As três deusas deixaram o Parthenon graciosas, com seus flashes de luz cegante. Perséfone agradeceu aos semideuses pela oportunidade de respirar ar puro dos vivos novamente, assim como lhe agradeceram pela imensa ajuda. E, por último, Ártemis também deu o braço a torcer e agradeceu por terem salvado o Olimpo e o planeta de uma grande catástrofe. As Caçadoras deram um sorriso fraco, a não ser por Thalia, que sorria sem parar (ela havia prometido à eles que falaria com seu pai sobre Hera) e por Fran, que abraçou Jeff e o agradeceu por tê-la achado e dado-lhe a oportunidade de se juntar às Caçadoras. Então, de repente, sua expressão se fechou e ela começou a se aproximar mais de outras Caçadoras como se estivesse se escondendo (velhos hábitos nunca nos deixam, não é?). Então as Caçadoras se foram também.

Assim, os quatro semideuses, o sátiro e a fênix tomaram seus caminhos.

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Já na altura de Virgínia, estavam cortando um grande estacionamento ao lado de um parque quando perceberam que algo estava cobrindo drasticamente o Sol. Uma voz feminina retumbou no lugar.

– Parabéns, semideuses, concluíram sua missão. — era uma voz muito familiar — Aqui vai um presentinho de meu marido à vocês, heróis. — disse, enojada, porém satisfeita

Foi rápido e vinha zunindo infernalmente. Ao olharem para cima, não viram dezenas ou centenas, mas milhares de pássaros de metal. Pombos de bronze, os olhos vermelhos, vinham na direção deles com os bicos afiados como navalhas.

– Pássaros da Estinfália! — apontou Ângelo, aterrorizado

Foi então compreendido que a mulher que falou com eles era Afrodite, esposa de Hefesto, deus das forjas.

Eles tentaram lutar. Luma ficava afastada, flechando os malditos pássaros com suas flechas especiais, de pontas extremamente afiadas e mortais para qualquer criatura. Adam invocava sombras que confundiam um pequeno grupo a ponto de dar-lhes curto circuito e fazê-los explodir em pleno ar. Invocava também mãos gigantes e fantasmagóricas que nasciam da terra e puxavam o primeiro ser que pegassem para o Tártaro, puxando até quatro de uma vez, além de lançar sua foice como um bumerangue, matando repentinamente dúzias de pássaros. Jeff tocava sua flauta, frenético, trotando por aí. Audrey tentava ceifar os pássaros, mas a falta de experiência com a foice não a ajudava nem um pouco. Lutavam bravamente, mas para qualquer lado que olhassem, viam apenas mais centenas e centenas de pássaros a matar. Começaram a se cansar, até que Adam teve uma ideia. Gritou para Luma então:

– O ponto fraco deles é o som. Consegue fazer algo?

E foi como um clique em seu cérebro. Lembrou-se de quando praticamente ensurdeceu a colega de escola, quando muito jovem. Fechou os olhos e se concentrou. Lembrou-se da pressão em seu estômago, do tremor em suas cordas vocais, dos punhos cerrados, até da gota de suor que escorria em seu pescoço. Uma grande vibração encheu o lugar. Não era possível ouvir nada, mas era possível sentir o som em sua pele de tamanha intensidade, arrepiando os pelos de seus braços.

Os pássaros começaram a enlouquecer; ou se chocavam um no outro, ou simplesmente explodiam. Os que se recusavam a morrer, Audrey e Adam davam uma ajudinha. Ao abrir os olhos, Luma viu milhões de pecinhas de bronze celestial no chão, chamuscadas.

Eles comemoravam a vitória, mas Jeff percebeu que havia algo errado. Havia algo muito errado.

– Gente, espera! — todos lhe deram atenção — Onde está Isis?

E então repararam que ela havia sumido. Assim como Ângelo. Assim como Téfra. Será que os pássaros haviam feito algum mal à eles? Ou Afrodite os sequestrara? O que poderia ter acontecido?

– Não... — disse Luma, quase como se fosse uma piada — Espera aí, gente, eles estavam bem aqui.

– Sim, mas não estão mais. — respondeu Jeff

– Como é possível, cara? — perguntou Audrey, retoricamente

– E agora? O que fazemos? — questionou-se Adam

Todos olharam para Luma. A parte ruim de ser líder de uma missão era que esse tipo de questão cabia a você. Era você quem teria de tomar a decisão dependente da vida de seus amigos. Rápido.

– Acho que devemos ir ao Acampamento, avisar que concluímos a missão e então falar sobre isto também. Quem sabe conseguimos permissão para deixar o Acampamento e ir atrás deles, junto com um grupo de busca, ou sei lá. Sátiros têm faro afiado.

Ninguém argumentou. Não por respeito ou medo de Luma, mas porque não faziam ideia sobre o que fazer de qualquer forma. Esta parecia ser a única saída cabível.

Claro que teriam de ir atrás de Isis, Ângelo e Téfra e salvá-los, mas não era hora ainda. Não podiam simplesmente deixar o Acampamento inteiro esperando, acreditando que foram todos mortos e depois de dias voltar com Isis nos braços alegando que ela havia se perdido (o que não faria sentido, sendo ela filha de Hermes). Além do quê, aquela era a primeira missão de todos eles, exceto Adam. Se tentassem algo novo poderiam se ferrar feio e acabar nem resgatando Isis. Também não achavam certo começar outra missão sem contatar o Acampamento, então voltaram.