O Filho do Inventor
10 Capítulo 10
Tomou um banho, trocou de roupa, passou maquiagem, arrumou o cabelo. Olhou-se no espelho, estava pronta.
Vestia um vestido curto, tomara-que-caia preto. A parte de cima era como um corselete, com glitter dourado, a saia abria-se delicada, em várias camadas. Usava brilhante dourado e carregava sua bolsa estilo clutch preta, com spikes. Seus olhos estavam contornados com sombra prata bem esfumada — de modo que não estava muito marcada — e delineador gatinho preto. O blush pêssego era leve e o batom, muito vermelho, matte. Apenas a parte da frente do cabelo estava presa, levada para trás da cabeça pelas laterais de uma forma relaxada. Ela usava brincos dourados de bolinhas.
Segurando os sapatos na mão, pulou a janela. Jeremy a esperava de carro na esquina. Andou pelas sombras até achar o carro certo. Um dos carros estacionados na lateral da rua acendeu e apagou os faróis rapidamente. Luma correu e entrou no carro.
– Uau! Você está… – Jeremy estava sem palavras – Digo…
Luma sorriu e o beijou.
– Sério, sem palavras Luma, você está fantástica.
– Obrigada. – Disse ela, colocando os sapatos.
Endireitou-se no banco e pôs o cinto. Silêncio.
– Jeremy? – ele ainda a olhava — Vamos?
– Ah, ok, desculpa. Você tem certeza de que quer fazer isso?
– Absoluta.
– Então tá.
O motor foi ligado e eles saíram dali.
A casa era branca e grande, com tantas janelas que as paredes pareciam ser de vidro. A festa acontecia no exterior da casa — no jardim da frente e no quintal, com piscina. Luma deu uma animada. Se era pra esquecer tudo aquilo, aquele era o lugar perfeito.
Estacionaram. Isis e Audrey vinham correndo, sorrindo. Surpreendentemente, Jeff as acompanhava.
Isis usava um vestido verde, de decote reto e alças finas, bem acinturado, combinado com salto alto preto. A maquiagem era marrom, com muito rímel e gloss nude. O cabelo da parte esquerda da cabeça de Isis estava preso atrás, com um grampo grande e dourado, caindo ao lado direito.
Audrey usava um top cropped preto de tecido duro, justo, saia de cintura alta preta, quase tão volumosa quanto a de Luma. O sapato era cheio de glitter preto, com salto de 15cm. Usava meia calça arrastão preta e maquiagem prateada, carregada no degradê preto. A franja estava presa para trás, no alto da cabeça com um topete retrô. Luma nunca vira o cabelo de Audrey solto, ela estava sempre com um rabo de cavalo alto, mas ali podia afirmar que ela tinha o cabelo liso e curto, caindo repicado em seus ombros.
Jeff parecia mais à vontade, com jeans largos, o All Star de semrpe, uma camiseta branca com decote em V e um blazer preto casualmente jogado por cima de tudo. O cabelo não parecia mais arrumado do que o normal.
Jeremy também usava blazer e calça jeans, mas os sapatos eram mais formais, italianos e, por baixo do blazer, uma camisa amarrotada.
Todos se cumprimentaram, inclusive Jeff e Jeremy.
Logo no começo da festa, Luma decidiu conversar com Jeff, estava claro desde sempre que ele não gostava de Jeremy.
Foram para o quintal, sentaram-se em um banco de vime, com vista para a piscina e os adolescentes dançando loucamente ao som de música eletrônica.
– Ok, Jeff. O que aconteceu?
– Como assim? — ele se fazia de desentendido.
– Você sabe… Você e Jeremy. O que foi?
Jeff parecia incomodado com o assunto, mas não o negou, sendo Luma sua companhia.
– Bem, nós temos… Meio que uma rixa. Cara, como te explicar? — ele afastou o cabelo de testa — É como aquelas brigas entre famílias dos filmes sabe?
– Sei, como os Capuleto e os Montecchio?
– É… Mais ou menos. Se seguirmos a história de Romeu e Julieta, você é Julieta, ele é Romeu e eu sou, sei lá, seu pai que tenta te impedir de ficar com ele.
– Mas o pai de Julieta não tinha uma queda por ela. — disse Luma, dando-o uma cotovelada amigável, piscando e sorrindo.
Ele corou.
– Bem… É.
– Eu já sei há um tempo.
– E está tudo bem pra você?
Luma riu.
– Por que não estaria, Jeff?
– Eu só… — ele bufou -É que nunca me aceitaram, provavelmente pela minha condição– disse ele, levantando uma perna.
– Uau, então você só gostou de garotas fúteis, isso não faz diferença alguma para mim.
Ele levantou os olhos para olha-la.
– Você é incrível Jeff.
Então Luma percebeu que estava fazendo a coisa errada. Jeff era um garoto sensível, na maior parte do tempo (longe de Jeremy) animado, entusiasmado, cheio de expectativas. Mas ela percebeu tarde demais. Ele já a havia beijado.
Ela queria gritar “Não, Jeff! Para!" Mas estava sem reação. Se afastou devagar e disse com delicadeza, como se pudesse quebrar algo se não tivesse cuidado:
– Desculpa, Jeff, você sabe… Eu não posso.
– É, eu sei, você gosta dele. — ele revirou os olhos, mas estava claramente feliz — Eu que lhe peço desculpas.
Ela ensaiou um sorriso e eles levantaram, andando em direção ao jardim da frente.
– Você está linda, a propósito.
– Haha, ai Jeff, obrigada. — Luma pousou um braço em suas costas.
– E então, como foi? — perguntou Isis, animada.
– Bem, ele teve uma… Boa reação. — Luma se segurava
– A gente viu ele te beijar. — soltou Isis
– Argh… Eu não posso aguentar fazer isso com ele. Quer dizer, ele é incrível!
– É, mas o Jeremy também. — disse Isis, apontando o namorado de Luma, que ria com os amigos, jogando meninas mega maquiadas na piscina.
– Eu sei… — Luma suspirou.
– Quer saber? Vou me juntar a eles. — Isis estava com um ar de vou ali beijar alguém– Fui.
Luma e Audrey sobraram.
– Ei, você está bem?
Audrey estava cabisbaixa, meio desanimada. Ela não era muito falante ou palhaça como Isis, mas ela não era tão depressiva também.
– Eu só… Sei lá, fiquei assim depois que… — ela estava triste e relutante para falar sobre isso.
– AI. MEU. DEUS!– Então Luma percebeu o porquê — Você gosta de Jeff! Acertei? Ai, Deus, faz tanto sentido! É por isso que você é quem vinha me falar o que ele sentia, como ele estava, quando ele estava bravo. Você é quem o conhece melhor, quem está mais próxima dele, e é por isso!!
Audrey levantou a cabeça e assentiu.
– Ora, amiga, não fique assim! Claramente isso vai dar certo — Luma não era boa com conselhos e consolos — Eu já deixei claro pra ele que meu negócio é com Jeremy, ele vai procurar outra garota e quem está mais perto dele?
– Eu. — desta vez parecia ter funcionado.
– Sim! — Luma a abraçou.
Isis estava voltando, com um copo na mão, anunciando:
– Ei, liberaram a bebida!
A expressão de Luma a dizia que Audrey estava mal.
– O que aconteceu?
– Ela gosta de Jeff.
– Luma! — repreendera Audrey.
– O que? Ela não pode saber?
– AI. MEU. DEUS!
– Ha, eu disse a mesma coisa!
– O que você está esperando, amiga? Pensa bem, a Luma acabou de dar um fora nele, tudo o que ele quer é achar alguém pra substituí-la. Liga os pontos.
– Luma já me disse, eu sou amiga dele, estou mais próxima, blá blá blá, um dia ele vai gostar de mim.
– O que? Não! Quer dizer, ele vai, mas pra que esperar? — Isis era ótima com conselhos e consolos — Estamos numa festa, baby! Vai lá pegar seu gato!
Audrey ficou vermelha.
– Como?
– Dança com ele, conversa um pouco e tasca um beijo. Simples. Se não estiver rolando… — Isis olhou para os lados, e sussurrou, com uma piscadinha no fim — faz ele beber.
As meninas riram.
– Você está certa. — Audrey verificou a aparência no vidro do carro. — Beijos.
Foi para o quintal. Através das grandes janelas, Isis e Luma podiam vê-la tentando ter uma boa conversa com ele.
– E você, vai deixar seu namorado lá, sozinho? — disse Isis, olhando Luma.
– Eu não estou no clima hoje.
– Ah, qual é, Luma? É festa e você não pode deixar as coisas te abalarem aqui.
– Você está certa. Você sempre está certa, Isis. — Luma a abraçou — Obrigada por animar a gente.
– Ok, de nada, chega de melosidade, vem comigo. — Isis segurou o pulso de Luma.
– Aonde?
– Pros fundos! Vamos beber e beijar!
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