse em administrar os hotéis da família. Eu não queria morar nos EUA, e não tinha nenhum interesse em administração.

Meu sonho na verdade era desenhar mangás. Eu ia ser um mangaká famoso. Minhas histórias seriam publicadas na Shonen Jump e na revista LaLa, e meus tankohons traduzidos e exportados pra todo o mundo. E eu teria alguns animes baseados nas minhas obras também, e um site ridiculamente popular.

Até agora eu só tinha o site — onde eu publicava alguns doujinshis. E nem era tão popular assim. Ainda.

Eu senti os dedos do meu irmão se apertarem no meu ombro.

– Você vai ficar bem aqui. – Ele disse, puxando-me pra um abraço – Eu simplesmente sei disso.

Eu mordi meu lábio pra evitar que ele tremesse, e me esforcei pra respirar normalmente. "Inspire. Conte até três. Expire". Meu irmão me apertou mais em seus braços e eu senti o cheiro familiar de cigarro e loção pós-barba.

– Vou te ligar assim que chegar em casa. – ele disse. — Eu te amo, Shunny.

E então, eu estava chorando.

– Eu também te amo – eu funguei -. Cuide bem do Yuu-chan por mim.

Yuu era meu porquinho da índia.

Eu me afastei um pouco pra olhar pra gaiola em cima da cama. Yuu-chan estava dormindo todo enrolado em uma bolinha. Disseram que eu não podia ter animais no dormitório quando eu cheguei, então agora Yuu ia pra New York viver com o Ikki.

Ele assentiu.

– Lembre de alimentá-lo duas vezes por dia, e trocar a água – eu disse, ainda fungando um pouco -. E não lhe dê muitas guloseimas, porque senão ele engorda e não consegue sair da toca. Mas certifique-se de lhe dar algumas, pelo menos, todos os dias, porque ele ainda precisa de vitamina C, e ele não bebe a água quando a gente coloca gotas de vitamina nela.

Meu irmão ajeitou uma mecha dos meus cabelos atrás da orelha, assentindo outra vez.

– Se cuida – ele disse -. Estude bastante e faça alguns amigos. E cuidado com os malandros. Você sabe que qualquer coisa é só me ligar. New York não fica tão longe que eu ainda não possa te proteger.

Eu dei um sorriso fraco.

– Eu te amo, pequeno – ele falou outra vez, beijando minha testa.

E então meu irmão fez uma coisa que, mesmo depois de todos os documentos, bilhetes e arranjos eu ainda não enxergava acontecendo. Algo que teria que acontecer algum dia de qualquer maneira, mas que não importava quantos dias, ou meses, ou anos pudessem se passar eu jamais estaria preparado pra quando de fato acontecesse.

Meu irmão foi embora.

Eu estava sozinho.

Eu fiquei olhando pra porta fechada com a garganta e o peito apertados enquanto o sentia chegando. Mas não conseguia impedi-lo. Eu não podia controlá-lo. O pânico.

Eles realmente haviam me deixado! Meus pais e meu irmão me abandonaram. Em outro país!

E aqui eu adoraria dizer que suportei tudo estoicamente, com um sorriso no rosto. Isso provavelmente faria de mim um personagem mais interessante. E certamente deixaria a história mais bonita. Mas a triste realidade é que eu nunca fui muito bom em esconder o que eu sinto. Feliz, sorrio; triste, choro. Esse sou eu. Nenhuma beleza. Nenhum mistério.

Mas eu não podia cair aos prantos agora. Não ali. As paredes eram finas demais e se eu chorasse muito alto meus vizinhos iriam escutar tudo. E eu iria ficar enjoado. Iria vomitar todo hambúrguer com batata frita que comera no jantar, e todos iriam ouvir, e ficariam com nojo de mim, e ninguém nunca iria querer me convidar pra assistir aos jogos de baseball comendo um daqueles hot-dogs enormes com cheddar... ou o que quer que eles façam pra se divertir por aqui.

Corri para a pia lavar o rosto pra ver se me acalmava, mas a água da torneira explodiu de uma vez, molhando minha camiseta. E agora eu estava chorando mais ainda. Porque não tinha tirado minhas toalhas da mala, e a roupa molhada me lembrou daqueles passeios idiotas em que a Misuki me arrastava no túnel dos namorados, onde a água era cor de rosa, fedida, e tinha um bilhão de bactérias. Ah meu Deus, e se houvesse bactérias naquela água também? Será que a água americana era segura pra se beber?

Patético. Eu era patético.

Quantos adolescentes não dariam a vida por uma oportunidade dessa? Pra sair de casa? Meus colegas de dormitório certamente não estavam tendo nenhum problema com isso. Pelo menos nenhum grito ou soluço estavam vindos das paredes dos quartos deles .

Eu estava pegando uma camiseta sobre a cama pra me secar, quando a solução subitamente saltou aos meus olhos. Meu travesseiro.

Eu me atirei na cama e enterrei o rosto nele pra sufocar o som e chorei... e funguei, e solucei... e então alguém estava batendo na minha porta.

Não, provavelmente não era na minha porta. Eu não conhecia ninguém ali.

As batidas soaram de novo.

– Olá? – uma voz de garota chamou do corredor. – Olá? você está bem?

Não, eu não estava bem. "Vai embora!" Mas a voz chamou de novo e eu fui obrigado a rastejar pra fora da cama pra atender a porta.

Uma garota bonita de traços orientais e longos cabelos escuros me esperava do outro lado. Ela era pequena e magra. Mas não magra demais. Os lábios eram cheios e delicados e os olhos cinzentos grandes e rasgados. Um piercing em seu nariz brilhava como diamante na luz do corredor.

– Você está bem? – Sua voz era gentil e seu sotaque parecia chinês. – Sou Shunrei, moro na porta ao lado. Foi algum parente seu que acabou de sair?

Meus olhos inchados eram o sinal afirmativo.

– Eu também chorei na primeira noite. – Ela inclinou a cabeça pro lado, pensando por um momento, e então acenou animada — Vamos, vem comigo. Você precisa de uma boa dose de chocolate quente. Eu vou fazer um pra gente no meu quarto.

Eu abri a boca pra negar, mas ela já estava me arrastando pelo braço. Eu não estava em muita condição de resistir também, então simplesmente a segui, apesar de tudo.

Seu quarto era do mesmo tamanho impossível que o meu. Com a mesma mini mesa, mini cômoda, mini cama, mini frigobar, e mini banheiro. Mas diferente da minha própria caixa estéril, cada centímetro de parede e teto estava coberto por cartazes, fotos, papel de embrulho brilhante e folhetos coloridos escritos em inglês e chinês.

– Há quanto tempo você está aqui? – Eu quis saber.

Ela me estendeu um lenço de papel e eu assoei o nariz com força, fazendo um terrível barulho de buzina, como um ganso irritado. Mas ela não recuou, nem fez cara feia.

– Eu cheguei ontem – Ela disse — Voei sozinha pra cá, então estava só esperando meus amigos chegarem.

Eu circulei pelo quarto, admirado, examinado tudo.

O quarto dela era realmente surpreendente. Além da parafernalha nas paredes, ela tinha uma dúzia de xícaras de porcelana com botons de bandas de J-rock, pulseiras e anéis. Muitos dos rostos dos botons, eu percebi, estavam também estampados nos cartazes nas paredes. Era como se ela já morasse ali há anos.

Eu peguei um boton da X-Japan. Ele tinha umas luzinhas em volta que piscavam quando você o apertava.

Eu adoraria ter um quarto daquele, pensei. Infelizmente era maníaco demais por limpeza e organização pra sobreviver a uma coisa assim. Precisava de paredes limpas, e um ambiente de trabalho limpo, e tudo no lugar certo, em todos os momentos.

Enquanto Shunrei preparava o chocolate quente em um bule elétrico, eu fiquei sabendo que a família dela era de Pequim, que ela era aluna do terceiro ano de arquitetura, fazia parte do time de ginástica rítmica e queria se especializar em designer de interiores. Achei que devia ser uma garota legal. Pelo menos não parecia se importar comigo atormentando-a com perguntas, ou mexendo nas suas coisas.

– Estes são seus amigos? – Eu coloquei o boton de volta na xícara e apontei pra uma fotografia colada no espelho da sua cômoda. A imagem meio desfocada mostrava quatro pessoas, dois homens e duas garota, uma delas que eu reconheci como a própria Shunrei, sentados na escadaria do que parecia um ginásio esportivo.

Ela deu um sorriso largo.

– Sim, o Oga tirou essa no Fenway Park. Esse é o Shiryu – ela apontou para o rapaz bonito ao lado dela na foto – Nós estamos namorando — acrescentou em um tom mais baixo e corou de uma forma que eu achei muito fofa. – E esses são Seiya e a Freya – ela apontou pra o outro casal na foto. – Mas você provavelmente vai conhecer todos eles amanhã no almoço. Bom, todos menos a Freya. Ela se formou o ano passado em jornalismo.

Espera. Aquilo fora um convite pra eu me sentar com eles no almoço? Meu coração acelerou. Não que eu fosse um completo deslocado... a maior parte do tempo. Mas, qual é? Qualquer um que já entrou em uma escola nova sobe como pode ser terrível a fatídica "hora do almoço".

– Mas eu tenho certeza de que você vai acabar conhecendo ela em algum momento também, já que ela namora o Oga. — Shunrei continuou. — Ela está estagiando na Boston Magazine agora.

Eu nunca tinha ouvido falar na revista, mas Shunrei falou com tanto orgulho que acenei, como se eu próprio já tivesse cogitado enviar um currículo pra lá.

– Ela muito talentosa. — Completou.

Eu estava prestes a perguntar sobre quais matérias ela estava cursando, quando seu celular começou a tocar os primeiros acordes de Spirit Dreans Inside do L’arc en Ciel.

Ela correu até o aparelho, olhou no visor, revirou os olhos e atendeu.

– Mãe, é meia-noite aqui. Doze horas de diferença, lembra?

Eu lancei os olhos para o despertador cor-de-rosa sobre a mesinha de cabeceira e me surpreendi ao constatar que ela estava certa. Era bem tarde.

– Eu tenho que ir. – sussurrei, enquanto colocava minha caneca de chocolate quente vazia em cima da cômoda. – Desculpe por ficar até essa hora.

– Espera um segundo. – ela cobriu o telefone com a mão. – Foi um prazer. Nos vemos amanhã no almoço?

Eu assenti. O coração aos pulos outra vez. Tinha feito minha primeira amizade.

– Sim. Até logo.

Eu tentei dizer isso casualmente, mas pra ser sincero estava tão empolgado ao sair do quarto que acabei batendo de frente em uma parede.

Só que não era uma parede. Era um garoto.

Ele cambaleou um pouco pra trás com o impacto.

– Desculpa! – eu falei — Sinto muito, eu não sabia que você estava aí.

Ele balançou a cabeça, meio atordoado, e eu não consegui deixar de reparar em seu cabelo. Era lindo. Longo, loiro e brilhante. Tipo Brad Pitt em Lendas da Paixão. Cabelo de artista. De músico. Uma coisa meio Sebastian Bach e Axel Rose misturados. Um cabelo incrível.

– Tudo bem – ele disse — , eu não vi você também. Você está bem?

Uau, ele era francês! Quer dizer, o inglês dele era impecável e tudo. Mas ainda dava pra perceber um certo sotaque no final. Bem de leve, sabe. Eu sempre fui bom com sotaques.

– Er... A Shunrei mora aqui, né? — Ele perguntou.

Cara, francês era tão sexy!

Não que eu estivesse achando o garoto do cabelo bonito, sexy. A despeito da coisa toda do amor por mangás (alguns Shoujo, admito) e do rosto de menina eu não era gay. E eu odiava quando as pessoas pensavam isso só por causa da minha aparência. Era tão clichê!

E também não era como se eu tivesse escolhido nascer daquele jeito. Quer dizer, se alguém tivesse pedido a minha opinião nessa hora, eu certamente não teria escolhido ser tão magricela e pequeno – no alto do meu 1,65m de altura eu já era considerado baixo no Japão, nos EUA, então, eu era praticamente um pigmeu. Muito menos ter aquele corpo de criança e aquele rosto de menina. Se eu tivesse podido opinar, eu certamente teria escolhido ser mais alto e másculo. Como o Ikki, por exemplo.

O garoto tossiu de leve, pra chamar minha atenção.

– Shunrei Lei Woo? Chinesa? Pequena? Cabelo comprido? – E então ficou me olhando como se eu fosse louco, ou meio surdo.

– Desculpe -. Ele se afastou um passo de mim – Você já devia estar indo dormir.

– Sim! – Eu soltei subitamente – A Shunrei mora aqui. Acabei de passar duas horas com ela. – E pra minha vergonha minha voz pareceu soar como o anúncio orgulhoso de uma criança que acabou de encontrar uma minhoca no quintal. – Meu nome é Shun! Eu sou novo aqui.

Ah, não! O que era aquilo? Qual era a daquele entusiasmo todo?

Eu senti minhas bochechas esquentarem, meu rosto ficou vermelho e foi tudo tão humilhante.

O garoto bonito sorriu.

– Hyoga. – Ele disse. – Hyoga Chevalier. Eu moro no andar de cima.

– Eu moro aqui. – Eu apontei pra porta do meu quarto.

Ele assentiu.

– Cabelo legal. — disse.

– Obrigado. – Eu sorri sinceramente. Tinha orgulho das minhas madeixas coloridas. Elas eram longas e lisas e minha mãe me ajudava a tingi-las. De um verde esmeralda pra combinar com meus olhos. Que eram a única parte em mim que eu realmente achava interessante.

Ele se afastou pra bater duas vezes na porta da Shunrei.

– Bem. Eu te vejo por aí, então, Shun.

De repente, meu nome pareceu muito bonito pronunciado pelos lábios dele. Meu coração disparou de uma forma esquisita. Tum, Tum, Tum, no meu peito. O que estava acontecendo?

Shunrei abriu a porta.

– Oga! – Ela gritou. Ela ainda estava no telefone.

Eles riram, se abraçaram, e perguntaram um do outro.

– Entre! Como foi seu vôo? Quando você chegou? Você tem notícias do Shiryu? Mãe, eu tenho que ir.

O telefone de Shunrei e a porta se fecharam simultaneamente.

Eu respirei fundo, olhando pra minha própria porta fechada. Duas meninas com roupões de banho combinando, passaram atrás de mim rindo e fofocando. Um grupo de caras atravessou o corredor brincando e assobiando. Shunrei e seu amigo riam atrás das paredes finas.

Meu coração afundou, e meu estômago voltou a apertar.

Eu ainda era o garoto novo. Eu ainda estava sozinho.

Notas finais
Olá a todos, Voltei para os que estavam com saudades, e para quem não estava tb XD. E eu juro, juro, que tentei me livrar de Aprendendo a Seduzir, fiquei um ano tentando me desintoxicar, mas falhei miseravelmente. Então, seguindo uma dica da querida Liana La Blanche, que me disse pra escrever outras histórias dentro do universo de Aprendendo a Seduzir, quem sabe focando em outros casais, nasceu essa história. A proposta dela é uma coisa mais leve, mais adolescente espero que gostem. Confesso que nunca me imaginei escrevendo com Hyoga e Shun, mas de repente eles surgiram tão diferentes das retratações que costumo encontrar, tão cheio de particularidades, tão reais, que não consegui segurá-los, acabei me apaixonando por eles assim, e aí está o resultado. Shunrei está bem OOC mas vcs vão ter que me perdoar por essa, ela é tão chatinha na personalidade original u.u De qualquer forma, isso tudo ainda é um teste, uma experiência, tenho os três primeiros chs escritos e vou postando-os aos poucos e acompanhando as reações de vcs, se vcs gostarem continuamos essa bagaça, senão a gente pára por aqui. Sem problemas. No mais eu estou me divertindo bastante escrevendo e espero que vcs se divirtam tb . Bjos