“O Futuro” - Dramione
18 " - Parte 2 - Quinto capítulo - O primeiro passo "
Notas iniciais
Draco encontrou Hermione no fundo da imensa biblioteca, passando os dedos delicados pelos títulos dos livros, procurando por algum interessante, mas sem demostrar nenhum tipo de interesse verdadeiro.
Os dedos dela sobre os livros o fizeram lembrar esses mesmos dedos sobre sua pele sempre tão fria, contudo naquele exato momento se tornou tão quente, como nunca antes. Merlin, o que aquela bruxa estava fazendo consigo?
Hermione pegou um livro qualquer e em silêncio, começou a folhear as páginas sem qualquer interesse verdadeiro, até que sentiu uma sombra muito maior sobre a sua, graças à luz das lanternas.
Prendeu a respiração e o coração disparou rapidamente ao distinguir o cheiro que emanou da pessoa atrás de si.
Era o perfume de Draco. O perfume na fase adulta era o mesmo da adolescência. O cheiro amadeirado, com uma leve mistura de laranjeira. O cheiro dele era tão único quanto o dono. Se virou lentamente e rapidamente encontrou os olhos cinzas, a olhando profundamente.
— Posso ajudá-lo em alguma coisa, Draco? – perguntou e agradeceu mentalmente por não gaguejar diante da presença dele.
O sonserino a olhava em silêncio, avaliativo, buscando nos olhos dela, algum indicio de malícia ou satisfação, no entanto, ela apenas o olhava com aqueles malditos olhos castanhos tão belos e ele se via mais uma vez, perdendo a razão.
— Que feitiço, você usou em mim, Granger? – finalizou bem o sobrenome da garota, deixando claro que não desejava nenhum tipo de familiaridade com a mesma.
— Não entendi a pergunta, Malfoy – afirmou, voltando a usar o sobrenome do loiro, se sentido magoada, afinal esperava que ele ao menos, tenta-se chamá-la pelo primeiro nome, contudo mais uma vez, ele criava barreiras em volta de si e a afastava, como sempre afastou nos anos antecedentes.
— Não se finja de burra, sabe-tudo! – exigiu, trincando os dentes, a olhando com certo ódio – Você fez alguma coisa comigo e exijo saber o que diabos foi agora mesmo! – finalizou, se aproximando mais, colocando cada braço a cada lado dos ombros dela, a impedindo de fugir ou desviar os olhos dos seus.
— Eu não sei do que está falando, Doninha! – retrucou com raiva das sensações que a dominavam e do fato dele próprio negar que sentia algo por si, alegando estar sobre o poder de algum feitiço.
Era tão ridículo, a tentativa de fuga do mesmo. Queria enche-lo de tapas e ao mesmo tempo beija-lo até ficar sem ar. Aquele sonserino era mesmo teimoso quando queria.
— Você não me engana, Granger – afirmou – Eu não consigo entender por que diabos foi atrás de mim, no trem! – comentou, a olhando avaliativo mais uma vez.
Tudo nela, o intrigava e o encantava também. Era frustrante e interessante o poder que ela tinha sobre si. Ela era o inferno e ao mesmo tempo o céu. A tranquilidade e o barulho.
— Você deveria me agradecer, Malfoy! – retrucou, o olhando fixamente – Eu salvei seu futuro – completou com os punhos fechados, sentido a costumeira raiva que sentia dele, nos tempos atrás.
No entanto, a raiva agora era totalmente diferente. Sentia raiva de ama-lo, de ele sentir algo e simplesmente rejeita-la.
— Agradecer? – perguntou em deboche, aproximando o próprio corpo mais do dela. Necessitava demais da aproximação com ela, precisava entender o que estava acontecendo consigo e usou a discussão como uma bela desculpa.
— Sim, você deveria me agradecer, Malfoy – reafirmou, ciente da aproximação que ele empulhava. Maldito sonserino e seus belos olhos cinzas.
— Você me trouxe para o meu inferno particular, Granger – confessou, sem saber por que contava algo tão particular para sua inimiga.
Hermione o olhava em silêncio. Sabia que aos poucos, ou até mesmo sem querer, ele lhe contava coisas que não planejava de jeito nenhum, contar a ninguém.
– Você é uma intrometida, isso sim – concluiu, sentindo seu corpo esquentar com cada detalhe que conseguia observar da mínima distância que mantinha da dona daquela pele castanha e que ainda por cima, vinha com um cheiro único de lavanda e baunilha.
Inferno, até o cheiro dela, era diferente das outras garotas.
— E você está bastante satisfeito com a minha intromissão, Malfoy – devolveu, o olhando desafiadamente.
— O que? – perguntou um tanto admirado com a resposta rápida da garota, contudo nunca confessaria isso a ela. Aquela garota não parava de surpreende-lo.
— Você entendeu o que eu quis dizer, Malfoy – completou, o empurrando para longe – Agora, me deixe ir embora, porquê do jeito que você está próximo, até parece que quer me beijar – provocou, sorrindo com deboche para o loiro.
— Você é louca, Granger – afirmou, ajeitando o uniforme – Agora, dê o fora daqui – ordenou, querendo urgentemente se afastar daquela garota de língua afiada e raciocínio rápido.
Depois que ela saiu, ele se jogou em uma cadeira qualquer, olhando para o teto, tentando entender o que estava acontecendo consigo. Ela se tornava importante, um pouco mais a cada dia e ele não fazia ideia do que fazer diante desses pensamentos absurdos que começava a ter envolvendo Hermione Granger.
(...)
Hermione costumava observar o loiro a distância e lhe agradou profundamente, vê-lo rejeitar qualquer aproximação de outras garotas. E satisfeita observava ele levar os estudos ainda mais a sério, nesse último ano. O perdeu de vista no corredor e olhando ao redor, não o encontrou em nenhum lugar.
Acelerou os passou e quando passava por uma porta, a mesma se abriu e só deu tempo de sentir uma mão segurar seu braço e a outra lhe tampar a boca. Quando voltou a abrir os olhos, um tanto assustada, prendeu a respiração ao se deparar com Draco Malfoy bem a sua frente, a olhando profundamente.
— Porquê está me seguindo, Granger? – perguntou e em silêncio, esperou a resposta da castanha.
— Não sei do que está falando, Malfoy – afirmou rapidamente, se recriminando por ele ter notado. Inferno, pensava com segurança, que ninguém notava.
E o alvo que não deveria notar, foi o primeiro a entender o que estava acontecendo. O loiro suspirou forte.
— Granger, eu sempre te achei esquisita, mas por Merlin, você está passando de esquisita, para paranoica e perseguidora – afirmou – O que diabos, você quer comigo? Hein? – pressionou, a sacudido, enquanto ela tentava afasta-lo de si.
— Você que está louco, seu idiota – afirmou, se irritando – Pare de me sacudir, como se eu fosse um saco de batatas – exigiu, o segurando pela camisa, no momento em que ele a sacudia e tal ação, fez o mesmo se desequilibrar e acabar colando seu corpo ao dela.
Ambos ficaram tensos, imóveis, sentido as batidas dos seus corações baterem no mesmo ritmo, sobre suas roupas. Os lábios dela, tocavam levemente, no pescoço de Draco e involuntariamente, ele tocou a cintura da grifinória, a apertando com um pouco de força, precisando urgentemente sentir que ela era real e não um sonho, como há muito tempo vem sonhando com ela.
Afastou-se, apenas o suficiente para olha-la e de forma lenta, levou seus dedos à pele de Hermione, começando do pescoço, elevando-se para a bochecha direita, seguindo finalmente para os lábios dela e com o polegar contornou os lábios pequenos da garota, sem desprender os olhos dos castanhos, um segundo sequer.
Entreolhavam-se, apenas observando a respiração um do outro. Divididos entres o embaraço da situação e ao mesmo tempo entre o desejo que crescia de forma alucinante entre eles. Os dois desejavam sair da situação o mais rápido possível, mas seus corpos exigiam precisamente ao contrário.
O momento era tenso, mas carregando de um desejo forte, visível nos olhos um do outro. Draco mandou o autocontrole para o inferno, e avançou sobre a boca dela, fazendo o que desejava desde da noite anterior, mesmo que não admitisse em voz alta, jamais.
E as bocas se grudaram de forma rápida, desesperada. As línguas não eram estranhas, apesar de nenhum tipo de envolvimento antes, pareciam que se beijavam há anos.
Eles gemerão com as bocas grudadas. A sensação era única e inexplicável, de uma forma viciante. Quanto mais um tinha o outro, mais almejavam e desejavam. A boca dela tinha gosto de morango, a de Draco gosto de menta.
Ambas bocas descobriam sensações novas.
Quem diria que o inimigo teria um gosto tão bom? Draco e Hermione só se afastaram quando o ar se fez extremamente necessário e ofegantes, se olhavam enquanto normalizavam as respirações.
— Isso não deveria ter acontecido, Granger – disse, a olhando abismado com a vontade absurda de beija-la várias e várias vezes.
— Foi você quem me beijou, Malfoy – afirmou, o olhando fixamente. Por que ele simplesmente não admitia a atração? Seria tudo tão mais simples.
— E você retribuiu – afirmou, a olhando também – Porquê retribuiu meu beijo, Granger? – perguntou, analisando as reações dela e achou uma graça, as bochechas da mesma ficarem vermelhas.
— É um beijo, Malfoy – tentou fugir da real pergunta – Foi uma reação natural de um beijo – disse convicta – Se fosse outro garoto, eu também o beijaria – completou, o olhando fixamente, tentando não demostrar sua verdadeira intenção ao deixar o beijo acontecer.
E ficou chocada ao ver a expressão do rosto dele, endurecer rapidamente, seu corpo ficar rígido, o maxilar travar e olhos cinzas ficarem mais escurecidos. Ódio!
Ela distinguiu o ódio nos olhos de Draco e antes que pudesse fazer ou dizer alguma coisa, ele virou as costas e com força, bateu a porta, a deixando sozinha na sala.
— Ohh, droga – se lamentou, levando a mãos ao rosto – Definitivamente, eu estraguei as coisas – comentou para si mesma, ajeitando os cabelos – Ele vai criar uma barreira imensa entre nós, de novo – completou, e um pouco cabisbaixa, seguiu pelo corredor em direção ao único lugar que teria sossego; a biblioteca. Precisava se lamentar sozinha.
(...)
Theodore observava o amigo, um tanto curioso, afinal não era todo dia que se via, Draco Malfoy andando de um lado para o outro e resmungando algumas palavras sem sentidos, como; beijo, loucura e o sobrenome da heroína da guerra, tantas e tantas vezes.
— Cara, você está muito esquisito – comentou, observando o loiro aflouxar a gravata e olhá-lo, como se quisesse mata-lo – O que? Só estou falando, o que todos estão comentando – explicou, lembrando dos comentários dos demais alunos e alunas da Sonserina, sobre o quanto Draco estava diferente.
— Ela que é esquisita! – disse apontando para fora da porta – Ela que é louca e sem noção – continuo, jogando a gravata longe – Aquela garota é completamente louca — finalizou, se jogando no sofá, fechando os olhos, enquanto tentava se acalmar. Estava fervendo de ciúmes!
“Como ela ousar dizer que beijaria outro garoto, se ele a beija-se também? Ela deixaria o beijo acontecer? O beijaria, como o beijou?”
Nunca foi de ter ciúmes de ninguém e nunca sentiu na pele, o gosto amargo do ciúmes. Sempre provocava, mas nunca foi provocado. E agora aquela nascida trouxa, simplesmente o fez ferver de ciúmes e possessividade com a simples possibilidade de outro garoto, beija-la.
— Draco, está me ouvindo? – a voz de Theodore, o tirou dos pensamentos e virando a cabeça, notou o amigo, o olhando bastante curioso.
— Desculpe, estava longe, o que você dizia? – perguntou, voltando a olhar para o teto. Inferno, Theo estava começando a pressiona-lo e sabia exatamente a pergunta que ele faria.
— Quem é esquisita? – questionou direto e o loiro apenas, xingou Hermione em pensamento por faze-lo explodir daquela forma na frente do moreno.
— Ninguém em especial! – disse tentando driblar o sonserino – Vou dar uma volta e depois vou para o meu dormitório – acrescentou e sem esperar o mesmo questiona-lo mais uma vez, Draco saiu das masmorras, passando por Pansy e Astória que tentaram lhe chamar a atenção, mas ele apenas se desviou delas e seguiu pelos corredores do castelo.
Caminhava olhando para o chão, sem pressa atenção no caminho que percorria e da mesma forma, vinha Hermione, do outro lado do corredor com seus inseparáveis livros grossos nos braços, tentando se concentrar em outra coisa que não fosse Draco.
Ambos olhavam para o chão, com os pensamentos voltados um para o outro e erguendo as cabeças, os olhos cinzas e os olhos castanhos se encontraram e lá permaneceram por um longo tempo, os fazendo esquecer de tudo ao seu redor.
Ela o olhava, com lágrimas transbordando pelos olhos, enquanto ele sentia seu coração choca-se contra seu peito, o fazendo manter os olhos presos nela.
Hermione Granger era a mulher mais bela que já viu na vida e se perguntava nesse momento, por que demorou tanto para enxerga-la, vê-la, como era verdadeiramente. Aquela grifinória se tornará uma mulher e Draco a queria para si.
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