O Filho do Inventor

25 Capítulo 25 - Adam & Luma


Luma voava com Téfra e Adam se mantinha pela metade na sombra da fênix. Era estranho quando a sombra passava por árvores, ele ficava subindo e descendo delas, tinha de desviar galhos e pássaros. A fênix era muito veloz. Podia ser mais rápida que o Pagani em sua velocidade máxima se quisesse, e ela queria. Em 15 horas chegaram no local em que Hera estava. Não era um prédio alto, mas era grande e comprido, marrom com muitas janelas de vidro azul espelhado. Havia um grande gramado na frente com alguns pinheiros pequenos. Quando entraram, havia um grande hall ao ar livre com plantas e uma fonte. Depois de entrar havia um saguão iluminado. Um tapete vinho, branco e azul seguia até dois elevadores e uma porta com vidro. À direita, duas poltronas de couro, um pufe e uma mesinha de café ao lado de uma vitrine e uma porta para um escritório. À esquerda, uma mesa alta com quatro cadeiras, outra vitrine e uma porta que levava à sofás e um balcão. Ao lado da vitrine, uma placa. Aproximaram-se. Uma das coisas escritas era:

160 …………………………………………………Hera Hub

– O que é 160? — perguntou Luma

– Não faço ideia.

– Olha. — Luma apontou pela vitrine

Um vaso exibia majestosas penas de pavão. O pavão é um dos principais símbolos de Hera.

– Vamos seguir essas coisas que lembram Hera, podem ser pistas. — decidiu

Entraram. Ao lado deste vaso, havia um outro, duas poltrona, duas mesinhas de canto, um sofá e uma mesa de centro. As paredes eram bem decoradas e havia um tapete com estampa de bolinhas no chão. Do lado oposto, uma cadeira com o desenho de um pavão, um espelho e uma moça vestida sofisticadamente atrás do balcão. Pensaram por um minuto em perguntar algo para ela, mas não sabiam o que. Foi quando viram, atrás do balcão, uma porta com uma guirlanda de penas de pavão. Adam cutucou Luma, apontou a porta e eles seguiram para lá. A secretária tentou pará-los e eles começaram a correr. A porta levava a um salão com exposições de quadros com mulheres de chapéus caros e chiques, majestosos. Ao lado, réplicas de seus chapéus. Haviam várias portas no local, eles não sabiam para onde ir. A sala tinha várias mesas dispostas em forma de quadrado com cadeiras brancas e muitas plantas. Por algum motivo estranho, bolas de Pilates também estavam por ali. Várias mulheres trabalhavam e conversavam e nem os notavam. Atrás deles, pequenas estantes de livros e um pequeno hall com poltronas, uma mesa de centro e muitos folhetos.

A secretária estava vindo. Avistaram através de uma grande janela uma grande pintura, dividida em três quadros de um enorme pavão. No vidro, um aviso colado: "Gravação em andamento. NÃO PERTURBE.". Entraram mesmo assim. Havia uma tela verde, equipamentos de luz, um armário, estantes de revistas e álbuns de fotos, mesas compridas de reunião e duas poltronas de couro marrom. Uma moça alta e loira falava de frente à câmera. Quando entraram, ela parou, o homem que filmava os olhou nervoso. Ela usava um vestido até o joelho, cinza azulado escuro, formal, de decote reto e cinto fino preto.

– D-Desculpem. — disse Adam, agitando as mãos

A secretária chegou.

– Perdão, senhora, eles entraram sem pedir e eu não tive como…

– Não. — cortou a mulher loira — Está tudo bem, April. Eles são convidados.

Os olhos dela brilharam e eles notaram uma pena de pavão pregada na parede ao lado dela e um prendedor de cabelos com uma réplica mini do mesmo símbolo. Aquela era Hera, a rainha do Olimpo.

Ela pousou a mão nas costas deles e começou a sair da sala.

– Senhora Felena, temos de gravar o anúncio. — disse o câmera

– Depois fazemos isso, sim? — ela piscou e sorriu

Continuou andando, levou-os a uma das portas no salão e trancou.

Eles ficaram nervosos e foram para o canto perto da janela. Voltando-se para eles, ela mudou completamente. O rosto ficou mais jovem e fino, os olhos maiores, mais atentos, o cabelo mais sedoso e trançado, as sobrancelhas mais marcadas. Seu vestido profissional foi substituído por uma tradicional túnica grega, com relexos em verde. Era de uma alça só e nela havia uma pena de pavão. Usava uma faixa dourada muito fina no cabelo, na parte superior da cabeça e trançado junto com o cabelo louro. Tinha uma aura de mãe, de chefe de família.

– Então… Falem. — disse ela, com tom autoritário

– É… Só viemos para… — Luma não sabia como começar

– Para me impedir de brigar com Afrodite e Atena.

– Não! Imagine, na verdade achamos que não faria diferença nenhuma você lutar ou não.

– Você está insinuando que vou perder, garotinha? Como ousa?

– Não! — Luma sentia medo dela — Não. Não me entenda errado, o que quis dizer é que, se lutasse, você ganharia.

– Eu vou lutar e vou ganhar.

– É. E ganhando, você seria a mesma.

– O que quer dizer?

– Que já é a melhor e mais importante deusa, oras.

– Isto é óbvio. — disse Hera, indiferente

– Então. — pontuou Adam — Por que brigar pelo poder que já tem e sempre terá? Imagine — ele riu forçadamente — se aquelas duas tivessem alguma chance e ganhassem, ninguém aceitaria. Você continuaria sendo a mais poderosa sempre.

– Como assim se elas tivessem chance? Eu já perdi uma vez, não se lembra?

– É, mas aquilo não foi honesto. Páris não votou na deusa, votou na oferta.

Hera levou uma mão ao queixo, pensativa, depois apontou para Adam, dizendo:

– Você tem razão, garoto, aquilo foi injusto.

– E se Afrodite fosse a mais bela, teria conseguido se casar com Zeus. Mas convenhamos, ninguém está a altura do rei do Olimpo, que não seja a mais bela e poderosa deusa.

Os olhos de Hera brilharam.

– Você tem toda razão, garoto. Além do mais, Afrodite tem poder com a voz e usou-a muito bem na primeira disputa.

– Exatamente.

– Mas eu ainda terei de lutar. Mesmo permanecendo a melhor, não posso amarelar, quero que Zeus se orgulhe de mim.

– Que homem não se orgulharia dessa perfeita mãe e esposa? — Adam estava mandando ver na bajulação

– Sim, mas Zeus não valoriza um bom casamento como o nosso.

– Bobo ele, você é ótima.

– Está dando em cima de mim, garoto? Não acha que é muito novo, não?

De fato era, mas essa não era sua intenção.

– Não… Eu…

– Não, senhora Hera, ele só está tentando te mostrar o quanto você merecia mais. Mais poder, mais respeito, mais amor. Você é a melhor, tanto os deuses, mortais, semideuses, criaturas diversas e até monstros sabem disso.

Hera mostrou-se pensativa. Andou de um lado para o outro e então disse baixo:

– Acho que deveriam ter uma conversa com Zeus qualquer dia desses.

– Claro, estaremos em Nashville no dia da batalha, se nos ajudar a completar a missão e acabar com essa briga, falamos com Zeus até que ele se convença que você devia ter muito mais pela mulher e deusa que é. Talvez ele se sinta tão culpado que te coloque no controle do Olimpo.

Os olhos dela voltaram a brilhar, agora com mais força. Hera podia ser a deusa mais poderosa do Olimpo, mas era como qualquer pessoa mortal ou não: Amor e poder era tudo que ela queria.

– Tudo bem, eu ajudo vocês. Obrigada, semideuses.

Hera destrancou a porta, transformou-se novamente e saiu apressada.

– Para onde vamos agora? — perguntou Luma

– Vamos sair e mandar uma mensagem de Íris para alguém.

Os dois saíram, sentaram-se no meio-fio e mandaram a mensagem para Jeff, mas todos atenderam juntos.

– Oi, Luma. Deu tudo certo?– perguntou ele

– Deu sim, ela se convenceu a não brigar e a convencer as outras também. E vocês?

– Não temos certeza sobra Afrodite, mas Atena foi convencida, sim.– respondeu Audrey

– Ótimo.

– Mudando de assunto, onde estão? E por que essas roupas, Isis e Ângelo? Estão maravilhosos!

– Obrigada!– respondeu Isis — É um presente de Afrodite.

– No caminho de Nashville. Íamos nos encontrar lá, mas resolvemos nos ver antes. Estamos mais ou menos em Colorado. – respondeu Audrey

– Ei, temos de lembrar que se der errado e tivermos de lutar, não poderemos vencê-las sem um deus ao nosso lado. — lembrou Ângelo

– Também não podemos esquecer que há outras deusas querendo competir também.– disse Isis

– Eu… Tenho um plano. — disse Adam

– Conta. – solocitou Ângelo

– Olha, se perdemos tempo indo para Nashville, teremos de lutar com todas as deusas do Olimpo com um só deus ao nosso lado. Acho que devíamos ir atrás de pelo menos uma deusa que não fique no Olimpo, e convencê-la a se juntar a nós.

– Tem razão. – disse Audrey — Mas quem?

– Afrodite mencionou Perséfone. – lembrou-se Isis

– Então... — decidiu Luma — Vamos ao submundo. — afirmou Luma

Notas finais
Já volto, seus lindos. Não se esqueçam de deixar suas opiniões aqui em baixo (: Obrigada!